• Pessoas que infartaram e se sentem tristes ou deprimidas por longos períodos têm maior risco de morrer em até quatro anos após o ocorrido. Na contramão, quando o baixo astral ocorre por pouco tempo, o efeito na recuperação pode ser até positivo.

    A descoberta vem de um estudo recente, publicado no European Journal of Preventive Cardiology, que avaliou mais de 57 mil indivíduos que tiveram uma pane cardíaca. O estresse emocional foi medido dois e 12 meses após o ataque. Além disso, houve um acompanhamento da saúde em geral por uma média de quatros anos.

    Mais de 20% deles caíram na categoria “estresse emocional persistente”, pois se sentiam mal nas duas análises. Comparados aos pacientes que não exibiam problemas de humor, os depressivos apresentaram um risco de mortalidade 46% maior e, nos ansiosos, o perigo de morte aumentou 54%.

    De acordo com outros trabalhos citados nessa pesquisa, o estado de espírito está mais associado a fatores sociais do que clínicos: jovens, mulheres, estrangeiros e desempregados são mais acometidos pela tristeza intensa pós-infarto.

    O lado positivo da tristeza

    Investigações anteriores já haviam mostrado que as emoções influenciam no prognóstico do ataque cardíaco. Mas o novo estudo foi o primeiro a levar em conta a duração do estresse. Cerca de 15% dos participantes se sentiram deprimidos ou ansiosos nos dois primeiros meses pós-infarto, mas se recuperaram com o tempo.

    Nesse caso, a tristeza temporária não impactou negativamente a saúde. “Alterações passageiras de humor, quando não frequentes ou exageradas, são parte comum da vida”, explicou à imprensa Erik Olsson, psicólogo da Universidade Uppsala, na Suécia, autor do trabalho.

    “Estar um pouco deprimido após um infarto pode até ser bom, pois o humor regula nosso comportamento e faz com que você saia um pouco de circulação e descanse”, comentou o pesquisador, que ressaltou mais uma vez o aspecto socioeconômico por trás da retomada do humor. “Provavelmente essas pessoas tinham um status social mais alto e, assim, contavam com recursos melhores para lidar com a situação”, ressaltou.

    A chateação e o desânimo constantes, por outro lado, dificultam a adoção de mudanças de estilo de vida que melhoram a reabilitação da pane cardíaca, como parar de fumar, ser fisicamente ativo, comer bem e tomar direitinho os medicamentos.

    Como se recuperar do infarto

    Não é fácil superar um evento tão marcante quanto um ataque cardíaco, claro. Mas há estratégias que ajudam a lidar melhor com o baque.

    A primeira dica é buscar fazer as mesmas coisas de antes – ao menos as positivas. “Alguns pacientes evitam sexo e exercícios porque têm medo de que a atividade seja gatilho para um novo evento. Isso não é bom”, exemplificou Olsson.

    Para quem nunca foi de ficar cabisbaixo antes, é preciso um pouco de paciência e aceitação. Ora, é normal se sentir derrubado: trata-se de uma reação em parte biológica a um evento que colocou a vida em risco.

    O ideal é procurar auxílio de um especialista quando sentimentos como tristeza e angústia passam a ocupar a maior parte dos dias, impedindo a manutenção da rotina. Parte das clínicas cardiológicas já oferece suporte psicológico. Basta pedir ajuda – outro aspecto desafiador dessa história.

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  • O congresso da Associação Americana de Diabetes, que acontece em San Francisco neste ano, está recheado de novidades importantes para a população. Entre as pesquisas que acompanhei por aqui, destaco uma que avaliou o papel da restrição de calorias na alimentação para evitar o diabetes tipo 2. Aliás, eu gravei um vídeo, que está logo abaixo, para você ficar por dentro dos resultados.

    Só adianto uma coisa: não adianta comer pouco por uns meses e, depois, voltar a abusar nas refeições. Ao atingir o peso ideal, é importante seguir com uma alimentação balanceada para afastar o diabetes. Infelizmente, muita gente acaba abandonando um estilo de vida saudável com o tempo.

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  • Um acidente científico. É assim que o biomédico Carlos Ricardo Maneck Malfatti, da Universidade Estadual do Centro-Oeste, em Guarapuava (PR), se refere à descoberta da associação entre a ingestão de alecrim-do-campo e a queda na glicemia.

    É que, inicialmente, ele e sua equipe achavam que a planta tinha potencial na perda de peso. “Notamos em pesquisas com animais, porém, que ela poderia ajudar no combate ao diabetes“, relata.

    Ao que tudo indica, esse tipo de alecrim protege o pâncreas, órgão que produz a insulina, e melhora a resposta das células ao hormônio — com isso, o açúcar não sobra no sangue. Os cientistas decidiram, então, usar o extrato do vegetal em uma receita de cerveja, batizada de Rosemary. Ela já está sendo testada em pacientes e, segundo Malfatti, os resultados são bem animadores.

    Como há empresários interessados na inovação, há grandes chances de a bebida sair do laboratório e chegar ao mercado em breve.

    Por trás da própolis

    Sabia que a própolis verde é produzida pelas abelhas a partir do alecrim-do-campo? “E esse é um meio bacana de aproveitar seus benefícios”, diz Malfatti. A resina é conhecida por ser antioxidante e antimicrobiana.

    Nas pesquisas do biomédico, ele concebeu um método para extrair do alecrim só os compostos de seu interesse — como os destinados à cerveja. Então não dá para comparar seus efeitos com os da própolis.

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  • Nós, médicos, temos um nome para essa situação em que se acorda algumas (ou muitas!) vezes durante a madrugada para fazer xixi: é a noctúria. Falamos de um transtorno definido pelo ato de urinar precedido e sucedido pelo sono. Muitas pessoas acreditam, de maneira equivocada, que urinar no meio da noite seja um sinal de saúde, de que o organismo anda muito bem. Acontece que a noctúria é frequentemente relacionada a redução na qualidade do sono, sonolência diurna, aumento da pressão arterial, alteração do humor, maior propensão a quedas e fraturas e até a acidentes de trânsito.

    O risco de desenvolver a noctúria aumenta com o passar dos anos. Pode chegar a 30% entre pessoas acima dos 65 anos e passar dos 50% entre aquelas com mais de 80. Como dá para perceber, ela atinge indivíduos mais velhos, quando eles já costumam se mostrar mais frágeis.

    Que fique claro que a noctúria em si não é uma doença. Urinar frequentemente à noite deve ser visto como sinal de alerta para o sujeito procurar o médico (em geral, o urologista) e podermos detectar o que está acontecendo de errado, bem como prevenir os problemas listados anteriormente.

    Existem três causas principais para a noctúria:

    1- Obstrução do jato urinário, que acontece com o aumento benigno da próstata em homens ou devido a um estreitamento da uretra, o canal por onde sai o xixi.

    2- Hiperatividade vesical, situação marcada por contrações inadvertidas da bexiga que provocam intensa vontade de urinar e está relacionada a infecção urinária e cálculos renais ou não tem causa aparente.

    3- Aumento na produção noturna de urina, condição associada a fatores ou doenças, como insuficiência cardíaca, diabetes, insuficiência venosa (inchaço das pernas) ou, ainda, desbalanço hormonal.

    Um passo essencial para apurarmos o que vem ocorrendo é a solicitação de um diário miccional, que é uma avaliação, realizada pelo próprio paciente, da frequência em que ele urina de manhã e à noite, do volume de xixi e da quantidade e qualidade de líquidos ingeridos durante determinado período. O diário nos ajuda a determinar qual das três causas é o motivo da noctúria.

    Apenas após essa avaliação inicial e, eventualmente, o uso de exames mais específicos, o profissional irá chegar a um diagnóstico preciso. O tratamento, por sua vez, deve ser baseado na origem do problema. Podemos resumir da seguinte forma:

    1- Diante de um bloqueio do canal urinário, a causa mais comum de noctúria em homens após os 40 anos, o tratamento é baseado em medicamentos relaxantes do músculo prostático ou cirurgias na próstata para eliminar a obstrução que está comprometendo o ato e a frequência de urinar.

    2- No caso da hiperatividade da bexiga, quadro mais frequente em mulheres após a menopausa e associado à incontinência urinária, recorremos a terapias e medicações que controlam as contrações da bexiga.

    3- Havendo a produção aumentada de urina à noite, medidas comportamentais, como reduzir a quantidade de líquido ingerido após às seis da tarde e erguer os membros inferiores à tarde por cerca de 30 minutos, assim como ajustar a dose de remédios diuréticos, já ajudam bastante. Mas existem casos que podem exigir uma intervenção com medicamentos específicos. E, felizmente, já existe um tipo capaz de baixar em 60% os episódios de noctúria.

    O recado mais importante para a pessoa que suspeita que está urinando demais à noite é entender que está sob risco e seu problema tem solução. Portanto, não tem por que demorar a procurar um especialista.

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  • O câncer colorretal (CCR), que era comumente associado a pessoas acima de 50 anos, vem afetando cada vez mais adultos de 20 a 39 anos. De acordo com um estudo da American Cancer Society (ACS), a incidência da doença nessa faixa etária vem crescendo entre 1% e 2,4% anualmente desde a década de 1980. Por causa desses dados, a entidade anunciou, no ano passado, novas diretrizes quanto à prevenção da doença, indicando que os exames sejam feitos a partir dos 45 anos, cinco anos antes da recomendação anterior para os indivíduos de médio risco (aqueles assintomáticos e sem fatores de risco).

    Porém, as ameaças que contribuem para o aumento do CCR nessa idade não estão relacionados necessariamente a falta de exames preventivos, mas sim a questões comportamentais. É fundamental, por exemplo, cuidar da dieta, já que o consumo de alimentos processados está vinculado a esse tipo de tumor e é frequente entre os jovens.

    O excesso de álcool, outro hábito juvenil, também é um fator de risco, assim como tabagismo, sedentarismo, excesso de ganho de peso, baixo consumo de fibras, pouca exposição solar, entre outros.

    Por ser uma doença multifatorial, não podemos dizer que apenas a rotina e o ambiente estão provocando o câncer colorretal. A enfermidade também é influenciada por fatores genéticos e hereditários, como o histórico familiar em primeiro grau. Porém, esses casos representam apenas entre 5% e 10% do total.

    Alguns sintomas do câncer colorretal são sutis: alterações intestinais (prisão de ventre ou diarreia frequentes), fezes com sangramento e/ou em fita (com formato fino) e dores abdominais. Já a pesquisa de sangue oculto nas fezes é um método útil para rastreamento populacional. Ela funciona como triagem para a colonoscopia, um exame que exige um preparo intestinal mais complexo e tem alto custo.

    Precisamos lembrar que vivemos em um país no qual 24% da população não realiza nenhum tipo de exame preventivo, como revelou a pesquisa da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc) sobre os brasileiros e o câncer, realizada em 2017. Além da falta de informação sobre o assunto, também há grande dificuldade de acesso aos exames de rastreio.

    Fora os mutirões conduzidos pela Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed) em algumas cidades do Brasil e ações de instituições privadas, não existem muitas iniciativas para garantir que a população em geral seja examinada.

    O CCR é o terceiro câncer mais comum no Brasil, com estimativa de quase 37 mil novos casos por ano, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Avaliando a questão de forma mais ampla, é fundamental observar quais são os custos indiretos para a sociedade do aumento de doenças como essa, que geram perda de produtividade, afastam pessoas jovens do mercado de trabalho e impactam a dinâmica familiar.

    Apesar de clichê, a melhor forma de reduzir a incidência de doenças, incluindo o câncer, ainda é cuidando da alimentação e praticando atividade física regularmente. Temos que refletir sobre os nossos hábitos desde cedo e procurar um especialista quando percebermos mudanças no corpo.

    Assim como a maioria dos cânceres, quando diagnosticado precocemente, o CCR tem altas chances de cura.

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  • Hoje em dia, um protetor ajuda na prevenção do câncer de pele ao impedir que os raios ultravioleta entrem em contato com a derme. Mas no futuro ele talvez faça mais do que isso. Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) testaram um antioxidante capaz de controlar as consequências da exposição solar no DNA das células – e querem inclui-lo nos filtros.

    O time se concentrou na substância N-acetilcisteína, hoje usada como medicamento, em células isoladas com um defeito genético chamado de xeroderma pigmentoso variante. Essa alteração provoca uma doença rara que aumenta o risco de câncer de pele em até 2 mil vezes antes dos 20 anos de idade.

    Pois bem: ao aplicar o antioxidante nas células defeituosas antes da exposição à radiação solar, os cientistas perceberam que elas ficaram mais preparadas para lidar com a luz ultravioleta do tipo A (UVA). Se isso acontece em uma célula sujeita a desencadear o câncer, talvez o mesmo ocorra com unidades sem mutações genéticas problemáticas.

    Os danos causados pelo UVA

    O efeito da radiação ultravioleta na pele ainda está sendo desvendado pela ciência. Durante o estudo, os pesquisadores verificaram que a derme sofre um processo oxidativo e danoso entre quatro e seis horas depois da exposição ao UVA. Mas, ainda bem, o uso da tal N-acetilcisteína freou esses estragos, que parecem estar por trás de mutações cancerígenas.

    A expectativa é que moléculas do tipo sejam acrescentadas aos protetores. “Acreditamos que o antioxidante nos cremes solares vai prevenir danos na capacidade de recuperação da célula, evitando o câncer de pele em pacientes com xeroderma pigmentoso e, porque não, na população como um todo”, comentou, em comunicado à imprensa, o biólogo Carlos Menck, líder do trabalho.

    Protetores mais modernos e turbinados

    Em março, o Laboratório de Cosmetologia da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP apresentou um protetor com ação antioxidante até 70% mais potente que os convencionais. O produto é feito com rutina, flavonoide encontrado em uma planta nativa do cerrado brasileiro, e já foi testado em seres humanos, porém ainda não está nas farmácias.

    Além dos UVA e UVB, que são barrados pelos protetores solares disponíveis atualmente no mercado, há ainda a luz visível. Trata-se da claridade que ilumina o dia, considerada inofensiva até pouco tempo, mas que pode ser perigosa também. Ela age em conjunto com o UVA danificando o DNA das células, processo que favoreceria o aparecimento do câncer de pele.

    Eis que, no final de 2017, outro grupo da USP desenvolveu um filtro colorido, semelhante à maquiagem, para barrar esse tipo de radiação. O produto usa nanopartículas de melanina – o pigmento que colore a pele – para criar uma camada física contra a luz visível.

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  • Mesmo com o desenvolvimento de agulhas para aplicação de insulina cada vez menores — hoje já temos versões com apenas 4 milímetros —, muitas pessoas com diabetes sofrem ou se sentem desconfortáveis com o fato de ter de injetar o hormônio quatro, cinco, seis vezes ao dia. Essa é uma realidade ainda mais incômoda para as crianças.

    Tem gente com diabetes que inclusive deixa de aplicar algumas doses diárias de insulina devido a esse estresse. E nem preciso dizer como isso pode provocar um descontrole nos níveis de glicose no sangue, com todos os prejuízos que essa situação acarreta.

    Para ajudar a diminuir o desconforto e melhorar a adesão ao tratamento com insulina, chega neste ano ao Brasil uma tecnologia batizada de i-Port.

    Criado pela empresa Medtronic, o i-Port é um dispositivo implantável na superfície da pele que possui um cateter (uma pequena cânula) que pode ter 6 ou 9 milímetros e fica inserido no tecido subcutâneo.

    Com isso, em vez de o paciente receber várias picadinhas ao dia, ele injeta a insulina nesse dispositivo (com caneta ou seringa, e na frequência pré-estabelecida com o médico) sem sentir dor ou desconforto.

    O i-Port deve ser implantado nos mesmos locais usuais de aplicação da insulina, como nádegas, barriga, coxas e braços, e precisa ser trocado a cada três dias. Sua inserção na pele é simples e pode (e deve) ser realizada pelo próprio paciente ou familiares. Situações como banho e prática de esportes (inclusive aquáticos) não são empecilho para o uso.

    Apesar de o preço por aqui ainda não ter sido divulgado pelo fabricante, acredito que o recurso será uma excelente opção para muitas pessoas com diabetes angariarem conforto e qualidade de vida durante o tratamento. Só lembrando que o controle do diabetes vai muito além da aplicação rigorosa da insulina. Envolve cuidar de si, manter bons hábitos alimentares e a prática regular de exercícios.

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  • A meningite meningocócica pode ser confundida com infecções menos ameaçadoras – principalmente durante a temporada de gripe e afins. Quem faz o alerta é a Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (Fehoesp).

    Em campanha lançada nesta semana, a entidade pede cautela redobrada na avaliação de pessoas que chegarem ao pronto-atendimento. “Serviços de saúde devem estar atentos à ocorrência de doenças como meningite, zika, dengue e chikungunya, e realizar um diagnóstico criterioso para evitar erros”, declarou à imprensa o médico Yussif Ali Mere Jr, presidente da Fehoesp.

    O diagnóstico correto é importante, mesmo que às vezes a única opção seja combater os sintomas e acompanhar a evolução do quadro, caso dos resfriados e das infecções transmitidas pelos Aedes aegypti. Se o que estiver por trás dos sintomas for uma gripe forte ou mesmo a meningite bacteriana, o tratamento é mais específico.

    Como diferenciar meningite de gripe e outras infecções

    Muitas infecções têm, como primeiro sintoma, a febre. Por isso nem sempre é evidente qual a origem da subida na temperatura quando a pessoa chega ao pronto-socorro.

    “Num primeiro momento, pode ser difícil suspeitar de meningite ou outra coisa mais séria”, aponta Renato Kfouri, infectopediatra diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

    Vale esclarecer que estamos falando de uma situação relativamente rara no Brasil. Em 2018, foram 1 072 ocorrências da versão meningocócica, a mais comum entre as meningites transmitidas por bactérias, com 218 mortes. Há também uma versão viral da doença, mas seus sintomas são mais brandos.

    As bacterianas, por sua vez, merecem atenção por causa da taxa alta de mortalidade – cerca de 20% dos casos, geralmente crianças e adolescentes. A meningocócica, destaque da categoria, é causada por 12 subtipos do micro-organismo meningococo. No país, os mais comuns são os A, B, C, W e Y, todos evitáveis com a vacinação.

    As semelhanças entre gripe e meningite são febre alta e mal-estar abruptos, além de vômito. Depois, elas evoluem de maneiras diferentes.

    O vírus da gripe ataca as vias respiratórias. Por isso, provoca coriza, tosse e cansaço.

    Já a meningite desencadeia dores de cabeças e vômito intensos, rigidez no pescoço, além de sintomas neurológicos, como surdez, perda de consciência e, em alguns casos, paralisia. “É um quadro que evolui rapidamente, geralmente em 24 horas”, destaca Kfouri.

    Diagnóstico

    O diagnóstico das duas pode ser feito com exames de sangue. No caso da meningite bacteriana, o médico solicita ainda a coleta do líquor da medula espinhal, um líquido que banha as meninges, para identificar qual o agente causador do problema.

    “Esse teste sempre é feito para saber qual antibiótico deve ser administrado. Dependendo do tipo da bactéria, também é preciso fazer um tratamento preventivo em quem teve contato com o doente”, aponta Kfouri.

    O ideal é que a análise seja feita antes de iniciar o tratamento, pois o uso de antibióticos pode interferir no exame. Entretanto, como o resultado às vezes demora até três dias para chegar, em alguns episódios é necessário aplicar a medicação imediatamente.

    Eu devo me preocupar?

    É claro que uma febre alta sempre chama a atenção, mas a meningite não está em alta no Brasil. “Vivemos uma tendência de queda nos casos há anos, e a incidência diminuiu muito depois que a vacinação começou no SUS”, reforça Kfouri.

    Atualmente, só as doses contra a meningite meningocócica C – a versão mais comum – estão na rede pública. Nas clínicas particulares, dá ainda para se imunizar contra os tipos A, B, W e Y.

    “Temos a vacina contra o tipo mais frequente gratuitamente para crianças e adolescentes, mas nossas taxas de cobertura estão aquém do esperado”, alerta o médico.

    Já a gripe preocupa mais as autoridades públicas – não pela gravidade, que é menor do que a da meningite, mas pelo alto número de casos. Essa infecção costuma ser mais incidente nos meses frios do ano. Fique ligado e aproveite as campanhas de vacinação.

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  • Que nos perdoem os defensores do movimento antivacina, mas, com as evidências científicas disponíveis hoje, afirmar que a vacina tríplice viral (contra sarampo, caxumba e rubérola) causa autismo é, no mínimo, negar a realidade. Se não bastassem os estudos anteriores, agora um levantamento dinamarquês com mais de 650 mil crianças deixa claro que não há qualquer associação entre as injeções e esse transtorno – mesmo entre os pequenos mais suscetíveis a ele.

    Nesse último experimento, pesquisadores da Universidade de Copenhague cruzaram registros de vacinação de 657 461 crianças com dados de desordens psiquiátricas. Ao longo dos anos, 6 517 delas desenvolveram autismo.

    Ao comparar a turma que tomou a tríplice viral com a que não a recebeu, ficou claro que não há qualquer ligação de autismo com a vacina. E isso valeu mesmo para os pequenos mais predispostos à doença (como àqueles cujos irmãos são autistas).

    “Não encontramos qualquer apoio para a hipótese de aumento no risco de autismo após a vacinação para sarampo, caxumba e rubéola nessa população”, reforçam os autores, no artigo. E eles estão longe de estarem sozinhos.

    Onde surgiu a polêmica e o que veio depois

    Essa relação sem pé nem cabeça do autismo com a vacinação ganhou os holofotes por causa de um estudo fraudulento publicado em 1998 – que terminou com a cassação da licença para praticar medicina do seu autor. Nossa colunista contou essa história em detalhes neste artigo.

    De lá para cá, uma série de experimentos sérios rejeita a teoria. Os próprios autores desse último estudo já haviam se debruçado sobre o assunto em outro artigo com 537 mil crianças dinamarquesas.

    “Uma crítica ao nosso trabalho anterior era o de que ele e outras investigações não abordavam um eventual risco em crianças presumivelmente mais suscetíveis ao autismo”, afirmaram os experts dinamarqueses. “Nesse trabalho, nós avaliamos inclusive isso”, reforçaram.

    Ou seja, de uma vez por todas, vamos parar de espalhar essa notícia falsa e estimular a vacinação infantil.

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  • Com o slogan “Pare, pense e use camisinha”, o Ministério da Saúde deu a largada para a Campanha de Carnaval. Entre outras coisas, serão distribuídos 12 milhões de preservativos masculinos com uma identidade visual repaginada, que mira principalmente os homens de 15 a 39 anos (e que almeja frear a disseminação da aids).

    “Os números do HIV no Brasil, que demonstram aumento entre jovens, são muito importantes para a conscientização do grande desafio que temos na saúde pública”, diz Luiz Henrique Mandetta, ministro da saúde, em comunicado.

    Entre brasileiros de 20 a 24 anos do sexo masculino, a taxa de detecção desse vírus cresceu 133% entre 2007 e 2017. E 73% dos novos casos de aids atingem os homens de 15 a 39 anos.

    Por outro lado, o Boletim Epidemiológico de HIV e Aids, divulgado no fim do ano passado, indica que a epidemia dessa doença está estabilizada no Brasil. Foram diagnosticados 18,3 casos a cada 100 mil habitantes em 2017.

    Em 2019, o embaixador da Campanha de Carnaval é o cantor Gabriel Diniz, que ganhou fama com a música “Jenifer”. Veja uma recado dele sobre o assunto:

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