• Nesta semana, tivemos uma aula muito interessante dentro da disciplina de Coaching de Bem-estar e Saúde, que desenvolvemos atualmente na Universidade de São Paulo (USP). Aliás, esse curso, o único a abordar essa visão de atendimento do profissional de saúde, é o primeiro no Brasil e, pelo que nos foi informado, também o primeiro na América Latina – no fim do texto eu explico brevemente no que ele consiste.

    Enfim, logo após um exercício onde associamos conhecimento com mudanças de atitude, fomos gratificantemente surpreendidos pelo comentário de um aluno. Ele disse: “Eu já fiz vários cursos, estudei programação neurolinguística e outras temáticas e não coloco esse conhecimento em ação”.

    Achei a observação tão rica que decidi trazê-la para essa coluna. Por que as pessoas que querem emagrecer não emagrecem? Salvo algumas exceções, a maioria delas sabe o que precisa fazer. Então, o que está acontecendo no planeta? Veja: nenhuma nação conseguiu, ao longo de 33 anos, reduzir a obesidade per capta, como já falamos isso aqui recentemente.

    Consciência e planejamento
    O fato é que vivemos nossa vida no automático. Vou te dar um número: passamos 40% do dia fazendo atividades de maneira quase inconsciente. Tomamos banho, escovamos os dentes, trocamos de roupa, dirigimos nossos carros e, pasme, comemos sem prestar atenção no que colocamos na boca.

    As urgências e as preocupações com o futuro fazem a mente viver constantemente fora do aqui e agora, o que não combina com uma refeição balanceada e mesmo saborosa. Falamos disso no livro O Fim das Dietas.

    Ainda assim, por que não tomamos as rédeas da vida quando realmente desejamos algo para nós, como emagrecer? Duas são as variáveis apontadas pela literatura:

    1) Temos dificuldade de tirar a vida do automático. Mudar as atitudes requer um tempo de reprogramação. Você precisa estar presente em sua agenda todo dia.

    2) Idealizamos as mudanças no estilo de vida como grandes projetos, e não como pequenos ajustes planejados

    Explico melhor. Quando pensamos em emagrecer, vislumbramos um número enorme de tarefas. Você promete treinar todo dia, cortar da dieta os alimentos considerados vilões do emagrecimento – o que não existe –, preparar todas as refeições em casa, abolir os industrializados…

    Claro que adotar tudo isso junto não vingará. O projeto é maior que o seu orçamento emocional pode pagar, principalmente no longo prazo.

    Para não sofrer, ajuste seu projeto para o realizável. Não está treinando? Então comece usando as escadas do trabalho, ou suba um andar do seu prédio para pegar o elevador. Não come fruta? Experimente comprar algumas no mercado na próxima visita e, antes de ir dormir, coloque-as ao lado da bolsa para servir como um lanchinho da tarde.

    Resumindo, faça pequenos gestos em direção à sua meta com os conhecimentos que você já tem. E dê os primeiros passos agora. Na medida em que esse projeto caminhar, ajuste com um profissional mais detalhes e acelere aos poucos em direção ao seu sonho.

    É como uma viagem: você programa, faz as malas, enche o tanque do carro, pega a estrada certa em direção ao seu destino e, depois de um tempo, chega onde planejou. Todos os grandes projetos da humanidade começaram com os pequenos movimentos.

    A disciplina de Coaching de Bem-estar e Saúde
    Nessa visão, o paciente muda de status. Ele deixa de ser “paciente” e vira “cliente”. Na área da saúde, essa última palavra às vezes causa estranheza, mas a ideia é dar força e poder de decisão na condução de sua própria saúde.

    O profissional de saúde se torna um aliado e parceiro de jornada. Ele não abre mão do conhecimento adquirido, porém respeita a vontade do cliente em receber ou não certas informações. E, acima de tudo, aprende a se comunicar de forma não violenta.

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  • A incidência de crianças e adolescentes acima do peso ou obesos vem crescendo rapidamente. Na última década, um terço das crianças norte-americanas foram diagnosticadas com sobrepeso e 17%, como obesas. Na América Latina, uma em cada cinco está acima do peso ou é obesa. No Brasil, observa-se uma disseminação da obesidade em todas as faixas etárias – mas com um especial e nada positivo destaque para os menores de 18 anos.

    Diversas doenças crônicas são associadas à obesidade, como infarto agudo do miocárdio, hipertensão arterial, trombose, enfermidades autoimunes, alterações de crescimento e desenvolvimento e até mesmo o câncer.

    Aqui também se destaca o diabetes tipo 2. Ele é um dos problemas crônicos mais fortemente ligados à obesidade. Antigamente conhecido como “diabetes do adulto”, os casos na infância começaram a surgir com maior frequência graças à epidemia de obesidade. E pior: a incidência já no começo da vida têm aumentado em larga escala nos últimos anos.

    Por quê? O excesso de peso leva a um estado de resistência à ação da insulina – hormônio produzido pelo pâncreas e responsável pela entrada de glicose para dentro das células. Se a obesidade persiste, essa alteração metabólica provoca a falência das células do pâncreas e a consequente diminuição na produção de insulina. Resultado: um aumento duradouro da glicose no sangue – está aí o diabetes tipo 2.

    As principais causas relacionadas ao crescente número de crianças e adolescentes obesos e com diabetes envolvem mudanças típicas do mundo moderno, como falta de atividade física, aumento da disponibilidade de alimentos com altos índices calóricos e em porções maiores, redução das horas de sono e o estresse. A predisposição genética tem um papel no surgimento do diabetes nas primeiras décadas de vida, mas não é o único fator, como alguns acreditam.

    Para ajudar a combater a obesidade nessa faixa etária, a sociedade médica tem pressionado os governos para criar políticas de saúde. Em 2014, os países integrantes da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) assinaram um acordo para desestimular o consumo de produtos alimentícios industrializados com a adição de altas concentrações de açúcares. Entre outras ações, o plano previu a implementação de políticas fiscais, como impostos sobre as bebidas açucaradas e os produtos com alto valor energético, mas pobre em nutrientes. Observou-se que o aumento de 10% no preço resultou na queda de 11,6% na demanda por esses alimentos.

    Entretanto, ainda cabe aos educadores, profissionais de saúde e principalmente aos pais observar os hábitos alimentares das crianças e estimular não só a alimentação saudável como também a prática de atividades físicas. O acompanhamento do crescimento pelo médico pediatra deve envolver mensurações frequentes do peso e da altura da criança e qualquer desequilíbrio precisa ser investigado. Juntos, podemos começar a virar essa maré.

    *Dra. Louise Cominato é endocrinologista pediátrica, membro do departamento de endocrinologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo e coordenadora do Ambulatório de Obesidade do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo.

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  • Se você é cardíaco, atenção: a Copa do Mundo pode ser um gatilho para que sofra um infarto. É o que diz uma pesquisa feita pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP). Segundo o trabalho, nas últimas quatro edições do torneio antes de 2014, o índice de ataques cardíacos entre pacientes maiores de 35 anos saltou de 4% a 8% em todo o país.

    Os pesquisadores analisaram os dados dos Sistemas de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS), verificando as hospitalizações e os óbitos ocorridos no período de 1º de maio a 31 de agosto dos anos de 1998, 2002, 2006 e 2010. Eles compararam os índices dos dias sem Copa, dias de Copa sem jogos do Brasil e dias de jogos do Brasil. Apesar de o número de problemas cardiovasculares ter subido durante o campeonato mundial, o de mortes não teve aumento significativo.

    Um outro estudo, dessa vez realizado na Alemanha e publicado no periódico The New England Journal of Medicine, analisou quantos habitantes da Grande Munique foram ao pronto-socorro por problemas do coração de 1º de maio a 8 de junho e de 10 a 31 de julho de 2006 (ano em que a Copa ocorreu nesse país) e compararam com o período de 1º de maio a 31 de julho de 2003 e de 2005.

    Nos dias em que a Alemanha jogou, os pesquisadores notaram que a procura pelo atendimento de emergência foi 2,5 vezes maior. Eles registraram outro dado interessante: conforme a Alemanha ia avançando na competição, a busca pelo hospital crescia ainda mais.

    É importante salientar que os jogos de futebol não foram a causa desses problemas, mas sim um gatilho para pessoas que já tinham predisposição a doenças cardiovasculares. Segundo a cardiologista Rica Buchler, do Alta Excelência Diagnóstica, em São Paulo, diabéticos, hipertensos e sedentários são mais propensos a sofrerem um infarto, por exemplo.

    Na hora do jogo, como a frequência cardíaca cresce, ocorre um aumento de fluxo de sangue – que fica mais grosso – e, aí, pode ocorrer o mal-estar que leva o paciente ao pronto-socorro.

    “A emoção de um jogo por si só não cria a enfermidade. A parada cardíaca ou a morte súbita pode acontecer apenas se a pessoa que tem a doença não se cuida e deixa de tomar os medicamentos ou se ela nem faz ideia da sua condição clínica”, reforça a médica. “A nossa preocupação é com as pessoas que não visitam o médico regularmente, não fazem exames, não medem a pressão e podem ter emoções fortes durante os jogos, que serão um gatilho para um transtorno maior”, completa.

    Então, se você tem um problema no coração e acha que não poderá ver a Copa, fique tranquilo. Não é nada disso! O importante é ter conhecimento prévio da sua condição física e respeitar o seu corpo.

    “O estresse de um jogo decisivo é o mesmo de quando se escala uma montanha: suba apenas se você tiver condições. Para passar pela Copa com segurança e sem sustos, basta ficar atento e se monitorar. A família do paciente também deve auxiliá-lo”, aconselha a médica.

    Além disso, ela pontua que é preciso evitar o excesso de cafeína e álcool. “Para quem já faz acompanhamento de rotina, só é necessário continuar seguindo as recomendações do médico para se manter seguro”, conclui.

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  • Antes de tudo, é importante destacar que ter ovários policísticos não é sinônimo de sofrer com a síndrome do ovário policístico (SOP) e seus sintomas. Essa diferença também altera o tratamento.

    Veja: 20% das mulheres, ao fazerem um ultrassom, apresentam vários cistos no ovário. No entanto, a síndrome em si só é diagnosticada se há aumento de hormônios masculinos no corpo da mulher e um período menstrual irregular.

    Acredite: em alguns casos a paciente pode ter SOP e não apresentar vários cistos no ovário! O diagnóstico é definido quando pelo menos dois dos três critérios a seguir estão presentes: aumento da produção de hormônios masculinos, anovulação (período menstrual irregular) e exames de imagem com ovário policístico. Isso, claro, desde que outras doenças que cursam com sintomas parecidos sejam descartadas.

    A SOP em si atinge de 5 a 10% das mulheres em idade reprodutiva. Ela costuma surgir quando a hipófise, a glândula que regula a produção hormonal, acaba estimulando a liberação em excesso de andrógenos, os hormônios masculinos.

    Com isso, o amadurecimento dos óvulos, processo que ocorre todo mês, é comprometido. Quando a célula reprodutiva feminina não se desenvolve como deveria, vira um folículo enrijecido, que fica preso na região. É o famoso cisto no ovário.

    Portanto, aglomeração de cistos – em conjunto com o excesso de hormônios masculinos – pode impedir a formação de óvulos saudáveis e, consequentemente, alterar ou interromper o ciclo menstrual, levando à infertilidade. O aumento de andrógenos provoca ainda, entre outros sintomas, o aparecimento de acne e pelos no rosto.

    Por trás da síndrome do ovário policístico muitas vezes está a resistência à insulina, hormônio fabricado pelo pâncreas e responsável pelo controle do nível de açúcar no sangue. É que o desequilíbrio nessa produção pode desencadear o diabetes tipo 2. E os níveis de glicose muito elevados prejudicam os ovários, que passam a gerar mais andrógenos do que estrógenos, os hormônios femininos.

    Sintomas

    – Dificuldade para engravidar

    – Menstruação desregulada ou inexistente

    – Ganho de peso

    – Pele muito oleosa

    – Acne

    – Crescimento de pelos no rosto, nos seios e no abdômen

    – Queda de cabelo

    – Atenção: não é regra, mas primeiros sinais da SOP costumam aparecer na adolescência

    Causas e fatores de risco

    – Histórico familiar

    – Resistência à insulina

    – Obesidade

    A prevenção

    Embora não dê para evitar completamente a síndrome do ovário policístico, medidas com perda de peso em geral normalizam parte dos problemas. Estamos falando de espinhas, pelos, alterações menstruais… Levar uma vida saudável, com dieta leve e exercício físico, diminui até mesmo o risco de desenvolver diabetes tipo 2, outro fator de risco da SOP.

    O diagnóstico

    Desordens típicas da síndrome do ovário policístico podem ser confundidas com alterações da menstruação em si – entre elas o aparecimento da própria acne. Às vezes, esses sintomas e a própria irregularidade menstrual são intensificadas nos primeiros ciclos da adolescente. Por isso é importante procurar um ginecologista para uma avaliação logo que a menina entra na puberdade.

    Para o diagnóstico da SOP, o especialista leva em conta sintomas como irregularidade do ciclo menstrual e a presença de muitos pelos no rosto ou no corpo, além de testes laboratoriais que indicam o excesso de hormônios masculinos. Um exame de ultrassom ajuda: num quadro típico, ele revela a presença de dezenas de cistos ou mostra volume ovariano maior que 10 centímetros cúbicos.

    Mas, como já dissemos no início, é possível que a imagem do exame nem mostre essas alterações. Converse com o médico.

    O tratamento

    A síndrome do ovário policístico em si não tem cura. Mas o tratamento, aliado à adoção de um estilo de vida saudável, afasta as consequências.

    Antes de tudo, a pessoa deve praticar atividades físicas regularmente e ter uma dieta equilibrada, o que também significa maneirar no açúcar e na gordura.

    Se o médico constatar que a SOP está relacionada à resistência à insulina, a paciente via de regra será orientada a se medicar com metformina ou glitazonas, substâncias que corrigem esse defeito. Tais drogas afastam o risco de diabetes.

    Para aquelas que não querem engravidar, o tratamento é feito à base de pílula anticoncepcional. Ela contém doses de estrógeno e progesterona que normalizam o ciclo menstrual e diminuem a produção de hormônios masculinos. Uma alternativa é o uso exclusivo de progesterona.

    Caso o medicamento não dê resultados, pode-se optar pela cauterização laparoscópica dos cistos. É uma cirurgia pouco invasiva que, digamos, queima as estruturas que estão tomando conta do ovário.

    Por outro lado, quando há dificuldade para engravidar, a ovulação é induzida com substâncias como as gonadotrofinas e o clomifeno. O tratamento facilita a gestação porque torna o momento da ovulação mais previsível.

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  • O diabetes do tipo 2 costuma ser associado ao consumo desenfreado do açúcar. Mas de nada adianta maneirar nesse ingrediente e ir para o lado oposto, abusando dos alimentos cheios de sal. Um estudo realizado por pesquisadores suecos e finlandeses demonstra que o sódio, mineral presente no tempero, elevaria o risco de a doença surgir.

    No trabalho, que foi recentemente apresentado no congresso anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes, os pesquisadores também encontraram ligação entre excesso de sódio e a ocorrência de um quadro chamado diabetes autoimune latente em adultos (ou Lada, na sigla em inglês), que seria bastante confundido com o diabetes do tipo 2. Só que, nesse caso, trata-se de uma doença de progressão bem mais lenta e que não exige tratamento com insulina.

    O estudo

    Liderados pela Dra. Bahareh Rasouli, do Instituto Karolinska, na Suécia, os pesquisadores avaliaram dados de 355 indivíduos com a tal Lada, 1 136 com diabetes tipo 2 e 1 379 pessoas saudáveis.

    A alimentação diária dos participantes foi analisada por meio de questionários. Outras informações essenciais também entraram na conta, como idade, sexo, índice de massa corporal (IMC), tabagismo, nível de atividade física, consumo de álcool e fatores de risco genéticos para o diabetes.

    Os voluntários foram divididos em três grupos diferentes, de acordo com o tipo de consumo de sal. Ou seja, alto (mais de 7,9 gramas por dia), médio (entre 6 e 7,9 gramas) e baixo (até 6 gramas). E os integrantes da primeira turma apresentaram um risco quase 60% maior de receber o diagnóstico de diabetes tipo 2 do que o último. Não custa lembrar que a Organização Mundial da Saúde recomenda uma ingestão de até 2 gramas de sódio por dia, o que dá aproximadamente 5 gramas de sal.

    Os dados ainda mostraram que cada grama extra de sódio (o correspondente a cerca de 2,5 gramas de sal) aumentaria em até 43% o risco de uma pessoa se tornar diabética do tipo 2. Já em relação à Lada, cada grama do mineral elevaria em impressionantes 73% a probabilidade de esse quadro dar as caras.

    Os estudiosos não chegaram a investigar de que maneira o abuso do mineral contribuiria para o diabetes aparecer. Porém, especula-se que a substância pode levar à resistência à ação da insulina. E se esse hormônio não atua direito, a tendência é sobrar açúcar no sangue. Além disso, há evidências de que o sódio estaria ligado ao ganho de peso, um conhecido fator de risco para o diabetes do tipo 2.

    O jeito é maneirar

    Em entrevista ao portal Medical News Today, a líder da pesquisa admite que, por conta de o acompanhamento da dieta dos participantes ter acontecido através de questionários, é possível que as conclusões não sejam tão exatas assim. Afinal, muita gente não se lembra direitinho de tudo que comeu – ou pode deixar de relatar certos alimentos.

    Mas ela ressalta que não devemos subestimar os perigos do sódio em relação ao diabetes. Para a cientista, o próximo passo é avaliar se a diminuição do consumo de sal ajudaria na prevenção do distúrbio.

    Mas não é preciso esperar os resultados desses novos trabalhos para maneirar no sal e na ingestão de alimentos ricos em sódio – como é o caso de muitos industrializados. Afinal, já está mais do que claro que o excesso do mineral contribui para a subida da pressão arterial, o que nos deixa mais suscetíveis a problemas como infarto e derrame.

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  • Só de olhar para a barriga não dá para desconfiar, mas ali dentro moram no mínimo 10 trilhões de micro-organismos. Uma população pra lá de numerosa – a título de comparação, em todo o planeta somos, atualmente, 7,3 bilhões de habitantes. A esse universo abrigado no aparelho digestivo deu-se inicialmente o nome de flora intestinal, devidamente rebatizada de microbiota.

    Assim como acontece em nossa sociedade, os bichinhos têm família, nome e sobrenome. E, mais importante de tudo, executam inúmeras funções dentro do corpo. “Nos últimos anos, o número de evidências sobre a influência da microbiota na saúde aumentou muito”, afirma Elisabeth Neumann, professora do Laboratório de Ecologia e Fisiologia de Micro-organismos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

    Essa influência, é bom que se diga, nem sempre é positiva. “O desbalanço nas populações bacterianas está associado a diversas doenças”, conta a nutricionista Adriane Antunes, professora da Faculdade de Ciências Aplicadas da Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp.

    Uma equação bem simples denota essa quebra de equilíbrio: os micróbios potencialmente nocivos, que também habitam o intestino, se multiplicam a ponto de se sobrepor no jogo de influências sobre os bichinhos benfeitores. Uma das maneiras de evitar que isso aconteça ou reverter a situação é investir nos probióticos, bactérias reconhecidamente benéficas e que podem ser encontradas em iogurtes, leites fermentados, queijos, além de cápsulas e sachês.

    De acordo com Yasumi Osawa, farmacêutica da Yakult, empresa pioneira nas pesquisas sobre o tema, doses adequadas desses seres microscópicos ajudam a repovoar a microbiota, dessa vez com indivíduos de boa índole. Para mantê-los em forma e garantir sua colonização, também entram em cena os prebióticos, fibras que não conseguimos digerir. “Elas servem de alimento para os probióticos”, explica Yasumi.

    As relações e os banquetes travados dentro da barriga e seus reflexos no corpo vêm ganhando tanta importância que demandam um evento científico próprio, o Congresso Brasileiro de Pre, Pro e Simbióticos, o PreProSim. Realizado em junho, junto ao Ganepão, uma das conferências de nutrição mais relevantes do país, o evento não deixou dúvidas de que precisamos conhecer e valorizar o trabalho dessas bactérias. Abaixo, você vai ver como elas repercutem na imunidade, no coração e até na saúde mental.

    1. Baixa imunidade

    Está aí um efeito clássico dos probióticos: deixar nosso sistema de defesa mais afiado. Segundo Adriane, da Unicamp, a chegada das bactérias no intestino desperta as células de defesa, que, no susto, ainda não têm certeza se os bichinhos são mesmo aliados. “Esse mecanismo mantém o sistema imunológico ativo e mais apto a reagir frente a micro-organismos causadores de doenças”, explica a especialista.

    Há outras ações que contribuem para a blindagem contra agentes infecciosos. A farmacêutica Cristina Bogsan, professora da Universidade de São Paulo (USP), conta que as células de defesa que reconhecem o vírus da gripe passam a viver mais quando o indivíduo toma um probiótico presente em um leite fermentado, por exemplo – por tempo suficiente para passar o inverno numa boa.

    2. Problemas intestinais

    Considerando que 70% da microbiota fica na região do intestino, é natural que vejamos um impacto direto ali. “Atualmente, os probióticos e os simbióticos fazem parte do tratamento da constipação”, exemplifica o médico Dan Waitzberg, professor da USP e presidente do Ganepão.

    Há bactérias, como a Bifidobacterium animalis, presentes em determinados iogurtes, que incitam os movimentos peristálticos. São eles que fazem as fezes caminharem adiante. “O bolo fecal é transportado, mas não se liquefaz. É por isso que não há diarreia”, tranquiliza Cristina. Por falar nisso, Waitzberg lembra que os probióticos também são úteis frente ao popular intestino solto. Estudos apontam que certas bactérias reduzem o tempo de diarreia bem como as visitas ao banheiro.

    3. Obesidade

    Faz tempo que os cientistas sabem que a microbiota de um indivíduo obeso é diferente da de alguém com peso saudável. E um micro-organismo que marca presença em pessoas esbeltas tem animado a turma da pesquisa, a Akkermansia muciniphila. Durante palestra no PreProSim, a nutricionista Priscila Sala, do Centro Universitário São Camilo, em São Paulo, contou que a bactéria diminuiu de 40 a 50% o ganho de massa corporal entre cobaias.

    “Em experimentos, seu efeito foi preservado mesmo quando ela foi aquecida a 70 °C”, diz. Um grande diferencial, pois os alimentos com probióticos hoje são refrigerados para garantir a sobrevivência das bactérias. Enquanto a Akkermansia não chega ao mercado, invista em frutas vermelhas, cebola, chocolate e castanhas, que criam condições para o bichinho prosperar.

    4. Doenças bucais

    Aqui, dá para contar com duas formas de atuação. Uma é indireta: quando os probióticos chegam ao intestino, minimizam inflamações, o que melhora o estado de gengiva e adjacências. Mas a cavidade oral tem sua própria microbiota. Daí por que algumas bactérias têm impacto direto (e local) em encrencas como cárie e periodontite.

    Em estudos, o dentista Michel Messora, na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da USP, notou que associar o tratamento-padrão da periodontite a suplementos de probióticos melhorou a resposta dos pacientes à intervenção. “Além disso, caiu o risco de retorno da doença”, destaca Messora. Para prevenir o problema capaz de derrubar os dentes, ele diz que dá para apostar em iogurtes e leites fermentados – desde que tenham baixo teor de açúcar.

    5. Colesterol e pressão

    Nesses assuntos que afligem o coração, os achados são incipientes, porém empolgantes. A farmacêutica Elisabeth, da UFMG, revela que algumas linhagens dos gêneros Lactobacillus e Bifidobacterium seriam capazes de assimilar o colesterol no intestino. “Isso reduziria os níveis disponíveis para a absorção pelo corpo”, ensina. Mas ela diz que são necessários mais estudos para confirmar esse desfecho.

    Outros testes demonstram que certas bactérias têm a habilidade de induzir a produção de substâncias que regulam a pressão arterial, outro fator de risco ao coração. “Mas não podemos sonhar em resolver um problema dessa magnitude só com o uso desses micro-organismos”, ressalta Elisabeth. “Nenhum pre ou probiótico deve ser encarado como substituto da medicação”, enfatiza Cristina, da USP.

    6. Chateações íntimas

    Candidíase e vaginose respondem por quase 90% dos incômodos mais comuns nas mulheres em idade reprodutiva. O pior é que tendem a ser recorrentes. “E os antibióticos e antifúngicos andam menos eficazes”, observa José Maria Soares Junior, vice-chefe do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital das Clínicas de São Paulo.

    Um jeito de driblar essa resistência é botar os probióticos em jogo. “Ao ingeri-los por meio de suplementos, dá para mudar a flora intestinal e, assim, colonizar beneficamente a vagina”, descreve o médico. Daí os micro-organismos prejudiciais não acham brecha para se proliferar. Segundo Soares Junior, os alimentos probióticos até auxiliariam na prevenção. “Mas não adianta fumar, ser sedentária e descuidar do resto da dieta. Tudo isso afeta a microbiota”, alerta o ginecologista.

    7. Irritações de pele

    Ter um intestino regulado – com a forcinha dos probióticos – também deixa a cútis mais viçosa. “É que as toxinas que interferem na barreira hídrica da pele, por exemplo, acabam eliminadas”, informa Yasumi, da Yakult. Com isso, há menos espaço para rugas, pele seca… Mas as bactérias do bem têm outros trunfos na área dermatológica. Existem cepas, já disponíveis em sachês para serem tomados, que combatem a dermatite atópica.

    Os probióticos, nesse caso, ajudam a conter o processo inflamatório que leva a lesões na pele. Nessa mesma linha, segundo novos estudos, algumas bactérias ainda bateriam de frente com a acne. Para tirar proveito desses efeitos, o conselho é manter uma ingestão de probióticos frequente. Caso contrário, a microbiota volta ao seu estado natural, programado lá no início da vida. Mas é provável que, em breve, tenhamos cremes com essas bactérias.

    8. Câncer

    Especula-se que prevenir a disbiose – ou seja, o domínio das bactérias ruins na flora intestinal – diminuiria o risco de tumores, particularmente os colorretais. “É que teríamos menos inflamação ali, o que, com os anos, pode predispor à doença”, conta a nutricionista Thaís Manfrinato Miola, do A.C.Camargo Cancer Center, em São Paulo. Nesse aspecto, uma dieta equilibrada contendo alimentos com probióticos seria bem-vinda.

    Hoje, na prática, também se vê a indicação das bactérias boas durante o tratamento do tumor. Ao indicá-las a pacientes cirúrgicos, o médico Antonio Carlos Ligocki Campos, da Universidade Federal do Paraná, viu menos complicações infecciosas, além de menor uso de antibióticos e tempo de internação. Segundo Thaís, a medida também se mostra útil para aplacar reações adversas da quimio e radioterapia.

    9. Estresse e ansiedade

    Ninguém duvida que existe uma conexão direta entre intestino e cérebro. Por isso, há uma tendência em ligar os probióticos a impactos no sistema nervoso. “Algumas bactérias produzem moléculas precursoras de serotonina e estimulam a liberação de gaba”, exemplifica Cristina, da USP. Complicou? “Trata-se de neurotransmissores associados ao controle da ansiedade e à sensação de felicidade”, traduz.

    Ela frisa, porém, que os estudos estão caminhando para confirmar tais efeitos. Ainda se debate o papel dos probióticos frente a Alzheimer, Parkinson e depressão, além de desordens que afetam outras áreas do organismo. “Há um universo ilimitado de possibilidades”, diz Elisabeth, da UFMG. Mas não espere para mimar seus hóspedes. Eles retribuirão deixando a casa – ou seja, seu corpo – em ordem.

    Quem é quem nessa comunidade microscópica

    Probióticos
    São as bactérias bacanas, que só agem quando ingeridas na dose certa. Cada tipo (ou cepa) tem uma função específica.

    Prebióticos
    É assim que se definem certas fibras que alimentam os probióticos. Estão na cebola, no alho, na banana verde etc.

    Simbióticos
    Essas formulações já apresentam, numa tacada só, os benditos probióticos e seus alimentos, os prebióticos.

    Posbióticos
    Trata-se de substâncias liberadas pelos probióticos que podem ser acrescidas a produtos a fim de gerar vantagens.

    Parabióticos
    São os probióticos inativos, ou seja, mortos. Mesmo assim, eles conseguem atuar positivamente no organismo.

    Quando as bactérias aparecem?

    Ao contrário do que já se imaginou, hoje sabemos que o bebê não vem ao mundo sem uma microbiota. Mas esse conjunto de micro-organismos passa a se formar pra valer no nascimento. Por isso os louros vão para o parto normal, que permite a transferência das bactérias da mãe para o filho.

    O aleitamento materno é outro fator bem-vindo, enquanto o abuso de antibióticos não deixa a vizinhança tão amigável. Levar esses pontos em conta é essencial, porque a microbiota que carregamos pelo resto da vida se estabelece até uns 3 anos.

    Vale a pena investir em versões manipuladas?

    Em palestra durante o PreProSim, o médico Dan Waitzberg, da USP, frisou que as fórmulas de manipulação ainda não são as melhores opções para tirar proveito dos micro-organismos probióticos. “Não dá para saber de onde eles vieram”, justifica. Fora que os bichinhos podem se transformar em condições fora de controle, o que alteraria seu comportamento dentro do corpo.

    Segundo o expert, a junção de bactérias também requer bastante cautela. Não é porque são bacanas individualmente que serão excelentes em parceria. “Fazer misturas sem conhecer bem o assunto é feitiçaria, não medicina”, declara Waitzberg. Os itens industrializados seriam escolhas mais apropriadas, porque há laudos garantindo sua segurança. Mas, claro, o médico deve conhecer as bactérias minuciosamente, já que cada tipo tem uma função específica.

    Onde encontrar os probióticos

    Atualmente

    Iogurtes: alguns deles contam com as bactérias boas – e possuem diversos sabores.

    Leite fermentado: o mercado já conta com versões para adultos e até com menos açúcar.

    Cápsulas: além de protegerem bem as bactérias, são superfáceis de transportar.

    Sachês: o nitrogênio mantém os bichinhos vivos. É só dissolver o pó na água ou ingerir direto.

    Futuramente

    Sorvetes: pode comemorar: a guloseima garantiria a viabilidade dos probióticos.

    Chocolates: estudos já mostraram que ele também é ótima morada para bactérias do bem.

    Sucos: a acidez torna um desafio ter probióticos neles. Mas é uma forte possibilidade.

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  • Embora diversas pesquisas confirmem a relação entre diabetes e disfunção erétil, tal prevalência ainda gerava discussão. Pensando nisso, um time de cientistas da França, da Inglaterra, da Itália e de Moçambique se debruçaram sobre 145 estudos, analisando, ao todo, dados de 88 557 diabéticos do sexo masculino.

    Resultados: relataram dificuldade para manter a ereção 37,5% dos voluntários com diabetes tipo 1 e 66,3% dos com o tipo 2. Ao todo, o problema atingia 52,5% dos pacientes. O achado foi publicado no periódico científico Diabetic Medicine.

    A discrepância dos índices entre as duas versões da doença não tem explicação exata no momento. No entanto, sabe-se que o excesso de açúcar circulante no organismo — independentemente do tipo de diabetes — lesa os vasos sanguíneos que abastecem o pênis. E é aí que surge a impotência sexual.

    Agora é torcer para que esse estudo incentive os marmanjos a fazerem exames e se submeterem a eventuais tratamentos, como esperam os pesquisadores que conduziram a revisão. Além disso, que ele promova um estilo de vida saudável, capaz de evitar o surgimento do diabetes… e suas repercussões no corpo inteiro.

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  • A insônia foi alvo de debate no congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), o maior do Brasil. Durante uma apresentação de quase duas horas sobre o impacto da saúde mental no coração, o psiquiatra Kalil Duailibi, da Universidade Santo Amaro, fez questão de ressaltar a importância de receitar boas noites de sono para evitar que os pacientes sofram com infarto e mesmo AVC, o popular derrame.

    SAÚDE esteve presente nesta aula. E pinçou para você grandes motivos apontados por Duailibi — corroborados por outros especialistas — que explicam o porquê dessa associação negativa. Confira:

    Hipertensão: dormir menos de cinco horas por noite, acredite, aumenta em cinco vezes o risco de ter pressão alta, um dos principais fatores de risco para o infarto. Por quê? Além do estresse, os vasos sanguíneos de quem não consegue se desligar por tempo suficiente ficam mais rígidos.

    Obesidade: uma série de estudos mostra que a falta de descanso estimula a pessoa a comer mais. Pior: ela estimula que o alimento seja estocado na forma de gordura. Há, por exemplo, pesquisas sugerindo que, mesmo com uma ingestão idêntica de calorias, os sujeitos com poucas horas de sono tendem a engordar mais.

    Diabetes: Duailibi citou um levantamento com 300 pessoas completamente saudáveis que, por algumas semanas, foram impedidas de relaxar adequadamente. Algumas eram acordadas antes da hora, outras tinham de escutar barulhos ao longo da madrugada…

    Após tanto sofrimento, notou-se que essa turma — que antes apresentava exames normais — desenvolveu um princípio de resistência à insulina. E esse cenário, marcado por uma dificuldade de a tal insulina colocar a glicose para dentro das células, com o tempo abre as portas para o diabetes tipo 2.

    Depressão: é uma via de mão dupla, na verdade. Se por um lado esse transtorno psiquiátrico pode dificultar o adormecer, a insônia mexe com a cabeça da pessoa a ponto de aumentar o risco de uma tristeza profunda.

    Acontece que os quadros de melancolia moderada ou grave estão cada vez mais associados a repercussões pelo corpo inteiro. Isso porque substâncias produzidas em maior escala entre os pacientes deprimidos podem lesar os vasos sanguíneos.

    Mais do que isso, a doença em si faz o sujeito se importar menos com a própria saúde. Ele para de se exercitar, começa a comer pior, abandona o tratamento de eventuais doenças… E quem sofre com isso é o coração, literalmente.

    Resumo da ópera

    Segundo Duailibi, essas questões ajudam a entender levantamentos que indicam que, quanto mais sintomas da insônia águem apresenta, maior a probabilidade de infarto. Ou seja, é bom levar a sério sinais como dificuldade de concentração, sonolência diurna e irritação. Dormir não é desperdício de tempo, como muita gente alega.

    E um último dado para chamar atenção: menos de seis horas de sono aumenta o risco de morte por qualquer causa. Que tal valorizar o descanso?

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    Pera, maçã ou banana? Pode até parecer que estamos reinventando aquela famosa brincadeira juvenil ou selecionando ingredientes para uma salada de frutas. Mas, na verdade, os três termos são utilizados por médicos para definir tipos físicos.

    A endocrinologista Maria Edna de Melo, presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica, explica: “Um corpo maçã é aquele com maior concentração de gordura na região abdominal, com pernas e braços finos. O pera, por sua vez, é curvilíneo, tem uma melhor distribuição de tecido adiposo. Banana seriam os totalmente magros”. Agora que você já sabe qual é o seu biótipo, descubra mais detalhes clicando nas imagens abaixo:

    Maçã

    foto-imagem-maça

    Seu metabolismo é: lento. A barriga mais inchada, típica do perfil maçã, é resultado do excesso de gordura visceral, que se aloja dentro e ao redor dos órgãos. O problema: ela é especialmente danosa e pode, por exemplo, levar a problemas cardiovasculares e diabete, de acordo com um estudo realizado por pesquisadores do Hospital Geral de Massachusetts, nos Estados Unidos.

    Pera

    foto-imagem-pera

    Seu metabolismo é: rápido. O maior volume das coxas e do quadril — que dá o formato de pera —, denota uma tendência a estocar gordura no chamado tecido adiposo subcutâneo. Ele é bem menos nocivo do que o visceral, porém é mais difícil de ser queimado.

    Banana

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    Seu metabolismo é: superrápido. Mas atenção: não caia na história de que magreza é sinônimo de saúde e dispensa exercícios físicos e alimentação equilibrada. Mesmo que a silhueta permaneça intacta, ficar parado e exagerar nas refeições favorece o diabete e diversas doenças entre os “magros de ruim”.

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    Somando duas décadas de estudos sobre substâncias chamadas AGEs, o nefrologista Jaime Uribarri, da Faculdade de Medicina Icahn, em Monte Sinai, nos Estados Unidos, guarda motivos de sobra para não nutrir simpatia por tais moléculas. “Temos vários experimentos indicando que uma dieta rica em AGEs causa doenças”, justifica.

    Mas onde estão as inimigas? Bem, seu surgimento depende das técnicas culinárias que empregamos. Nesse sentido, fritar é uma furada. Em busca de mais evidências sobre esse tema, Uribarri dividiu 100 indivíduos obesos em dois grupos.

    Apenas um deles recebeu a orientação de fugir das altas temperaturas e, no lugar, cozinhar os alimentos na água ou no vapor, por exemplo. “Foram justamente essas pessoas que apresentaram melhoras em relação a indicadores de inflamação e estresse oxidativo. Também notamos que caiu a resistência à insulina, fator precursor do diabete”, conta o médico. É ou não é para rever o jeito de preparar as refeições?

    Um poço de AGEs

    De acordo com o pesquisador americano, a produção dessas moléculas é intensa em condições que usam o que ele define como “calor seco”. “Desculpe, isso inclui o churrasco brasileiro”, brinca o médico. Fazer a marinada com ervas, usar peças menores de carne e virar os bifes com frequência minimizam o surgimento das substâncias na grelha.

    Sem perigo e com sabor

    Você pode fazer um prato pobre em AGEs e gostoso usando sua imaginação como cozinheiro. “Nós sugerimos que as pessoas usem quantas especiarias desejarem”, diz Uribarri. Ele também recomenda marinar os alimentos no limão ou no vinagre antes de cozinhá-los.

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