• A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento de cinco cortes de frango da marca Perdigão, que pertence à empresa BRF. A medida foi tomada depois que a própria fabricante detectou, em testes de qualidade, a presença da bactéria Salmonella enteritidis, conhecida por causar surtos de diarreia e gastroenterite.

    Os produtos afetados, que já estão sendo retirados do mercado, foram:

    Filé de peito, embalagem plástica – 2kg (lotes 30/10/18 e 9/11/18)
    Coração, embalagem plástica – 1kg (lotes 30/10/18, 5/11/18, 6/11/18, 7/11/18, 9/11/18, 10/11/18 e 12/11/18)
    Filezinho (Sassami), embalagem plástica – 1kg (lotes 30/10/18, 5/11/18, 6/11/18, 7/11/18, 9/11/18, 10/11/18 e 12/11/18)
    Meio peito sem osso e sem pele, caixa de papelão – 15kg (lotes 30/11/18, 7/11/18, 9/11/18 e 10/11/18)
    Coxas e sobrecoxas sem osso, caixa de papelão – 15kg (lotes 6/11/18, 9/11/18 e 10/11/18)

    A Salmonella enteritidis é encontrada em diferentes alimentos de origem animal. Ela ficou conhecida por infectar o ovo, mas também pode invadir leite e carnes.

    Além disso, esse micro-organismo eventualmente se esconde em vegetais pela contaminação cruzada. Exemplo: a pessoa coloca o garfo em uma carne crua infectada e, sem higienizá-lo, usa o mesmo talher para separar vegetais.

    Quando invade o corpo, essa bactéria ataca o sistema digestivo. Ela é responsável por surtos de gastroenterite mundo afora – são os casos clássicos de refeitórios que servem pratos contaminados a centenas de pessoas.

    Ah, e apesar da bactéria se chamar Salmonella enteritidis, é comum denominar a doença decorrente dela como salmonela, com um “l” só.

    O que você pode fazer para evitar a salmonela

    Como muitas outras bactérias, essa não resiste a um bom processo de cozimento. Daí porque vale a pena levar o frango e outras carnes ao fogo.
    O mesmo vale para o ovo cru ou para o leite tirado direto da vaca.

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  • Não é novidade que alguns traços de personalidade podem ser herdados. De um jeito simplista, seus pais recebem genes dos antepassados que, quando difundidos para você, reforçam a tradição mais irritadiça ou pacata da família.

    Só que cientistas da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, testaram se mesmo fases difíceis da vida já impactariam no esperma a ponto de tornarem os descendentes mais estressados.

    Para isso, submeteram camundongos machos a vários martírios. Aí coletaram o sêmen dos bichos e fecundaram uma fêmea. Pois bem: quando cresceram, os filhotes desenvolveram uma resposta exagerada a momentos de apreensão.

    “Eu realmente acredito que certas influências do ambiente podem ser transmitidas para a prole”, diz o geneticista Ciro Martinhago, da Chromosome Medicina Genômica, em São Paulo. “Mas estudos com animais, ainda mais envolvendo questões psicológicas, devem ser vistos com muita cautela”, ressalva.

    Outras influências ambientais nos bebês que estão por vir

    Tabagismo: uma pesquisa da americana Universidade Harvard indica que netos de mulheres fumantes tinham uma probabilidade 18% maior de serem obesos na adolescência.

    Alimentação: muitas gestantes europeias passaram fome durante a Segunda Guerra Mundial. Eis que seus filhos e netos herdaram uma maior propensão à obesidade.

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  • A startup brasileira Bright Photomedicine se uniu ao Hospital das Clínicas de São Paulo para realizar os primeiros testes em larga escala de um aparelho que usa lâmpadas LED para aplacar dores crônicas.

    “Desenvolvemos um sistema que leva em conta parâmetros como a cor da pele, a idade, o local do corpo e as características do problema para entregar a dose exata de luz ao indivíduo”, explica o físico Marcelo Sousa, CEO da Bright.

    O estudo vai avaliar com detalhes como a tecnologia atua em casos de artrite no joelho de 90 voluntários. “Sabemos que os feixes luminosos têm ação analgésica e estimulam a produção de moléculas de energia dentro das células, o que contribui para um melhor funcionamento delas”, destrincha o anestesiologista Hazem Ashmawi, responsável pela pesquisa no hospital paulistano.

    É aguardar para ver como o método poderá iluminar a qualidade de vida desses (e, depois, de outros) pacientes.

    Como funciona esse método contra a dor

    1) O aparelho funciona como um receptor e utiliza a internet para receber as instruções de dosagem.

    2) A quantidade de energia emitida varia até 300 vezes, seguindo as características de cada pessoa.

    3) As lâmpadas LED ficam em tiras de um tecido especial, que são colocadas em cima da região dolorida.

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  • Em um vídeo que está na internet e é compartilhado nas redes sociais, um homem aparece abrindo uma caixa cheia de leite com a finalidade de ensinar uma “dica” aos consumidores. Ele mostra que a parte de baixo de metade das embalagens apresenta alguns quadradinhos coloridos. De acordo com o sujeito, os símbolos só aparecem em leites que passaram por um reprocessamento.

    Ou seja, ele dá a entender que esses produtos já entraram anteriormente no mercado, mas voltaram à indústria para serem tratados quimicamente e, daí, foram devolvidos às prateleiras.

    Em primeiro lugar, o homem não aparece em nenhum momento – só vemos suas mãos – nem cita fonte para embasar esse alerta. Motivos suficientes para ficarmos com a pulga atrás da orelha, certo?

    De qualquer maneira, fomos atrás da Tetra Pak, que fabrica as embalagens que aparecem no vídeo. E para que fique claro: a Tetra Pak não produz leite.

    Segundo Fernanda Miguel, responsável pelo departamento de Tecnologia Asséptica da empresa, o reprocessamento do leite – e de qualquer outro produto – é simplesmente proibido pela legislação.

    Os quadradinhos coloridos apenas representam um teste de cor feito para controle da qualidade de impressão da embalagem. “Não tem nenhuma relação com o produto que vai ali dentro”, afirma Fernanda.

    Mas então por que algumas embalagens têm os símbolos e outras, não? “Da forma com que a embalagem é feita nos equipamentos, há a produção de mais de um tipo na mesma bobina”, esclarece a especialista da Tetra Pak. Dito de outra forma, o teste de qualidade da impressão não precisa ser realizado em todas as caixinhas fabricadas. E isso não tem absolutamente nada a ver com o leite em si.

    Fake news das antigas

    Vale lembrar que essa história de leite reprocessado não é de hoje. Há cerca de dez anos, uma mensagem espalhada também pela internet dizia que um número impresso no fundo da embalagem indicava quantas vezes o produto havia passado por reprocessamento após a data de validade.

    Em algumas caixinhas, era possível encontrar os números 5, 6… “Se isso fosse possível, o leite já teria virado um doce de leite!”, brinca Fernanda.

    De novo, o número não tem qualquer relação com o alimento. Ele indica, na verdade, o posicionamento das bobinas na linha de produção da caixinha.

    Até porque convenhamos: se alguém quisesse fraudar um alimento, não ficaria colocando dicas de ilegalidades na embalagem. Então ao ficar de olho?

    No que prestar atenção

    Na hora da compra, Fernanda diz que é essencial verificar a data de validade do leite e o aspecto da caixa. “Ela não deve estar amassada nem vazando. Precisa estar íntegra e com o lacre da tampa fechado”, ensina. Outra questão que merece ser observada: em quanto tempo o produto deve ser consumido após aberto.

    No mais, caso tenha dúvidas sobre informações contidas nas embalagens e mensagens disseminadas nas redes sociais, não deixe de entrar em contato com as empresas fabricantes dos produtos ou das embalagens.

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  • Não há apenas uma forma de fazer a reposição hormonal nas mulheres. Das doses aos princípios ativos, passando pelas formas de aplicação, os especialistas podem adotar diferentes esquemas, dependendo de cada caso. Mas qual método teria menor risco de causar a trombose venosa (ou tromboembolismo venoso)? Essa foi a pergunta que um estudo da Universidade de Nottingham, na Inglaterra, buscou responder.

    Os pesquisadores observaram as informações médicas de 80 396 voluntárias de 40 a 79 anos que foram diagnosticadas com esse problema. Os dados de outras 391 494 mulheres livres dele foram utilizados para fins de comparação.

    Antes de apresentar os resultados, um recado: não se desespere e busque ler a matéria até o fim para compreender os verdadeiros pontos fortes e fracos dessa técnica.

    Sem mais delongas, a reposição hormonal oral foi associada a um risco 58% maior de desenvolver a tal trombose venosa. Isso em comparação com mulheres que não receberam doses de hormônio por qualquer via. Além disso, comprimidos que só contém estrogênio foram considerados ligeiramente menos perigosos do que os que combinam mais hormônios.

    Para quem não sabe, o tromboembolismo venoso consiste na formação de um coágulo nas veias, que geralmente atinge as pernas e provoca, entre outras coisas, dor e inchaço. O maior problema, no entanto, é quando esse trombo se solta e vai parar lá no pulmão, obstruindo a circulação de sangue. Essa é a temida – e, às vezes, letal – embolia pulmonar.

    Agora vamos dar uma boa notícia. De acordo com o trabalho britânico, a reposição hormonal transdérmica (feita com adesivo ou gel colocados na pele, por exemplo) não foi atrelada a um risco maior de trombose venosa.

    “No método oral, o estrogênio, ao passar pelo fígado, gera substâncias que favorecem a coagulação do sangue, o que predispõe à trombose. Isso não acontece com a reposição transdérmica”, diferencia a endocrinologista Dolores Pardini, diretora do Departamento de Endocrinologia Feminina Andrologia da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem).

    De acordo com a médica, o estudo reforça – com muita qualidade – o que já era sabido entre os profissionais. “As vias não orais de reposição hormonal estão mais em voga hoje em dia”, afirma.

    Dolores ainda faz um apelo: “Não podemos usar esses dados para desencorajar mulheres a fazerem a reposição. O que precisamos é individualizá-la de acordo com cada caso”.

    Risco de trombose não é certeza

    Quando se associa o uso de um remédio qualquer a uma reação adversa, muitas pessoas pensam que esse problema vai acontecer em 100% dos pacientes. Mas não costuma ser assim.

    No caso da reposição hormonal com comprimidos, por exemplo, o estudo inglês indica que há um episódio de tromboembolismo venoso a cada 1 076 usuárias. Dito de outra maneira, a maioria das mulheres que toma as pílulas não sofrerá com essa encrenca por causa das doses de hormônios sintéticos.

    “É curioso como algumas pessoas têm medo da reposição, mas não se amedrontam com a obesidade ou as varizes, que são mais perigosas nesse sentido”, comenta Dolores, que também é chefe do Ambulatório de Menopausa da Universidade Federal de São Paulo.

    Vários fatores aumentam a probabilidade da trombose. Tabagismo, histórico na família e idade estão entre eles. O médico basicamente junta essas e várias outras informações para, então, pesar os benefícios e os riscos de cada forma de reposição hormonal junto com a paciente.

    As vantagens da reposição hormonal

    Só para não deixar passar: essa estratégia costuma ser válida apenas para quem sofre com uma baixa concentração de hormônios femininos, o que é comum após a menopausa.

    Dito isso, as benesses começam pela qualidade de vida. Ora, a reposição ajuda a contornar sintomas como fogachos, secura vaginal, infecções urinárias de repetição. Até as flutuações de humor e a falta de sono – mais frequentes nessa fase da vida – podem ser amenizadas com o tratamento.

    Mas não para por aí. “Do ponto de vista médico, o principal benefício é a proteção cardiovascular”, sentencia Dolores. Quando bem empregado, o método auxilia a controlar a pressão e o colesterol, só para citar duas chateações que afetam o coração.

    Os ossos também saem ganhando, uma vez que a restituição dos hormônios freia a perda de massa óssea. Como consequência, o risco de osteoporose cai consideravelmente.

    Os cuidados básicos com a reposição

    Embora o foco aqui seja a trombose venosa, a reposição hormonal já foi ligada a um risco ligeiramente maior de câncer de mama. Apesar de essa probabilidade ser pequena entre a população em geral, mulheres com histórico desse tumor na família devem ter atenção redobrada.

    Fora isso, o ideal é iniciar a terapia logo após a menopausa. “Há uma janela de oportunidade. A reposição deveria começar, no máximo, seis ou sete anos após a última menstruação”, afirma Dolores. “Ao demorar mais do que isso, os riscos podem superar os benefícios”, arremata.

    São tantas particularidades que uma visita ao médico é fundamental. “Nada de imitar o tratamento da vizinha”, brinca a expert da Sbem.

    O recado final de Dolores Pardini é: ao redor dos 50 anos, a mulher já precisaria realizar uma dosagem hormonal e discutir abertamente com o profissional sobre a reposição hormonal. Você já fez isso?

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  • Estima-se que quase um terço da população brasileira sofra de esteatose hepática não alcoólica – popularmente conhecida como gordura no fígado. Esse problema pode desencadear doenças graves como cirrose e câncer. E, apesar da chateação não apresentar sintomas claros, existe solução.

    Ajustes no estilo de vida são a melhor forma de evitar e tratar essa condição que não para de crescer. Nos tópicos abaixo, explicamos as atitudes que deixam o fígado magrinho e saudável.

    1) A dieta

    Não tem como fugir: o primeiro passo para salvar o fígado é se livrar do peso extra e da gordura que se acumula na barriga. Mas fique calmo que ninguém vai recomendar um emagrecimento drástico — o caminho é justamente o contrário. Uma revisão de estudos assinada por experts do Hospital Universitário de Tübingen, na Alemanha, e recém-publicada no prestigiado periódico The Lancet concluiu que cortar 5% do peso já reduz em 30% o volume de gordura na glândula.

    Convenhamos: não é nada do outro mundo! Um cidadão com 90 quilos precisaria enxugar apenas 4,5 quilos para começar a desfrutar das benesses. “Mas o ideal mesmo é perder 10% do peso em um período de seis meses”, esclarece a hepatologista Liana Codes, do Hospital Português da Bahia, em Salvador.

    O período mencionado pela médica tem sua razão de ser. Isso porque diminuir as medidas com muita rapidez é até perigoso para o fígado. “Dietas da moda e planos mirabolantes podem agravar um processo de inflamação no local”, alerta a nutricionista Wilza Peres, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

    E quais mudanças à mesa são mais indicadas? A chave não está em vilanizar um ingrediente ou outro, mas, sim, apostar numa alimentação variada, com a participação de boas fontes de carboidratos e gorduras.

    Outro assunto que ganhou os holofotes recentemente foi o papel da microbiota do intestino nessa história. Experimentos revelam que a estabilidade das bactérias que moram no sistema digestivo é fundamental para uma boa saúde hepática.

    “E alimentos ricos em fibras prebióticas e princípios bioativos anti-inflamatórios, como frutas, legumes e verduras, ajudam a manter a integridade da mucosa intestinal e equilibrar essa comunidade de micro-organismos”, aponta a nutricionista Rosângela Passos, da Universidade Federal da Bahia.

    Mudanças na alimentação sem radicalismos

    Carboidratos: Priorize aqueles que são integrais. Raízes, caso da mandioca e do inhame, são uma boa pedida. Os carboidratos simples, como o pão branco e a batata, pedem moderação.

    Gorduras: As poli-insaturadas, presentes no abacate, nas castanhas e nos peixes, são bem-vindas. Enquanto isso, atenção com a versão saturada, de queijos amarelos e carnes vermelhas.

    Probióticos: Iogurtes e leites fermentados cheios de bactérias do bem mantêm o equilíbrio da microbiota intestinal, que está relacionada a um funcionamento correto do fígado.

    Frutose: Saíram notícias por aí dizendo que o açúcar das frutas era o vilão por trás da esteatose. Calma lá: esses alimentos são ricos em fibras e, numa dieta diversificada, só trazem benefícios.

    Álcool: Melhor pegar leve. Por mais que as bebidas não sejam diretamente culpadas pelo estoque de gordura nessa região, elas podem causar prejuízos adicionais.

    2) Atividade física

    “Não adianta só mudar a alimentação. O emagrecimento será mais preponderante se aliado a exercícios”, garante a hepatologista Maria Lucia Gomes Ferraz, da Universidade Federal de São Paulo. Muito além de acelerar a perda de peso, fazer um esporte com regularidade traz ganhos diretos ao fígado.

    Um estudo realizado na Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, atesta que mexer o corpo traz três vantagens principais: aliviar a resistência à insulina, aumentar a queima de triglicérides estocados e prevenir danos aos hepatócitos, o primeiro capítulo no desenvolvimento de cirrose e câncer. “Em resumo, trata-se de uma estratégia terapêutica comprovada para melhorar a esteatose”, escrevem os autores americanos.

    Esses efeitos não se limitam somente ao momento do suadouro. “Após a atividade física, para repor o estoque de energia dentro dos músculos, é preciso usar o excedente guardado no fígado”, destrincha a professora de educação física Carla Giuliano Montenegro, do Hospital Israelita Albert Einstein, na capital paulista.

    Mas será que existe alguma modalidade que potencializaria todas essas vantagens? “Por muito tempo se acreditou que os exercícios aeróbicos, como caminhada, corrida e ciclismo, eram os mais indicados. Hoje sabemos que os treinos de força, caso da musculação, também são importantes”, ensina Carla. Cumprir a meta da Organização Mundial da Saúde de fazer 150 minutos de exercícios durante a semana já é suficiente.

    Mas nada de exageros, estamos combinados? A intensidade varia entre leve e moderada. Em termos práticos, isso significa conseguir falar um pouco sem perder totalmente o fôlego nas práticas aeróbicas e, no fortalecimento da musculatura, fazer de oito a 12 repetições nos movimentos — sempre com a orientação de um professor.

    O efeito dos exercícios

    Aeróbicos: Caminhada, corrida, natação e bicicleta são ótimas maneiras de aplacar o excesso de peso — passo fundamental na luta contra a esteatose.

    Resistência: Trabalhar os músculos na academia melhora a resistência à insulina e movimenta o estoque de gordura acumulada lá no fígado.

    3) O tratamento para gordura no fígado com remédio

    Ainda não inventaram um comprimido ou uma injeção capazes de frear a esteatose hepática. Isso não quer dizer, porém, que alguns remédios não possam ser prescritos. “Eles não atuam no problema em si, mas ajudam nos casos de esteato-hepatite para conter a inflamação”, explica a hepatologista Carla Matos, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

    As duas opções mais utilizadas são a vitamina E, suplemento de ação antioxidante, e a pioglitazona, que diminui as taxas de açúcar. “Além disso, é importante realizar o tratamento de outras condições comuns nesses pacientes, como o diabetes, a hipertensão e o colesterol elevado”, ressalta a hepatologista Tarsila Ribeiro, da Universidade Federal de Juiz de Fora, em Minas Gerais.

    A decisão de iniciar qualquer terapia medicamentosa deve sempre partir do profissional de saúde, que vai determinar a dosagem e o tempo de uso. Aliás, a falta de alternativas nas drogarias faz com que centros de pesquisa e laboratórios farmacêuticos invistam pesado nessa área.

    De acordo com o site ClinicalTrials.Gov, um registro global de ensaios clínicos mantido pelo Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, existem 258 testes de novos fármacos contra a esteatose acontecendo neste exato momento. Alguns deles agem na resistência à insulina, um dos fatores que dão início ao quadro, enquanto outros atuam diretamente nos hepatócitos.

    Pelo menos nas fases primárias de estudo, as substâncias candidatas conseguiram estancar a evolução do problema. “Esperamos que novidades sejam lançadas nos próximos cinco anos”, estima o médico Paulo Lisboa Bittencourt, presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia.

    Agora, mesmo a pílula mais moderna nunca vai substituir um estilo de vida saudável. O fígado sabe bem disso.

    Tratamentos disponíveis — e os que podem ser aprovados em breve

    Pioglitazona: Baixa a quantidade de açúcar na circulação.

    Vitamina E: Administrada por meio de cápsulas, tem efeito antioxidante.

    Vitamina D: Há indícios de que a suplementação traria algumas melhoras.

    Empaglifozina: Também retira um monte de glicose do organismo.

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  • Ela é uma arritmia cardíaca bastante comum, afetando principalmente os mais idosos. Resulta em pulsação mais rápida e irregular. Eis a fibrilação atrial, que ocorre quando os átrios, que são as câmaras superiores do coração, contraem-se de maneira não sincronizada e involuntária.

    Os sinais de fibrilação atrial são: palpitações, pulso irregular, dificuldade de respirar, sensação de fraqueza, fadiga aos esforços, dor no peito e tontura. Porém, mais da metade dos pacientes com a arritmia não apresenta sintomas – daí a importância da visita periódica ao cardiologista.

    O problema é diagnosticado por meio do exame clínico, do eletrocardiograma ou de um Holter 24 horas, aparelho que monitora os batimentos cardíacos durante um dia todo, enquanto a pessoa faz suas atividades.

    Como ocorre em quase todas as doenças, o diagnóstico precoce contribui muito para evitar o agravamento do mal e para que se possa obter bons resultados no controle da arritmia. A terapia busca reverter a fibrilação, reequilibrar a frequência cardíaca e impedir a formação de coágulos que podem causar AVC (derrame).

    Se por um lado a fibrilação atrial ainda não tem cura, por outro ela pode ser prevenida. Nesse sentido, é fundamental adotar uma alimentação equilibrada, controlar a hipertensão, o diabetes e o colesterol, consumir álcool de modo cometido, não fumar, vencer o sedentarismo e a obesidade, evitar o excesso de cafeína e reduzir o estresse. Todas essas medidas ganham ainda mais relevância quando atingimos idades mais avançadas.

    Outro ponto que vale ressaltar: a fibrilação atrial é benigna. Ou seja, ela não provoca morte súbita.

    Contudo, existem arritmias das câmaras inferiores do coração (ventrículos) que podem causar parada cardíaca e morte. Nesses casos agudos, aplica-se procedimento de emergência, com aparelho elétrico desfibrilador, visando o restabelecimento das funções do coração.

    Como a maioria das mortes súbitas acontece fora do ambiente hospitalar, é fundamental o socorro rápido às pessoas, incluindo a massagem torácica, que pode salvar muitas vidas.

    Não é sem razão, portanto, que mantemos na Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp) o projeto social Treinamento em Massa. A iniciativa é permanente e oferece um curso a estudantes, professores e demais interessados para que aprendam a fazer a massagem cardiorrespiratória e se conscientizem de sua importância. A disseminação desse processo na sociedade contribui para evitar muitas mortes por parada cardíaca, porque o socorro rápido aumenta muito as chances de sobrevivência e dá tempo para que os profissionais cheguem ao paciente.

    *Dr. Guilherme Fenelon é cardiologista e integrante da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp).

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  • De tempos em tempos, surgem textos duvidosos no WhatsApp que acusam alimentos ou hábitos considerados saudáveis de causarem grandes malefícios. A vítima da vez foi a água. Ou melhor, a água gelada. Uma mensagem que está circulando pelas redes sociais afirma que ela pode provocar infarto, câncer, gordura no fígado e outros males no estômago e no intestino grosso.

    Veja o conteúdo da corrente:

    “Dica da Manhã

    E eu aqui achando que água gelada só afetava a garganta…

    A ÁGUA GELADA FAZ MAL PARA VOCÊ.

    No passado, dizia-se que: se a água gelada não lhe afetar na juventude, vai afetar na velhice

    A água gelada fecha 4 veias do coração e causa ataque cardíaco;

    Bebidas geladas são a principal causa de ataques cardíacos.

    A água gelada cria problemas no fígado; prende a gordura ao fígado. Muitas das pessoas que aguardam por um transplante de fígado, são vítimas da água gelada.

    A água gelada afeta as paredes internas do estômago.

    A água gelada afeta o estômago e o intestino grosso, causando câncer.

    Por favor não guarde isto para você. Repasse para ajudar outras pessoas.

    Dr Dráusio Varella – Medicina ortomolecular.”

    Antes de destrinchar o teor do conteúdo em si, repare na assinatura da suposta fonte. Esse nome lembra alguém famoso?

    Pois é. Acontece que Drauzio Varella é oncologista – não um médico ortomolecular – e seu nome se escreve com Z. Esse ponto, por si só, já levantaria suspeitas.

    Mas a verdade é que o texto está cheio de furos. Sim, é outra notícia falsa – e das grandes, aliás.

    Para destrinchar os enganos dessa mensagem, SAÚDE conversou com Abrão Cury, cardiologista do Hospital do Coração (HCor), em São Paulo, e com a gastroenterologista Elaine Moreira, do Instituto Endovitta, também na capital paulista.

    Água gelada dá dor de garganta?

    Como um aperitivo, vamos partir para a alegação de que bebidas resfriadas abalam a garganta. Isso é, no máximo, uma meia verdade.

    Se a garganta está inflamada devido à ação de um vírus ou bactéria, a água gelada pode agravar a situação. Porém, ela em si não é o motivo do incômodo.

    Ela faz mal para o coração?

    Segundo a corrente, a água gelada fecha veias do coração. Mais do que isso, ela e outras bebidas frias seriam a principal causa de ataques cardíacos.

    Ocorre que o infarto é deflagrado pelo entupimento das artérias, impedindo que o sangue chegue ao músculo mais importante do corpo. Ou seja, esse problema grave nada tem a ver com veias, e sim artérias.

    E onde o líquido da vida entraria nessa história? Em lugar nenhum, pelo visto. “A água gelada não provoca infarto, nem entope os vasos sanguíneos”, atesta Abrão Cury.

    De acordo com o cardiologista, essa história pode ser uma deturpação de casos graves de hipotermia, uma queda excessiva da temperatura do corpo inteiro. “Ela é gerada por um ambiente de frio intenso e não pela água gelada consumida”, complementa.

    Nessa situação extrema, os órgãos em geral vão parando de funcionar, o que pode levar à morte. Mas não há quaisquer relatos de caso mostrando casos severos de hipotermia entre quem tomou goles de um líquido qualquer que acabou de sair da geladeira. Você teria que estar nadando por um tempo em meio a um mar congelante para sentir esses efeitos – como nas cenas finais do filme Titanic.

    Entretanto, o médico do HCor explica que alguns poucos indivíduos sofrem com uma hipersensibilidade a líquidos gelados. “Quando você toma uma bebida dessas, ela estimula terminações nervosas que diminuem a frequência cardíaca. Isso, em condições normais, não cria problemas”, explica. “Mas, se a pessoa tiver hipersensibilidade, ocorre uma redução importante nos batimentos, o que gera mal-estar”, explica.

    Mas nada de criar pânico: essa é uma condição rara e diagnosticada por meio de avaliações médicas. Além disso, mal-estar não é sinônimo de infarto. Portanto, não faz sentido espalhar por aí que as bebidas frias são a principal causa dessa encrenca.

    Água gelada gera problemas no fígado, estômago e intestino grosso?

    O texto espalhado pelo WhatsApp garante que a água gelada afeta as paredes do estômago e o intestino grosso, chegando até a originar câncer por ali. “Não existem estudos que comprovem essas alegações”, aponta Elaine Moreira.

    A gastroenterologista do Instituto Endovitta, que também é membro da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), informa que, mesmo se você ingerir um líquido frio, ele vai sendo aquecido até chegar no estômago. No intestino então, a bebida já estará quentinha. Portanto, aquelas afirmações nem têm lógica.

    A corrente diz ainda que a água gelada “prende” a gordura no fígado, sendo uma grande razão das pessoas precisarem de transplante. Isso é um absurdo! Os líquidos que engolimos sequer passam por esse órgão durante a digestão.

    A tal da gordura no fígado – chamada de esteatose hepática pelos médicos – é consequência de consumo excessivo de álcool, sedentarismo, diabetes e obesidade. A água não tem qualquer relação com a história.

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  • Uma funcionária de muitos anos da Universidade de São Paulo, onde eu trabalho, me perguntou outro dia: “Professor, por que eu sempre acordo sem fome?” Para responder essa questão, eu preciso explicar alguns conceitos antes. Mas já adianto: em geral, a falta de fome nesse momento não é um bom sinal para quem deseja emagrecer.

    Durante muitos anos, as pessoas acreditavam que deveriam evitar alimentos contendo carboidratos no jantar. Graças a confusões conceituais, a expressão “não como carboidrato” se difundiu e persiste até hoje no imaginário de muita gente.

    Porém, ao reduzir a ingestão de alimentos ricos em carboidratos, estamos priorizando a de comidas repletas de proteína e gordura. Tudo bem, mas qual a relação disso com a falta de fome pela manhã?

    Aqui vamos usar de uma licença acadêmico/cientifica. O consumo de alimentos com maior concentração de lipídios (conhecidos popularmente como gorduras) promove a liberação de um hormônio chamado CCK, ou colecistocinina. Essa substância diminui a velocidade dos processos digestivos e inibe a fome no sistema nervoso central.

    Voltando à linguagem comum: você se lembra da última vez que comeu uma feijoada? Aposto que ficou sem fome por várias horas, não é? Está aí a prova de que o excesso de gordura nos deixa sem vontade de comer por um bom tempo.

    Pois é mais ou menos isso que acontece quando privamos nossa ingestão noturna de alimentos com carboidratos. Nós provavelmente privilegiaremos a ingestão de proteínas e lipídios, teremos uma digestão lenta ao longo de toda a noite e, consequentemente, acordaremos ainda processando aquela refeição no intestino, sem fome.

    Mas isso não nos ajudaria a emagrecer? A lenda da restrição de carboidrato à noite tem início na afirmação que, ao dormir, reduzimos nossa necessidade de energia e, portanto, não precisamos de carboidratos. Só que os lipídios fornecem mais que o dobro de calorias do que os carboidratos. Confira comigo: 1 grama de carboidrato é igual a 4 calorias, enquanto 1 grama de gordura equivale a 9 calorias.

    Conclusão: ao ingerir mais alimentos contendo lipídios em período próximo ao descanso, teremos um nutriente energeticamente mais rico e sem “custo” para ser convertido em gordura, pois já é gordura! Por sua vez, o carboidrato, se transformado em gordura, terá o “custo” energético dessa conversão.

    Para terminar, no livro O Fim das Dietas, mostro que, ao acordar sem fome, você até pode comer menos no café da manhã. Mas, aí, acaba compensando no almoço e mesmo nos lanches da tarde.

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  • Uma dúvida comum, ainda mais durante o Novembro Azul, é sobre qual médico deve fazer o toque retal para diagnosticar o câncer de próstata. Às vezes, vemos alguém falando que foi ao coloproctologista, fez o exame de toque e a próstata estava bem. Mas é preciso ficar claro que quem deve fazer essa avaliação visando um tumor maligno na glândula é o urologista.

    Porém, os médicos das duas especialidades podem realizar o toque no reto. O coloproctologista visa diagnosticar os problemas do reto e do ânus, como hemorroidas, fissuras, fístulas e também cânceres do reto e do canal anal. Já o urologista recorre ao método para, através da parede do reto, analisar o tamanho e a superfície da próstata.

    Ou seja, embora ambos façam o toque, cada um está buscando informações distintas. Inclusive, as posições de exame são diferentes.

    O câncer do urologista. E o do coloproctologista

    O tumor maligno da próstata é o segundo tipo mais comum em homens brasileiros, só perdendo para os da pele. Como a maior parte dos cânceres, o da próstata é melhor tratado no princípio. Quanto mais cedo iniciar o tratamento, maior a taxa de cura e menores os efeitos colaterais.

    A maioria dos cânceres da próstata é diagnosticada pelo rastreamento com o antígeno prostático específico (PSA) no sangue ou durante o exame de toque retal feito pelo urologista. Na fase inicial, essa doença não costuma dar sintomas.

    Por isso, o importante é fazer acompanhamento regular com o médico urologista, iniciando em torno de 50 anos, ou até mais cedo se o seu pai, avôs ou tios tiveram tumores malignos nessa glândula antes de 65 anos de idade.

    Lembre-se, no entanto, que o Novembro Azul alerta sobre a saúde do homem de uma forma total e que fazer um checkup da sua saúde é importante. Digo isso para agora propor um olhar para a coloproctologia.

    Nela, o câncer colorretal carrega uma incidência alta em todo o mundo. O que pode diminui-la? A adesão a uma vida saudável, com exercícios físicos regulares, bons hábitos alimentares e abolição do tabagismo.

    Junto a isso tem sido recomendado também o rastreamento para ambos os sexos, com a realização da colonoscopia pelo coloproctologista. O exame consiste na introdução de um tubo flexível acoplado a uma câmera para examinar o intestino por dentro. Caso seja encontrado algum pólipo (lesão benigna que pode dar origem ao câncer), ele é removido na hora, durante o procedimento.

    Recomenda-se iniciar o rastreamento do câncer colorretal para pessoas da população geral, com risco médio, aos 45 ou 50 anos. Aqueles com risco elevado, que tenham parentes com história de tumores do tubo digestivo ou que apresentem sintomas como sangramento ou alteração do hábito intestinal, devem iniciar antes.

    Lembre-se de realizar periodicamente seus exames de saúde. Nossa vida deve vir em primeiro lugar.

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