• Só de olhar para a barriga não dá para desconfiar, mas ali dentro moram no mínimo 10 trilhões de micro-organismos. Uma população pra lá de numerosa – a título de comparação, em todo o planeta somos, atualmente, 7,3 bilhões de habitantes. A esse universo abrigado no aparelho digestivo deu-se inicialmente o nome de flora intestinal, devidamente rebatizada de microbiota.

    Assim como acontece em nossa sociedade, os bichinhos têm família, nome e sobrenome. E, mais importante de tudo, executam inúmeras funções dentro do corpo. “Nos últimos anos, o número de evidências sobre a influência da microbiota na saúde aumentou muito”, afirma Elisabeth Neumann, professora do Laboratório de Ecologia e Fisiologia de Micro-organismos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

    Essa influência, é bom que se diga, nem sempre é positiva. “O desbalanço nas populações bacterianas está associado a diversas doenças”, conta a nutricionista Adriane Antunes, professora da Faculdade de Ciências Aplicadas da Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp.

    Uma equação bem simples denota essa quebra de equilíbrio: os micróbios potencialmente nocivos, que também habitam o intestino, se multiplicam a ponto de se sobrepor no jogo de influências sobre os bichinhos benfeitores. Uma das maneiras de evitar que isso aconteça ou reverter a situação é investir nos probióticos, bactérias reconhecidamente benéficas e que podem ser encontradas em iogurtes, leites fermentados, queijos, além de cápsulas e sachês.

    De acordo com Yasumi Osawa, farmacêutica da Yakult, empresa pioneira nas pesquisas sobre o tema, doses adequadas desses seres microscópicos ajudam a repovoar a microbiota, dessa vez com indivíduos de boa índole. Para mantê-los em forma e garantir sua colonização, também entram em cena os prebióticos, fibras que não conseguimos digerir. “Elas servem de alimento para os probióticos”, explica Yasumi.

    As relações e os banquetes travados dentro da barriga e seus reflexos no corpo vêm ganhando tanta importância que demandam um evento científico próprio, o Congresso Brasileiro de Pre, Pro e Simbióticos, o PreProSim. Realizado em junho, junto ao Ganepão, uma das conferências de nutrição mais relevantes do país, o evento não deixou dúvidas de que precisamos conhecer e valorizar o trabalho dessas bactérias. Abaixo, você vai ver como elas repercutem na imunidade, no coração e até na saúde mental.

    1. Baixa imunidade

    Está aí um efeito clássico dos probióticos: deixar nosso sistema de defesa mais afiado. Segundo Adriane, da Unicamp, a chegada das bactérias no intestino desperta as células de defesa, que, no susto, ainda não têm certeza se os bichinhos são mesmo aliados. “Esse mecanismo mantém o sistema imunológico ativo e mais apto a reagir frente a micro-organismos causadores de doenças”, explica a especialista.

    Há outras ações que contribuem para a blindagem contra agentes infecciosos. A farmacêutica Cristina Bogsan, professora da Universidade de São Paulo (USP), conta que as células de defesa que reconhecem o vírus da gripe passam a viver mais quando o indivíduo toma um probiótico presente em um leite fermentado, por exemplo – por tempo suficiente para passar o inverno numa boa.

    2. Problemas intestinais

    Considerando que 70% da microbiota fica na região do intestino, é natural que vejamos um impacto direto ali. “Atualmente, os probióticos e os simbióticos fazem parte do tratamento da constipação”, exemplifica o médico Dan Waitzberg, professor da USP e presidente do Ganepão.

    Há bactérias, como a Bifidobacterium animalis, presentes em determinados iogurtes, que incitam os movimentos peristálticos. São eles que fazem as fezes caminharem adiante. “O bolo fecal é transportado, mas não se liquefaz. É por isso que não há diarreia”, tranquiliza Cristina. Por falar nisso, Waitzberg lembra que os probióticos também são úteis frente ao popular intestino solto. Estudos apontam que certas bactérias reduzem o tempo de diarreia bem como as visitas ao banheiro.

    3. Obesidade

    Faz tempo que os cientistas sabem que a microbiota de um indivíduo obeso é diferente da de alguém com peso saudável. E um micro-organismo que marca presença em pessoas esbeltas tem animado a turma da pesquisa, a Akkermansia muciniphila. Durante palestra no PreProSim, a nutricionista Priscila Sala, do Centro Universitário São Camilo, em São Paulo, contou que a bactéria diminuiu de 40 a 50% o ganho de massa corporal entre cobaias.

    “Em experimentos, seu efeito foi preservado mesmo quando ela foi aquecida a 70 °C”, diz. Um grande diferencial, pois os alimentos com probióticos hoje são refrigerados para garantir a sobrevivência das bactérias. Enquanto a Akkermansia não chega ao mercado, invista em frutas vermelhas, cebola, chocolate e castanhas, que criam condições para o bichinho prosperar.

    4. Doenças bucais

    Aqui, dá para contar com duas formas de atuação. Uma é indireta: quando os probióticos chegam ao intestino, minimizam inflamações, o que melhora o estado de gengiva e adjacências. Mas a cavidade oral tem sua própria microbiota. Daí por que algumas bactérias têm impacto direto (e local) em encrencas como cárie e periodontite.

    Em estudos, o dentista Michel Messora, na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da USP, notou que associar o tratamento-padrão da periodontite a suplementos de probióticos melhorou a resposta dos pacientes à intervenção. “Além disso, caiu o risco de retorno da doença”, destaca Messora. Para prevenir o problema capaz de derrubar os dentes, ele diz que dá para apostar em iogurtes e leites fermentados – desde que tenham baixo teor de açúcar.

    5. Colesterol e pressão

    Nesses assuntos que afligem o coração, os achados são incipientes, porém empolgantes. A farmacêutica Elisabeth, da UFMG, revela que algumas linhagens dos gêneros Lactobacillus e Bifidobacterium seriam capazes de assimilar o colesterol no intestino. “Isso reduziria os níveis disponíveis para a absorção pelo corpo”, ensina. Mas ela diz que são necessários mais estudos para confirmar esse desfecho.

    Outros testes demonstram que certas bactérias têm a habilidade de induzir a produção de substâncias que regulam a pressão arterial, outro fator de risco ao coração. “Mas não podemos sonhar em resolver um problema dessa magnitude só com o uso desses micro-organismos”, ressalta Elisabeth. “Nenhum pre ou probiótico deve ser encarado como substituto da medicação”, enfatiza Cristina, da USP.

    6. Chateações íntimas

    Candidíase e vaginose respondem por quase 90% dos incômodos mais comuns nas mulheres em idade reprodutiva. O pior é que tendem a ser recorrentes. “E os antibióticos e antifúngicos andam menos eficazes”, observa José Maria Soares Junior, vice-chefe do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital das Clínicas de São Paulo.

    Um jeito de driblar essa resistência é botar os probióticos em jogo. “Ao ingeri-los por meio de suplementos, dá para mudar a flora intestinal e, assim, colonizar beneficamente a vagina”, descreve o médico. Daí os micro-organismos prejudiciais não acham brecha para se proliferar. Segundo Soares Junior, os alimentos probióticos até auxiliariam na prevenção. “Mas não adianta fumar, ser sedentária e descuidar do resto da dieta. Tudo isso afeta a microbiota”, alerta o ginecologista.

    7. Irritações de pele

    Ter um intestino regulado – com a forcinha dos probióticos – também deixa a cútis mais viçosa. “É que as toxinas que interferem na barreira hídrica da pele, por exemplo, acabam eliminadas”, informa Yasumi, da Yakult. Com isso, há menos espaço para rugas, pele seca… Mas as bactérias do bem têm outros trunfos na área dermatológica. Existem cepas, já disponíveis em sachês para serem tomados, que combatem a dermatite atópica.

    Os probióticos, nesse caso, ajudam a conter o processo inflamatório que leva a lesões na pele. Nessa mesma linha, segundo novos estudos, algumas bactérias ainda bateriam de frente com a acne. Para tirar proveito desses efeitos, o conselho é manter uma ingestão de probióticos frequente. Caso contrário, a microbiota volta ao seu estado natural, programado lá no início da vida. Mas é provável que, em breve, tenhamos cremes com essas bactérias.

    8. Câncer

    Especula-se que prevenir a disbiose – ou seja, o domínio das bactérias ruins na flora intestinal – diminuiria o risco de tumores, particularmente os colorretais. “É que teríamos menos inflamação ali, o que, com os anos, pode predispor à doença”, conta a nutricionista Thaís Manfrinato Miola, do A.C.Camargo Cancer Center, em São Paulo. Nesse aspecto, uma dieta equilibrada contendo alimentos com probióticos seria bem-vinda.

    Hoje, na prática, também se vê a indicação das bactérias boas durante o tratamento do tumor. Ao indicá-las a pacientes cirúrgicos, o médico Antonio Carlos Ligocki Campos, da Universidade Federal do Paraná, viu menos complicações infecciosas, além de menor uso de antibióticos e tempo de internação. Segundo Thaís, a medida também se mostra útil para aplacar reações adversas da quimio e radioterapia.

    9. Estresse e ansiedade

    Ninguém duvida que existe uma conexão direta entre intestino e cérebro. Por isso, há uma tendência em ligar os probióticos a impactos no sistema nervoso. “Algumas bactérias produzem moléculas precursoras de serotonina e estimulam a liberação de gaba”, exemplifica Cristina, da USP. Complicou? “Trata-se de neurotransmissores associados ao controle da ansiedade e à sensação de felicidade”, traduz.

    Ela frisa, porém, que os estudos estão caminhando para confirmar tais efeitos. Ainda se debate o papel dos probióticos frente a Alzheimer, Parkinson e depressão, além de desordens que afetam outras áreas do organismo. “Há um universo ilimitado de possibilidades”, diz Elisabeth, da UFMG. Mas não espere para mimar seus hóspedes. Eles retribuirão deixando a casa – ou seja, seu corpo – em ordem.

    Quem é quem nessa comunidade microscópica

    Probióticos
    São as bactérias bacanas, que só agem quando ingeridas na dose certa. Cada tipo (ou cepa) tem uma função específica.

    Prebióticos
    É assim que se definem certas fibras que alimentam os probióticos. Estão na cebola, no alho, na banana verde etc.

    Simbióticos
    Essas formulações já apresentam, numa tacada só, os benditos probióticos e seus alimentos, os prebióticos.

    Posbióticos
    Trata-se de substâncias liberadas pelos probióticos que podem ser acrescidas a produtos a fim de gerar vantagens.

    Parabióticos
    São os probióticos inativos, ou seja, mortos. Mesmo assim, eles conseguem atuar positivamente no organismo.

    Quando as bactérias aparecem?

    Ao contrário do que já se imaginou, hoje sabemos que o bebê não vem ao mundo sem uma microbiota. Mas esse conjunto de micro-organismos passa a se formar pra valer no nascimento. Por isso os louros vão para o parto normal, que permite a transferência das bactérias da mãe para o filho.

    O aleitamento materno é outro fator bem-vindo, enquanto o abuso de antibióticos não deixa a vizinhança tão amigável. Levar esses pontos em conta é essencial, porque a microbiota que carregamos pelo resto da vida se estabelece até uns 3 anos.

    Vale a pena investir em versões manipuladas?

    Em palestra durante o PreProSim, o médico Dan Waitzberg, da USP, frisou que as fórmulas de manipulação ainda não são as melhores opções para tirar proveito dos micro-organismos probióticos. “Não dá para saber de onde eles vieram”, justifica. Fora que os bichinhos podem se transformar em condições fora de controle, o que alteraria seu comportamento dentro do corpo.

    Segundo o expert, a junção de bactérias também requer bastante cautela. Não é porque são bacanas individualmente que serão excelentes em parceria. “Fazer misturas sem conhecer bem o assunto é feitiçaria, não medicina”, declara Waitzberg. Os itens industrializados seriam escolhas mais apropriadas, porque há laudos garantindo sua segurança. Mas, claro, o médico deve conhecer as bactérias minuciosamente, já que cada tipo tem uma função específica.

    Onde encontrar os probióticos

    Atualmente

    Iogurtes: alguns deles contam com as bactérias boas – e possuem diversos sabores.

    Leite fermentado: o mercado já conta com versões para adultos e até com menos açúcar.

    Cápsulas: além de protegerem bem as bactérias, são superfáceis de transportar.

    Sachês: o nitrogênio mantém os bichinhos vivos. É só dissolver o pó na água ou ingerir direto.

    Futuramente

    Sorvetes: pode comemorar: a guloseima garantiria a viabilidade dos probióticos.

    Chocolates: estudos já mostraram que ele também é ótima morada para bactérias do bem.

    Sucos: a acidez torna um desafio ter probióticos neles. Mas é uma forte possibilidade.

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  • foto-imagem-oregano

    Origem: a planta vem da região mediterrânea e é bem comum na culinária daquela região. Marca presença principalmente em pratos italianos, portugueses, espanhóis, franceses e gregos.

    Forma de uso: o sabor dessa erva é mais acentuado quando ela está seca. Para extrair o máximo do aroma e dos benefícios, o orégano deve ser adicionado ao final da preparação tanto de alimentos cozidos, como crus.

    Com o que combina: o tempero vai bem com as massas e seus respectivos molhos. Também harmoniza com caldeiradas e assados, cozidos com aves, saladas de legumes e verduras, queijos e molhos com queijos.

    Com o que não combina: carne vermelha. Segundo especialistas, ela briga com o sabor da erva.

    Benefícios nutricionais: uma pesquisa da Universidade Estadual de Campinhas (Unicamp), no interior paulista, mostra que a planta tem mais de 200 compostos fenólicos e antioxidantes com poder de retardar o envelhecimento do organismo.

    Como plantar: o cultivo caseiro pode ser feito em jardins ou vasos com terra adubada e húmus. Você pode optar pelas sementes ou já adquirir mudas pequenas. A planta precisa de ambiente ensolarado.

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    A fama do cálcio em fortalecer os ossos é notória – e, diga-se, real. Mas, segundo estudos que têm pipocado por aí, a melhor forma de garantir boas doses do nutriente é por meio da comida. É que as cápsulas, que seduzem pela praticidade, andam em baixa entre os cientistas. Em muitos trabalhos, elas se mostram perigosas para o coração.

    A pesquisa mais recente nessa seara foi feita por uma equipe da Johns Hopkins Medicine, nos Estados Unidos, e publicada no Jornal da Associação Americana do Coração. Depois de analisar exames feitos em 10 anos por mais de 2 700 pessoas, os experts concluíram que ingerir o cálcio por meio de suplementos pode elevar o risco de formação de placas nas artérias e, portanto, culminar em danos ao coração. Em material divulgado pela instituição, eles frisam que essa relação não foi observada quando o nutriente entrava no corpo por meio dos alimentos — vale lembrar que leite e derivados são os grandes fornecedores de cálcio na dieta.

    Apesar de os cientistas ressaltarem que o trabalho apenas registra uma associação entre o uso dessas cápsulas e maior risco de aterosclerose (ou seja, não chega a cravar uma relação de causa e efeito), eles afirmam que um número cada vez maior de evidências aponta para o potencial perigo desses produtos. Por isso, pedem que as pessoas consultem um médico antes de investir nas cápsulas — como se sabe, elas podem ser compradas sem prescrição em farmácias.

    Os motivos por trás da desconfiança
    Segundo o coautor do trabalho, o nutricionista John Anderson, professor da americana UNC Gillings School of Global Public Heatlh, estudos anteriores haviam demonstrado que, especialmente em pessoas mais velhas, o cálcio dos suplementos não chega completamente até o esqueleto nem é eliminado pela urina. “Então, ele provavelmente estava se acumulando nos tecidos moles do corpo”, raciocinou o especialista. Os cientistas também já sabiam que, à medida que envelhecemos, as placas à base de cálcio tendem a se acumular na aorta e em outras artérias, impedindo o fluxo sanguíneo — o que aumenta o risco de um evento cardíaco.

    O cálcio não pode sobrar, mas também não é para faltar
    Dentro das quantidades indicadas (em geral, 1 000 miligramas por dia para adultos), o cálcio continua imprescindível para o organismo. Além de proteger o esqueleto, ele tem se mostrado essencial à musculatura, à transmissão de impulsos nervosos e até à perda de peso. O grande problema dos suplementos é que eles fornecem uma quantidade exagerada da substância — e de uma tacada só. Por meio da dieta, no entanto, o mineral é absorvido de maneira mais fracionada. Fora que os alimentos ofertam tantos outros nutrientes.

    Onde encontrar o bendito cálcio
    Um copo de 200 mililitros de leite oferta 250 miligramas, o que equivale a ¼ das recomendações diárias. Se quiser apostar no queijo minas, 100 gramas têm 685 miligramas do mineral. Outros derivados do leite, como o iogurte, são igualmente bem-vindos. Brócolis, espinafre e cereais também contêm doses apreciáveis.

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  • foto-imagem-noni

    Originário do sudeste da Ásia, o fruto conhecido como noni não tem gosto lá muito agradável. Mas seu extrato e suco ganharam destaque na internet como promotores de diversos benefícios, desde o controle do diabete até a cura para problemas ginecológicos. Só que a história não é tão animadora assim. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe a comercialização de produtos contendo o fruto no Brasil. Segundo o órgão, “a quantidade de publicações que avaliaram sua segurança é limitada”. E, por causa da falta de estudos, itens com noni estão vetados em território nacional – o problema é que, mesmo assim, certos sites continuam comercializando-os.

    Segundo João Ernesto Carvalho, professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual de Campinas, no interior paulista, algumas pesquisas indicam que o uso do alimento está ligado à toxicidade hepática – ou seja, poderia causar complicações no fígado. Além disso, cientistas apontam prejuízos ósseos e malefícios para grávidas. “Outros trabalhos dizem o contrário e alegam segurança. Mas há mais estudos que confirmam sua toxicidade do que os que negam. E quando existe um impasse como esse, a Anvisa não pode liberar”, observa Carvalho.

    A nutricionista Carla Cotta, do Rio de Janeiro, também pede cautela quando se fala em noni. “Extratos só devem ser consumidos se forem registrados pela Anvisa”, comenta. Segundo a especialista, os alimentos funcionais, ou seja, aqueles que prometem benefícios à saúde, devem ter controle como qualquer medicamento. Então, não caia nas promessas milagrosas sobre esse (ou qualquer outro) ingrediente. Até porque isso pode, no final das contas, ter efeito contrário ao desejado, colocando você em risco.

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    Muito se discute sobre a interferência do fogo nas propriedades nutricionais do óleo de oliva. Segundo uma revisão feita pela Associação Brasileira de Nutrologia (Abran) em parceria com a marca Andorinha, o azeite que vai ao fogo ainda é mais vantajoso em termos de antioxidantes do que outros óleos em temperatura ambiente. Além desse dilema, listamos outras fatores que asseguram o melhor aproveitamento do tempero.

    Virgem ou extravirgem?

    Aposte no segundo, obtido na primeira prensa das azeitonas. Ele tem mais compostos do bem.

    A melhor embalagem

    Tem que ser de lata ou vidro escuro, para evitar a oxidação das substâncias protetoras.

    Onde armazenar

    Deixe o azeite longe da luz e também do calor para manter as propriedades do alimento.

    De olho na validade

    É que, após aberto, normalmente se aconselha ingerir o azeite em até seis meses.

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  • foto-imagem-estimulantes

    A Agência Mundial Antidoping (Wada) tem em seu site uma lista de substâncias e procedimentos proibidos e uma série de respostas a perguntas mais comuns sobre o que um atleta pode ou não pode consumir ou fazer para aumentar seu rendimento.

    A tenista russa Maria Sharapova é uma das atletas que ficaram fora da Rio 2016 após ser pega no exame antidoping em janeiro deste ano. Além disso, ela recebeu suspensão de dois anos. Foi constatado que há anos Sharapova tomava o meldonium, substância que a Wada incluiu na lista das proibidas em janeiro de 2016.

    O meldonium, usado para tratar doenças do coração, aumenta o fluxo sanguíneo e, com isso, melhora a capacidade para realizar exercícios em atletas. Sharapova assumiu responsabilidade, mas disse que não tinha conhecimento do veto da Wada ao medicamento.

    “É muito importante que vocês entendam que pelos últimos dez anos esse medicamento não esteve na lista de substâncias banidas. Usei esse remédio legalmente pelos últimos dez anos.”

    Mas existem substâncias que não estão na lista atualizada da Wada. Veja abaixo alguns dos estimulantes que, por enquanto, podem ser usados por atletas.

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    Doping legalizado

    Algumas substâncias, como a cafeína, já não são proibidas pela Wada pois não atendem aos três critérios necessários para entrar para a lista de substâncias banidas pela organização: melhorar o desempenho competitivo, violar o espírito esportivo e representar um risco para a saúde dos atletas.

    Outras ainda não são proibidas, ainda que melhorem o rendimento e possam ser receitadas por médicos. Estas estão na lista do “programa de monitoramento 2016” da Wada.

    A agência informa que controla tais substâncias “com o objetivo de detectar abusos no esporte”.

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    É o caso do telmisartan, medicamento indicado para pessoas hipertensas, que faz com que a pressão arterial caia e melhora o fluxo sanguíneo, avaliado como um possível realçador de performance esportiva.

    “(Mas) se a pessoa não é hipertensa e consome (o medicamento), pode sentir efeitos negativos tanto em seu rendimento como em sua saúde. Mas, é claro, isso dependeria da dose”, explica Fabián Sanchís-Gomar, médico e pesquisador do Hospital 12 de Outubro, de Madri, na Espanha.

    Sanchís-Gomar fez uma pesquisa sobre o telmisartan.

    “No decorrer deste ano, as autoridades antidoping estão monitorando para avaliar se a substância está sendo utilizada pelos atletas e se, por fim, deveria ser incluída na lista de proibidas no esporte”, acrescentou o pesquisador.

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    Antidepressivo e outros

    Outra substância incluída na lista de monitoramento na categoria de estimulantes, mas que não está proibida, é o antidepressivo bupropiona. Ele é muitas vezes usado para ajudar pessoas que querem parar de fumar.

    A lista de observação da Wada também inclui substâncias como a fenilefrina, fenilpropanolamina, nicotina, pipradrol e sinefrina.

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    Entre os narcóticos monitorados pela agência antidoping estão mitraginina e tramadol.

    De acordo com o Consórcio Internacional sobre Políticas de Drogas (IDPC, na sigla em inglês), a mitraginina é consumida para aumentar a tolerância a exercícios mais pesados, por exemplo.

    Já o tramadol é um analgésico que serve para aliviar a dor. Mas um dos efeitos colaterais seria a sonolência e queda na capacidade de concentração, entre outros.

    Por fim, também estão na lista de monitoramento da Wada os glicocorticoides, sejam eles hormônios esteroides produzidos naturalmente ou sintéticos que inibem o processo de inflamação.

    A Universidade Técnica de Munique, na Alemanha, informa que eles são usados no esporte devido aos efeitos analgésicos.

    De acordo com um relatório da universidade, o abuso dos glicocorticoides nos esportes ocorre a partir de seus efeitos relaxantes nas vias respiratórias e, se for administrado em uma dose maior, por seus efeitos analgésicos. As vias respiratórias abertas e a diminuição no limiar da dor permitem um treino e performance melhores.

    Outras drogas

    As drogas citadas acima, que são adquiridas com receita médica, não são as únicas que melhorar o desempenho dos atletas.

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    “Nos últimos anos há cada vez mais medicamentos que poderiam melhorar o rendimento” dos esportistas, como afirmou em entrevista à rádio NPR o gerente de assuntos científicos da Agência Antidoping da Holanda, Olivier de Hon.

    Ele alerta também que podem ser necessários anos para avaliar se existe uma possibilidade desses medicamentos serem usados como doping.

    De Hon acrescenta que a solução para enfrentar o problema do doping nos esportes não passa pela proibição de uma grande lista de drogas e medicamentos.

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  • foto-imagem-pilula-câncer

    Em meio às divisões que marcaram a crise política e o processo de impeachment, uma lei foi aprovada de forma unânime e com muita rapidez por deputados e senadores de todos os partidos: a que libera o uso da fosfoetanolamina sintética por pacientes com câncer.

    Sancionada pela presidente afastada Dilma Rousseff em 14 de abril, a legislação é criticada pela comunidade científica por autorizar a chamada “pílula do câncer” sem que testes clínicos tenham comprovado sua eficácia – até o momento, foram realizados só estudos com animais, os chamados testes pré-clínicos, que indicaram que a substância não é tóxica.

    Agora, a lei está suspensa de forma cautelar pelo Supremo Tribunal Federal (STF), após magistrados apreciarem nesta quinta-feira uma ação movida pela Associação Médica Brasileira. A organização argumenta que ela é inconstitucional por infringir direitos fundamentais, como o direito à saúde, à vida e à dignidade humana, e também viola a regulamentação vigente sobre o uso de medicamentos no país.

    Como relator da matéria, o ministro Marco Aurélio Melo disse que o Legislativo não pode liberar medicação sem testes clínicos, pois a legislação exige o registro da fosfoetanolamina pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A lei ficará suspensa até o julgamento definitivo do tema, que ainda não tem data para acontecer.

    Ela gera de fato bastante controvérsia. Especialistas ouvidos pela BBC disseram que, ao aprová-la, o Congresso pode estar colocando em risco a saúde da população e abrindo precedentes para a liberação de outras substâncias não testadas. Para outros, no entanto, o Congresso deu voz a pacientes e reagiu à suposta morosidade dos órgãos que aprovam remédios.

    Já na Câmara dos Deputados e no Senado, parlamentares defenderam se tratar de uma lei “pela vida” e que confere esperança e dignidade a pacientes em estágio terminal. Em discursos carregados de emoção, pediram sensibilidade a seus pares por já terem enfrentado casos de câncer em suas famílias.

    Sob estes argumentos, o projeto tramitou com uma velocidade excepcional no Congresso. Segundo levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar, órgão que auxilia sindicatos sobre questões legislativas, leis aprovadas em 2013 levaram em média cinco anos da proposição à sanção presidencial e, em 2014, nove anos.

    Por sua vez, o PL 4639/16 passou pela Câmara e pelo Senado em questão de dias, e foi aprovada por unanimidade.

    Com urgência e emoção

    O projeto de lei foi elaborado por um grupo de deputados federais no qual estão, lado a lado, parlamentares que normalmente se encontram em polos opostos das disputas políticas, como os petistas Adelmo Carneiro Leão (MG) e Arlindo Chinaglia (SP) e os deputados Eduardo Bolsonaro (PSC-SP) e Jair Bolsonaro (PP-RJ).

    Apresentado no plenário da Câmara em 8 de março, o projeto foi apreciado no mesmo dia, graças a dois acordos entre líderes partidários. Primeiro, para que tramitasse em regime de urgência. Depois, para que a oposição abrisse mão da obstrução da pauta, imposta na época até que o STF se manifestasse sobre os ritos do impeachment.

    No fim daquele dia, em uma sessão extraordinária com 2h15 de duração, o projeto passou por todas as etapas na Câmara: foi discutido, avaliado por um relator e três comissões – Constituição e Justiça e de Cidadania, de Finanças e Tributação e Seguridade Social e Família – e, finalmente, votado.

    Em meio ao breve debate naquela sessão, deputados pediram a palavra para se manifestarem a favor da lei, muitas vezes com discursos apoiados em experiências pessoais.

    “Se você ou algum familiar estivesse com câncer e alguém dissesse que água de bateria na veia cura, todo mundo tomaria”, disse Eduardo Bolsonaro. “A fosfoetanolamina é muito melhor que isso. Há o relato de pessoas que tomaram apenas a pílula e melhoram. Meu avô morreu em virtude de um câncer de pulmão e, hoje, não pode, infelizmente ter acesso a fosfoetanolamina.”

    Caio Narcio (PSDB-MG) disse ter perdido sua mãe para o câncer, que chamou de “doença do milênio”. “Só quem tem alguém com uma doença dessas em casa sabe o que é o sofrimento. Mesmo que fosse 1% de possibilidade, já valeria a pena.”

    “Voto ‘sim’ em homenagem à minha mãezinha, que morreu de câncer”, disse Moroni Torgan (DEM-CE) ao anunciar o posicionamento do seu partido.

    Celso Russomano (PRB-SP) deu um depoimento sobre seu pai, que tinha câncer. “Ele respirava por aparelhos, começou a tomar a fosfoestanolamina e saiu da cama. Mas o pouco medicamento que tínhamos acabou, e sua fabricação parou. Em alguns dias, ele começou a piorar e foi a óbito.”

    Benedita da Silva (PT-RJ) contou na sessão já ter perdido seis irmãos e um sobrinho por conta da doença: “Gostaria muito que eles tivessem tido a oportunidade de ter esperança de algo que pudesse amenizar as suas partidas”.

    Pressão social

    Outros parlamentares defenderam que a lei dá “esperança” a quem sofre de câncer e é uma resposta a uma demanda da sociedade.

    “Não vamos discutir a questão técnica. Isso não é para nós”, disse Ronaldo Fonseca (PROS-DF). “A Câmara não pode ficar de costas para a opinião pública. Assim mostraremos à sociedade que a Câmara pensa, sim, no cidadão. Queremos plantar uma semente de esperança.”

    Laura Carneiro (PMDB-RJ) fez um pronunciamento parecido: “Não vamos salvar as pessoas do câncer, mas vamos lhes dar alguma esperança, alguma possibilidade de resolver o problema”.

    Houve uma voz dissonante no debate. Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) defendeu em plenário que “a maneira como se encaminha o tema é extremamente perigosa de fazer ciência”.

    “Nós estamos reduzindo este debate a quem é a favor e contra a cura do câncer. A ciência é feita de pesquisa, de resultados. Não se pode liberar uma substância sem saber seu efeito colateral, qual é a dosagem para uma criança, para um idoso, para uma mulher”, disse Mandetta.

    ‘Quem tem câncer tem pressa’

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    Seu posicionamento não foi suficiente para barrar o avanço do projeto: todos os blocos e partidos se manifestaram a favor da aprovação. Não houve uma votação nominal – em que cada deputado se posiciona individualmente -, mas simbólica, em que o presidente da Casa pede que os contrários ao projeto se pronunciem. Sem qualquer gesto significativo neste sentido, a lei seguiu para o Senado.

    “Foi uma matéria bastante estudada em audiências públicas e por um grupo de trabalho, está sendo debatida desde outubro do ano passado. A substância é alvo de 20 anos de pesquisas, e os estudos mostram que não é tóxica. A população clamava por isso”, diz à BBC Brasil a relatora do projeto, a deputada Leandre Dal Ponte (PV-PR), sobre a celeridade da tramitação na Câmara.

    Para ela, a aprovação da lei vai pressionar para que os estudos clínicos da fosfoetanolamina sejam realizados. “O câncer mata milhares de pessoas todos os anos, e quem tem câncer pode tudo, menos esperar. É justo negar o acesso a fosfoetanolamina, diante de relatos que mostram que ela no mínimo prolonga a vida das pessoas?”

    Um dos principais autores do projeto e médico fisiologista, Leão (PT-MG) defende à BBC Brasil a aprovação da lei mesmo sem a comprovação da eficácia da fosfoetanolamina. “Não estamos pulando etapas, porque não é algo descoberto hoje. Se ninguém estivesse usando, aí sim. Mas a substância está em nosso cotidiano há 15 anos, sem haver um relato de prejuízos por seu uso”, diz o deputado.

    “Como médico, não posso receitar, porque não é considerado medicamento, mas não teria dúvida de indicar para amigos ou familiares com câncer. Eu mesmo usaria diante de uma situação tão dramática.”

    ‘Ceifador de esperanças’

    Ao chegar ao Senado, como projeto de lei da Câmara nº 3 de 2016, a proposta também tramitou rapidamente, ainda que menos do que na Câmara.

    Entre os dias 9 e 17 de março, foi analisado e aprovado pelas comissões de Assuntos Sociais e de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática. Chegou ao plenário no dia 22, onde novamente foi colocado em regime de urgência e se abriu uma exceção para ser votado no mesmo dia.

    O regimento do Senado determina que, uma vez aprovada a urgência, a votação deve ocorrer só após duas sessões de debates, o chamado “interstício”, como argumentou o senador Cássio Cunha Linha (PSDB-PB), mas outros líderes defenderam que o tema era delicado e deveria ser apreciado naquele dia.

    “Minha experiência é a de milhões de brasileiros. Minha mãe morreu com câncer no cérebro. Sei exatamente o que é isso”, disse o senador Magno Malta (PR-ES).

    Waldemir Moka (PMDB-MS) argumentou ser uma situação de emergência: “É muito difícil você falar para um paciente terminal de câncer que ele não vai ter mais acesso àquilo que estava esperando. Porque várias pessoas deram testemunho que, ao tomarem o medicamento, que não é um medicamento ainda, apresentaram melhoras”.

    Os apelos fizeram Lima ceder. “Não sou um ceifador de esperanças, nunca fui. Se há um entendimento, todos os líderes de que o interstício deve ser suprimido eu não vou me opor à votação de uma matéria tão importante”. Novamente, houve uma votação simbólica, e o projeto acabou sendo aprovado apenas 16 dias após ter sido apresentado na Câmara – e levou outros 23 dias até ser sancionado por Dilma.

    ‘A próxima vítima’

    Ao fim da sessão, Ivo Cassol (PP-RO), um dos principais defensores da lei na Casa, fez um longo discurso para agradecer o empenho dos colegas para “dar alento e esperança” aos pacientes. Ele chamou a pílula do câncer de “descoberta do século” e disse que ainda não havia passado por testes clínicos porque laboratórios e oncologistas não teriam interesse em comercializá-la.

    Também criticou a Anvisa e sua política de aprovação de medicamentos contra câncer. “Do jeito que está, é uma vergonha nacional. Aprovou dois medicamentos que têm um efeito mínimo no tratamento de câncer, mas a um preço astronômico. Aí, sim, a Anvisa aprova.”

    Argumentou em prol das mulheres, que são “mais passíveis de câncer”, segundo o senador: “Tenho amigos que, por causa do câncer, se escondem, especialmente as mulheres, porque elas têm cabelo comprido. Os homens são carecas. Está aqui o Júnior, meu assessor, que é careca. Se amanhã tivesse um câncer, não teria problema, mas as mulheres não são carecas. Perdem cabelo, perdem a autoestima”.

    Disse ter recebido muitos pedidos pela aprovação da lei e testemunhado casos em que a substância deu bons resultados. “Recebo por dia de 200 a 300 e-mails. Conheço mais de 30 pessoas. Tenho o depoimento de mais de 100 pessoas que usaram. O resultado é fenomenal. Quem garante que amanhã não será alguém da nossa família? Que não seremos nós a próxima vítima?”

    E anunciou: “Estou aqui defendendo a liberação desse medicamento do câncer. Mas é só esse? Não, gente! Se amanhã aparecer outro lá pelas matas amazônicas, vamos utilizar! Se vier da Mata Atlântica, vamos utilizar. Se vier outro composto, vamos utilizar! Por que não, gente?”

    Procurado pela BBC Brasil, o senador Cassol preferiu não conceder entrevista sobre o tema. Disse por meio de sua assessoria que está “muito chateado” com a declaração feita pelo Ministério da Saúde de que a pílula só será distribuída no SUS com aprovação da Anvisa e que trabalhará para reverter a decisão.

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    A Associação Médica Brasileira (AMB) protocolou na sexta-feira (15) uma ação direta de inconstitucionalidade (ADI) e mandado de segurança junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a suspensão imediata da lei que autoriza o uso da fosfoetanolamina sintética, conhecida como “pílula do câncer.” A lei foi sancionada pela presidente Dilma Rouseff e publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (14).

    Para o coordenador jurídico da AMB, Carlos Michaelis Júnior, há uma “desconhecimento amplo acerca da eficácia e dos efeitos colaterais da substância”. Já o presidente da AMB, Florentino Cardoso, diz que todas as orientações e alertas científicos das comunidades médicas foram ignorados.

    Na ADI de número 5501, a AMB diz que a liberação da substância sem que sua efetividade tenha sido clinicamente comprovada é incompatível com a Constituição, pois não garante aos brasileiros os direitos à saúde, à segurança e à vida, além do princípio da dignidade da pessoa humana.

    A associação argumenta ainda que a não realização de testes clínicos da fosfoetanolamina em seres humanos fere a Lei 6.360/76, que prevê três fases de análises antes da concessão do registro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

    Além de não autorizar a comercialização da sustância, a Anvisa informou não ter como garantir se ela pode ou não trazer riscos à saúde de quem a ingerir. “Com o produto estando fora do ambiente regulatório, não há como a Anvisa fiscalizar o processo de fabricação e distribuição, o que também resulta em riscos sanitários para a população. Afinal, sem os estudos clínicos necessários, não há como assegurar que a fosfoetanolamina é segura e eficaz”, disse o órgão.

    Uso da substância

    O SUS não vai fornecer a fosfoetanolamina. Segundo Ministério da Saúde, quem quiser fazer uso da substância terá de pagar por ela.

    A lei não prevê que seja necessária a prescrição da fosfoetanolaimina para que o paciente possa usá-la. No entanto, o Ministério da Saúde divulgou nota em que afirma que “está sendo sugerida a prescrição médica em talonário numerado que permita o rastreamento do paciente (com justificativa para o uso)”.

    Sendo o produto de efeito desconhecido, é possível que médicos não queiram prescrevê-lo. O oncologista Helano Freitas, coordenador de pesquisa clínica do A.C.Camargo Cancer Center, em São Paulo, chama a atenção para o fato de que a lei exige apenas um laudo médico que comprove o diagnóstico.

    “Dessa maneira, estão transferindo toda a responsabilidade para o paciente de julgar se algo é bom ou não para ele”, disse. Isso pode levar a uma situação em que o paciente escolha seguir o tratamento com a fosfoetanolamina sem o devido acompanhamento de seu médico.

    “Respeitamos o livre arbítrio, mas precisamos informar adequadamente os pacientes para que eles não incorram em decisões precipitadas acreditando em informações que ainda não têm comprovação”, afirma o oncologista.

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    Em doses baixas, o lítio prolongou a vida desses invertebrados. Os testes foram conduzidos por uma equipe de pesquisadores da Universidade College London, no Reino Unido.

    Os cientistas dizem que a descoberta pode levar ao desenvolvimento de novas drogas que ajudem as pessoas a viver vidas mais longas e saudáveis.

    O lítio é receitado por psiquiatras para controlar transtornos mentais, como a bipolaridade e a depressão, mas pode provocar uma série de efeitos colaterais se ministrado em doses altas.

    A ciência ainda não sabe explicar muito bem como o lítio atua no cérebro, mas nas moscas a substância retarda o envelhecimento através do bloqueio de uma enzima conhecida como GSK-3.

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    “A resposta das moscas para doses baixas de lítio é bastante encorajadora e nosso próximo passo é atacar o GSK-3 em animais mais complexos”, disse Linda Partridge, responsável pelo estudo.

    “Dessa forma, podemos no futuro pensar em desenvolver testes em humanos”, acrescentou.

    O estudo foi publicado na revista científica Cell Reports e concluiu que as moscas tratadas com lítio viveram 16% mais do que a média.

    Por outro lado, quando a substância foi ministrada em alta dosagem, diminuiu o período de vida dos insetos.

    “As doses baixas não apenas prolongaram a vida das moscas mas também protegeram seus organismos do estresse e ainda bloquearam a produção de gordura naquelas com uma dieta rica em açúcar”, acrescentou Ivana Bjedov, parte da equipe responsável pelas descobertas.

    A ONG britânica Parkinson’s UK ajudou a financiar o estudo. Uma de suas porta-vozes, Claire Bale, afirmou que a pesquisa tem o potencial de gerar idosos mais saudáveis e também oferecer possíveis soluções para tratar ou prevenir doenças, como o Mal de Parkinson.

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  • Os efeitos benéficos de alimentar bebês com produtos à base de amendoim para diminuir o risco de alergia foram endossados por um novo estudo de pesquisadores de Estados Unidos e Reino Unido.

    foto-imagem-amendoimNo ano passado, um outro estudo afirmou que o consumo de amendoim poderia reduzir em 80% as chances de reações alérgicas futuras. Mas os cientistas agora foram além: proteção a longo prazo contra alergias não apenas pode ser obtida, mas mantida mesmo se produtos à base de amendoim forem evitados pelas crianças por um ano.

    O resultados da pesquisa foram publicados na revista científica New England Journal of Medicine. Os pesquisadores estudaram 550 crianças consideradas sob risco de desenvolver alergias – porque tinham sofrido de eczema quando bebês – e prosseguiram o trabalho feito no ano passado por cientistas americanos e britânicos, em que pela primeira vez cientistas perceberam que a exposição de crianças a pequenas quantidades de lanches à base de amendoim poderia evitar alergias.

    Diagnósticos

    O novo estudo argumenta que, se houver consumo nos primeiros 11 meses de vida, uma criança de cinco anos de idade pode parar de comer amendoim por um ano e, ainda assim, não desenvolver alergias.

    “Acreditamos que o medo de alergias alimentares é o que chamamos de profecia auto-realizável: o alimento é excluído da dieta e, como resultado, a criança não desenvolve tolerância”, disse à BBC Gideon Lack, um dos principais autores do novo estudo.

    Os pesquisadores usaram as mesmas crianças testadas no estudo original – metade delas tinham recebido alimentos à base de amendoim enquanto bebês e a outra apenas se alimentado de leite materno. Segundo os cientistas, aos seis anos de idade não havia crescimento estatístico significativo em alergia após 12 meses de interrupção no consumo nas crianças que tinham ingerido amendoim.

    Para o professor Lack, novos estudos são necessários para estabelecer se a resistência pode durar mais que 12 meses. Segundo dados do estudo, 20 mil bebês por ano são diagnosticados com alergia a amendoim nos EUA e no Reino Unido. e, entre 1995 e 2005, o número de diagnósticos triplicou. Os pesquisadores afirmam que os métodos de deteçcão permaneceram os mesmos.

    “Os resultados mostram uma nova maneira de analisar os mecanismos de tolerância para comidas alergênicas em crianças sob risco”, diz Barry Kay, cientista do Imperial College, em Londres.

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