• O congresso da Associação Americana de Diabetes, que acontece em San Francisco neste ano, está recheado de novidades importantes para a população. Entre as pesquisas que acompanhei por aqui, destaco uma que avaliou o papel da restrição de calorias na alimentação para evitar o diabetes tipo 2. Aliás, eu gravei um vídeo, que está logo abaixo, para você ficar por dentro dos resultados.

    Só adianto uma coisa: não adianta comer pouco por uns meses e, depois, voltar a abusar nas refeições. Ao atingir o peso ideal, é importante seguir com uma alimentação balanceada para afastar o diabetes. Infelizmente, muita gente acaba abandonando um estilo de vida saudável com o tempo.

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  • Quando se fala em hambúrguer vegano, a primeira reação de quem come carne geralmente é torcer o nariz com argumentos do tipo “não é a mesma coisa”. Pois acaba de chegar aos supermercados um produto feito exclusivamente de vegetais e que promete surpreender o paladar dos carnívoros.

    Trata-se do Futuro Burger, primeiro lançamento da startup Fazenda Futuro, que se dedica a criar “carne” à base de plantas. Com aparência e textura e muito semelhantes à versão bovina, a novidade já está disponível em algumas lanchonetes de São Paulo e do Rio de Janeiro, e agora chegou a supermercados paulistas, cariocas e mineiros.

    A ideia não é conquistar veganos e vegetarianos. “Estamos entrando no mercado de carnes. Queremos falar com quem procura uma alternativa saudável e sustentável sem deixar de lado o prazer em comer algo de que gosta”, explica Marcos Leta, fundador da Fazenda Futuro.

    Para chegar no visual e sabor adequados, foram dois anos de testes. A receita final leva proteínas isoladas da soja, da ervilha e do grão-de-bico, além de beterraba para imitar a cor rosada e os sucos da carne. O produto não usa ingredientes transgênicos, tem menos gorduras saturadas do que a versão tradicional e contém fibras, por conta dos vegetais.

    Onde encontrar

    O Futuro Burger começou a ser vendido nas lojas do Carrefour, Pão de Açúcar, St. Marche e Quitanda, em São Paulo; La Fruteria e Zona Sul, no Rio de Janeiro; e Verdemar, em Minas Gerais.

    Também é possível provar a novidade nas hamburguerias T.T. Burguer, na capital fluminense, e Lanchonete da Cidade, em São Paulo.

    A meta da empresa é expandir a distribuição do hambúrguer nos próximos meses. No segundo semestre, uma versão de almôndega à base de plantas desenvolvida pela empresa deve chegar ao Spoleto, rede nacional de massas.

    Tendência internacional

    Buscar alternativas para driblar o consumo excessivo de carne é uma tendência que veio para ficar. “No Brasil, o número de gado é superior ao número de pessoas, e somos um dos países mais afetados pela agropecuária quando se trata de meio ambiente”, comenta Leta. “Este impacto ambiental faz com que as pessoas optem cada vez mais por mudanças na alimentação”, continua o empresário.

    Lá fora essa movimentação é nítida. A marca Beyond Meat, de “carnes” à base de plantas, por exemplo, abriu seu capital neste mês nos Estados Unidos com alta de 163% em seu primeiro dia na bolsa de valores, chegando a um valor de mercado de 3,8 bilhões de dólares. Bill Gates e Leonardo Di Caprio, dois célebres entusiastas da causa do meio ambiente, investem na marca.

    A Impossible Foods, nascida no ambiente tecnológico do Vale do Silício, abastece mais de 3 mil restaurantes norte-americanos com 226 toneladas de carnes vegetais todos os meses.

    Elas, assim como a Fazenda Futuro, são consideradas foodtechs, ou seja, empresas que usam a tecnologia para criar novos produtos alimentícios.
    O hambúrguer vegetal tupiniquim está sendo anunciado como a versão “1.0”. A 2.0 está sendo desenvolvida pela empresa atualmente e promete ser ainda mais parecida com a proteína animal.

    Perfil nutricional

    Veja o que encontramos em uma unidade (115 gramas) do Futuro Burger disponível hoje:

    Calorias: 283 kcal

    Proteínas: 15,8 g

    Carboidratos: 14,3 g

    Gorduras totais: 18,6 g

    Gorduras saturadas: 6 g

    Fibras: 4 g

    Sódio: 684 mg

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  • A ortorexia nervosa é um transtorno marcado pela obsessão em comer apenas alimentos considerados saudáveis. Ao contrário do que ocorre na anorexia ou bulimia, quem sofre com esse distúrbio não se importa tanto com o ganho de peso e as calorias de cada alimento, mas sim com a “pureza” e a composição de tudo o que consome e também com o modo de preparo.

    Descrita pela primeira vez em 1997, a condição ainda é considerada um tema novo e pouco explorado pela ciência. Ainda não se sabe, por exemplo, o que leva alguém a se tornar excessivamente cuidadoso com o que coloca no prato. Pois um novo estudo, realizado pela Universidade York, no Canadá, acaba de elencar alguns fatores de risco capazes de facilitar o desenvolvimento do problema.

    Os pesquisadores vasculharam a literatura disponível sobre a ortorexia e descobriram que pessoas com histórico de distúrbios alimentares, como anorexia e bulimia, sinais de transtorno obsessivo-compulsivo, baixa autoestima e obcecadas em dietas e emagrecimento estão mais sujeitas a desenvolver uma relação patológica com a comida saudável.

    “Quando levada ao extremo, a obsessão por ‘comer limpo’ pode ser um sinal de que a pessoa está lutando para gerenciar sua saúde mental”, declarou à imprensa a psicóloga Jennifer Mills, que assina o trabalho. Entre as consequências negativas da ortorexia estão deficiências nutricionais e impactos na socialização – afinal de contas, diversos encontros com família e amigos envolvem comida.

    Trata-se da primeira revisão exaustiva sobre o quadro. Isso significa que os pesquisadores buscaram todos os trabalhos já publicados anteriormente sobre o transtorno.

    A ortorexia ainda não “existe”

    Na verdade, ela não é reconhecida oficialmente como uma desordem psiquiátrica, como acontece com a anorexia ou a bulimia, mas pode, em breve, entrar na lista, tamanho seu impacto na qualidade de vida. “Nossos achados podem levar a uma melhor compreensão entre a população e os profissionais de que a alimentação considerada saudável pode ser, na verdade, prejudicial”, completou Jennifer.

    A pesquisadora e os demais autores ressaltam no artigo que a maioria dos estudos analisados tinha uma qualidade ruim ou neutra. Ou seja, os resultados devem ser interpretados com cautela e são necessárias mais investigações para entender o que é de fato a ortorexia, quais as características que a definem e qual sua prevalência no mundo.

    Teste: será que você tem ortorexia?

    Se ficou curioso para saber se seu comportamento alimentar é saudável mesmo, saiba que existe um teste para isso. Ele foi desenvolvido pelo médico norteamericano Steven Bratman, que, no final da década de 90, foi o primeiro pesquisador a descrever a ortorexia. Abaixo, você confere o teste. Se houver identificação com qualquer afirmação, sua relação com a comida demanda cuidados.

    1. O tempo que gasto pensando em alimentação saudável todos os dias interfere de um jeito negativo em diversas outras áreas da minha vida.

    2. Condeno os hábitos alimentares dos outros e me sinto ansioso e culpado ao consumir produtos não saudáveis.

    3. Minha paz interior, autoestima, segurança, felicidade e prazer estão diretamente ligados ao que eu como.

    4. Não deixo de lado a dieta, mesmo quando quero ou em ocasiões especiais (ignore este item se o motivo for recomendação médica).

    5. Excluo cada vez mais alimentos do meu cardápio, sendo que as restrições variam de acordo com as teorias nutricionais que acompanho.

    6. Minha alimentação fez com que eu ficasse muito abaixo do peso e apresentasse queda de cabelo e outros sinais de desnutrição.

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  • Um acidente científico. É assim que o biomédico Carlos Ricardo Maneck Malfatti, da Universidade Estadual do Centro-Oeste, em Guarapuava (PR), se refere à descoberta da associação entre a ingestão de alecrim-do-campo e a queda na glicemia.

    É que, inicialmente, ele e sua equipe achavam que a planta tinha potencial na perda de peso. “Notamos em pesquisas com animais, porém, que ela poderia ajudar no combate ao diabetes“, relata.

    Ao que tudo indica, esse tipo de alecrim protege o pâncreas, órgão que produz a insulina, e melhora a resposta das células ao hormônio — com isso, o açúcar não sobra no sangue. Os cientistas decidiram, então, usar o extrato do vegetal em uma receita de cerveja, batizada de Rosemary. Ela já está sendo testada em pacientes e, segundo Malfatti, os resultados são bem animadores.

    Como há empresários interessados na inovação, há grandes chances de a bebida sair do laboratório e chegar ao mercado em breve.

    Por trás da própolis

    Sabia que a própolis verde é produzida pelas abelhas a partir do alecrim-do-campo? “E esse é um meio bacana de aproveitar seus benefícios”, diz Malfatti. A resina é conhecida por ser antioxidante e antimicrobiana.

    Nas pesquisas do biomédico, ele concebeu um método para extrair do alecrim só os compostos de seu interesse — como os destinados à cerveja. Então não dá para comparar seus efeitos com os da própolis.

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  • Antioxidante de primeira, a luteína é aliada contra encrencas que vão de catarata a doenças do coração. Não à toa, cientistas da Universidade Linköping, na Suécia, avaliaram como manter o mais alto teor dela nos alimentos — e o espinafre foi o escolhido. Após submetê-lo a vários métodos, ficou nítido que, quanto maior o tempo de aquecimento, mais luteína se perde.

    A intensidade da temperatura também importa: a fritura degradou o composto em apenas dois minutos. O melhor seria não esquentar. Na verdade, a indicação é consumi-lo, quem diria, numa vitamina — a gordura do leite ou iogurte favorece a absorção da substância.

    Para a nutricionista Carina Müller, professora do Namu Cursos, não precisa levar o resultado a ferro e fogo. “Tudo bem cozinhar o espinafre no vapor ou salteá-lo rapidamente”, ensina. “Até porque o vegetal cru tem oxalato, que prejudica o aproveitamento de nutrientes”, ensina.

    Truque de expert

    De acordo com Carina, uma saída para proteger os nutrientes do espinafre e desativar o tal do oxalato é apostar no branqueamento.

    A técnica consiste em ferver água, jogar o vegetal nela por 30 segundos e, aí, mandá-lo imediatamente para um banho de água com gelo. “Algo sempre é perdido. Mas em menor proporção do que ao cozinhar sem interrupção”, diz.

    A maneira mais vantajosa de consumir outros vegetais

    Cru

    Alho: cortar ou amassar libera alicina, sua substância mais protetora.

    Cebola: tem nutrientes sensíveis ao calor. Coloque em saladas e molhos.

    Beterraba: a raiz crua esbanja betalaína, defensora do corpo. Use em sucos e lanches.

    Cozido

    Tomate: o calor facilita a absorção de licopeno, composto anticâncer.

    Abóbora: para absorver o antioxidante betacaroteno, leve-a ao fogo.

    Aspargo: ele é bem fibroso. Então a cocção é interessante para a digestão.

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  • O câncer colorretal (CCR), que era comumente associado a pessoas acima de 50 anos, vem afetando cada vez mais adultos de 20 a 39 anos. De acordo com um estudo da American Cancer Society (ACS), a incidência da doença nessa faixa etária vem crescendo entre 1% e 2,4% anualmente desde a década de 1980. Por causa desses dados, a entidade anunciou, no ano passado, novas diretrizes quanto à prevenção da doença, indicando que os exames sejam feitos a partir dos 45 anos, cinco anos antes da recomendação anterior para os indivíduos de médio risco (aqueles assintomáticos e sem fatores de risco).

    Porém, as ameaças que contribuem para o aumento do CCR nessa idade não estão relacionados necessariamente a falta de exames preventivos, mas sim a questões comportamentais. É fundamental, por exemplo, cuidar da dieta, já que o consumo de alimentos processados está vinculado a esse tipo de tumor e é frequente entre os jovens.

    O excesso de álcool, outro hábito juvenil, também é um fator de risco, assim como tabagismo, sedentarismo, excesso de ganho de peso, baixo consumo de fibras, pouca exposição solar, entre outros.

    Por ser uma doença multifatorial, não podemos dizer que apenas a rotina e o ambiente estão provocando o câncer colorretal. A enfermidade também é influenciada por fatores genéticos e hereditários, como o histórico familiar em primeiro grau. Porém, esses casos representam apenas entre 5% e 10% do total.

    Alguns sintomas do câncer colorretal são sutis: alterações intestinais (prisão de ventre ou diarreia frequentes), fezes com sangramento e/ou em fita (com formato fino) e dores abdominais. Já a pesquisa de sangue oculto nas fezes é um método útil para rastreamento populacional. Ela funciona como triagem para a colonoscopia, um exame que exige um preparo intestinal mais complexo e tem alto custo.

    Precisamos lembrar que vivemos em um país no qual 24% da população não realiza nenhum tipo de exame preventivo, como revelou a pesquisa da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc) sobre os brasileiros e o câncer, realizada em 2017. Além da falta de informação sobre o assunto, também há grande dificuldade de acesso aos exames de rastreio.

    Fora os mutirões conduzidos pela Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed) em algumas cidades do Brasil e ações de instituições privadas, não existem muitas iniciativas para garantir que a população em geral seja examinada.

    O CCR é o terceiro câncer mais comum no Brasil, com estimativa de quase 37 mil novos casos por ano, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Avaliando a questão de forma mais ampla, é fundamental observar quais são os custos indiretos para a sociedade do aumento de doenças como essa, que geram perda de produtividade, afastam pessoas jovens do mercado de trabalho e impactam a dinâmica familiar.

    Apesar de clichê, a melhor forma de reduzir a incidência de doenças, incluindo o câncer, ainda é cuidando da alimentação e praticando atividade física regularmente. Temos que refletir sobre os nossos hábitos desde cedo e procurar um especialista quando percebermos mudanças no corpo.

    Assim como a maioria dos cânceres, quando diagnosticado precocemente, o CCR tem altas chances de cura.

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  • “Em excesso, até água faz mal.” Quem nunca ouviu essa máxima? Pois ela é uma prova de quão imaculada é a reputação do líquido. Ora, se “até” ele tem lá seus riscos, a depender do volume ingerido, o que dizer de outros alimentos? Apesar de tamanho prestígio, e dos constantes avisos para capricharmos na hidratação, ainda não dá para dizer que a água ocupa o merecido espaço em nossa rotina – o que tem feito mais mal ao cidadão, nesse sentido, é a falta dela.

    Em estudo recente conduzido pela Danone Research, pesquisadores avaliaram o consumo da bebida em 13 países, incluindo o Brasil. Os resultados apontam que tomamos, em média, 1 830 mililitros de líquidos por dia, mas apenas 42% do volume, ou 769 mililitros, seria proveniente de água pura. Bem longe, portanto, dos cerca de 2 litros que nos incentivam a ingerir.

    É claro que refrigerantes, sucos e chás acabam fornecendo água. Só que seus benefícios podem ser suplantados pelos prejuízos ocasionados por açúcar e outros aditivos normalmente encontrados nesses produtos.

    A nefrologista Camila Rodrigues, do Hospital das Clínicas de São Paulo, observa que, para evitar a formação de pedras nos rins, por exemplo, o tipo de líquido faz toda a diferença. “Pesquisas mostram que o consumo de refrigerantes adoçados aumenta o risco de cálculo renal, enquanto o de água diminui essa propensão”, conta.

    Para além dos rins, a fórmula composta de duas moléculas de hidrogênio e uma de oxigênio (H2O) participa sem descanso dos processos digestivo, respiratório e cardiovascular. “E também desempenha papel fundamental na manutenção do volume de sangue, no controle da temperatura corporal, no transporte de nutrientes e na eliminação de substâncias que não são utilizadas pelo organismo”, lista a nutricionista Ana Carolina Colucci Paternez, coordenadora do curso de nutrição da Universidade Presbiteriana Mackenzie, na capital paulista.

    Embora algumas entidades façam recomendações sobre a quantidade adequada de consumo de água – para a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar, por exemplo, a dose para homens e mulheres é de 2,5 e 2 litros, respectivamente -, os experts frisam que os valores variam bastante. “Certas pessoas precisarão de 4 litros ou mais, como os esportistas”, ilustra Ana Carolina.

    Há ainda situações específicas que exigem hidratação mais intensa. “Presença de febre, transpiração excessiva e muito calor são algumas delas”, enumera a nutricionista Lara Natacci, diretora clínica da DietNet, em São Paulo.

    Mas como escolher?

    Há algum tempo, a pergunta soaria estranha. Mas, hoje, além do líquido que escoa pela nossa torneira (e costuma passar por um filtro), vemos diversas opções de água mineral engarrafada nas prateleiras. É que esse mercado, embora tímido, está em franco crescimento em nosso país.

    “Trata-se de um fenômeno mundial, incentivado pela tendência de buscar produtos benéficos à saúde”, analisa o geólogo Carlos Alberto Lancia, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Águas Minerais, a Abinam.

    Para Antônio Vidal, superintendente da empresa Minalba Brasil, o modelo sustentável também agrada à sociedade atual. “A legislação é bem rígida. Precisamos, entre outras coisas, respeitar a capacidade do lençol freático, explorando uma quantidade limitada de água mineral”, explica.

    Para garantir a qualidade do produto, o aquífero deve ser rodeado de natureza – nada de fábricas, plantações ou qualquer outro sistema capaz de contaminar o local. Afinal, a bebida extraída do lençol não pode sofrer alterações até chegar ao consumidor. “Ela é retirada da fonte e diretamente envasada. É 100% natural”, descreve Luiza Rossi, gerente de água e chá da Coca-Cola Brasil.

    Outro diferencial é que, por ter contato com rochas, o líquido absorve sais minerais e os chamados oligoelementos – seria, portanto, mais rico.

    Os diferentes “tipos” de água

    Tem água para todos os gostos. Conheça as particularidades das mais citadas por aí

    Mineral: retirada de fontes naturais e protegidas, não passa por nenhum tratamento. De onde é extraída, absorve elementos como cálcio, sódio, e por aí vai. A fórmula exata e concentração dependem do perfil do aquífero. Para uma empresa explorá-lo, é preciso autorização do Departamento Nacional de Produção Mineral.

    Com gás: pode vir gasosa direto da fonte (o que é mais raro) ou receber adição de dióxido de carbono – veja o rótulo. A nutricionista Mariana Passadore, do Centro Universitário São Camilo, em São Paulo, avisa que ela pode gerar desconforto em quem tem problema gástrico. Também favorece a formação de gases. No mais, hidrata legal.

    Da torneira: vem de lençóis freáticos, rios, lagos e represas. Mas, antes de surgir na torneira, passa por um tratamento que envolve várias etapas, como adição de cloro, substância supereficiente para matar bactérias, vírus e fungos. Algumas pessoas são mais sensíveis ao sabor, mas a maior parte dos filtros caseiros consegue removê-lo.

    Aromatizada: algumas marcas já oferecem essa opção. A nutricionista Lara Natacci sugere olhar o rótulo para fugir de produtos com açúcar e aditivos. A verdade é que os nutris preferem a aromatização caseira, com os mais variados tipos de frutas, além de folhas de hortelã, paus de canela e pedaços de gengibre. “É uma forma de estimular o consumo”, diz Lara.

    Alcalina: é aquela que possui um pH acima de 7. Segundo a nutricionista Ana Carolina, a água pode ser naturalmente alcalina ou passar por um processo de ionização. Ganhou fama por causa da promessa de equilibrar a acidez do organismo, evitando, assim, várias encrencas. Mas não há provas de que ela tenha essa poder.

    Destilada: passa por transformações para remover tudo o que está no líquido. “É a forma mais pura da água”, define Lara. Mas isso não é um elogio. Além de não hidratar direito, ela ocasiona a perda de minerais essenciais. Logo, ignore o papo de que traz vantagens à saúde. Seu uso faz sentido em indústrias e laboratórios.

    Água limpa e segura

    O risco de contaminação é pequeno, mas existe – vamos supor que uma indústria menos cuidadosa não preservou direito o entorno de seu lençol freático. De qualquer forma, Lancia conta que há mecanismos para flagrar desajustes e tirar a fórmula de circulação. Isso porque o produto passa por uma fiscalização contínua.

    “A cada três anos, um laboratório oficial do governo coleta água direto da origem para realizar análises. O fabricante só permanece autorizado a comercializá-la caso esteja tudo certo com a composição”, explica o presidente da Abinam.

    Com tanto detalhe em jogo, dá para entender por que a água mineral é associada a uma escolha mais acertada para a saúde do que o líquido da torneira, que é retirado de lençóis freáticos e águas superficiais (de rios, lagos e represas) e passa por uma estação de tratamento. Nela, é submetido a vários processos, como coagulação, decantação, filtragem, desinfecção e fluoretação – em resumo, tudo que resulta em uma água potável. Só que uma parte da população não confia no funcionamento dessa orquestra.

    Segundo o engenheiro civil Marcelo Libânio, professor do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da Universidade Federal de Minas Gerais, de fato é impossível afirmar que a água de torneira de todos os cantos do Brasil é perfeita. “Não podemos falar em uniformidade em um país tão desigual”, analisa. “Porém, as águas tratadas em sistemas bem operados são, sim, excelentes”, crava.

    Em geral, companhias de saneamento, autarquias municipais e empresas privadas são as que garantem um ótimo serviço. “Eu não tomo água envasada. Meu trabalho me mostra que isso não é necessário”, completa Libânio.

    Já o patologista Paulo Saldiva, diretor do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, diz não ter dúvidas de que a água mineral tem, em geral, mais qualidade. “Mas não acho que os brasileiros estão em uma situação de precisar comprá-la. É uma escolha. Em São Paulo, bebo água de torneira tranquilamente”, relata.

    É preciso levar em conta que uma água que sai limpinha da companhia de abastecimento pode sofrer estragos depois. “Se a tubulação é antiga, com infiltrações no meio do caminho, já não dá para assegurar a qualidade do líquido”, exemplifica o biólogo José Wilson Albuquerque, do Instituto Vital Brazil, no Rio de Janeiro.

    Sem falar quando o desastre ocorre em casa: se a caixa-d?água não estiver nos trinques, há possibilidade de contaminação. “O ideal é higienizá-la a cada seis meses”, orienta o médico Alberto Chebabo, diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia.

    Já na cozinha, o foco é o filtro. Não adianta comprar um modelo de última geração e desencanar da manutenção. “Ele fica saturado e perde função”, adverte Chebabo. Moral da história: micróbios e impurezas retidos ali podem migrar para o copo.

    No ficar atento ao verificar a embalagem de água mineral

    Sódio: se houver mais de 200 miligramas por litro de água, a embalagem precisa avisar. O abuso faz a pressão subir. E a dieta já nos fornece mais que o necessário. Compare os rótulos.

    Validade: com o tempo, as características da bebida envasada mudam. Por isso, o prazo de validade costuma ser de um ano. Se a água for gaseificada, dura cerca de nove meses.

    Flúor/fluoreto: combate cáries, mas, em concentrações elevadas, contribui para a fluorose, causadora de manchas nos dentes. Crianças devem evitar águas com mais de 1 miligrama por litro.

    Tampa: veja se está bem lacrada – sobretudo ao comprar na rua. Tem até um teste simples para isso: vire a garrafa e aperte o fundo. Se a tampa encher, é porque já foi aberta. Passe longe.

    Nitrato: o limite é de até 50 miligramas por litro. Mas escolha a opção com menos nitrato. É que, quanto maior o teor dele, sinal de que mais vulnerável à contaminação aquela fonte está.

    Denominação: há águas que são purificadas e têm adição de sais minerais – isto é, não são naturais de fonte. Se quiser comprar a que veio direto do aquífero, basta ler o rótulo.

    O que é irrelevante no rótulo da garrafa

    Ph: Não gaste seu tempo (e dinheiro) procurando um valor acima de 7. A chamada água alcalina não equilibrará a acidez nem protegerá contra doenças. Por um motivo simples: ao chegar ao estômago, que tem pH ácido, ela é naturalmente neutralizada.

    Cálcio, magnésio e companhia: A composição das águas varia de acordo com a fonte de origem. Mas dá para encontrar desde substâncias de nomes mais familiares, como cálcio e magnésio, até as mais excêntricas, a exemplo de estrôncio e vanádio. Só que as concentrações são tão modestas que não chegam a impactar o organismo.

    Água cara de beber

    O mercado de água mineral anda tão aquecido que há espaço até para opções premium. É o caso da norueguesa Voss, vendida em garrafa de vidro, e da Fiji, retirada de minas profundas da ilha de Viti Levu, na Oceania. Para tomar 330 mililitros, é preciso desembolsar cerca de 15 reais.

    O preço é reflexo de fatores como recipiente, transporte e impostos. Mas não só. “Muitas vezes essas águas vêm de aquíferos que não produzem tanto”, diz Renato Frascino, técnico sensorial de bebidas e alimentos, de São Paulo.

    Ou seja, o que pega é a exclusividade. Para Frascino, elas são mais indicadas para acompanhar uma refeição especial.

    A água também precisa de proteção

    Agora, nossa responsabilidade quanto às características da água não se restringe aos cuidados após recebê-la pelo cano. A bióloga Gisela Aragão, professora da Universidade Estadual de Campinas, no campus de Limeira, interior paulista, lembra que as condições do líquido da torneira dependem de seu estado bruto, lá na origem. E tudo que utilizamos no dia a dia – de remédios a cosméticos – vai parar no esgoto e, em última instância, na água destinada ao consumo. “Por isso precisamos ter cautela na hora de descartar produtos”, defende.

    Para Gisela, o grande problema no Brasil está relacionado justamente à proteção dos mananciais. “Já reparou nos lixões que circundam nossos rios?”, questiona.

    As plantações dependentes de pesticidas também dão sua péssima contribuição. Para ter ideia, a atrazina, agrotóxico vinculado a malefícios à saúde, já é detectada na água a dezenas de metros de profundidade. “Ela vem do solo”, informa a bióloga.

    Assim, a gente deve cobrar as autoridades. Mas fazer escolhas mais conscientes e instruir as próximas gerações é tarefa nossa. “Temos que começar a tratar a água com seu devido respeito”, reflete Saldiva. Senão, poderá faltar.

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  • O sabor doce é apreciado de forma natural pelo ser humano desde o seu nascimento. O problema é que, segundo pesquisas, o consumo exagerado de açúcares pode aumentar a probabilidade de ganho de peso, o que, por sua vez, é um fator de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes.

    Mudanças no estilo de vida que ajudem a prevenir o excesso de peso são, portanto, um objetivo importante para uma grande parte da população mundial neste momento. Também é fundamental pensar no balanço energético – ou seja, equilibrar as calorias consumidas com aquelas queimadas por meio da atividade física.

    Os edulcorantes, mais conhecidos como adoçantes, representam uma forma simples de reduzir a quantidade de calorias e açúcares da dieta sem afetar o prazer de saborear alimentos e bebidas doces. Por ter um poder adoçante elevado em comparação aos açúcares, uma quantidade muito pequena é capaz de conferir a doçura desejada – agregando pouquíssima ou nenhuma caloria ao produto final.

    Além disso, os adoçantes podem dar uma ajuda significativa a pessoas com diabetes que precisam controlar sua ingestão de carboidratos, uma vez que não afetam o controle da glicemia. Sem falar que a saúde bucal sai ganhando, já que não há perigo de causarem cáries.

    Quem são eles

    Os adoçantes são usados em todo o planeta há mais de um século. Os mais conhecidos e utilizados são: acessulfame de potássio (ou acessulfame-K), aspartame, ciclamato, sacarina, sucralose e glicosídeos de esteviol. Outros tipos aprovados para uso na Europa e em outras partes do globo incluem: taumatina, neotame, neoesperidina DC e advantame.

    O primeiro adoçante levado à mesa foi a sacarina, descoberta na Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, em 1879. Desde então, vários outros foram identificados e são agora ingredientes de alimentos e bebidas em todo o mundo. Antes da aprovação, todas as substâncias estão sujeitas a um rigoroso processo de avaliação de segurança.

    Por falar em segurança…

    Ela tem sido cuidadosamente avaliada e consistentemente confirmada por um forte corpo de evidências científicas e órgãos regulatórios em todo o mundo. Como ocorre com qualquer aditivo alimentar, para que um adoçante seja aprovado para utilização no mercado, deve primeiro ser submetido a uma avaliação exaustiva por parte da autoridade competente em matéria de segurança de alimentos.

    E, com base na riqueza dos estudos científicos, os organismos de segurança de alimentos em todo o mundo, tais como o Joint Expert Committee on Food Additives (JECFA) da Food and Agriculture Organization (FAO)/World Health Organization (WHO), a US Food and Drug Administration (FDA) e a European Food Safety Authority (EFSA), têm consistentemente confirmado a segurança de todos os adoçantes liberados.

    Para isso, as autoridades analisam e avaliam minuciosamente dados sobre a química, a cinética e o metabolismo da substância, além das utilizações propostas e a avaliação da exposição, bem como estudos toxicológicos extensivos.

    Um adoçante só é autorizado para incorporação em alimentos se existirem fortes indícios de que não suscita preocupações de segurança. No processo de aprovação, os especialistas em avaliação de risco das agências de segurança de alimentos estabelecem uma dose diária aceitável (conhecida como IDA) para cada adoçante aprovado. Seguem abaixo as quantidades para cada um deles, por dia:

    Acessulfame-K: 0-15 mg/kg
    Aspartame: 0-40 mg/kg
    Ciclamato: 0-11 mg/Kg
    Sacarina: 0-5mg/kg
    Sucralose: 0-15mg/kg
    Glicosídeos de esteviol: 0-4mg/kg (expresso como esteviol)
    Taumatina: não especificado**

    **Uma IDA sem especificação significa que a taumatina pode ser utilizada de acordo com as boas práticas de fabricação (BPF).

    Fonte: Dose diária admissível (IDA) para os edulcorantes de baixo teor calórico habitualmente utilizados, conforme estabelecido pelo Joint Expert Scientific Committee on Food Additives (JECFA) of the United Nations Food & Agriculture Organization (FAO) and the World Health Organization (WHO).

    E para que serve a IDA?

    Como contei, trata-se de uma estimativa da dose diária de uma substância que não apresenta risco apreciável à saúde humana, quando ingerida todos os dias, durante toda a vida.

    A IDA serve para proteger a saúde dos consumidores e facilitar o comércio internacional de alimentos. É uma abordagem prática para determinar a segurança dos aditivos alimentares e um meio de alcançar a harmonização do controle regulatório, pois os valores estabelecidos para o uso de cada aditivo são aplicáveis globalmente em diferentes países e em todos os setores da população.

    Para estabelecer a IDA, é necessário determinar, por meio de estudos, a maior quantidade consumida do adoçante que não gerou efeitos adversos. Esse patamar é chamado de NOAEL (do inglês, No Observed Adverse Effect Level) e a quantidade é expressa em miligramas do adoçante por quilograma de peso corporal por dia (mg/kg de peso corporal/dia).

    O NOAEL é, então, dividido por 100. Essa margem de segurança é necessária, porque o NOAEL é determinado em animais, não em seres humanos. Portanto, é essencial ajustar os valores a possíveis diferenças, assumindo que o ser humano é mais suscetível a problemas do que o animal de teste mais sensível.

    Outro ponto de cuidado é que a confiabilidade dos testes de toxicidade é limitada pelo número de animais testados. Essas avaliações não podem representar a diversidade da população humana, cujos subgrupos podem mostrar diferentes sensibilidades (por exemplo, crianças, idosos e enfermos). De novo: é prudente ajustar essas diferenças.

    Uma forma lúdica de explicar o que é a IDA

    Pense em uma estrada onde determinado limite de velocidade é estabelecido para que não ocorram acidentes. Imagine que o limite estipulado é de 100 km/h. Isso significa que se um carro andar a 100 km/h nessa estrada não ocorrerá nenhum tipo de acidente.

    Pois agora imagine que as pessoas que estipularam o limite de 100 km/h querem que a estrada seja a mais segura possível. Para isso, elas dividem o valor de 100 km/h por um fator de segurança de 100. Assim, o novo limite passa a ser de 1 km/h.

    Dessa forma, os carros nessa estrada só poderão andar a 1 km por hora. Caso um carro passar dessa velocidade, não é indicativo de que sofrerá um acidente ou que estará em perigo, mesmo que isso ocorra várias vezes. A mesma analogia pode ser extrapolada para as IDAs dos aditivos alimentares.

    A IDA não é um limite máximo

    Ela é uma referência a uma situação de longa exposição durante a vida toda, e não um valor de base para uma única ocasião. Por isso, você não precisa se preocupar com os limites estabelecidos, porque eles são muito seguros e são raras as ocasiões em que se poderia ultrapassá-los.

    E, quando fica claro que a IDA pode ser excedida com certa regularidade por certos grupos populacionais, os organismos regulatórios reduzem os níveis permitidos desses aditivos nos alimentos, de forma consistente com a quantidade necessária para alcançar sua função – ou então restringem a gama de alimentos em que o aditivo é permitido para uso.

    Sem motivo para preocupação

    Publicada em 2018, uma revisão da literatura mundial sobre os edulcorantes mais utilizados concluiu que, em geral, os estudos realizados para determinar as exposições dos adoçantes ao longo da última década não suscitou preocupações no que diz respeito a ultrapassar os valores das IDAs individuais na população geral ao redor do mundo.

    Cabe lembrar ainda que vários estudos indicam uma redução no consumo de adoçantes. Esses dados proporcionam um grau significativo de confiança, sinalizando que não está acontecendo uma mudança expressiva na ingestão dos adoçantes e que os níveis de exposição em geral estão dentro dos limites da IDA para cada um deles.

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  • A constipação atinge até 30% da população, sendo mais comum em mulheres. Embora usualmente fácil de prevenir e de tratar, ela afeta negativamente a qualidade de vida e, em casos específicos, pode refletir um problema mais sério e necessitar de intervenção médicas ou mesmo cirurgia.

    Agora, por que a prisão de ventre é mais incidente no sexo feminino? Entre as causas está a influência dos hormônios. Antes da menstruação, por exemplo, muitas mulheres notam alteração do funcionamento do intestino.

    Outra explicação é o hábito ainda comum de não obedecer ao desejo de fazer cocô, o que pode causar ressecamento das fezes, dificuldade de eliminá-las e ferimento no ânus (fissura anal) pelo esforço repetitivo para evacuar. Após a menopausa o quadro pode se agravar, porque há queda dos níveis de estrogênio.

    Verdade que a função intestinal dita normal é bastante variável. Uma pessoa pode fazer cocô a cada três dias ou até três vezes por dia e estar tudo bem. A crença de que todos devemos evacuar uma vez por dia não é correta e comumente leva ao uso desnecessário ou mesmo abusivo de laxantes.

    Além da frequência, as fezes devem ser expelidas com facilidade e sem esforço excessivo. Ao sair do banheiro, o indivíduo precisa ter a sensação de eliminação completa.

    Os sintomas comuns no dia a dia de um constipado são: queixas de intestino lento, muito esforço para eliminar as fezes (às vezes até necessitando de ajuda manual), dor e distensão abdominal.

    Na maioria das ocasiões, a prisão de ventre é causada por baixa ingestão de fibras e de líquidos ou por falta de atividade física. No entanto, outras condições afetam a função intestinal, como diabetes, hipotireoidismo e depressão. Medicamentos para dor e hipertensão (pressão alta), antidepressivos, drogas psiquiátricas e antiácidos também podem influenciar no surgimento do problema.

    Há condições mais sérias que têm natureza mecânica, como doenças que causam inflamação e culminam com estreitamento do intestino, dificultando a passagem do cocô. A diverticulite, a doença de Crohn e certos tumores são exemplos. Seu médico deverá ser capaz de reconhecer essas situações.

    A falta de coordenação da musculatura do ânus no momento da evacuação também é um possível motivo de dificuldade para expulsar as fezes.

    Inicialmente, caso o paciente não tenha qualquer sinal de alarme (sangramento, emagrecimento, anemia) ou for acima de 45 anos, o tratamento pode ser iniciado com dieta rica em fibras, ingestão de líquidos e exercícios.

    Atenção: o uso de laxativos deve ser avaliado pelo médico. Nada de automedicação!

    Por outro lado, uma prisão de ventre que começa cedo na vida ou que já vem de longa data e só piora – mesmo após a adoção de medidas preventivas simples – merece ser investigada. Fezes finas são outro sinal que deve ser reportado ao médico.

    Em situações nas quais o movimento intestinal é muito raro ou em que há obstrução ou dificuldade extrema para expulsar as fezes, exames bem específicos auxiliam o diagnóstico e direcionam o tratamento. Ou seja, até nas situações mais complicadas, há o que fazer.

    A chave para o sucesso do tratamento é a correta investigação diagnóstica. Informe-se e busque orientação com seu médico.

    *Dra. Luciana Marzan é médica e membro titular da Sociedade Brasileira de Coloproctologia

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  • Doze milhões de toneladas. Esse foi o total de açúcar consumido pelos brasileiros entre 2013 e 2014. Para ter ideia do tamanho da gulodice, basta dizer que daria para encher, até a arquibancada superior, 32 estádios do Morumbi, em São Paulo, o segundo maior do Brasil, com capacidade para 77 mil torcedores. Em um ranking elaborado pela Sucden, multinacional do ramo açucareiro, nosso país ocupa, hoje, o quarto lugar entre os maiores fãs da sacarose, o nome técnico do açúcar.

    O abuso, como a ciência não cansa de mostrar, eleva o risco de obesidade e doenças crônicas como diabetes, hipertensão e câncer. Apenas Índia (26 milhões), União Europeia (18 milhões) e China (16 milhões) são mais sedentos por doçura que o Brasil.

    “Não é proibido consumir açúcar. Pelo contrário. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a ingestão diária. Afinal, ele é uma fonte de energia. O problema está no excesso”, avalia Wilson Mello, presidente do conselho diretor da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia).

    De fato, a OMS libera um consumo diário, por pessoa, de 25 gramas, o equivalente a seis colheres de chá. E indica não ultrapassar 50 gramas, ou 12 colheres. Acontece que o brasileiro extrapola. E muito. Engole três vezes mais: 80 gramas, o correspondente a 18 colheres.

    Assim, o total de calorias representadas por esse ingrediente, que, de acordo com a OMS, não deveria superar 10% por dia, chega a 16,3%. Isso ajuda a explicar por que a incidência de diabetes saltou, só na última década, 54% entre os homens e 28,5% entre as mulheres.

    Por essas e outras, governo e indústria decidiram, em novembro do ano passado, firmar um pacto: reduzir a dose de açúcar na fórmula de bebidas e alimentos industrializados. O objetivo é retirar do mercado, de forma gradual e até 2022, 144 mil toneladas do ingrediente em algumas categorias — o que daria para forrar 68 piscinas olímpicas.

    Comparando aos 12 milhões de toneladas consumidas em dois anos, parece pouco. A questão é que é difícil mensurar o impacto desses números. Como a quantidade total de açúcar empregada pela indústria não foi divulgada, não dá pra calcular exatamente o percentual que vai sumir dos alimentos — e avaliar quão significativo será o efeito da medida.

    O acordo, que é voluntário, contempla 23 categorias de produtos. Elas podem ser divididas assim: bebidas açucaradas, biscoitos, bolos e misturas, achocolatados e lácteos.

    É curioso que diversos itens, como balas, geleias, chocolates, sorvetes, gelatinas, refresco em pó, barrinhas e cereais matinais, ficaram de fora. “Somente as categorias que contribuem majoritariamente para o abuso de açúcar compuseram o termo de compromisso”, justifica Michele Lessa, coordenadora-geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde.

    Quanto às metas de redução, elas variam de 10,5% para achocolatados em pó a 62,4% para biscoitos recheados. De resto, a meta é baixar o teor de açúcar em até 32,4% nos bolos, 33,8% nas bebidas, 46,1% nas misturas para bolos e 53,9% nos lácteos.

    “Em biscoitos, bolos e misturas, o açúcar confere doçura e interfere na textura, na crocância e no aroma. Além disso, seu custo é bastante competitivo”, explica Claudio Zanão, presidente executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (Abimapi). Como o acordo proíbe os fabricantes de colocarem adoçantes ou gordura em seu lugar, o jeito é testar diferentes tecnologias, receitas e novos ingredientes.

    Confira os detalhes de cada categoria logo abaixo – e, depois, as ponderações sobre o plano:

    Bebidas açucaradas

    Meta: até 33,8% menos açúcar

    Isso representa no fim de 2020: ter 11 gramas de açúcar em 100 mililitros de produto

    No fim de 2022: 10,6 gramas de açúcar em 100 mililitros

    Uma latinha do refrigerante à base de cola mais vendido do mercado já apresenta 10,5 gramas de açúcar em 100 mililitros. Logo, escapa, por 0,1 grama, da meta estabelecida para refrigerantes em 2022, que é de 10,6 gramas. Das 207 bebidas açucaradas incluídas no acordo, 113 (55%) terão que reduzir o teor do ingrediente em sua fórmula. Ou seja, muito produto já está dentro dos parâmetros.

    Achocolatados em pó

    Meta: até 10,5% menos açúcar

    Isso representa no fim de 2020: 90,3 gramas de açúcar em 100 gramas

    No fim de 2022: 85 gramas de açúcar em 100 gramas

    De todas as categorias, é a que apresenta o menor índice de redução. Alexandre Jobim, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas, explica que, devido ao consumo reduzido, os achocolatados líquidos não entraram no combo — só os em pó e similares de outros sabores. Detalhe: o produto líder do mercado já está dentro da meta, com 75 gramas de açúcar em 100 gramas.

    Biscoitos

    Meta: até 62,4% menos açúcar

    Isso representa no fim de 2020: 36,4 gramas de açúcar em 100 gramas

    No fim de 2022: não divulgado

    A categoria inclui rosquinhas e biscoitos com e sem recheio. O líder entre os recheados possui 36,3 gramas de açúcar por 100 gramas. Então, não precisará rever a fórmula até 2020. Claudio Zanão, presidente da Abimapi, avisa que os fabricantes já estão testando alternativas para se adequar ao trato. “A combinação de sabor, textura, crocância e custo oferecida pelo açúcar não é facilmente encontrada em outros produtos”, informa.

    Iogurtes e leites fermentados

    Meta: até 53,9% menos açúcar

    Isso representa no fim de 2020: 14,5 gramas de açúcar em 100 gramas

    No fim de 2022: 12,8 gramas de açúcar em 100 gramas

    Segundo Cristina Mosquim, consultora de assuntos regulatórios da Viva Lácteos, há itens que já sofreram redução de 12% ou quase não levam açúcar. Usar mais leite é uma das soluções. O líder dentro de petit suisse tem, hoje, 12,2 gramas do ingrediente. O valor deverá ser de 13,9 gramas para essa categoria em 2022. Nada muda nesse caso, portanto.

    Bolos prontos

    Meta: até 32,4% menos açúcar

    Isso representa no fim de 2020: 31,2 gramas de açúcar em 100 gramas

    No fim de 2022: 29,5 gramas de açúcar em 100 gramas

    Falamos de todas as versões: com e sem recheio ou cobertura. “Se a meta de redução fosse mais ambiciosa, não teríamos como garantir que sabor, textura, cor e outras características não seriam alterados”, admite Zanão, da Abimapi, uma das quatro associações a selarem o acordo. Juntas, representam 68 empresas, que respondem por 87% do mercado.

    Misturas para bolos

    Meta: até 46,1% menos açúcar

    Isso representa no fim de 2020: 58,7 gramas de açúcar em 100 gramas

    No fim de 2022: 57,9 gramas de açúcar em 100 gramas

    Podem ser aeradas ou cremosas e permitem que o consumidor elabore as mais variadas receitas a partir delas. Assim como as categorias de bolos e biscoitos, a de misturas está sob o guarda-chuva da Abimapi. “Pretendemos, até 2022, ajustar, no mínimo, 50% de todos esses produtos”, calcula Zanão, presidente da entidade.

    Elogios, críticas e ponderação ao plano de redução do açúcar

    De maneira geral, entidades como a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem) e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) encaram a iniciativa com bons olhos. Mesmo assim, sugerem ajustes.

    Para o endocrinologista Fábio Trujilho, vice-presidente do Departamento de Obesidade da Sbem, falta discutir restrições de publicidade de alimentos para crianças, por exemplo. “É essencial ir muito além desse acordo e adotar medidas que conscientizem a população dos riscos do consumo exagerado de açúcar”, destaca.

    Já a endocrinologista Maria Edna de Melo, presidente da Abeso, reivindica uma rotulagem nutricional adequada com a informação clara e compreensível sobre a presença de açúcar no produto. “Na hora da compra, o consumidor precisa saber o que está levando para casa. Por essa razão, ter um sinal de alerta seria muito eficiente”, afirma.

    Ela se refere ao modelo conhecido como “triângulo preto”, que propõe um aviso frontal sobre o alto teor de ingredientes que, se consumidos demais, fazem mal à saúde. É o caso de sódio, gordura e açúcar. O modelo, em estudo pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), já foi adotado em países como Chile, Uruguai e Canadá, entre outros.

    Na opinião da nutricionista Laís Amaral, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), também é necessário coibir a venda de produtos desbalanceados nas cantinas escolares. “Devemos facilitar as escolhas saudáveis e dificultar as não saudáveis”, resume.

    As críticas ao pacto não param por aí. “Acordos voluntários são pouco eficazes porque as metas são baseadas no teor máximo de açúcar em cada categoria de alimento. Isso significa que haverá uma diminuição apenas nos itens com valores realmente excessivos”, explica Laís. “Na prática, é apenas um controle de danos com metas pouco ambiciosas”. Ela se alongou sobre o assunto em uma coluna para o nosso site, que você pode ler clicando aqui.

    O acordo engloba 2 397 produtos — na conta da indústria, são 1 787 — de 68 empresas. Desse total, somente 1 147 (47,9%) de fato terão que adequar seus índices de sacarose. Os 1 250 restantes (52,1%) já estão dentro ou até mesmo abaixo das metas estabelecidas.

    “Se os limites fossem mais bruscos ou o acordo englobasse uma quantidade maior de alimentos, o consumidor poderia deixar de levar para casa seu produto favorito e migrar para outro, com mais açúcar. Queremos dar tempo para as pessoas se adaptarem ao sabor”, defende Mello.

    O presidente do conselho da Abia garante que o trabalho não termina em 2022. Daqui a quatro anos, governo e indústria pretendem se reunir para firmar outro pacto e estipular novas metas de redução.

    Segundo o Ministério da Saúde, o açúcar presente nos alimentos industrializados responde por 36% do total consumido no Brasil. Os outros 64% seriam adicionados pelo próprio indivíduo ao café, aos sucos e às demais receitas. A indústria apresenta números diferentes: 19,2% do açúcar degustado seria incorporado pelas empresas, enquanto 80,8% viriam do açucareiro de casa.

    Divergências à parte, não dá para negar que o paladar brasileiro precisa de um treino. “Até por uma herança cultural, gostamos muito de doces. Nosso paladar é semelhante ao do português”, compara Olga Amâncio, presidente da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (Sban). “Até pouco tempo atrás, todo mundo adoçava suco de fruta. Hoje em dia, nem tanto. É preciso ensinar à população que muitos alimentos já são doces por natureza”, ressalta a nutricionista.

    O educador físico Antonio Lancha Jr., professor da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo e autor do livro O Fim das Dietas (Editora Abril), endossa as palavras de Olga. “Tem gente que coloca açúcar até em achocolatados”, conta.

    E ele traça outra reflexão: hábitos alimentares não são mudados por decreto. “Por que as pessoas escovam os dentes todos os dias? Porque isso foi estimulado na infância”, exemplifica. “Mudança de comportamento passa por uma questão educacional. Muitas vezes, orientar uma criança é capaz de promover uma alteração no padrão familiar”, completa.

    Além de maneirar na quantidade de açúcar à mesa, especialistas recomendam prudência na hora de substituir o ingrediente por adoçantes. O ideal é dar preferência a alimentos naturais ou minimamente processados.

    História que se repete?

    Não é a primeira vez que governo e indústria unem forças para estipular metas de redução de um ingrediente de produtos alimentícios. O primeiro documento foi assinado em 2007. Na ocasião, a indústria conseguiu baixar em 94,6% a concentração de gordura trans em alimentos. Com isso, 310 mil toneladas saíram das prateleiras entre 2008 e 2010.

    Em 2011, o foco foi o sódio. Desde então, desapareceram do mercado 17,2 mil toneladas do mineral cujo excesso leva à hipertensão. O objetivo é chegar a 28,5 mil toneladas em 2020. Só que esse combinado também recebeu críticas.

    O cientista político Marcello Fragano Baird, autor do relatório Redução de Sódio em Alimentos — Uma Análise dos Acordos Voluntários no Brasil, afirma que o trato foi muito tímido porque suas metas tiveram como base a média do mercado. “Isso significa que praticamente metade dos produtos já estava dentro dos limites. É um passo importante, mas seria possível ter sido muito mais ambicioso”, avalia.

    Para o Ministério da Saúde, o acordo firmado em 2011 para redução de sódio pode ser considerado bem-sucedido. Só no primeiro biênio (2011-2013), 90% dos produtos bateram a meta estipulada, com uma redução média entre 5 e 21%.

    Mas um estudo conduzido pela Universidade Federal Fluminense não enxergou motivo para tanto otimismo. Seus autores revelaram uma queda média de 1,5% no consumo de sódio.

    Ou seja, é como se a ingestão tivesse passado de 3 163 miligramas diários para 3 116, valor ainda bem acima do limite aconselhado pela OMS, que é de 2 mil miligramas diários.

    De volta ao pacto do açúcar – e ao fato de ser voluntário

    Mais um ponto que incomoda os experts é o fato de o tratado do açúcar ser voluntário. “Quem estabelece os valores das metas e o tempo para cumpri-las é a própria indústria. Não há previsão de fiscalização, monitoramento ou punição para aqueles que não cumprirem o acordo”, observa Laís.

    Mas Michele, do Ministério da Saúde, assegura que a Anvisa fará uma análise laboratorial para verificar a quantidade de sacarose nos produtos a cada dois anos. As empresas que não obedecerem o pacto serão notificadas e o Ministério cobrará providências.

    Porém, como a adesão é opcional, realmente não ocorrerão ações punitivas ou sanções econômicas. Só que Mello acredita que medidas do tipo nem seriam necessárias. “Ninguém quer ser o patinho feio da história”, diz.

    Para Baird, o ideal seria que o governo determinasse a redução obrigatória e as empresas fossem penalizadas caso não atingissem as metas. É o que já acontece em países como Argentina e Portugal. “Esse modelo tende a ser mais efetivo”, afirma.

    Na falta de tal controle, cabe à gente ser mais vigilante — não só em relação aos produtos do mercado mas ao próprio paladar.

    Açúcar, um inimigo oculto

    Quantas vezes você viu a palavra “açúcar” no rótulo dos industrializados? Não é tão comum, né?

    Isso porque os fabricantes não são obrigados a informar seu teor na tabela nutricional. Na maioria dos casos, ele surge como “carboidrato”.

    Mas quanto dos carboidratos é açúcar e quanto são outros tipos, como fibras ou amido? Não há como saber. Para complicar, na lista de ingredientes a indústria prefere usar alguns dos muitos codinomes do açúcar, como mel, glicose, frutose, sacarose, xarope de malte e até maltodextrina.

    Impossível decorar tanto apelido. Talvez uma atualização na rotulagem ajude nesse sentido.

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