• Sozinho, produto não tem os nutrientes de que uma pessoa precisa.
    Uso da expressão nos rótulos será proibido.

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou nesta terça-feira (7) uma nota alertando sobre os riscos do consumo de um produto conhecido como “ração humana”. Segundo o órgão, o consumidor é levado a acreditar que, alimentando-se apenas dessa ração, estará ingerindo todos os nutrientes de que precisa, o que não é verdade.

    O produto é usado por pessoas que procuram perder peso. Geralmente, é composto por uma mistura de cereais, farinhas e outros ingredientes variados. O consumo de tais substâncias não faz mal, mas não é suficiente para uma alimentação correta. A nota enfatiza que é necessário balancear os alimentos para evitar doenças como a anemia.

    O texto recomenda ainda que qualquer pessoa que queira fazer mudanças nos hábitos alimentares procure orientação profissional para garantir a quantidade certa de nutrientes no corpo.

    O uso do nome “ração humana” fica proibido em produtos comercializados no Brasil. A Anvisa alega que a expressão “não indica a verdadeira natureza e característica desse alimento” e, por isso, confunde o consumidor.

    Antes de incluir no rótulo ou na publicidade alegações de propriedades terapêuticas de produtos alimentícios, o fabricante precisa registrá-los na Anvisa. Testes devem conferir a segurança e a eficácia do produto em relação ao efeito prometido. Quem não cumprir as exigências fica sujeito a multas que podem chegar a R$ 1,5 milhão.

    Fonte: G1

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  • Essa história de medicina ortomolecular nunca foi tão falada como na última década. Defendendo o uso PER-SO-NA-LI-ZA-DO de vitaminas, aminoácidos, minerais e enzimas, ela já conquistou muitas famosas no mundo, preocupadas em cuidar da beleza com saúde, mas também com pressa. Em suma, o grande objetivo desse tratamento é a neutralização dos radicais livres, prejudiciais ao funcionamento das células, causando consequências como a falta de vitalidade da pele, do cabelo e das unhas. A dieta ortomolecular já ganhou defensoras como Claudia Raia, e também consiste numa prescrição específica do que cada paciente precisa repor no organismo para equilibrá-lo. A estética ortomolecular não foge à regra, ela consiste num tratamento direcionado, decidido pelo médico depois de uma minuciosa pesquisa sobre a saúde da paciente.

    Atrizes como Flávia Alessandra, Letícia Spiller e Samara Felippo já recorreram ao tratamento para cuidar da pele e dos cabelos. Segundo Dra. Cristina Maria Carrasco, terapeuta ortomolecular, essa alternativa de acompanhamento estético pode, inclusive, ajudar com combate às temidas estrias. Ela explica que ao atender uma cliente, faz uma verdadeira investigação a respeito dos hábitos, costumes e forma de vida dessa pessoa. São analisados a rotina, a alimentação, o histórico de saúde e as predisposições genéticas.

    Um papo com seu nutricionista vai esclarecer se esse tipo de tratamento também pode lhe ajudar. Mas, até o dia da consulta, vá descobrindo de que forma os alimentos são seus aliados:

    Potássio: é importante para manter a flexibilidade e a hidratação dos cabelos.

    Onde encontrar: carnes magras, banana, pepino, uva, amêndoas e semente de girassol.

    Vitamina C: protege a pele da ação dos raios ultravioleta.

    Onde encontrar: abacaxi, acerola, agrião, caju, goiaba, laranja, limão, morango, salsão, pimentão, tangerina, tomate.

    Vitamina E: ajuda a prevenir o surgimento de linhas finas de expressão e atenuar as já existentes.

    Onde encontrar: cereal e pão integrais, amêndoa, azeite de oliva, castanha-do-pará, repolho, avelã, abacate, germe de trigo.

    Colágeno: a carência deste aminoácido provoca flacidez na pele, queda de cabelos e enfraquecimento das unhas.

    Onde encontrar: peixes, ovos, carnes.

    Zinco: aumenta a ação de enzimas, que combatem os radicais livres; dá força aos cabelos e às unhas; reduz as linhas finas de expressão e ajuda no tratamento da acne.

    Onde encontrar: ostras, leite, iogurte, carnes e grãos.

    Vitamina A: antioxidante, auxilia no tratamento de acne e queda de cabelos.

    Onde encontrar: fígado, gema de ovo, iogurte, leite e desnatados.

    Vitaminas do complexo B: antioxidantes, retardam o envelhecimento e melhoram a aparência da pele, cabelos e unhas.

    Onde encontrar: levedo de cerveja, fígado, iogurte, peito de frango, leite, germe de trigo, laranja, pão integral.

    Ferro: sua carência pode resultar em unhas e cabelos fragilizados.

    Onde encontrar: carnes, leite e derivados, vegetais folhosos.

    Magnésio: atua em sinergia com o zinco para energizar e tonificar a pele. Também é essencial na formação de proteínas, como a queratina.

    Onde encontrar: nozes, frutos do mar, abacate, melão, abacaxi, leguminosas, cenoura e peixes.

    Cálcio: sua deficiência torna os cabelos finos e quebradiços e deixa as unhas fracas.

    Onde encontrar: leite e derivados com baixo teor de gordura, tofu, salmão e sardinha.

    Selênio: antioxidante, protege as células dos radicais livres, auxilia na firmeza dos tecidos.

    Onde encontrar: grãos integrais, peixes, castanha-do-pará, cogumelo, carne vermelha, ovos, leite e derivados.

    Silício: fortalece o cabelo e estimula o seu crescimento. Também contribui para formar colágeno e elastina.

    Onde encontrar: pepino, frutos do mar, aveia, cevada e salsa.

    Ômega-3: neutraliza as agressões externas, protege os vasos sanguíneos e diminui o ressecamento

    Onde encontrar: salmão, bacalhau, sardinha, atum e linhaça.

    Polifenóis: combate os radicais livres, auxilia no tratamento da temida celulite e protege os vasos sanguíneos.

    Onde encontrar: sementes de uva, ameixa, suco de uva e vinho tinto.

    Cobre: ajuda a combater a queda de cabelo e as manchas no corpo.

    Onde encontrar: ostras, fígado, chocolate, nozes, leguminosas e cereais.

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  • Fazendo compras neste fim de ano, encontrei uma amiga de escola que não via há muitos anos. Sempre gordinha, estava magra. Não só magra, mas mais bonita e com aparência saudável. Elogiei e ela me contou: estava fazendo a dieta higienista. Eu já tinha ouvido falar nisso, por alto, mas não sabia direito o que era, e ganhei uma rápida explicação (que digo depois). Dois dias após este encontro, estive com uma amiga que mora na Europa, numa reunião de amigas. Ela havia emagrecido nove quilos e o marido, doze. Foi logo informando: “Agora nós somos higienistas”.

    Simples coincidência ou essa é a “dieta da moda”?

    Fui atrás de maiores explicações e divido aqui com vocês: a dieta higienista tem como regras a não combinação de determinados tipos de alimentos, a preferência por tudo que é cru e horários específicos para comer. O resultado seria não só emagrecimento, mas menos doenças e mais anos de vida. Os higienistas acreditam que as doenças são causadas pela alimentação inadequada – como uma intoxicação.

    Abaixo, uma entrevista com Fernando Carneiro Travi, precursor desta linha de alimentação no Brasil, discípulo do médico francês Albert Mosseri, um dos papas do Higienismo no mundo.

    Qual a melhor definição para o higienismo?

    É um ramo da Biologia que trata da preservação e da restauração da saúde e investiga as condições sob as quais ela depende. Oficialmente surgiu em 1832 quando Sylvester Graham deu suas primeiras conferências em New York. A Higiene Natural, melhor conhecida aqui por Higienismo, surgiu como uma revolta aos métodos anticientíficos de drogar, sangrar e cortar da medicina alopática da época. A idéia da Higiene de Vida consiste em induzir a humanidade a retornar para um modo normal de vida e desistir de viver de tal maneira que construa a doença diariamente. Sublata Causa Tollitur Effectus, que quer dizer, – Suprima a causa e o efeito desaparecerá. Os higienistas viram, na vida incorreta, a causa real da doença, e no retorno ao modo correto de vida o verdadeiro remédio. Daí a sua máxima: “Saúde por viver saudavelmente”.

    Levando em conta o lado alimentar do higienismo, que tipo de dieta deve-se seguir?

    Há uma alimentação humana, assim como há uma alimentação específica para bois, cães, gatos e macacos. Não somos parentes próximos dos porcos e dos ursos (que podem comer impunemente quase tudo sem adoecer) como algumas correntes anticientíficas pretendem. Somos naturalmente ovo lacto vegetarianos e precisamos de alimentos frescos, crus, não manipulados, integrais e puros derivados de solo fértil equilibrado por uma agricultura natural. Somos dependentes de 70% de alimentos vegetais crus (frutas, verduras, legumes, nozes e similares) e de 30% de raízes e grãos acrescidos de leite e derivados e ovos. Por outro lado, há grandes diferenças entre as pessoas quanto a quantidades e a escolha de alimentos segundo seu estado de saúde, idade, e atividade – o que só pode ser determinado caso a caso.

    É verdade que é melhor comer apenas entre 11h e 20h? Por que? O café da manhã não é importante?

    O nosso metabolismo é uma lei biológica imutável e eterna. Comer entre as 11h e as 20h é seguir essa lei. Durante esse período do dia estamos no máximo da fase anabólica (quando o organismo está mais apto a receber e a digerir os alimentos). Após as 20h, 21h entramos em uma fase mais intensa de catabolismo, quando o organismo descansa, substitui células, repara os danos, elimina toxinas e está parcialmente incapacitado para receber alimentos. O café da manhã é um costume “civilizado” que não tem base científica. Comer pela manhã interrompe o processo de eliminação, envelhece, intoxica e portanto, engorda. As frutas e os sucos naturais são uma opção válida e adequada para substituir café, leite, iogurte, pães e outros alimentos incompatíveis com esse momento do metabolismo.

    Qual a diferença do higienismo para o vegetarianismo?

    O vegetarianismo, assim como outras correntes e movimentos sociais e filosóficos, preconiza simplesmente evitar as carnes dos animais ou qualquer alimento derivado de animais sem um embasamento na ciência da saúde. Muitos vegetarianos comem muito mal e prejudicam a sua saúde tanto ou mais do que aqueles que se alimentam de tudo (infelizmente). Se empanturrar de soja, de grãos e açúcar é devastador para o organismo. Já atendi a muitos naturalistas que se prejudicam comendo frutas em demasia. O Higienismo é uma ciência da saúde comprovada e especializada, o que não o impede de ser um movimento filosófico também.

    Quais os resultados mais comuns da dieta higienista, além do emagrecimento?

    Algumas pessoas, com um peso elevado emagrecerão e outras, com peso abaixo de níveis adequados para manter uma boa saúde ganharão massa muscular. O Higienismo não tem um objetivo de emagrecer uma pessoa, mas acrescentar saúde e assim curá-la e devolver o bem estar, beleza e longevidade. É importante dizer que só uma dieta adequada não é garantia de saúde.Outros fatores são necessários, porém a alimentação é, certamente, o primeiro passo para a saúde.

    O brasileiro tem hábitos alimentares que o afastam muito do higienismo?

    Acredito que temos tradições e condições geográficas que não nos fazem o pior entre outros países no que se refere a oferta de alimentos de qualidade. Porém, combinamos mal os alimentos. Misturamos muitos alimentos em uma única refeição.Comer com simplicidade e com moderação é o melhor conselho. Sofisticação e glutonaria conduzem a doença.

    Além da alimentação, o pensamento e o comportamento influenciam de que forma nosso organismo?

    Todas as coisas são importantes para conquistar a saúde que perdemos ou que nunca tivemos. Uma pessoa pode alimentar-se perfeitamente, mas pode comer sem fome, nervosa, cansada, com dores, doente, apressada, estressada. É inevitável que mesmo o alimento bom não poderá ser digerido em condições adversas, perturbadas. Tudo o que comemos perturbados, tristes, etc., transformar-se-á em veneno. As vezes um refeição menos adequada em condições ideais poderá fazer manos mal do que uma refeição em más condições. As vezes é melhor pular uma refeição e esperar a paz e a alegria para comer.

    Por que as pessoas, de forma geral, têm tanta dificuldade em modificar seus hábitos alimentares?

    Porque alimentar-se significa, em primeiro lugar, manter a vida. Precisamos comer para viver. Em seguida, porque poucos são aqueles que estão livres do mais comum (e natural) de todos os vícios: comer. Toda a pessoa intoxicada e adoentada terá grandes dificuldades em sair sozinha de seu vício – aquilo que a mantém doente! A grande maioria das pessoas está dominada por certos hábitos alimentares e substitui suas carências psíquicas e espirituais pelo comer. Quebrar hábitos alimentares doentios e substituí-los por hábitos saudáveis significa quase todo caminho no processo de mudar realmente uma vida pobre que constrói doença por outra vida radiante, auto suficiente livre de drogas e doutores.

    Fonte Revista ÉPOCA

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  • Alimentos com cereais integrais ajudam a diminuir a absorção do açúcar e, portanto, a controlar o diabetes

    Dia do Diabetes é neste domingo (14); aprenda dicas de alimentação.

    Não é fácil a vida dos diabéticos. Cheia de privações, sua dieta alimentar precisa ser leve, pobre em açúcares e rica em fibras.
    Para alertar a população sobre os perigos desta doença que se tornou um dos principais males que atingem os brasileiros, este domingo (14) foi transformado no Dia do Diabetes.

    Para quem sofre da doença, ficar longe de doces ultracalóricos é difícil, mas importantíssimo para controlar as taxas glicêmicas no organismo.

    Mas o controle não termina aí, alerta Flávia Bulgarelli, mestre em nutrição pela Escola Paulista de Medicina e integrante da Casa Movimento.

    Trocar alimentos que levam farinha branca por produtos à base de farinha integral é outra dica importante para os diabéticos. O mesmo vale para o arroz: o ideal é manter distância do tipo refinado.

    - Eles devem ainda evitar sal e alimentos ricos em gorduras trans e saturada, pois elas elevam o colesterol, aumentando as complicações. Isso significa que frituras e carnes gordas não devem fazer parte do cardápio. O mesmo vale para sorvetes de massa, bolos prontos e biscoitos recheados.

    Tirar o sal das receitas é difícil, mas não impossível. A saída é investir em temperos naturais, como alho, cebola, salsa, orégano, açafrão e outras especiarias.

    Já as verduras, os legumes e os cereais, ricos em fibras, ajudam a minimizar o impacto de substâncias que, no corpo humano, acabam tendo um efeito nocivo, afirma Fernanda.

    - As fibras, principalmente do tipo solúvel, promovem a redução da absorção de glicose pelo sangue.

    No time dos aliados dos diabéticos, estão ainda os peixes ricos em gorduras do tipo ômega (como o salmão, a sardinha, o atum, a cavalinha e o brasileiríssimo pintado).

    Entre os óleos mais indicados, estão os de canola e de linhaça, que, segundo a nutricionista, “auxiliam na prevenção do desenvolvimento da resistência à insulina”. Além disso, beneficiam o funcionamento do sistema cardiovascular e do cérebro.

    Manter uma rotina regular de exercícios físicos é outro passo fundamental para conviver com o diabetes sem drama, afirma Natalia Lautherbach, pós-graduanda em nutrição clínica e integrante da rede Mundo Verde.

    - O mesmo vale para o acompanhamento médico constante.

    Alimentos ou remédios?

    Segundo Fernanda, atualmente, a ciência tem encontrado em alimentos como a chicória, a banana [ainda verde] e a batata do tipo yacon [nativa da região andina] verdadeiros remédios no controle das taxas de açúcar sanguíneo.

    – Uma das possíveis explicações [no caso da yacon] seria a quantidade de fruto-oligossacarídeos, conhecidos como FOS, que se transformam em uma espécie de gel ao serem ingeridos. Uma vez no intestino, essa substância é capaz de retardar a absorção de glicose.

    Doce veneno

    Muita gente costuma achar que o mel está liberado. Trata-se de um engano. Faz tão mal quanto açúcar. Doce, só se for dietético, sempre feito com adoçante (aquele específico para preparo de receitas culinárias).

    À mesa, é bom trocar o tipo de produto usado para adoçar principalmente sucos, cafés e outras bebidas a cada três meses.

    Quando bater aquela vontade de comer doce, o ideal é optar por uma fruta. Em porções reduzidas, todas estão liberadas, já que são fontes de fibras. Mas, em excesso, podem aumentar a taxa glicêmica.

    Grelhadas, assadas ou fervidas com canela, maçãs, bananas e peras se tornam sobremesas bastante saborosas.

    Fonte R7

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  • Uma pesquisa exclusiva feita com 1.695 leitores da CRESCER mostrou os hábitos da família brasileira à mesa. Descubra aqui por que o exemplo que você dá é tão importante quanto o que serve para seu filho comer

    Muita bolacha e refrigerante, poucas frutas, legumes e verduras e nada de peixe no prato. Uma pesquisa inédita (e exclusiva) feita com 1.695 leitores pelo site da CRESCER mostrou que junk food, comida semipronta e guloseimas variadas invadiram a casa das famílias brasileiras – até para quem tem bebês com menos de 12 meses! –, e a sua pode ser uma delas. Quantas vezes você já disse para o seu filho comer melhor? Quantas vezes quase enlouqueceu tentando fazê-lo engolir algumas colheradas? Milhares de pais têm problemas na hora das refeições. Nossa pesquisa mostrou isso. E mostrou ainda mais. Revelou que o estímulo e principalmente o exemplo que você dá não têm sido dos melhores… Quer ver? Só 3,5% dos pais contaram que comem verduras, legumes e frutas na medida recomendada pelos médicos (cinco porções por dia). Quando a pergunta passa para os filhos, o resultado não é muito diferente, claro: apenas 4% seguem a recomendação.

    49,5% das famílias não arrumam a mesa para o café da manhã

    Fato é que se você não tiver uma alimentação saudável, as chances da criança ter serão pequenas. “O que a gente percebe são as crianças se adaptando aos maus hábitos dos pais, não uma melhora na alimentação depois que elas nasceram. E isso acontece por vários fatores, como falta de tempo e de planejamento. Sabemos de bebês menores de seis meses que já comeram lasanha congelada”, diz Fabíola Suano, do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). A situação começa mal logo pela manhã. Segundo nossa pesquisa, 49,5% dos pais não arrumam a mesa para o café da manhã e, em 13% dos lares, a criança come em menos de dez minutos e sozinha. Na casa da família de Lucia Helena Barone, 39 anos, mãe de Maurizio, 8 anos, e Eduardo, 3, ninguém se reúne para tomar o café. Aliás, as manhãs são um sufoco, como ela mesma diz. “Eu não tenho disposição para levantar mais cedo e deixar tudo pronto. Como estamos sempre atrasados, meu marido come de pé, na cozinha. O pequeno sempre quer tomar ‘tetê’ vendo televisão, e eu fico por conta dele”, assume.

    4% das crianças comem 5 porções (a quantidade recomendada) de frutas, verduras e legumes por dia

    É curioso pensar que essa refeição é considerada, por todos os especialistas, a mais importante do dia. Inúmeros estudos já comprovaram que o rendimento escolar fica prejudicado quando a criança pula o café. Se na sua casa é assim, você pode, por exemplo, deixar tudo pronto na noite anterior (veja mais dicas) e determinar – sim, para alguns assuntos deixe de lado a democracia – que a televisão só vai ser ligada depois que todos comerem sentados à mesa, juntos. Para isso dar certo, você precisa do apoio de toda a família.

    34% dos pais não almoçam nem jantam com os filhos

    O que falta no prato
    Os problemas com a alimentação se repetem ao longo do dia. As escolhas dos pais, de novo, refletem as dos filhos. Apenas 8% das crianças comem a quantia recomendada de peixes por semana (de duas a três vezes). Uma parcela dos pais, 17%, contou que não prepara nunca o alimento e 52% afirmaram fazer peixe raramente. De fato, o consumo dessa carne no Brasil é baixo, mesmo em áreas onde você poderia comprá-la com mais facilidade, como nas cidades litorâneas. Um dos motivos é que, até pouco tempo, a recomendação para dar peixe para bebês era a partir de 2 anos. Mas a idade baixou. A SBP indica a partir dos 6 meses, na papinha. Os pescados são fonte de ômega 3, que ajuda no desenvolvimento do sistema nervoso cerebral e da retina.

    Seguindo a linha do “exemplo dos pais”, não surpreende saber que o consumo das frutas, verduras e legumes é ínfimo. “O alimento saudável ganhou o estigma de que precisa de mais tempo para ser preparado, e não é verdade. O que faz a diferença é o planejamento. Passe a comprar hortaliças que vêm processadas e higienizadas, além de polpas congeladas para fazer sucos esporadicamente. Em casa, deixe a salada limpa à noite para consumir no outro dia”, afirma Raphaella Machado, nutricionista da Maternidade-Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

    Enquanto o consumo de alimentos saudáveis mostrou-se baixo na pesquisa feita por CRESCER, o de bolachas, refrigerantes e sucos de caixinha não seguiu o mesmo caminho. As respostas mostraram que 38,5% das crianças e 17% dos pais consomem bolachas pelo menos quatro vezes por semana. Quando o assunto é refrigerante, esses números ficam em 34,5% e 52%, respectivamente. Já no caso do suco industrializado, 40% dos pais afirmaram dar a bebida pronta de duas a cinco vezes por semana, em comparação aos 26% que fazem suco natural no mesmo período. A antropóloga Carmen Rial, da Universidade Federal de Santa Catarina, afirma que o consumo desses alimentos também aumentou a quantidade de vezes que comemos por dia. Antigamente, esse número não passava de cinco. Hoje, são mais de 20, por conta dos chamado “beliscar”. “Na prática, a comida se dissociou das refeições principais”, diz.

    Não é para você abolir as guloseimas da sua vida. Se sentir vontade de refrigerante, por exemplo, é melhor tomar fora de casa. O mesmo vale para os alimentos mais calóricos. Se seu filho ver você provando, vai pedir. Não porque as crianças nascem com um desejo inato por junk food. Na verdade é uma tentativa do bebê de se aproximar da família. Mas, sim, as crianças aceitam mais facilmente alimentos macios, uma característica da maioria das comidas processadas, como nuggets, salsicha e hambúrguer. “Quando o pai fala que o filho não come, a gente pergunta: ele não come nada mesmo? Geralmente, ele aprendeu a gostar do que é altamente processado”, diz Fabíola, da SBP. Em casos assim, e quando o que a família come não é legal, os especialistas recomendam que os pais comprem comida em restaurantes que vendem por quilo pelo menos três vezes por semana. Assim você tem uma variedade no cardápio e mais chances de comer verduras e legumes, por exemplo. “Quanto mais velha a criança, mais difícil vai ser a reeducação alimentar”, afirma. Por isso, o exemplo é tão importante – para o que é bom e para o que não é.

    João, 3 anos, experimentou refrigerante pela primeira vez em casa, aos 8 meses. E não foi ele quem pediu para provar. A mãe, Kelly Pedroso, 28 anos, sempre tomava e um dia ofereceu ao filho. “Ele fez uma careta na hora, mas depois gostou.” Hoje o garoto adora salgadinho, batata palha, pizza e bolacha recheada. “Comida feita em casa a gente quase não dava, porque nós também comíamos muita coisa pronta. Eu ‘entupia’ o João com essa comida, mas a fome dele parecia não passar. Então eu dava mais. A babá fazia o mesmo”, afirma. Só pouco mais de um mês, Kelly começou a ter medo que o menino ficasse obeso, que pudesse ter uma doença grave provocada pela má alimentação. De fato, os maus hábitos podem aumentar as chances de problemas de saúde na infância, como obesidade e diabetes, e na vida adulta, como doenças cardiovasculares. Agora, a reeducação alimentar de João é acompanhada por uma equipe multidisciplinar que inclui pediatra e nutricionista. Saíram de cena as comidas ruins. Mas a mudança espantou também a fome do garoto, que neste momento só quer tomar leite.

    COM OS AVÓS PODE TUDO
    Mais de 65% dos pais discutem com os avós sobre a alimentação da criança. Se seu filho fica pouco tempo com eles, releve uma ou outra guloseima que derem. Se eles ajudam na criação, você tem que definir algumas regras. Uma sugestão é levá-los a uma consulta com o pediatra, para saberem o que a criança tem que comer e como.

    Na pesquisa, perguntamos aos pais o que fazem quando o filho se recusa a comer. A solução de 31% é dar mamadeira que, em 49% das casas é preparada com uma ou mais colheres de achocolatado em pó e açúcar. Claro que a criança prefere a mamadeira, mais fácil de ser ingerida do que um prato de comida e ainda docinha. E claro também que é mais fácil para você: seu filho aceita, toma sozinho e, pelo menos, não fica de barriga vazia. Mas o leite não substitui a refeição porque não oferece a quantidade de nutrientes que a criança precisa. A curto prazo, você não vai notar os problemas. Mas eles vão chegar. Um dos mais comuns é a anemia, carência de ferro. Uma pesquisa realizada em Minas Gerais com bebês de 6 a 12 meses mostrou que 60% tinha algum grau da doença, que causa desde dores de cabeça até desmaios.

    Kyara Rebecchi, 26 anos, mãe de Laura, 1 ano e 10 meses, apela para o leite e outros truques quando “bate um desespero”, ou seja, quando a filha se recusa a comer. “Tem que ser tudo na marra. Um dia falei que se ela não comesse ia vir o monstro que come os dedinhos do pé. O pai fez até barulho atrás da porta para assustá-la. Como o monstro nunca veio, ela não aceitou mais a desculpa. Foi uma grande bobeira. Não resolveu o problema da comida e ainda criei um medo desnecessário”, diz, em tom de arrependimento.

    Se você está disposto a solucionar os problemas alimentares da sua casa, comece a repensar os seus hábitos. Se você não gosta de legumes, por exemplo, faça uma torta caseira em que a cenoura seja um dos ingredientes. Mostre o alimento in natura ao seu filho e depois sente-se para comer com ele. Tente colocar no seu prato pelo menos uma folha de salada. Se for preciso, conte até três e coma de uma vez. Quando você oferece para a criança mas não prova junto, um dia ela vai parar de comer. Isso acontece por volta do primeiro ano, quando o bebê percebe que os pais não comem o mesmo que ela.

    Quando a família não tem restrição alimentar, é mais fácil colocar as mudanças em prática. Comece pelas compras no supermercado – o que você coloca no carrinho e o que seu filho pede para você pôr. Faça algumas substituições. O saldo final precisa ter mais alimentos saudáveis que processados. Tente também estabelecer uma relação mais amigável com o tempo. A gente sabe que ter jornada dupla (ou tripla) não é fácil, mas se esforce para fazer pelo menos uma refeição por dia com seu filho. Na pesquisa feita por CRESCER, 34% dos pais nem almoçam nem jantam com a criança. Veja se é possível combinar com seu chefe um horário maior para o almoço, assim você consegue comer em casa, ou então entrar e sair mais cedo para jantar com seu filho, sem correria.

    Outro problema é que, muitas vezes, a falta de paciência dos pais é levada para a mesa. Bebês a partir de seis meses reconhecem a irritação no semblante dos pais. E mais: eles já conseguem estabelecer relações sobre isso. “Eles pensam que comer não é legal porque ‘meu pai/minha mãe fica bravo’”, afirma Fabíola. Tenha em mente sempre que fazer uma refeição em família é tão importante quanto cuidar de uma alimentação saudável. Você cria um vínculo emocional, que começou no aleitamento materno. “Neste momento também está sendo formada a personalidade da criança”, diz Fabíola. Você pode pensar que é um exagero relacionar caráter à hora das refeições. Se a gente imaginar que as pessoas estão ali só para comer, pode até ser. Mas é preciso ir além. Na mesa você instiga a curiosidade sobre novos sabores, troca experiências do dia a dia, ensina seu filho a dividir, esperar, ser generoso, ter comprometimento com horários, a saber ouvir – sem falar no aprofundamento (delicioso) da relação de vocês.

    COMO FOI FEITA A PESQUISA

    A participação nessa última pesquisa realizada por CRESCER foi recorde: 1.695 leitores responderam nossas perguntas. Mais de 60% deles têm entre 25 e 39 anos, 88% são casados e 52% são pais de crianças entre 1 e 3 anos. Trabalham em período integral 58,5%.

    Agradecimentos: Dzarm
    Agradecimentos: Hering
    Fonte: Maria Emilia Suplicy, nutricionista do Hospital Pequeno Príncipe; Vivian Braga, antropóloga, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas; Wilson Salgado Júnior, pediatra do Prontobaby – Hospital da Criança (RJ).

    Fonte Revista Crescer

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  • Dietas malucas podem fazer muito mal ao organismo, pois os músculos ficam mais fracos e sofrem com a falta de energia.

    No Brasil, a busca incansável tem uma nova receita. Ração humana: você sabe o que é isso?

    São, pelo menos, 10 ingredientes, todos em pó e naturais. É uma receita que está se espalhando pelo Brasil, a dieta da moda.

    A corretora de seguros Léa Fornazzari resolveu substituir o café da manhã por essa mistura milagrosa que promete de tudo: perda de peso, rejuvenescimento e bom funcionamento do intestino. “Eu não engordo mais. Eu como, mas não engordo, e tenho disposição”, afirma.

    Paranaense de 52 anos, Léa mora em São Paulo. Ela é ativa, sempre interessada em alimentação saudável e chegou a tomar o suco vivo para emagrecer.

    A corretora de seguros conta que, com o suco vivo, ela tinha muita energia, que o cabelo e a pele melhoraram, mas explica por que parou de tomar. “Você não pode deixar ele cortado na geladeira. Você tem que cortar na hora em que você vai fazer. Então, não é uma coisa prática que eu possa carregar, levar para onde eu for. Por isso, eu parei, porque dava muito trabalho”, revela.

    Esse é um trabalho que a mistura de cereais não dá. Mas de onde vem a receita que parece mágica? Léa Fornazzari, como milhares de brasileiros, encontrou a fórmula na internet.

    E o Globo Repórter foi para a feira, junto com a corretora de seguros, em busca dos produtos naturais da farinha. Na receita, ela mistura 13 ingredientes. Léa leva a receitinha e já pede a quantidade que vai precisar para preparar a mistura.

    A corretora de seguros revela alguns itens que estão na sua lista: soja em pó, farelo de trigo, farelo de aveia, gergelim, levedo de cerveja, linhaça dourada moída.

    “A linhaça é um elemento muito importante que mantém o ritmo intestinal, tem vitaminas e modifica o trato de trânsito do intestino. Ao mesmo tempo, ele previne algumas alterações que nós temos de doenças”, aponta o nutrólogo e professor Mauro Fisberg, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

    Quantos produtos naturais! Mas será que misturar tudo isso é mesmo bom para todo mundo?

    O professor Mauro Fisberg diz que três colheres ao dia não fazem mal a ninguém. Mas quem é diabético ou tem problemas cardíacos, cuidado: é melhor evitar açúcar mascavo, cacau e o guaraná em pó. “Uma pessoa que é normal e come normalmente todos os tipos de alimentos não precisaria de nenhum outro suplemento”, afirma o nutrólogo.

    “Não adianta colocar coisas que sejam muito diferentes, porque a pessoa não consegue manter estes alimentos que não são do seu hábito durante muito tempo”, ressalta a nutricionista Sônia Tucunduva Phillípi, da Universidade de São Paulo (USP).

    Na receita da Léa, ainda tem gelatina sem sabor, açúcar mascavo, cacau, farinha de maracujá, quinua, gérmen de trigo e guaraná em pó. No total, a conta da corretora de imóveis deu R$ 36.

    Isso dá menos de R$ 1 por dia para duas pessoas e dura quase dois meses na geladeira. De todas as dietas que Léa já fez, essa é a mais saudável e prática.

    Mas Léa afirma que não vale tudo para entrar em um vestido, existem limites. “Eu não sou deste tipo que acha que vale tudo. Eu acho que em primeiro lugar está a minha saúde”, afirma.

    Pouca gente se preocupa com o corpo o ano inteiro. A maioria exagera, come o que tem vontade e não faz nada para queimar aquelas gordurinhas extras que em dias nublados nem chamam tanta atenção. Mas é só sair o sol que muitos deixam o bom senso de lado e são capazes de fazer loucuras para entrar em forma.

    As magrinhas se exibem e confessam sacrifícios assustadores. “Eu não tomava café da manhã, não comia nada, só almoçava salada e um grelhado, durante praticamente um ano. Mas tive tontura, dor de cabeça. Todo dia, passava mal”, conta a supervisora Vívian Nogueira.

    “A primeira coisa que você acaba perdendo são as proteínas mais nobres que são as proteínas musculares”, explica o nutrólogo Mauro Fisberg.

    O nosso corpo está programado para proteger os órgãos vitais, como o cérebro, o coração e os pulmões que precisam de muita energia, que vem dos alimentos.

    Quando entramos em um regime maluco, o cérebro determina: a energia deve ser retirada dos músculos. E eles ficam mais fracos, sofrem com a dieta. A falta de vitaminas derruba nossas defesas e aumenta a degeneração celular.

    “Para matar a fome, eu tomava muito café sem açúcar. Matava a fome, mas acabou com o meu estômago também”, lembra a aposentada Clarice Quagio.

    “A cafeína, em alguns elementos, tira bastante a fome, mas, ao mesmo tempo, tem uma ação estimulante importante. E ao mesmo tempo, uma ação tóxica age sobre o nosso trato intestinal, e ela acaba tendo uma duodenite, uma esofagite e pode chegar até a uma úlcera, por irritabilidade”, diz Mauro Fisberg.

    “Eu consegui emagrecer 20kg, em um ano”, conta a manicure Téia Santana que, há três anos, passou a comer só carne e salada durante a semana. As lasanhas, pizzas, carboidratos ficaram só para sábados e domingos.

    “Em vez de ela restringir o carboidrato para uma vez por semana, ela poderia comer porções muito menores de carboidrato todos os dias, combinadas com proteína, combinadas com vegetais, legumes e frutas que poderiam ser exatamente iguais em termos de perda de peso com muito menos dano para a vida futura dela”, explica o nutrólogo.

    “Acho que tudo tem que ter um equilíbrio. Eu não deixo de comer nada do que eu tenho vontade, mas eu sei até onde eu posso ir. Quando exagero, eu sei que eu tenho que voltar. E aí dar uma revisão na coisa. O ideal é você comer sem culpa”, comenta a corretora de seguros Léa.

    Sem culpa e com muito prazer. No dia seguinte, ela vai queimar os excessos, até porque aquele pretinho básico precisa entrar no verão que vem.

    Fonte G1

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