• Boa notícia para os cerca de 5 milhões de brasileiros com psoríase. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou recentemente mais dois remédios contra essa doença de pele crônica que promove descamações e lesões cutâneas.

    Comecemos pelo guselcumabe, da farmacêutica Janssen. Indicado para casos moderados a graves, ele é um medicamento biológico que bloqueia a interleucina 23, uma proteína inflamatória associada à doença e aos seus sintomas.

    Nos estudos que garantiram sua liberação, a droga garantiu uma redução de 90% dos sinais da psoríase após seis meses de aplicação. Isso de sete a cada dez pacientes tratados. E, em uma pesquisa mais recente, notou-se que 86% das pessoas mantiveram a melhora mesmo após um ano e meio.

    “Os resultados com esse tipo de remédio são muito positivos. E o melhor é que ganhamos mais uma opção para quando outros tratamentos falham”, opina o médico Caio Castro, coordenador da Campanha Nacional de Psoríase da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

    Tratamento à prova de falhas
    Além do guselcumabe, existem outros fármacos biológicos disponíveis por aqui – todos são injetáveis. O secuquinumabe (Novartis) e o ixequizumabe (da Eli Lilly, aprovado no finalzinho de 2017), por exemplo, focam em outra substância inflamatória atrelada à psoríase, a interleucina 17.

    Portanto, se uma medicação não traz o resultado esperado, o médico ainda pode recorrer a outras, com mecanismos de ação diferentes, mesmo nas situações mais graves. “Também podemos trocar de opção em virtude de efeitos colaterais indesejados”, completa Castro.

    Por exemplo: os remédios biológicos que focam na inibição da interleucina 17 causam um ligeiro aumento no risco de candidíase. Logo, pessoas com maior propensão a esse problema podem apostar em alternativas.

    “Até o momento, não há muitas pesquisas comparando a eficácia entre as drogas dessa nova geração, então a decisão será tomada por certos detalhes mesmo”, explica Castro. Entre eles, claro, também está o preço.

    Hoje, dificilmente uma dose do secuquinumabe, por exemplo, sairá por menos de 5 mil reais – após um período mais intenso de aplicações, a administração pode se tornar mensal. E os seguros de saúde ainda não são obrigados a cobrir esses custos, embora alguns arquem com eles. Atualmente, vários pacientes recorrem à Justiça para obter acesso a tais medicações.

    No caso do guselcumabe, os preços ainda serão definidos junto com a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).

    De qualquer forma, o valor desses remédios modernos ajuda a explicar o fato de os médicos apostarem, para a psoríase mais leve, em cremes e fármacos tradicionais, como a ciclosporina. “Eles também funcionam bem nessas situações”, tranquiliza Castro.

    E o outro remédio?
    O segundo medicamento aprovado contra a psoríase se chama apremilaste, da farmacêutica Celgene. Ao contrário do guselcumabe, esse é um fármaco sintético, que poderá entrar em cena para pacientes que não responderam ou têm alguma contraindicação contra terapias como as mencionadas acima.

    O que é psoríase
    Trata-se de uma doença crônica inflamatória da pele, que afeta cerca de 1,5% da população brasileira. Lesões, descamações e coceira são bem comuns – a severidade do quadro é definida, por exemplo, pela extensão das feridas e pelo impacto na qualidade de vida.

    Alguns indivíduos desenvolvem artrite psoriática, uma inflamação nas juntas que pode levar à perda de movimentos e deformações. Os tratamentos biológicos, aliás, também podem ajudar a tratar e até mesmo prevenir essa encrenca.

    Tags: , , , , ,

  • Parece que é no frio, quando as rachaduras pipocam graças ao clima seco, que os lábios sofrem mais. Mas só parece. No verão, a boca precisa de proteção extra tanto quanto a pele do rosto.

    Pra começo de conversa, os raios ultravioleta também aumentam o risco de tumores por ali. “Os cânceres mais comuns na região são do tipo que não costumam se espalhar pelo resto do corpo. Mas eles tendem a ser diagnosticados em estágio avançado”, explica André Braz, dermatologista da Policlínica Geral do Rio de Janeiro.

    “E, quando isso acontece, geralmente precisamos remover uma parte grande do lábio”, completa o médico. Ou seja, embora o risco de morte não seja grande, o de marcas no rosto é considerável.

    Além disso, o sol é um financiador do envelhecimento precoce. Logo, lábios muito expostos a sua radiação têm maior risco de ficarem enrugados antes do tempo. “Como é uma área de transição entre pele seca e a mucosa da parte interna da boca, ela não tem a última camada da derme”, aponta Braz. “Por isso, é mais sensível e possui uma menor capacidade de se defender da radiação”, completa.

    Rotina de cuidados

    Antes de se expor ao sol, passe um protetor específico para os lábios. “Ele deve ser colorido para oferecer proteção física e química contra a radiação”, orienta Braz. Depois que já estiver ao ar livre, reaplique a cada duas horas ou sempre que a barreira física parecer sumir, como no caso de um mergulho na água.

    Vale também investir em um hidratante labial. É que, mais do que provocar rachaduras, a secura abre caminho para micro-organismos nocivos. “Se a pessoa pega um sol muito forte e a boca resseca, a imunidade pode cair, o que favorece o aparecimento do herpes e outras infecções orais”, alerta Braz.

    E não precisa ser nenhum produto muito rebuscado. A boa e velha manteiga de cacau dá conta do recado.

    Alguns itens oferecem ainda antioxidantes e outros nutrientes em sua composição, mas, nesses casos, é preciso atenção. “Produtos com vários princípios ativos geralmente prometem mais do que cumprem”, comenta Braz.

    Na dúvida, opte por um hidratante que ofereça apenas uma substância principal, como a vitamina C, e escolha marcas confiáveis, de preferência recomendadas pelo dermatologista. O segredo é usar o protetor durante o dia e, a partir do fim da tarde, hidratar o local.

    Ah, e não adianta usar um produto por cima do outro. Isso diminui a aderência e, consequentemente, a eficácia dos dois.

    Tags: , , ,

  • Pesquisadores ingleses avaliaram como as pessoas aplicam protetor solar no rosto e descobriram que os arredores dos olhos são até duas vezes mais negligenciados do que o resto da face. O trabalho, realizado pela Universidade de Liverpool, chama a atenção porque as pálpebras e companhia também sofrem com o câncer de pele. E não é pouco.

    “10% dos tumores de pele tipo carcinoma basocelular, que é o mais comum, ocorrem na área dos olhos, onde ele é mais perigoso”, explica o médico Flávio Barbosa Luz, da diretoria da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Ora, remover nódulos malignos dali exige uma operação delicada, que não raro envolve a reconstrução da pálpebra.

    Hora, então, de olhar com carinho para esse pedaço ignorado da face. O momento é oportuno para discutir o assunto, uma vez que estamos no Dezembro Laranja, mês dedicado à conscientização sobre o câncer de pele. A iniciativa é da SBD e tem em 2017 o lema “Se exponha, mas não se queime”.

    Detalhes do estudo

    O grupo avaliou 57 indivíduos em duas oportunidades. Primeiro, eles foram instruídos a passar protetor solar da maneira que sempre faziam. Depois, voltaram ao laboratório em uma segunda oportunidade e receberam informações sobre a importância de não esquecer dos olhos antes de receberem o produto.

    Os pesquisadores fotografaram o rosto dos voluntários depois da aplicação com câmeras sensíveis à radiação ultravioleta emitida pelo sol. Na primeira ocasião, até 14% da área dos olhos foi ignorada pelos participantes, enquanto no restante do rosto esse índice ficou em 7%. Ao fornecer as instruções antes, a cobertura melhorou, mas alguns cantinhos ainda permaneceram descobertos.

    A encruzilhada dessa história: não é lá muito agradável aplicar nenhum creme em volta dos olhos. “É difícil passar protetor nessa região. O produto escorre, não é apropriado”, aponta Barbosa. Os próprios autores do estudo concluem que, embora a educação tenha seu impacto, é importante pensar em alternativas mais confortáveis ao filtro.

    “Aqui precisamos fazer um mea culpa. Nós sempre associamos a defesa contra a radiação solar ao uso do protetor, mas ele não é a única medida possível”, comenta Barbosa.

    Como blindar a visão

    No caso dos olhos, o melhor é usar óculos escuros – sim, ele também vai blindar suas pálpebras dos raios ultravioleta (UV). Só não adianta ser qualquer modelo do camelô. “Qualquer vidro resguarda contra o UVB, mas para barrar o UVA, que também é perigoso, a lente precisa passar por um tratamento especial”, alerta Barbosa.

    Se a grana está curta, um chapéu de abas largas ou uma viseira também garantem que o sol não atinja diretamente as vistas e o rosto todo. Vale lembrar que 90% dos cânceres de pele mais comuns ocorrem entre cabeça e pescoço.

    Nada disso, entretanto, significa que o protetor deva ser dispensado. Ele continua obrigatório, mas seu uso (assim como o dos óculos) deve ser ajustado às realidades individuais. Por exemplo, de nada adianta passá-lo antes de sair de casa bem cedinho e esquecê-lo na hora de sair do trabalho para almoçar em pleno solão do meio dia.

    Tags: , , ,

  • foto-imagem-cancer

    Concebido por pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, esse programa usa inteligência artificial para identificar quais lesões cutâneas merecem mais atenção dos médicos. O funcionamento é simples: com uma foto, o software consegue detectar se uma mancha ou pinta deve ou não ser investigada.

    Por trás da aparente simplicidade está um time de cientistas que teve de criar um banco de imagens com mais ou menos 130 mil imagens de doenças de pele. Depois disso, mais um desafio: ensinar um sistema criado para diferenciar cachorros e gatos a detectar câncer de pele.

    Sim, o software foi originalmente criado pelo Google para distinguir os rostos de cachorros e gatos — mas essa nova função parece ser bem mais útil. “Em vez de escrever em códigos de computador exatamente o que procurar, nós deixamos que o algoritmo ache sozinho”, explica Andre Esteva, um dos autores da pesquisa, em comunicado.

    Na fase de testes, 21 dermatologistas analisaram 370 fotografias de lesões cancerosas ou não. Eles teriam que dizer quais alterações deveriam seguir para biópsia. Para surpresa dos cientistas, as performances dos médicos e da máquina foram bastante parecidas.

    “O objetivo não é substituir os médicos e nem o diagnóstico. O que estamos replicando é uma espécie das duas primeiras projeções iniciais que um dermatologista pode realizar”, disse Esteva ao jornal The Guardian.

    A máquina, claro, ainda precisa ser aperfeiçoada e testada em outras investigações. No futuro, a meta da equipe é criar um aplicativo para celular com essa inteligência artificial. “Todos vão ter um super computador no bolso, com vários sensores, incluindo câmeras. E se nós pudermos usar isso para detectar o câncer de pele?”, comentou Esteva.

    Tags: , ,

  • foto-imagem-saúde
    O caso deixou boquiabertos todos os envolvidos: uma mulher de 74 anos começou a apresentar uma irritação na pele que não melhorava. Quando finalmente procurou um hospital, parte de sua perna direita estava coberta de nódulos. Os testes confirmaram que se tratava de um carcinoma, um tipo de câncer de pele.Por causa da maneira como os tumores estavam espalhados, a radioterapia não seria eficiente. E os médicos não poderiam removê-los. Alan Irvine, oncologista responsável pelo tratamento da paciente no Hospital St. James, em Dublin, na Irlanda, lembra que a amputação parecia ser a única opção viável, mas por causa da idade da paciente, seria difícil que ela se adaptasse bem a uma prótese.”Decidimos simplesmente esperar e pensar em outras possibilidades, mesmo sabendo que haveria muito sofrimento pela frente”, conta.

    Foi aí que o “milagre” começou: apesar de não terem sido tratados, os tumores diminuíram e murcharam até desaparecerem completamente. Depois de 20 semanas, a paciente estava curada. “Não tínhamos dúvida alguma de que o diagnóstico estava correto, mas depois disso nada aparecia nas biópsias ou nos exames de imagem”, diz o médico. “O caso mostra que é possível para o corpo combater o câncer, mesmo que isso seja incrivelmente raro.”

    A questão é: como? A paciente de Irvine acredita ter sido a “mão de Deus”. Mas cientistas estão estudando a biologia por trás da chamada “regressão espontânea” para buscar pistas que possam fazer casos de autocura algo mais comum.

    Recuperada pela gravidez

    foto-imagem-tumores

    Em tese, nosso sistema imunológico deveria perseguir e destruir células que sofrem mutações antes que elas comecem a evoluir para um câncer. Mas às vezes essas células conseguem passar despercebidas, reproduzindo-se até formarem um tumor.

    Até o câncer ser detectado pelos médicos, é altamente improvável que o paciente consiga se recuperar sozinho: acredita-se que apenas um em cada 100 mil pacientes pode se livrar da doença sem receber tratamento.

    Mas entre esses raríssimos casos há algumas histórias realmente inacreditáveis. Um hospital da Grã-Bretanha, por exemplo, recentemente tornou público o caso de uma paciente que descobriu um tumor entre o reto e o útero pouco antes de saber que estava grávida. A gestação correu bem e o bebê nasceu saudável. Quando ela se encaminhava para o doloroso tratamento para o câncer, seus médicos notaram, com muito espanto, que o tumor desapareceu misteriosamente durante a gravidez. Nove anos depois, a mulher não apresenta nenhum sinal de recaída.

    Casos semelhantes de recuperação extraordinária foram observados em muitos tipos de câncer, inclusive em formas mais agressivas como a leucemia mieloide aguda, que provoca o crescimento anormal dos glóbulos brancos do sangue.

    “Um paciente que não receba tratamento pode morrer em poucas semanas ou até em uma questão de dias”, conta Armin Rashidi, da Universidade Washington, em St. Louis. Ele, no entanto, encontrou 46 casos em que essa doença regrediu sozinha. “É possível que 99% dos oncologistas digam que isso é impossível de acontecer”, afirma Rashidi, que escreveu um artigo sobre o assunto com o colega Stephen Fisher.

    Crianças que se salvam

    Por outro lado, é surpreendentemente comum ver crianças se recuperando do neuroblastoma, um tipo de câncer infantil, oferecendo algumas das melhores pistas sobre o que pode acarretar a regressão espontânea.

    Esse tipo de câncer surge com tumores no sistema nervoso e nas glândulas. Se ele se espalhar, pode levar ao aparecimento de nódulos na pele e pólipos no fígado, e o inchaço do abdômen dificulta a respiração.

    Trata-se de uma doença muito desgastante, mas ela pode desaparecer tão rapidamente como surgiu, mesmo sem intervenção médica. Na realidade, para bebês com menos de 1 ano, a regressão é tão comum que muitos médicos evitam realizar a quimioterapia imediatamente, na esperança de que os tumores diminuam por conta própria.

    “Cuidei de três casos com metástases impressionantes, mas apenas observamos os pacientes e eles se recuperaram”, lembra Garrett Brodeur, do Hospital Infantil da Filadélfia.

    Para evitar o sofrimento dessa espera, Brodeur está buscando entender os mecanismos por trás do desaparecimento de um câncer. “Queremos desenvolver agentes específicos que possam iniciar a regressão para não termos que esperar que a natureza tome seu rumo ou que ‘Deus’ decida”, afirma o médico.

    Até agora, Brodeur conseguiu boas evidências. Uma delas é de que as células em tumores de neuroblastoma parecem ter desenvolvido a capacidade de sobreviver sem o fator de crescimento nervoso (NFG, na sigla em inglês), o que permite que elas se reproduzam bem em locais do corpo onde não há o NFG.

    A remissão espontânea pode ser provocada por uma mudança natural nas células tumorais, talvez envolvendo os receptores que se ligam ao NFG. Isso pode fazer com que as células percam esse nutriente essencial e não consigam sobreviver.

    Se isso for verdade, um medicamento que consiga atuar nesses receptores seria capaz de iniciar a recuperação em outros pacientes, sem os indesejáveis efeitos colaterais provocados por tratamentos mais tradicionais para o câncer.

    O poder da infecção
    foto-imagem-mosquito

    Infelizmente, recuperações inesperadas de outros tipos de câncer foram menos estudadas. Mas algumas evidências conhecidas hoje foram descobertas há mais de 100 anos por um médico americano pouco conhecido.

    No século 19, William Bradley Coley se surpreendeu quando um paciente que tinha um enorme tumor no pescoço se curou completamente quando pegou uma infecção na pele e teve febre alta.

    Coley testou o princípio em alguns outros pacientes e descobriu que, ao infectá-los deliberadamente com bactérias, ou tratando-os com toxinas segregadas por micróbios, tumores impossíveis de serem retirados cirurgicamente foram destruídos.

    Será que uma infecção seria uma maneira de estimular a remissão espontânea? Análises recentes dão apoio à ideia. O estudo de Rashidi e Fisher descobriu que 90% dos pacientes que se recuperaram de leucemia tinham sofrido alguma outra doença, como pneumonia, antes do desaparecimento do câncer.

    Outros artigos mostraram que tumores sumiram depois de casos de difteria, gonorreia, hepatite, gripe, malária, sarampo e sífilis.

    Mas não são os germes sozinhos que provocam a cura: a infecção é quem provoca uma resposta imunológica que torna o ambiente inóspito para o tumor. O aquecimento provocado pela febre, por exemplo, pode tornar as células cancerígenas mais vulneráveis ou até fazer com que elas “se suicidem”.

    Ou talvez seja importante o fato de que quando estamos lutando contra uma bactéria ou um vírus, nosso sangue está saturado de moléculas inflamatórias que agem como uma “convocatória” para os macrófagos do organismo, transformando essas células imunes em guerreiros que matam e engolem micróbios – e potencialmente o câncer.

    Ao mesmo tempo, essas células podem estimular outras do sistema imunológico a reconhecerem as células cancerígenas, e assim atacá-las caso o câncer volte.

    Contraindo a cura

    Outros cientistas estão avaliando uma linha de combate mais radical. Uma das abordagens é deliberadamente contaminar um paciente de câncer com uma doença tropical.

    A técnica, desenvolvida pela start-up americana PrimeVax, tem duas etapas: inicialmente, retira-se uma amostra do tumor e coleta-se células dentríticas do sangue do paciente. Essas células ajudam a coordenar a resposta do sistema imunológico a uma ameaça e, ao serem expostas ao tumor em laboratório, elas podem ser programadas para reconhecer as células cancerígenas.

    Na segunda etapa, o paciente é contaminado com o vírus da dengue, antes de receber as novas células dendríticas programadas.

    Sob supervisão médica, o paciente acaba desenvolvendo uma febre alta e libera moléculas inflamatórias – colocando o resto do sistema imunológico em alerta vermelho.

    O tumor passa a ser o alvo principal de um ataque ostensivo das células imunológicas, lideradas pelas células dendríticas. “A febre da dengue derruba e reagrupa o sistema imunológico, fazendo ele assumir com toda a força seu papel de matar células cancerígenas”, explica Burce Lyday, da PrimeVax.

    A ideia de infectar pacientes vulneráveis com uma doença tropical pode parecer loucura, mas os cientistas argumentam que a dengue, curiosamente, mata menos adultos do que a gripe comum.

    E, uma vez que a febre passe, as células programadas vão se manter alertas para o caso de o tumor reincidir. “O câncer é um alvo em movimento. Muitas terapias atacam de apenas uma frente”, afirma Lyday.

    O cientista espera realizar os primeiros testes com pacientes de melanoma até o fim deste ano.

    É claro que todo cuidado é pouco. Como lembra o irlandês Irvine, “a remissão espontânea é uma pequena peça em um quebra-cabeças muito complicado”. Mas se esse tipo de tratamento der certo, as implicações são extraordinárias.

    Tags: , , , , , , , ,

  • foto-imagem-protetor-solar

    Segundo pesquisadores da Universidade de Manchester, não se deve confiar apenas no bloqueador como forma de prevenção de melanomas – um tipo maligno de câncer de pele.

    “Os resultados ressaltam a importância de combinar o uso do protetor solar com outras medidas para proteger a cútis, como o ato de usar chapéus e roupas folgadas, além de ficar na sombra nos horários de sol forte”, afirma o professor Richard Marais, principal responsável pelo estudo.

    Publicada na revista Nature, a pesquisa feita em animais revelou detalhes sobre como os raios UV deixam as células epiteliais mais suscetíveis ao câncer.

    É sabido que a exposição ao sol é um dos principais fatores de risco desse tipo de câncer de pele.

    Mas ainda havia poucos detalhes sobre o mecanismo molecular pelo qual os raios UV prejudicam o DNA em células da pele.

    Perigo

    No estudo, os cientistas investigaram os efeitos dos raios UV na pele de camundongos para verificar a ação do protetor contra o câncer.

    “Os raios UV atacam os mesmos genes que nos protegem contra seus efeitos nocivos, mostrando o quanto esse agente causador do câncer é perigoso ”, disse Marais.

    “Acima de tudo, esse estudo traz provas de que os bloqueadores solares não nos oferecem uma proteção completa contra os efeitos prejudiciais dos raios UV.”

    Os pesquisadores descobriram que os raios UV causaram problemas no gene p53, que normalmente ajuda a proteger o corpo contra os efeitos de um DNA com falhas.

    O estudo também mostra que o protetor pode reduzir a quantidade de falhas no DNA causadas pelos raios UV, atrasando o desenvolvimento do melanoma nos camundongos.

    Julie Sharp, chefe de informação do instituto britânico de pesquisa sobre o câncer, disse que as pessoas tendem a achar que são “invencíveis” a partir do momento que passam a usar bloqueador solar e por isso ficam mais tempo sob o sol, ampliando a exposição aos raios UV.

    “É essencial adquirir hábitos seguros para se proteger do sol e não se deixar queimar – queimaduras de sol são, aliás, um claro sinal de que o DNA das suas células epiteliais foi danificado e, a longo prazo, isso pode levar ao câncer de pele”, disse.

    O melanoma é o quinto câncer mais comum no Reino Unido, com mais de 13 mil pessoas diagnosticadas com a doença por ano.

    No Brasil, o Inca (Instituto Nacional de Câncer) estima que houve 6.230 novos casos deste tipo de tumor em 2012, sendo 170 homens e 3.060 mulheres (2012).

    Tags: , , , , ,

  • foto-imagem-remedios

    Resultados de testes internacionais de dois medicamentos contra o câncer de pele em estágio avançado foram considerados ‘animadores e impressionantes’ por cientistas. Os dois tratamentos visam garantir que o sistema imunológico humano reconheça e ataque os tumores.

    Os remédios experimentais, chamados pembrolizumab e nivolumab, bloqueiam os caminhos biológicos que o câncer usa para ‘se disfarçar’ e evitar ser percebido pelo sistema imunológico.

    As decobertas foram divulgadas na Conferência da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, em Chicago (EUA), que se encerra nesta terça-feira.

    Sobrevivência

    O melanoma em estágio avançado, um câncer de pele que se espalhou para outros órgãos, é uma doença de tratamento difícil. Até há poucos anos, a taxa de sobrevivência a esta doença era de cerca de seis meses. Em um teste realizado com 411 paciente avaliando o pembrolizumab, 69% dos pacientes sobreviveram por pelo menos um ano.

    Cientistas reproduzem em células humanas modificações próprias do câncer

    O remédio, que costumava ser chamado de MK-3475, também está sendo testado contra outros tipos de tumores que usam o mesmo mecanismo de bloqueio dos ataques do sistema imunológico. David Chao, oncologista consultor da fundação Royal Free NHS de Londres, está realizando os testes em pacientes com o melanoma e com câncer de pulmão.

    — O pembrolizumab parece ter o potencial para ser uma mudança de paradigma na terapia contra o câncer.

    Um dos pacientes de Chao, Warwick Steele, de 64 anos, recebeu infusões do pembrolizumab a cada três semanas desde outubro de 2013. Antes de o tratamento começar, ele mal conseguia andar, porque o melanoma havia se espalhado e atingido um dos seus pulmões. Steele começou a ter dificuldades para respirar.

    — Eu me cansava simplesmente por ficar em pé e, literalmente, estava exausto demais até para fazer a barba. Mas agora eu me sinto de volta ao normal e posso fazer jardinagem e compras.

    Exames em seu pulmões (como mostram as imagens acima) revelam que, depois de apenas três doses, o remédio parece ter removido completamente o câncer do órgão.

    Terapia combinada

    O outro medicamento, o nivolumab, foi testado em combinação com um outro remédio já existente e licenciado, o ipilimumab. Em teste realizado com 53 pacientes, a taxa de sobrevivência foi de 85% depois de um ano e 79% depois de dois anos.

    Novo tratamento erradica câncer de colo de útero em duas pacientes

    John Wagstaff, professor de oncologia médica na Faculdade de Medicina de Swansea, na Grã-Bretanha, participa dos testes realizados com os dois medicamentos.

    — Estou convencido de que este é um avanço no tratamento do melanoma. O teste ainda está ‘cego’, então ainda não sabemos quais tratamentos os pacientes estão recebendo, mas observei algumas respostas espetaculares.

    Para Peter Johnson, chefe clínico da Cancer Research UK, ONG britânica especializada em pesquisa sobre o câncer, é ‘animador ver a variedade de novos tratamentos que estão surgindo para pessoas com melanoma em estágio avançado’. Mas os médicos pedem cautela. Os resultados divulgados ainda estão na chamada Fase 1, o que significa que são testes em estágio inicial.

    Os testes mais abrangentes, da Fase 3, ainda estão sendo realizados e envolvem diversos hospitais britânicos. Apenas quando os resultados desses testes estiverem prontos, dentro de cerca de um ano, os médicos poderão ter certeza dos benefícios dos novos tratamentos.

    Como acontece com todos os medicamentos, os tratamentos experimentais têm efeitos colaterais. Warwick Steele, por exemplo, relatou que teve suores noturnos e até chegou a sentir uns ‘apagões’ rápidos durante o tratamento. Mas, para Steele, valeu a pena e agora os médicos estão tratando apenas desses sintomas.

    Tags: , , ,

  • foto-imagem-pronzeamento-artificial

    Com uma das maiores taxas de câncer de pele da Grã-Bretanha, inclusive entre jovens, a cidade de Liverpool tenta fechar o cerco contra o bronzeamento artificial.

    O uso da técnica na cidade é muito maior do que na média do país, mas as autoridades locais hoje têm dificuldade de fiscalizar o serviço.

    Como não há obrigação de registro dos estabelecimentos que oferecem as câmaras artificiais de bronzeamento, é difícil checar se os operadores usam equipamentos seguros e se não oferecem sessões a menores de 18 anos.

    As campanhas educativas com adolescentes e adultos não tem sido suficientes para conter o problema, por isso as autoridades locais querem que o governo inglês lhes dê poder para licenciar o serviço.

    Assim, ele só poderá ser oferecido após receber autorização, como já ocorre na Escócia, no País de Gales e, no caso da Inglaterra, em Londres.

    Cultura do bronzeamento

    Liverpool parece ter uma cultura profundamente enraizada de bronzeamento artificial, mas é difícil definir exatamente o porquê.

    Alguns relacionam sua popularidade ao uso por celebridades somado à percepção de que, em uma cidade com níveis significativos de pobreza, a pele bronzeada é sinal de sucesso e riqueza.

    Os jovens adolescentes não são imunes a essa cultura. Apesar de ser ilegal permitir que menores de 18 anos façam o tratamento, existe evidência de que isso é muito comum na cidade.

    Muitas clínicas estão nas ruas principais e seguem perfeitamente as regras de segurança. Mas, como explica o vereador Roy Gladden, há também câmaras de bronzeamento irregulares em locais como salões e cabeleireiros, que são difíceis de ser localizadas para fiscalização.

    “Não sabemos onde estão porque eles não têm que se registrar”, disse.

    fot-imagem-mulher-com-CA

    ‘Marcada para a vida’

    A exposição desprotegida ao sol forte também pode causar câncer de pele. Desde 2000, porém, o número de casos entre mulheres em Liverpool aumentou 129%, mais que o dobro da média do Grã-Bretanha.

    Alisha Lawler, 30 anos, sabe o quão devastador um diagnóstico de câncer de pele pode ser. Ainda na sua adolescência, ela fazia bronzeamento artificial várias vezes por semana.

    No ano passado ela descobiu uma mancha em seu braço que foi diganosticada como um melanoma. O tumor foi removido, mas deixou uma cicatriz de vários centímetros.

    “Por que você desejaria expor sua pele para esses perigos, passar pela dor que eu já passei e ficar marcada para a vida toda? Eu tive que esconder meu braço”, conta.

    Tags: , , , , ,

  • foto-imagem-exame-sangueTim Cook, autor do estudo e oncologista consultor da Universidade de Dundee (Grã-Bretanha), explica que é um grande desafio identificar a propagação do melanoma – o tipo mais sério de câncer de pele.

    Por isso, ele e seus colegas de estudo acreditam que é importante medir os níveis de um gene chamado TFP12 no DNA de pacientes.

    Cook argumenta que o exame de sangue é uma forma simples e precisa para descobrir o quão avançada está a doença, além de indicar se ela começou a se espalhar.

    “Isso daria a médicos e pacientes informações importantes, com muito mais antecedência do que temos no momento”, afirma. “Há crescentes evidências de que os tratamentos são mais eficientes nesses estágios iniciais. Se conseguimos identificar quando o câncer começar a se espalhar, poderemos aumentar significativamente suas chances de vencer a doença.”

    Segundo especialistas do setor, a descoberta pode levar a diagnósticos mais rápidos e novos tratamentos.

    Sob a pele

    Para Charlotte Proby, dermatologista da Universidade de Dundee, “usar exames de sangue para entender nosso DNA é uma forma simples de aprender melhor o que ocorre sob a nossa pele”.

    “O ‘ligar’ e ‘desligar’ de alguns genes parece ter efeito sobre quando, onde e por que o melanoma se espalha”, diz ela.

    O próximo passo do estudo, segundo Proby, é desenvolver um mapa de “biomarcadores”, que ajudem a identificar pacientes que precisam de reforço no tratamento do melanoma.

    Novos tratamentos

    Mais de 8 entre 10 pacientes têm sobrevivido ao melanoma por ao menos dez anos, mas especialistas dizem que há muito a ser feito em prol de pessoas cujo câncer se espalhou para outros órgãos.

    Por isso, o uso de exames de sangue pode ser importante, opina Harpal Kumar, executivo-chefe da ONG Cancer Research UK. “Essa pesquisa pode resultar em diagnósticos mais rápidos e a novos tratamentos em potencial, dando a pacientes e médicos mais chances de derrotar a doença”, diz.

    A mesma equipe de pesquisadores identificou outro biomarcador em potencial, chamado NT5E, que parece estar ligado ao avanço de um tipo agressivo de melanoma.

    Os pesquisadores dizem que essa identificação pode ajudar a desenvolver novos tratamentos para a doença, sobretudo em casos em que ela se espalha a órgãos como cérebro e pulmão.

    Tags: , , , , , ,

  • foto-imagem-cancerA cura do câncer é o sonho de muitos pesquisadores e nos últimos anos uma técnica que pode revolucionar o tratamento da doença vem se aperfeiçoando: a virusterapia, o uso de vírus geneticamente modificados para atacar as células tumorais.

    A Fundação Instituto Leloir, da Argentina, anunciou recentemente dois importantes avanços. Junto a colegas de Chile, Grã-Bretanha e Estados Unidos, os cientistas da instituição conseguiram adaptar um vírus que causa gripe e conjuntivite, o adenovírus, para atacar com sucesso o câncer de pele e de pâncreas em camundongos.

    O diretor da equipe do Leloir, Osvaldo Podhajcer, chefe do Laboratório de Terapia Celular e Molecular e pesquisador sênior do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas da Argentina (Conicet), disse à BBC Mundo que foi possível reduzir ou eliminar tumores sem danificar outros tecidos.

    Isso ocorreu porque os cientistas modificaram o DNA de modo que o vírus só possa se reproduzir em células cancerosas.

    A técnica representa um grande avanço em relação aos tratamentos convencionais para o câncer, como a quimioterapia ou radioterapia, que deixam sequelas graves.

    Além disso, o trabalho pode ter um enorme impacto sobre a cura do melanoma e do câncer de pâncreas, duas das doenças mais mortais.

    “Esses dois tipos de câncer são os menos propensos a receber tratamento não-cirúrgico”, disse à BBC o oncologista Eduardo Cazap, presidente da União Internacional de Controle do Câncer (UICC, na sigla em Inglês).

    Riscos
    Quando se fala de um vírus geneticamente modificado, há sempre o temor de que esses avanços científicos representem um grande risco no futuro, a possibilidade de causarem uma pandemia.

    Essa é a premissa do filme de 2007 Eu Sou a Lenda, com Will Smith, em que um cientista consegue curar o câncer, modificando o vírus da varíola, mas a mutação do vírus acaba convertendo todos os seres humanos — menos o personagem de Smith — em zumbis.

    foto-imagem-cancerNeste sentido, os especialistas do Instituto Leloir disseram à BBC que optaram por trabalhar com o adenovírus porque é um vírus pouco perigoso, muito estável, o que exclui qualquer risco de mutação.

    Na verdade, Podhajcer explicou que trabalhou com essas duas formas de câncer pela falta de tratamentos conhecidos e pela alta incidência na população.

    O trabalho sobre o câncer de pâncreas foi feito em parceria com duas universidades do Chile, Concepción e Andrés Bello, o que é raro na América Latina.

    Os cientistas estabeleceram um marco ao compactarem o ADN para fazer com que o vírus se multiplique mais rápido.

    O estudo foi publicado na revista Molecular Therapy, da Associação Americana de Terapias Celulares e Genéticas.

    Enquanto isso, a pesquisa sobre o câncer de pele foi feita em conjunto com as universidades de Londres, Birmingham e St. Louis, onde também houve progresso.

    Mais eficácia
    “Pela primeira vez que conseguimos mudar geneticamente um vírus para tirar vantagem das características das células cancerosas e as atacar”, disse Podhajcer.

    Segundo o especialista, isto deu ao vírus 40% mais de eficácia.

    foto-imagem-cancer

    O trabalho foi publicado no Journal of Investigative Dermatology.

    Apesar da importância destes estudos, os autores ressaltaram que ainda é muito cedo para estabelecer se o impacto real será a cura para o câncer.

    Primeiro, é preciso percorrer todas as etapas de testes pré-clínicos e clínicos, um longo processo que leva anos e exige grande financiamento.

    Se tudo der certo, o Instituto Leloir estima que o tratamento estaria disponível em cerca de cinco anos.

    No entanto, Cazap adverte que muitos casos de sucesso em roedores não funcionam em testes em humanos.

    “O potencial dessas descobertas é muito interessante, mas você tem que ver se funcionam”, disse ele.

    Tags: , , , , , , ,