• Se você é cardíaco, atenção: a Copa do Mundo pode ser um gatilho para que sofra um infarto. É o que diz uma pesquisa feita pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP). Segundo o trabalho, nas últimas quatro edições do torneio antes de 2014, o índice de ataques cardíacos entre pacientes maiores de 35 anos saltou de 4% a 8% em todo o país.

    Os pesquisadores analisaram os dados dos Sistemas de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS), verificando as hospitalizações e os óbitos ocorridos no período de 1º de maio a 31 de agosto dos anos de 1998, 2002, 2006 e 2010. Eles compararam os índices dos dias sem Copa, dias de Copa sem jogos do Brasil e dias de jogos do Brasil. Apesar de o número de problemas cardiovasculares ter subido durante o campeonato mundial, o de mortes não teve aumento significativo.

    Um outro estudo, dessa vez realizado na Alemanha e publicado no periódico The New England Journal of Medicine, analisou quantos habitantes da Grande Munique foram ao pronto-socorro por problemas do coração de 1º de maio a 8 de junho e de 10 a 31 de julho de 2006 (ano em que a Copa ocorreu nesse país) e compararam com o período de 1º de maio a 31 de julho de 2003 e de 2005.

    Nos dias em que a Alemanha jogou, os pesquisadores notaram que a procura pelo atendimento de emergência foi 2,5 vezes maior. Eles registraram outro dado interessante: conforme a Alemanha ia avançando na competição, a busca pelo hospital crescia ainda mais.

    É importante salientar que os jogos de futebol não foram a causa desses problemas, mas sim um gatilho para pessoas que já tinham predisposição a doenças cardiovasculares. Segundo a cardiologista Rica Buchler, do Alta Excelência Diagnóstica, em São Paulo, diabéticos, hipertensos e sedentários são mais propensos a sofrerem um infarto, por exemplo.

    Na hora do jogo, como a frequência cardíaca cresce, ocorre um aumento de fluxo de sangue – que fica mais grosso – e, aí, pode ocorrer o mal-estar que leva o paciente ao pronto-socorro.

    “A emoção de um jogo por si só não cria a enfermidade. A parada cardíaca ou a morte súbita pode acontecer apenas se a pessoa que tem a doença não se cuida e deixa de tomar os medicamentos ou se ela nem faz ideia da sua condição clínica”, reforça a médica. “A nossa preocupação é com as pessoas que não visitam o médico regularmente, não fazem exames, não medem a pressão e podem ter emoções fortes durante os jogos, que serão um gatilho para um transtorno maior”, completa.

    Então, se você tem um problema no coração e acha que não poderá ver a Copa, fique tranquilo. Não é nada disso! O importante é ter conhecimento prévio da sua condição física e respeitar o seu corpo.

    “O estresse de um jogo decisivo é o mesmo de quando se escala uma montanha: suba apenas se você tiver condições. Para passar pela Copa com segurança e sem sustos, basta ficar atento e se monitorar. A família do paciente também deve auxiliá-lo”, aconselha a médica.

    Além disso, ela pontua que é preciso evitar o excesso de cafeína e álcool. “Para quem já faz acompanhamento de rotina, só é necessário continuar seguindo as recomendações do médico para se manter seguro”, conclui.

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  • Cerca de 10 milhões de brasileiros têm osteoporose. E, infelizmente, 75% dos casos são diagnosticados somente após a primeira fratura.

    Felizmente, já foi adaptada para o Brasil uma espécie de calculadora batizada de FRAX (ou Ferramenta de Avaliação de Risco de Fratura). Você pode acessá-la clicando aqui e estimar a sua probabilidade de sofrer com um osso quebrados nos próximos dez anos. O problema: sem um exame de densitometria óssea, ela perde boa parte de sua confiança. E, mais do que isso, só um médico saberá interpretar o que fazer frente ao risco exibido na tela – trata-se de um método feito para uso profissional.

    Mas há outra opção: trata-se do Teste de Risco de Um Minuto Para Osteoporose. Mais simples, ele pode ser acessado (em inglês) na página da Federação Internacional da Osteoporose. Mas adaptamos essa avaliação básica para você abaixo.

    Se você responder SIM a qualquer uma das perguntas, procure um médico e converse com ele sobre a necessidade de passar pela avaliação do Frax e/ou solicitar um exame de densitometria óssea. Ter respondido SIM a qualquer uma das perguntas não significa que você tenha osteoporose. Mas indica que você apresenta um ou mais fatores de risco para desenvolver a doença e sofrer fraturas.

    O teste em si

    1. Tem 40 anos ou mais?

    2. Já fraturou algum osso após uma simples queda depois de adulto?

    3. Cai frequentemente (mais de uma vez no último ano) ou tem receio de cair devido à fraqueza?

    4. Está abaixo do peso, ou seja, seu Índice de Massa Corporal (IMC) é inferior a 19?*

    5. Já fez uso de medicamentos à base de corticoides (remédios receitados para o controle de asma, artrite e outras doenças inflamatórias) por mais de três meses consecutivos?

    6. Consome álcool em excesso ou acima dos limites recomendados (mais de duas doses por dia)?

    7. Fuma ou já foi fumante?

    8. Sua cota diária de exercícios é inferior a 30 minutos?

    9. Evita, não gosta ou é alérgico a leite e seus derivados (queijos, iogurtes etc.), e não toma nenhum tipo de suplemento à base de cálcio?

    10. Fica menos de dez minutos por dia ao ar livre (com parte de seu corpo exposto à luz solar) e não ingere fontes ou suplementos de vitamina D?

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  • Há quem diga que o fator de proteção solar (FPS) dos filtros só faz diferença na pele até chegar ao número 30. Ou seja, de pouco adiantaria comprar um creme com FPS 50 ou mesmo 100. Mas uma nova pesquisa, realizada pela Universidade de Nova York, nos Estados Unidos, sugere justamente o contrário.

    O grupo observou que o FPS 100 pode ser mais eficiente do que os outros para barrar queimaduras. Para chegar à conclusão, os cientistas entregaram dois frascos de protetor para cerca de 200 voluntários, um com FPS 100 e outro com 50. Aí, pediram que os voluntários aplicassem um no lado esquerdo e outro no lado direito do corpo.

    No dia seguinte, os participantes visitaram um consultório médico para analisar o impacto recente provocado pela radiação solar, com uma escala que ia de 0 a 5, do menos ao mais grave. Nessa avaliação, notou-se que o lado besuntado com o protetor mais leve exibia danos duas vezes maiores do que o outro.

    Para ter ideia, os dermatologistas que examinaram os voluntários – e que não sabiam qual filtro havia sido colocado em qual lado do corpo –, notaram que 55% dos participantes tinham se queimado mais na área do FPS 50, enquanto apenas 5% ficaram com a pele bem vermelha na porção coberta pelo protetor mais potente.

    Proteção solar na prática

    O estudo não bota um ponto final na discussão. Aliás, os autores reforçam que o efeito observado em um dia não necessariamente significa que a proteção do FPS 100 seja mais efetiva a longo prazo.

    Hoje, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) recomenda usar FPS mínimo de 30. “Costumo indicar esse no inverno e o 50 no verão, mas noto na prática que os fatores de proteção mais alto preservam melhor a derme”, indica Murilo Drummond, dermatologista da SBD.

    O especialista ressalta ainda que o protetor com FPS 100 não será duas vezes mais competente do que o 50 – apesar de aquele primeiro dado do estudo sugerir isso. “A diferença não é tão grande. Mas estamos falando de prevenir um câncer, então, mesmo que o benefício seja pequeno, ainda assim vale a pena considerá-lo”, opina o médico.

    O fato é: não dá para dispensar o protetor e as outras medidas que resguardam contra a radiação solar. Chapéu, guarda-sol e roupas compridas ajudam bastante, assim como valorizar a sombra e não se expor por muito tempo entre 10 e 16 horas.

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  • As crianças devem ser especialmente protegidas contra a gripe – não à toa, a campanha nacional de vacinação oferece doses gratuitas para os brasileirinhos entre 6 meses e 5 anos de idade. Por quê?

    “Os chamados grupos de risco, que envolvem essa faixa etária, estão mais sujeitos a complicações após a infecção do vírus influenza”, resume a pediatra Renata Scatena, diretora da Casa Crescer, um centro de vacinas de São Paulo. Ou seja, os pequenos têm uma maior probabilidade de sofrer com pneumonias e outros casos graves, que podem inclusive matar.

    Ainda assim, Renata ressalta que até os meninos e meninas mais velhos não podem se descuidar – há casos de quadros severos nessa faixa etária também. Para eles, a opção seria tomar a injeção em clínicas particulares, por exemplo.

    Aliás, o ideal é que todas as pessoas que vivem ao redor de crianças – ou de outros grupos de risco – se protejam da gripe. Isso porque a vacina não é 100% eficaz, ou seja, alguns garotos podem pegar a doença mesmo após terem ido ao posto de saúde. Agora, se os pais, os avós e os irmãos estão imunizados, é muito mais difícil de o vírus sequer entrar em contato com o novo membro da família.

    E os bebês com menos de 6 meses de idade? Eles não devem aplicar a vacina, porque faltam estudos nessa subpopulação. Mas calma: se a mãe recebeu o imunizante na gestação ou logo após o nascimento, vai repassar os anticorpos contra a gripe pelo leite.

    Hoje, praticamente não há contraindicações. “Só se pede para evita-la quando o indivíduo está resfriado, por exemplo, para não confundir os sintomas com eventuais reações leves da vacina”, ensina Renata. No mais, talvez o jovem tenha um pouco de dor local, cefaleia ou febre baixa.
    Só não ache que a vacinação causa gripe. É balela, como você pode ver clicando aqui. Mais um lembrete: as doses devem ser anuais, assim como em toda a população.

    A escola e a gripe

    Está aí um local que junta componentes para a disseminação de uma infecção. Veja: as crianças ficam aglomeradas em locais fechados, estão sempre brincando umas com as outras – e, cá entre nós, às vezes até “pegam emprestado” itens como uma chupeta ou garrafinha.

    “Mas não é para o seu filho ficar em casa”, tranquiliza Renata. Segundo ela, é importante estimular nos ambientes escolares a vacinação. E, dentro do possível, estipular regrinhas de higiene protetoras.

    Por exemplo: lavar as mãos com frequência, não compartilhar chupetas e brinquedos mastigáveis e deixar o pequeno de molho caso os sintomas da gripe deem as caras (febre, nariz escorrendo, tosse…).

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  • A exemplo de nós, os cachorros também vêm ganhando uma expectativa de vida mais longa. A questão é que a idade traz consigo seus efeitos colaterais. E o coração é um dos órgãos que podem sofrer com isso: o envelhecimento é um dos principais fatores de risco para a insuficiência cardíaca, quando esse músculo deixa de trabalhar direito.

    Para amparar os animais com o problema, a farmacêutica Boehringer Ingelheim está trazendo ao Brasil um medicamento capaz de postergar o avanço do quadro e os seus efeitos negativos. Ao ajudar o coração a bombear o sangue, o remédio em forma de tabletes mastigáveis prolonga os anos pela frente e melhora a qualidade de vida.

    Ainda assim, o diagnóstico precoce faz diferença. “Quanto mais cedo ele acontecer, melhor o resultado do tratamento”, afirma o veterinário Mário Marcondes, diretor do Hospital Veterinário Sena Madureira, em São Paulo. Por isso, o especialista recomenda um checkup cardíaco aos cães a partir do sexto ano de idade.

    Insuficiência canina

    Da mesma forma que acontece com o coração humano, o dos cães pode se enfraquecer com a idade e em razão de doenças. A insuficiência cardíaca significa que o órgão está perdendo a capacidade de bater e mandar o sangue adequadamente para o organismo, o que acarreta cansaço e falta de ar. Outros sintomas que você pode observar são tosse, membros e barriga inchada e língua arroxeada.

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  • A empresa Multilab recebeu más notícias da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Lotes de dois produtos seus voltados para o tratamento de piolhos, carrapatos, sarnas e outros parasitas foram reprovados em análises microbiológicas e, por isso, não poderão ser mais vendidos.

    Os fármacos que não passaram no teste são: Deltalab Loção de 100ml e Keltrina Plus 5% de 60ml. O resultado da avaliação significa que esses medicamentos apresentaram alterações que poderiam comprometer sua eficiência ou colocar a saúde do usuário em risco.

    Estamos falando de duas loções que são aplicadas diretamente no foco do problema para matar os parasitas. Elas não precisam de receita médica.

    Segundo a Anvisa, os lotes defeituosos são:

    Deltalab Loção de 100ml: 404874, 404875 e 405762

    Keltrina Plus 5% de 60ml: 403552, 407649 e 407650

    Embora o recolhimento desses lotes já esteja ocorrendo, convém ficar de olho na hora de ir à farmácia.

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  • Desenvolvidos para evitar a gravidez, os contraceptivos orais não estão, a exemplo de qualquer outra medicação, isentos de efeitos colaterais. Dentre eles, a trombose, ainda que rara nesse contexto, é o evento mais temido. A trombose é caracterizada pela obstrução parcial ou total de veias ou artérias por coágulos sanguíneos (os trombos) em determinada região do corpo.

    Em 90% dos casos as veias das pernas é que são afetadas, gerando sintomas como dor e inchaço. Entre as reações adversas mais graves da pílula também são relatados quadros de infarto e acidente vascular cerebral. Novamente, falamos de complicações raras. O período de maior vigilância, contudo, engloba os seis primeiros meses de uso do anticoncepcional, quando estatisticamente esses problemas apresentam maior incidência.

    As pílulas são constituídas de hormônios sexuais femininos que possuem não só a capacidade de inibir a ovulação — daí o efeito contraceptivo — mas também a de induzir alterações no sistema de coagulação do sangue. Na prática, o que acontece é o aumento de substâncias e fatores pró-coagulação acompanhado da redução dos nossos anticoagulantes naturais.

    Pesquisas ao longo dos anos vêm esmiuçando a ligação dos hormônios da pílula — especialmente a combinação de etinilestradiol e progestagênio, base da maior parte das formulações — com a probabilidade de sofrer uma trombose. Sabe-se hoje que os contraceptivos com dosagem reduzida oferecem menor risco nesse sentido.

    Estudos revelam que mulheres em uso de pílulas com dosagens acima de 0,05 mg de etinilestradiol ou estradiol (derivados do estrogênio) apresentam um risco trombótico até dez vezes maior quando comparadas às não usuárias. Calcula-se que isso represente o dobro da possibilidade de ocorrência de uma trombose na comparação com as formulações com doses menores do hormônio.

    Em relação aos métodos contraceptivos que contêm apenas progesterona, observou-se no decorrer das análises que o levonorgestrel presente nos anticoncepcionais de segunda geração seria o que apresenta menor risco. Quando usado isoladamente, esse hormônio afeta de forma mínima o sistema de coagulação, de modo que não traria risco considerável para trombose. Ainda assim, vale notar que há uma diminuição do efeito contraceptivo.

    O mais importante na hora de prescrever ou contraindicar essas medicações é avaliar a presença de fatores associados à trombose: obesidade, diabetes, câncer, tabagismo, sedentarismo, idade acima de 40 anos, varizes, alterações genéticas ou adquiridas na coagulação e histórico pessoal e familiar de eventos trombóticos.

    A contracepção hormonal de hoje é segura e apresenta riscos menores para trombose até mesmo quando comparada a situações fisiológicas como a gestação e o período pós-parto. No entanto, seu uso deve ser individualizado e decidido e acompanhado junto a um médico.

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  • A grávida deve tomar a vacina da gripe – ela inclusive tem direito à versão gratuita, que será oferecida na campanha de 2018 do Ministério da Saúde a partir do dia 23 de abril. Ao se imunizar contra essa doença, a mãe protege tanto a si própria como ao bebê.

    Benefícios da vacinação na mulher grávida

    Os diversos subtipos do vírus influenza podem causar mais estragos na gestação. “Durante a pandemia de gripe em 2009, vi muitas grávidas com quadros sérios da doença”, reitera a infectologista Rosana Richtmann, do Hospital e Maternidade Santa Joana, em São Paulo.

    Nelas, é mais comum que, além dos sintomas clássicos (febre, coriza, dor, indisposição), surjam complicações como pneumonia e outras infecções respiratórias. Em situações extremas, isso chega a levar à morte.

    “Há uma hipótese de que isso ocorra porque a flutuação hormonal piora a resposta imunológica da paciente a vírus e bactérias”, explica Rosana. A distribuição de líquidos pelo corpo, que se altera nos nove meses, também teria a ver com a maior severidade.

    Ao se vacinar, portanto, a futura mamãe evita a gripe e suas complicações. Não à toa, as últimas campanhas incluem as gestantes no grupo de risco, que tem direito à imunização gratuita.

    Aliás, há um subtipo do vírus influenza – o H1N1 – que seria especialmente danoso às grávidas. A boa notícia é que a vacina de 2018 foi produzida para também nos proteger contra ele.

    E as vantagens para o bebê

    Quando recebe sua dose do imunizante, a mãe diminui inclusive a probabilidade de parto prematuro, uma situação que coloca ela e o filho em risco. “A principal causa de prematuridade são as infecções em geral”, relata Rosana.

    Claro que, aí, não estamos falando apenas da gripe. Mas o fato é que o processo inflamatório decorrente da invasão do vírus pode, sim, antecipar o parto.

    Além disso, os anticorpos produzidos pelo organismo da mãe a partir da vacinação passam para o feto através da placenta. Em outras palavras, a proteção contra a gripe vai se estender para o filho.

    E por que isso é tão importante? Ora, antes dos 6 meses de vida, a criança não pode receber essa injeção. Logo, se a mãe não foi atrás de sua dose, o bebê fica suscetível às agressões do vírus influenza. Cabe ressaltar que o sistema imune do pequenino ainda é frágil nessa fase – se ele é infectado, corre maior risco de sofrer problemas graves.

    “Até por isso, pedimos para que, dentro do possível, as pessoas que convivem com a criança também se vacinem”, reforça Rosana.

    Veja: o imunizante não garante 100% de proteção, inclusive porque os diversos subtipos do vírus influenza estão sempre sofrendo mutações e circulando por lugares diferentes do planeta. Estima-se que 70% das pessoas que aplicam a dose de fato se resguardam contra esses inimigos da saúde.

    Assim, pedir para todo mundo que está ao redor da gestante ou da criança aplicar a vacina é uma ótima maneira de afastar qualquer chance de a gripe atingi-las. Quanto menos gente capaz de transmitir a doença na casa, melhor.

    A vacinação é segura durante a gestação?

    Certamente: Ao contrário da vacina da febre amarela, por exemplo, o vírus colocado na composição do imunizante para a gripe é inativado. Ou seja, não há qualquer risco de ele se espalhar pelo corpo e causar estragos.

    Mas por que então algumas pessoas tomam a picada e, depois, relatam sintomas da infecção? Em primeiro lugar, o sistema imune demora dias para produzir os anticorpos – e pode ser que o sujeito tenha entrado em contato com o vírus no ambiente nesse meio termo. É por isso que os experts pedem para a população se proteger antes do inverno, a estação oficial da gripe.

    Segundo: como já dissemos, a eficácia da vacina é de 70%. Pode ser, portanto, que a dose não tenha surtido o efeito desejado.

    De reações à vacina, é possível que o indivíduo apresente uma alergia local na pele. Entretanto, isso é raro. Ela só está proibida para quem tem alergia severa ao ovo, o que está longe de ser algo frequente.

    Quando tomar

    A rede pública vai começar a disponibilizar a vacina trivalente – contra as cepas H1N1, H3N2 e do tipo B Yamagata – a partir do dia 23 de abril de 2018. Já as clínicas particulares oferecem a versão quadrivalente, que também afasta o risco de infecção pelo tipo B Victoria. Seu custo varia entre 100 e 200 reais, mais ou menos.

    A injeção pode ser administrada em qualquer período da gestação. “Aliás, quem está amamentando e não se imunizou também deveria se vacinar”, completa Rosana.

    E que fique claro: a vacinação é anual. Não adianta a mulher achar que, como se protegeu no ano passado, não deve se preocupar agora que está grávida. Como o vírus da gripe está sempre se modificando, as vacinas devem ser adaptadas anualmente.

    Um recado final: o bebê pode se vacinar a partir dos 6 meses de vida, se o médico achar conveniente. Só cabe ressaltar que, na primeira vez que uma criança menor de 9 anos receber a picada contra a gripe, será necessária uma dose de reforço.

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  • Boa notícia para os cerca de 5 milhões de brasileiros com psoríase. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou recentemente mais dois remédios contra essa doença de pele crônica que promove descamações e lesões cutâneas.

    Comecemos pelo guselcumabe, da farmacêutica Janssen. Indicado para casos moderados a graves, ele é um medicamento biológico que bloqueia a interleucina 23, uma proteína inflamatória associada à doença e aos seus sintomas.

    Nos estudos que garantiram sua liberação, a droga garantiu uma redução de 90% dos sinais da psoríase após seis meses de aplicação. Isso de sete a cada dez pacientes tratados. E, em uma pesquisa mais recente, notou-se que 86% das pessoas mantiveram a melhora mesmo após um ano e meio.

    “Os resultados com esse tipo de remédio são muito positivos. E o melhor é que ganhamos mais uma opção para quando outros tratamentos falham”, opina o médico Caio Castro, coordenador da Campanha Nacional de Psoríase da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

    Tratamento à prova de falhas
    Além do guselcumabe, existem outros fármacos biológicos disponíveis por aqui – todos são injetáveis. O secuquinumabe (Novartis) e o ixequizumabe (da Eli Lilly, aprovado no finalzinho de 2017), por exemplo, focam em outra substância inflamatória atrelada à psoríase, a interleucina 17.

    Portanto, se uma medicação não traz o resultado esperado, o médico ainda pode recorrer a outras, com mecanismos de ação diferentes, mesmo nas situações mais graves. “Também podemos trocar de opção em virtude de efeitos colaterais indesejados”, completa Castro.

    Por exemplo: os remédios biológicos que focam na inibição da interleucina 17 causam um ligeiro aumento no risco de candidíase. Logo, pessoas com maior propensão a esse problema podem apostar em alternativas.

    “Até o momento, não há muitas pesquisas comparando a eficácia entre as drogas dessa nova geração, então a decisão será tomada por certos detalhes mesmo”, explica Castro. Entre eles, claro, também está o preço.

    Hoje, dificilmente uma dose do secuquinumabe, por exemplo, sairá por menos de 5 mil reais – após um período mais intenso de aplicações, a administração pode se tornar mensal. E os seguros de saúde ainda não são obrigados a cobrir esses custos, embora alguns arquem com eles. Atualmente, vários pacientes recorrem à Justiça para obter acesso a tais medicações.

    No caso do guselcumabe, os preços ainda serão definidos junto com a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).

    De qualquer forma, o valor desses remédios modernos ajuda a explicar o fato de os médicos apostarem, para a psoríase mais leve, em cremes e fármacos tradicionais, como a ciclosporina. “Eles também funcionam bem nessas situações”, tranquiliza Castro.

    E o outro remédio?
    O segundo medicamento aprovado contra a psoríase se chama apremilaste, da farmacêutica Celgene. Ao contrário do guselcumabe, esse é um fármaco sintético, que poderá entrar em cena para pacientes que não responderam ou têm alguma contraindicação contra terapias como as mencionadas acima.

    O que é psoríase
    Trata-se de uma doença crônica inflamatória da pele, que afeta cerca de 1,5% da população brasileira. Lesões, descamações e coceira são bem comuns – a severidade do quadro é definida, por exemplo, pela extensão das feridas e pelo impacto na qualidade de vida.

    Alguns indivíduos desenvolvem artrite psoriática, uma inflamação nas juntas que pode levar à perda de movimentos e deformações. Os tratamentos biológicos, aliás, também podem ajudar a tratar e até mesmo prevenir essa encrenca.

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  • O Sistema Único de Saúde (SUS) ampliou consideravelmente o número de pessoas que poderá se tratar de graça contra a hepatite C. E outra boa notícia: incluiu remédios mais modernos, com altíssimas taxas de cura e menos incômodos, na lista de tratamentos disponíveis do novo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT).

    “Esse é mais um passo que o Brasil dá para garantir amplo acesso ao tratamento de hepatites”, afirma Ricardo Barros, ministro da Saúde, em nota à imprensa. O governo tem como meta eliminar a hepatite C do país até 2030.

    Na prática, a primeira grande mudança envolve a universalização do atendimento. Antes, só pacientes com lesões no fígado mais graves ou longas poderiam começar o tratamento na rede pública. Agora, a infecção por si só já garantirá esse acesso – estima-se que, no Brasil, de 600 a 700 mil pessoas têm o vírus da hepatite C no corpo.

    “Isso é importante, porque, quanto mais cedo iniciamos o tratamento, mais conseguimos preservar o fígado e outras partes do corpo atingidas pela hepatite C”, avalia a infectologista Anita Campos, diretora médica da Gilead.

    Essa farmacêutica, aliás, é detentora de um dos novos medicamentos que serão disponibilizadas no SUS graças ao novo PCDT. Trata-se de um comprimido com ledispavir e sofosbuvir, duas moléculas que atacam diferentes pontos do vírus em questão.

    A droga está focada em pacientes com o genótipo 1 da doença – uma versão de hepatite C que corresponde a mais ou menos 70% dos casos no Brasil.

    A chance de cura com ela vai de 95 a 99%, enquanto os efeitos colaterais são bem controláveis (estamos falando de náusea e dor de cabeça, por exemplo).

    “É o primeiro tratamento com um único comprimido diário, o que facilita a adesão”, completa Anita. O fármaco costuma ser administrado por oito a 12 semanas. Em alguns casos, essa estratégia pode se prolongar por 24 semanas.

    Outros subtipos da doença também estão contemplados. Para o genótipo 4, por exemplo, foi incorporado um remédio que une os princípios elbasvir e grazoprevir, da MSD. Em linhas gerais, ele também oferece mais chance de cura e poucos efeitos colaterais.

    O desafio do diagnóstico
    Hoje, só 10% dos brasileiros com hepatite C sabem que carregam o vírus, até porque os sinais de sua presença não são tão claros (febre, enjoo, cansaço, olhos amarelados). E, acima disso, muitas vezes a enfermidade sequer apresenta sintomas no começo.

    “O diagnóstico é um dos principais gargalos para a eliminação da doença”, aponta Anita. Ora, de pouco adianta ter tratamentos eficazes se o indivíduo não busca o atendimento.

    Mais: embora os novos remédios também ajudem as pessoas em que a hepatite C já comprometeu bastante o fígado, eles não são capazes de recuperar o órgão por completo. Longe disso: seu principal papel é eliminar o vírus, porém os estragos provocados muitas vezes vão exigir acompanhamento médico para o resto da vida.

    Daí porque é fundamental valorizar os exames de sangue que detectam precocemente a doença. Eles são gratuitos e estão disponíveis na rede pública.

    Aliás, o Conselho Federal de Medicina emitiu uma resolução recomendando a todos os médicos – de qualquer especialidade – pedirem os testes de hepatite C, hepatite B, sífilis e HIV aos seus pacientes.

    Quem está mais suscetível à hepatite C
    Hoje, o vírus é transmitido pela reutilização inadequada de seringas, materiais cortantes e outros objetos médicos. O alicate da manicure é um ponto de risco, por exemplo (e, se o cliente não sabe que tem hepatite C, não vai tomar as medidas cabíveis para evitar a disseminação). Só muito raramente a doença passa por relações sexuais.

    80% das pessoas com essa encrenca estão acima dos 40 anos. Isso porque, entre outras coisas, antes de 1992 a doação de sangue não exigia testagem para a hepatite C. Assim, muitas pessoas que receberam transfusões naquela época acabaram contraindo o vírus.

    E aí: você já fez o teste de hepatite C?

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