• A insônia foi alvo de debate no congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), o maior do Brasil. Durante uma apresentação de quase duas horas sobre o impacto da saúde mental no coração, o psiquiatra Kalil Duailibi, da Universidade Santo Amaro, fez questão de ressaltar a importância de receitar boas noites de sono para evitar que os pacientes sofram com infarto e mesmo AVC, o popular derrame.

    SAÚDE esteve presente nesta aula. E pinçou para você grandes motivos apontados por Duailibi — corroborados por outros especialistas — que explicam o porquê dessa associação negativa. Confira:

    Hipertensão: dormir menos de cinco horas por noite, acredite, aumenta em cinco vezes o risco de ter pressão alta, um dos principais fatores de risco para o infarto. Por quê? Além do estresse, os vasos sanguíneos de quem não consegue se desligar por tempo suficiente ficam mais rígidos.

    Obesidade: uma série de estudos mostra que a falta de descanso estimula a pessoa a comer mais. Pior: ela estimula que o alimento seja estocado na forma de gordura. Há, por exemplo, pesquisas sugerindo que, mesmo com uma ingestão idêntica de calorias, os sujeitos com poucas horas de sono tendem a engordar mais.

    Diabetes: Duailibi citou um levantamento com 300 pessoas completamente saudáveis que, por algumas semanas, foram impedidas de relaxar adequadamente. Algumas eram acordadas antes da hora, outras tinham de escutar barulhos ao longo da madrugada…

    Após tanto sofrimento, notou-se que essa turma — que antes apresentava exames normais — desenvolveu um princípio de resistência à insulina. E esse cenário, marcado por uma dificuldade de a tal insulina colocar a glicose para dentro das células, com o tempo abre as portas para o diabetes tipo 2.

    Depressão: é uma via de mão dupla, na verdade. Se por um lado esse transtorno psiquiátrico pode dificultar o adormecer, a insônia mexe com a cabeça da pessoa a ponto de aumentar o risco de uma tristeza profunda.

    Acontece que os quadros de melancolia moderada ou grave estão cada vez mais associados a repercussões pelo corpo inteiro. Isso porque substâncias produzidas em maior escala entre os pacientes deprimidos podem lesar os vasos sanguíneos.

    Mais do que isso, a doença em si faz o sujeito se importar menos com a própria saúde. Ele para de se exercitar, começa a comer pior, abandona o tratamento de eventuais doenças… E quem sofre com isso é o coração, literalmente.

    Resumo da ópera

    Segundo Duailibi, essas questões ajudam a entender levantamentos que indicam que, quanto mais sintomas da insônia águem apresenta, maior a probabilidade de infarto. Ou seja, é bom levar a sério sinais como dificuldade de concentração, sonolência diurna e irritação. Dormir não é desperdício de tempo, como muita gente alega.

    E um último dado para chamar atenção: menos de seis horas de sono aumenta o risco de morte por qualquer causa. Que tal valorizar o descanso?

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    Pera, maçã ou banana? Pode até parecer que estamos reinventando aquela famosa brincadeira juvenil ou selecionando ingredientes para uma salada de frutas. Mas, na verdade, os três termos são utilizados por médicos para definir tipos físicos.

    A endocrinologista Maria Edna de Melo, presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica, explica: “Um corpo maçã é aquele com maior concentração de gordura na região abdominal, com pernas e braços finos. O pera, por sua vez, é curvilíneo, tem uma melhor distribuição de tecido adiposo. Banana seriam os totalmente magros”. Agora que você já sabe qual é o seu biótipo, descubra mais detalhes clicando nas imagens abaixo:

    Maçã

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    Seu metabolismo é: lento. A barriga mais inchada, típica do perfil maçã, é resultado do excesso de gordura visceral, que se aloja dentro e ao redor dos órgãos. O problema: ela é especialmente danosa e pode, por exemplo, levar a problemas cardiovasculares e diabete, de acordo com um estudo realizado por pesquisadores do Hospital Geral de Massachusetts, nos Estados Unidos.

    Pera

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    Seu metabolismo é: rápido. O maior volume das coxas e do quadril — que dá o formato de pera —, denota uma tendência a estocar gordura no chamado tecido adiposo subcutâneo. Ele é bem menos nocivo do que o visceral, porém é mais difícil de ser queimado.

    Banana

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    Seu metabolismo é: superrápido. Mas atenção: não caia na história de que magreza é sinônimo de saúde e dispensa exercícios físicos e alimentação equilibrada. Mesmo que a silhueta permaneça intacta, ficar parado e exagerar nas refeições favorece o diabete e diversas doenças entre os “magros de ruim”.

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    Somando duas décadas de estudos sobre substâncias chamadas AGEs, o nefrologista Jaime Uribarri, da Faculdade de Medicina Icahn, em Monte Sinai, nos Estados Unidos, guarda motivos de sobra para não nutrir simpatia por tais moléculas. “Temos vários experimentos indicando que uma dieta rica em AGEs causa doenças”, justifica.

    Mas onde estão as inimigas? Bem, seu surgimento depende das técnicas culinárias que empregamos. Nesse sentido, fritar é uma furada. Em busca de mais evidências sobre esse tema, Uribarri dividiu 100 indivíduos obesos em dois grupos.

    Apenas um deles recebeu a orientação de fugir das altas temperaturas e, no lugar, cozinhar os alimentos na água ou no vapor, por exemplo. “Foram justamente essas pessoas que apresentaram melhoras em relação a indicadores de inflamação e estresse oxidativo. Também notamos que caiu a resistência à insulina, fator precursor do diabete”, conta o médico. É ou não é para rever o jeito de preparar as refeições?

    Um poço de AGEs

    De acordo com o pesquisador americano, a produção dessas moléculas é intensa em condições que usam o que ele define como “calor seco”. “Desculpe, isso inclui o churrasco brasileiro”, brinca o médico. Fazer a marinada com ervas, usar peças menores de carne e virar os bifes com frequência minimizam o surgimento das substâncias na grelha.

    Sem perigo e com sabor

    Você pode fazer um prato pobre em AGEs e gostoso usando sua imaginação como cozinheiro. “Nós sugerimos que as pessoas usem quantas especiarias desejarem”, diz Uribarri. Ele também recomenda marinar os alimentos no limão ou no vinagre antes de cozinhá-los.

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    Digamos que, por ironia do organismo, o coração de quem tem muito açúcar correndo pelas veias não leva uma vida tão doce. É que o diabete, e o panteão de alterações que faz companhia à alta da glicose, semeia a discórdia nas artérias, elevando o risco de infarto e outras mazelas cardíacas. Não é por menos que a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) dá início à sua nova campanha nacional “Diabetes sem Complicações” focando o combate à doença cardiovascular. “Queremos conscientizar essa população de que, além de ajustar a glicemia, ela precisa aderir a um pacote de medidas visando ao controle do peso, da pressão, do colesterol…”, justifica o endocrinologista Luiz Turatti, presidente da SBD.

    É um alerta que deveria ser ouvido por muita gente. Estima-se que 10% dos brasileiros (mais de 20 milhões) tenham diabete e 90% dessa fatia conviva com o tipo 2 do problema — como ele pega carona na obesidade, as projeções indicam um crescimento nos números. “O diabete é marcado por um processo inflamatório, que favorece a formação e a instabilidade das placas que entopem os vasos”, ensina o cardiologista Ricardo Pavanello, diretor da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp). Na verdade, dá pra encher um tratado com tantos fenômenos indesejáveis que ligam o tipo 2 da encrenca ao sofrimento do coração.

    “A resistência à insulina, que impede o uso adequado da glicose pelas células, atrapalha a dilatação das artérias, elevando a pressão”, cita uma das peças do quebra-cabeça o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, pesquisador da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto. Pavanello elenca outra: “O corpo do diabético tem uma maior tendência à formação de trombos”. Em conjunto, essas pecinhas levam a um mesmo desenho — uma artéria que irriga o músculo cardíaco é bloqueada e, sem suprimento de sangue, o coração sofre um infarto. “Devemos lembrar ainda que, muitas vezes, o diabético também tem gordura no fígado e na barriga, apneia do sono, alterações de colesterol… É uma rede de fatores intrincada”, ressalta Couri. E que pode culminar em um golpe ao peito.

    O diabete é inimigo notável do sistema de encanamento que distribui o sangue pelo organismo. Maltrata tanto artérias maiores, como as coronárias que abastecem o coração, como vasinhos no fundo do olho. “Dá pra supor que o paciente é diabético só de ver exames como o cateterismo dele”, conta Pavanello. Isso porque suas artérias se encontram mais tortuosas e apresentam lesões em vários pontos. “Por essa razão, cirurgias de ponte de safena são mais efetivas do que stents [minibalões instalados para desobstruir os vasos] nessa população”, revela Couri.

    Ocorre que o drama cardíaco não termina apenas em infartos. Anos de diabete fora de controle sobrecarregam o órgão, que não consegue mais relaxar a contento. Aí ele endurece literalmente e entra em estado de insuficiência. O quadro, conhecido como cardiopatia diabética, tem alta letalidade e cobra acompanhamento de perto. Mas saiba que o coração não precisa bater na corda bamba ou sob o temor de um ataque. Há um plano de ação para poupá-lo do perigo — e a ciência vem se aperfeiçoando nessa missão.

    Pela salvação do peito

    Não é fácil rever e mudar o estilo de vida. Tenha em mente, porém, que, em se tratando de diabete, os ajustes na rotina — alimentação equilibrada, prática regular de exercícios, respeito ao sono, entre outros — não se revertem apenas em um melhor domínio sobre os níveis de glicose. Eles ajudam a remediar outros fatores de risco cardiovascular que andam de mãos dadas com o mal do sangue doce, caso do excesso de peso. A sintonia com as orientações médicas e o esforço para aderir a comportamentos saudáveis compensam. O coração sabe disso.

    Nessas horas, também é comum (e necessário) que os profissionais peçam socorro a medicamentos. “O desafio da prevenção da doença cardiovascular entre os diabéticos é que não basta domar a glicemia. Temos de controlar a pressão, o colesterol e a formação de coágulos, o que pode exigir remédios diários para atuar nessas condições”, explica o cardiologista José Francisco Kerr Saraiva, professor da Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Não é uma delícia engolir uma porção de comprimidos por dia, mas a tática amplia a expectativa e a qualidade de vida do cidadão. Tanto é que, segundo Couri, a Associação Americana de Diabetes já recomenda o uso de estatina (droga que baixa o colesterol) a todo diabético acima dos 40 anos, mesmo (acredite!) que ele não tenha taxas elevadas de colesterol ruim no sangue. Tudo, argumenta-se, em nome da prevenção.

    O conceito de agregar fármacos, aliás, passa pelo tratamento do diabete em si. “Como estamos falando de um problema de origem multifatorial, precisamos agir em diversas frentes. Hoje é corriqueiro pacientes saírem do consultório com dois ou três tipos de medicamentos prescritos”, relata Couri. Nessa linha, despontou há pouco o primeiro remédio criado para frear a glicemia a demonstrar efeito direto na redução do risco cardiovascular. Trata-se da empagliflozina, desenvolvida pela Aliança Boehringer Ingelheim-Eli Lilly, princípio ativo que aumenta a eliminação de açúcar pela urina.

    Em estudo com mais de 7 mil diabéticos do tipo 2 e alta probabilidade de infartar — brasileiros no meio —, a adição do comprimido ao programa terapêutico (que envolvia outras medicações) chegou a resultados expressivos. “Observou-se uma redução de 38% nas mortes por doença cardiovascular e uma diminuição de 35% no índice de hospitalização por falhas cardíacas”, conta o endocrinologista Andres Palacios, da Universidad Pontificia Bolivariana, em Medellín, na Colômbia. Foi registrado um único efeito adverso: leve aumento nos casos de infecção urinária ou genital. “Não se propõe substituir um remédio por outro, mas adicionar para melhorar a resposta e minimizar o risco do paciente”, argumenta Palacios. Somar, e não se esqueça de botar bons hábitos nessa conta, é o verbo que está ditando a proteção ao coração do diabético.

    415 milhões de pessoas têm diabete no mundo hoje — número que deve saltar pra 642 milhões em 2040
    50% das mortes entre os diabéticos do tipo 2 vêm de problemas cardiovasculares
    12 anos é quanto encurta a expectativa de vida de alguém com diabete e alto risco cardiovascular
    1/3 dos diabéticos desconhece que os problemas do coração são a principal causa de morte entre eles
    10% dos brasileiros têm diabete. E atenção: nesse grupo, o infarto costuma ser mais silencioso
    50% dos diabéticos do tipo 2 não alcançam a meta de controle da glicemia

    Sobrou para o coração
    Por que o diabete complica tanto a vida do sistema cardiovascular

    Inflamou geral
    A glicose dando sopa no sangue e a resistência à insulina propiciam um estado de inflamação, que favorece o surgimento de placas nas artérias.

    Gorduras mil
    Boa parte dos diabéticos tem muita gordura na barriga e no fígado, fator associado a triglicérides e moléculas inflamatórias à solta pelos vasos.

    Sob pressão
    Entre outras funções, a insulina relaxa as artérias. Quando ela não atua direito, há um déficit nessa dilatação, o que eleva a pressão dentro dos vasos.

    Sangue viscoso
    Trombos capazes de entupir artérias se formam mais facilmente na circulação dos diabéticos. Isso porque há uma maior agregação de plaquetas.

    Saída lá por baixo

    Como atua o primeiro remédio para diabéticos capaz de baixar o risco cardíaco

    1.Todo mundo tem uma proteína nos rins, a SGLT2, que capta parte da glicose e do sódio que estava no sangue e a devolve à circulação, impedindo sua eliminação do corpo.

    2.O medicamento empagliflozina inibe a tal da SGLT2, estimulando a saída de açúcar e sódio pela urina. Ele ajuda a domar a glicemia e traria ganhos ao controle do peso e da pressão.

    A medicação, de uso oral, faz eliminar quase 80 gramas de glicose do sangue por dia, o que equivale a 300 calorias — ou quase duas latas de refri normal.

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    As pessoas são mais ou menos vulneráveis a sofrer abalos cardiovasculares de acordo com a genética, o estilo de vida, a presença de outras doenças. Então, os cardiologistas levam em conta uma classificação de risco: baixa, média ou alta. Conhecendo bem o histórico de seus pacientes, o médico traduz o recado dos números do exame de sangue de cada um e indica o melhor tratamento – o foco é baixar os níveis do LDL, o colesterol bandido da história.

    Leia também: Como o colesterol forma placas de gordura nos vasos?

    Para uns, exercícios físicos e dieta saudável são o suficiente para segurar a barra por anos e anos. Outros já precisam da ajuda de medicamento para forçar a queda do colesterol antes que o pior aconteça. Por exemplo: um sujeito que comprovadamente já tem algumas placas de gordura atrapalhando a passagem do sangue está no grupo do alto risco, ainda que não sinta nenhum outro sintoma. Para ele, o LDL não pode ultrapassar 70 mg/dl. Não tem entupimento, mas é sedentário e a pressão costuma subir? Sua turma é a do risco intermediário, e o colesterol ruim precisa ficar abaixo de 100 mg/dl.

    Leia também: O que acontece se as taxas de colesterol saem do controle?

    Esse é um cenário simplificado, claro. E a preocupação com esses limites é tamanha que recentemente a Sociedade Brasileira de Cardiologia recomendou mais rigor na interpretação dos exames. No consultório, a avaliação será bem mais detalhada para que o doutor possa dizer, por exemplo, que alguém tem a saúde em dia e, portanto, um risco baixo de infartar. E se antes, nesse caso, a marca perseguida era de até 160 mg/dl, hoje a indicação do limite aceitável é bem individual.

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  • foto-imagem-fatores-que-geram-cancer-de-figado

    Ontem foi aberto o 19º Simpósio Hepatologia do Milênio, um encontro entre profissionais da área que ocorre em Salvador (BA) para discutir as maiores novidades da ciência sobre problemas no fígado. E o destaque ficou por conta do câncer. Coordenador do evento, o hepatologista Raymundo Paraná comenta: “Existem atualmente no mundo 500 milhões de pessoas com hepatite B e 170 milhões com hepatite C. Além disso, boa parte da população está acima do peso ideal, enquanto 15% se tornou diabética. Esses são fatores que contribuem para o surgimento de tumores de fígado”.

    Vamos, então, focar em como se prevenir dessas encrencas:

    Hepatite B

    O vírus que a provoca é transmitido via sexual — outro motivo para usar camisinha. E há uma vacina contra a enfermidade. Se não sabe se a tomou, converse com um médico sobre a necessidade disso.

    Hepatite C

    Diferentemente de sua prima, não tem vacina e raramente invade o organismo durante o sexo. Sua maior via de transmissão é por sangue contaminado — materiais cortantes não esterilizados e compartilhamento de seringas são o maior foco de preocupação dos especialistas. Mas já há medicamentos mais eficazes contra essa doença do que antes.

    Diabete

    Você já deve estar cansado de saber que, para evitar a subida da glicemia, o jeito é manter um bom peso, não exagerar no açúcar ou em alimentos lotados dessa substância e fazer exercício físico. Ou seja, a regra é ter um estilo de vida equilibrado.

    Obesidade

    Não muda muito em relação ao item anterior. Vale a pena se pesar ou medir a circunferência da cintura de tempos em tempos para manter um melhor controle da forma física

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  • A pré-diabetes é uma condição em que o nível de açúcar no sangue está entre 100 mg/dl e 125 mg/dl, ou seja, acima do normal (acima de 100 mg/dl de sangue ) e muito próximo do que define a diabetes (acima de 125 mg/dl). Para explicar como reverter esse quadro que pode levar à diabetes, o Bem Estar recebeu o endocrinologista Antônio Chacra e a nutricionista Alessandra Rodrigues.

    Pessoas com histórico de diabetes na família ou na gestação, obesos, sedentários e acima dos 40 anos são as que têm maior risco de serem pré-diabéticas. No entanto, já está cientificamente comprovado que é possível prevenir a diabetes do tipo 2 com a redução de apenas 5% a 10% do peso corporal, sem tomar remédio. Não é necessário sequer atingir o IMC ideal.

    Será que estou chegando lá?
    Há quatro perguntas a responder. O “sim” em pelo menos uma delas significa que é hora de checar os níveis de açúcar no sangue. A dosagem é um teste muito simples, disponível no SUS, nos planos de saúde e a R$ 8 em serviços privados.

    • Está acima dos 40?
    • É sedentário?
    • Está obeso?
    • Tem casos de diabetes na família?

    O que ocorre no corpo

    Quando uma pessoa está no quadro de pré-diabetes, isso significa que o pâncreas não está conseguindo produzir insulina suficiente para quebrar o açúcar e permitir que ele entre dentro da célula ou há uma resistência da célula à entrada do açúcar. Por isso, os níveis de açúcar estão aumentando na corrente sanguínea e iniciando os danos ao corpo.

    Dois passos para uma grande recompensa

    Fazer atividade física moderada à intensa, 30 minutos por dia, cinco vezes por semana, e reduzir a quantidade de calorias são dois passos para alcançar a grande recompensa, que é evitar a doença. A recompensa pode ser ainda maior, ao evitar a diabetes você também reduz risco de doenças cardiovasculares, dos rins e problemas de mobilidade e visão no futuro.

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  • foto-imagem-dieta

    Essa é a conclusão de uma grande metanálise (estudo que integra os resultados de várias pesquisas sobre uma mesma questão) envolvendo mais de 68 mil adultos. O trabalho, feito nos Estados Unidos, foi publicado na revista científica The Lancet Diabetes & Endocrinology.

    Segundo os especialistas envolvidos no estudo, nenhuma dieta baseada no consumo de proporções específicas de calorias provenientes dos três grupos de alimentos – carboidratos, proteínas e gorduras – funciona a longo prazo.

    Sem evidências

    O estudo foi liderado por Deirdre Tobias, da Escola de Medicina de Harvard, em Boston, nos Estados Unidos.

    “Não há evidências positivas a favor de dietas com baixo consumo de gordura”, disse a pesquisadora.

    Um grama de gordura contém mais do que o dobro das calorias contidas em um grama de carboidratos ou proteínas, explicou a médica.

    “Então, a lógica é: reduzir a ingestão de gordura levaria naturalmente à perda de peso. Mas nossas evidências claramente indicam que isso não acontece.”

    Tobias e seus colegas fizeram uma revisão sistemática de 53 estudos que compararam a eficácia de dietas com baixa ingestão de gordura a outras dietas – incluindo aquela em que não há restrições.

    O objetivo era avaliar a capacidade da dieta com pouca gordura de levar à perda de peso a longo prazo (pelo menos um ano) em participantes adultos.

    Os especialistas levaram em conta a intensidade das dietas, que envolviam desde simples instruções em uma folha de papel até programas intensivos para emagrecimento incluindo sessões de terapia, anotações diárias em um caderno e aulas de culinária.

    Concluída a análise, os pesquisadores verificaram que não houve diferença na média de perda de peso entre dietas com pouca gordura e dietas com mais gordura.

    Cortar a gordura, o estudo concluiu, só é mais eficaz do que simplesmente não fazer dieta alguma.

    Além disso, produziu menos perda de peso do que cortar carboidratos – embora a diferença seja muito pequena (pouco mais de um kg), informaram os autores.

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    “A ciência não endossa dietas com pouca gordura como melhor estratégia para perda de peso a longo prazo”, disse Tobias. “Para controlarmos a epidemia de obesidade, vamos precisar de mais pesquisas para identificar melhores abordagens.”

    O desafio, disse a pesquisadora, é não apenas perder peso, mas mantê-lo baixo a longo prazo.

    “Temos de ir além das proporções de calorias vindas de gordura, carboidratos e proteína para discutir padrões saudáveis de alimentação, alimentos integrais e tamanhos das porções”, disse Tobias.

    “Encontrar formas de melhorar a adesão a dietas a longo prazo, e de evitar o ganho de peso, em primeiro lugar, são estratégias importantes para que tenhamos um peso saudável”, concluiu.

    Doença crônica

    Márcio Mancini, endocrinologista e membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), disse à BBC Brasil não haver surpresas nas revelações do estudo norte-americano.

    “Dietas, isoladamente, são inefetivas para a média. Não vou dizer que não se deve tentar, mas a maioria dos pacientes vai necessitar de algo mais.”

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    Na opinião do brasileiro, esse “algo mais” é o medicamento. Segundo ele, a obesidade é um problema crônico, e demanda o uso de estratégias semelhantes às usadas no tratamento de outras doenças crônicas, como o diabetes e a hipertensão.

    “Hoje, as diretrizes da sociedade médica americana (para o tratamento da obesidade) são receitar o remédio já na primeira consulta”, disse. “Que é o que se faz em tratamentos para hipertensão, por exemplo. Ninguém mais diz, ‘reduz o sal e vamos ver como está a pressão daqui a três meses'”.

    “É remédio na primeira consulta, trata-se de um problema crônico”, reforçou.

    Médicos do serviço nacional de saúde do Reino Unido – o NHS –, por outro lado, sugerem que outras estratégias devem ser adotadas antes do remédio.

    O serviço recomenda, além de dieta e exercícios, que o paciente procure grupos de apoio na comunidade. No Brasil, há os Comedores Compulsivos Anônimos, entre outros serviços de ajuda.

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  • foto-imagem-causas-inusitadas-da-surdezA audição é um dos fenômenos mais delicados do corpo humano. Conversar ou ouvir os Beatles depende dos nossos menores ossos e de 30 mil microssensores com formato de pelinhos, movidos por um líquido armazenado em uma estrutura que lembra um caracol. Eles é que guiam as ondas sonoras até virarem mensagens lidas pelo cérebro. O avançar dos anos enferruja essa orquestra, mas o fato é que várias condições podem sabotá-la. O curioso é que muitas delas não têm (aparentemente) nada a ver com as orelhas.

    1. Obesidade

    O prejuízo auditivo engordou a coleção de problemas relacionados à obesidade. Pesquisadores da Universidade Colúmbia, nos Estados Unidos, observaram, em um levantamento com 1500 adolescentes, que 15% dos jovens acima do peso sofriam com algum grau de perda de audição, o dobro do que foi visto na garotada em forma. Embora ainda não haja uma explicação definitiva sobre esse elo, o otorrino e líder do estudo, Anil Lalwani, destaca uma hipótese: o baixo nível de adiponectina entre os obesos. Essa substância tem efeito anti-inflamatório e ajudaria a resguardar os vasinhos nas redondezas do ouvido. O impacto dos quilos extras na audição também foi apontado em outra megapesquisa americana. Ao cruzar os dados de 68 mil enfermeiras acompanhadas por ano, verificou-se que a probabilidade de ter um déficit auditivo era 22% maior entre as gordinhas. E há uma coincidência: os sons começaram a sumir justamente quando o peso saiu de controle. “O primeiro sinal do sofrimento das células ciliadas do ouvido é o zumbido. Se a agressão continuar, vem a perda auditiva pra valer”, avisa Castilho. Ao que parece, uma das formas de minimizar essa agressão é eliminar os quilos a mais.

    2. Micróbios

    Vírus, bactérias e fungos, ávidos visitantes do corpo humano, não poupam os ouvidos. Eles têm até um atalho para chegar lá. Entre a orelha e a garganta, há um pequeno tubo, a trompa de Eustáquio, que drena líquidos e mantém a pressão no ouvido numa boa. Ela abre e fecha sozinha, mas às vezes fica bloqueada – é isso que gera aquela sensação incômoda dentro do avião, por exemplo. Só que esse caminho pode ser interditado pelo acúmulo de muco e pus nas vias respiratórias, quadro comum em infecções como a gripe. Se isso ocorre, os fluidos se acumulam no ouvido. Sem aquela drenagem, os micróbios, sobretudo as bactérias, se multiplicam e dominam o pedaço – é a otite. Com o ouvido parcialmente bloqueado, você deixa de ouvir cerca de 24 decibéis, o que equivale a viver com fones na orelha. Se a infecção piorar, a perda pode chegar a 48 decibéis e já há dificuldade pra pegar uma conversa. O drama é que os invasores podem viajar até a cóclea e danificar cílios e nervos. “E aí é uma via de mão dupla”, diz o médico Sady Selaimen da Costa, presidente da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial. Por isso, déficits auditivos em meio a perrengues nas vias aéreas cobram o olhar do otorrino. E situações como meningite e HIV despertam alerta máximo pelo seu potencial de retaliações no ouvido.

    3. Diabete

    Excesso de açúcar na corrente sanguínea é sinônimo de encrenca para os pequenos vasos que têm de abastecer as estruturas do ouvido. “As células ciliadas [os pelinhos que ficam na cóclea] são muito sensíveis. Por causa disso, alterações como o aumento ou a carência de glicose na circulação podem atrapalhar seu funcionamento”, ensina Castilho. Ora, é por meio do sangue que as células de cada canto do organismo são alimentadas e protegidas. Se o plasma fica viscoso demais, como costuma ocorrer na diabete fora de controle, o fornecimento a áreas mais delicadas fica comprometido e os vasinhos podem sofrer lesões. Isso explica por que 90% dos diabéticos do tipo 1 e 60% dos portadores do tipo 2 desenvolvem problemas de visão, como a retinopatia. No ouvido, a situação é bem parecida, e, não é à toa, a Associação Americana de Diabete estima que pessoas com a doença tenham uma propensão duas vezes maior de desenvolver deficiência auditiva. Mesmo quem tem pré-diabete não escapa desse risco: dificuldades para ouvir são 30% mais comuns em quem vive com a glicemia entre 100 e 125 mg/dl. Diante das evidências, o recado é ficar de olho nos níveis de glicose e, com tratamento adequado e mudanças de hábito, frear o diabete para ouvir bem a vida inteira.

    4. Pressão alta

    Apesar de ficar dentro da cabeça, ao lado do cérebro, o ouvido interno é um órgão relativamente isolado. E sua irrigação até que depende de poucas artérias. Não precisa de muito estrago, portanto, pra haver algum enrosco na captação dos sons. Além do diabete e do excesso de peso, os vasos sofrem quando a hipertensão aparece. Em médio e longo prazo, ela corrompe o fluxo sanguíneo para o ouvido. “E, tendo menos circulação nessa área, o indivíduo vai perder a audição aos poucos”, alerta Ricardo Bento. Para prevenir a fuga da audição, a pressão tem de ser domada – o ideal é que ela fique abaixo de 140 por 90 mmHG. Cuidar da dieta, maneirando no sódio e na gordura, praticar atividade física e dormir direito são alguns dos pilares do controle, que ainda exige, se o médico julgar necessário, o uso de remédios. Não dá pra se descuidar por outra razão. “Em geral, um hipertenso não é só hipertenso”, afirma o otorrino Selaimen da Costa, que também é professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Em outras palavras, é comum que a pressão alta venha acompanhada de barriga, diabete… Aí já viu: temos um combo de fatores afetando a saúde auditiva. Quer goste, quer não, verdade é que o estilo de vida saudável é crucial para debelar esse trio. Convém dar ouvidos a isso.

    5. Osteoporose

    Um estudo de Taiwan que acaba de ser publicado no periódico Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism cruzou prontuários médicos de mais de 10 mil cidadãos diagnosticados com osteoporose e constatou que, em comparação com pessoas livres do problema, a presença do distúrbio está associada a um risco 76% maior de surdez. O ouvido dispõe de três ossinhos: o martelo, a bigorna e o estribo. E é natural que a gente pense que o seu enfraquecimento tenha algo a ver com o achado. No entanto, nada é tão simples quanto parece. Os cientistas creem que, mesmo fragilizados, tais ossos continuam cumprindo seu papel. Eles apostam, na verdade, que são problemas vasculares comuns às duas condições que ligariam uma coisa à outra. Além disso, não dá pra descartar o duplo impacto da idade nessa história.

    A lista não acabou

    Outras causas ou fatores que colaboram para a perda de audição.

    Exposição constante a ruídos ou música alta no fone de ouvido

    Problemas de tireoide

    Tumores

    Traumas e acidentes

    Tabagismo

    Uso indiscriminado ou excessivo de medicamentos (como ácido acetilsalicílico, antibióticos e diuréticos)

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  • foto-imagem-motivos-para-voce-comer-ovo-sempreEle já foi o vilão da alimentação por causa do colesterol e, apesar de a ciência demonstrar que seus teores não se revertem em malefício dentro do corpo, ainda há quem receie botá-lo no prato. Uma nova leva de estudos, porém, vem destruir qualquer temor: o ovo pode até fazer bem ao coração. E seu status de aliado da saúde vai além: ele bate de frente com o ganho de peso, o diabete e a perda de memória.1. Favorece a perda de peso

    O ovo acaba de ser apontado como um dos principais alimentos capazes de aumentar a saciedade e prevenir ataques de gulodice – especialmente se for incluído no café da manhã. A sensação de barriga cheia se justifica facilmente: o produto da galinha é uma excelente fonte de proteínas, nutriente que suprime o apetite por mais tempo. Mas não adianta ingeri-lo no desjejum e deixar de adotar outras medidas a fim de manter ou perder peso. Para economizar nas calorias do próprio ovo matinal, por exemplo, use pouquíssimo (ou nenhum) óleo no preparo e evite acompanhamentos como bacon e presunto. Foi esse combo que contribuiu para a má fama do ovo no decorrer dos anos.

    2. Conserva os músculos

    Já viu aqueles ratos e ratas de academia que levam um pote de claras pra comer no trabalho? Pois, exageros à parte, eles estão cobertos de razão em escolher essa porção do ovo para alimentar a musculatura. Tudo por causa das já citadas proteínas, que abundam na parte branquinha. A principal delas é a albumina – que serve de matéria-prima inclusive para suplementos. “O ideal é que a clara seja consumida após o treino, porque é bem nesse período que ocorre a degradação e a formação dos músculos”, orienta o educador físico Herbert Lancha Júnior, professor da Universidade de São Paulo (USP). “A recomendação é consumir até duas claras depois do exercício, de preferência com uma fonte de carboidrato, como tapioca ou pão integral”, ensina a nutricionista Paula Crook, da PB Consultoria em Nutrição, na capital paulista.

    3. Resguarda as artérias

    Se um dia o ovo foi apedrejado, o motivo estava no fato de sua gema ser um reduto de colesterol. A acusação acabou caindo por terra quando se descobriu que, ao mesmo tempo que fornecia o componente, o alimento também continha substâncias que bloqueavam sua chegada à corrente sanguínea. “Hoje se sabe que apenas um terço do colesterol da dieta é realmente absorvido”, esclarece o cardiologista Raul Dias dos Santos, do Instituto do Coração, o InCor, em São Paulo. Parece estranho dizer isso, mas o colesterol dos alimentos não se traduz necessariamente em mais colesterol trafegando pelos vasos. No caso dos ovos, um estudo da Universidade de Connecticut, nos Estados Unidos, até indica que o consumo diário daria uma força para o aumento da fração boa do colesterol, o HDL.

    4. Protege a visão

    Abra bem os olhos antes de descartar a gema do ovo. É lá que você encontra duas substâncias caras aos globos oculares: a luteína e a zeaxantina. Estamos falando de pigmentos com propriedades antioxidantes capazes de se acumular na retina, o tecido no fundo dos olhos que converte as imagens em impulsos lidos pelo cérebro. Em um estudo da Universidade de Massachussets, nos Estados Unidos, os experts viram que o consumo de duas a quatro gemas por dia durante cinco semanas teve um efeito contra a degeneração da mácula, a porção central da retina e responsável pela captação dos detalhes.

    5. Encara o diabete

    A notícia veio contra tudo o que se falava até então: estudiosos da Universidade da Finlândia Oriental analisaram, por quase 20 anos, 2 332 homens de 42 a 60 anos e observaram que os fãs de ovos estavam menos propensos ao diabete tipo 2. “Nosso achado contrasta com levantamentos anteriores, que ainda associavam o consumo de ovos a um pior estilo de vida”, relata o professor de epidemiologia da nutrição Jyrki Virtanen. O menor risco de diabete foi encontrado em pessoas que ingeriram cerca de quatro unidades por semana. “O alimento tem um conjunto de componentes vantajosos, incluindo substâncias anti-inflamatórias, que atuariam contra o descompasso da glicose”, afirma Virtanen. Para o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, da USP de Ribeirão Preto, é difícil bater o martelo sobre esse papel preventivo. “A pesquisa depende de questionários preenchidos pelos participantes, sujeitos a equívocos, e não consegue excluir fatores que influenciariam o desfecho”, argumenta. Mas e quem já tem diabetes e precisa ficar ficar mais atento ao colesterol? Um novo trabalho australiano avaliou a ingestão de ovos em 140 diabéticos e constatou que duas unidades por dia, ao longo de um mês e meio, não pioram o perfil de gordura no sangue. Mesmo diante desse resultado, convém ponderar com seu médico. “Ovo não é remédio, mas pode ser bem-vindo dentro de uma alimentação adequada”, diz Couri.

    6. Preserva a memória

    A gema (olha ela de novo!) é um dos principais reservatórios de colina, uma vitamina que, lá no cérebro, tem a nobre função de ajudar a cuca a processar e a guardar lembranças. Ela é ingrediente para a formação de um neurotransmissor chamado acetilcolina. “E a maioria das vias neurais responsáveis pela memória depende da acetilcolina”, explica a nutricionista e mestra em neurociências Selma Dovichi, professora da Universidade Federal do Triângulo Mineiro. Segundo as orientações atuais, a necessidade diária de colina é de 425 miligramas para as mulheres e 550 para os homens. “Uma gema de ovo oferece aproximadamente 238 miligramas”, conta Selma. É praticamente metade da quantidade recomendada. Alguns estudos já sugerem que a ingestão de colina está associada a uma melhor performance cognitiva. Para coroar, a luteína e a zeaxantina da gema (de novo, de novo!) também parecem interferir positivamente na massa cinzenta.

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