• A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento de cinco cortes de frango da marca Perdigão, que pertence à empresa BRF. A medida foi tomada depois que a própria fabricante detectou, em testes de qualidade, a presença da bactéria Salmonella enteritidis, conhecida por causar surtos de diarreia e gastroenterite.

    Os produtos afetados, que já estão sendo retirados do mercado, foram:

    Filé de peito, embalagem plástica – 2kg (lotes 30/10/18 e 9/11/18)
    Coração, embalagem plástica – 1kg (lotes 30/10/18, 5/11/18, 6/11/18, 7/11/18, 9/11/18, 10/11/18 e 12/11/18)
    Filezinho (Sassami), embalagem plástica – 1kg (lotes 30/10/18, 5/11/18, 6/11/18, 7/11/18, 9/11/18, 10/11/18 e 12/11/18)
    Meio peito sem osso e sem pele, caixa de papelão – 15kg (lotes 30/11/18, 7/11/18, 9/11/18 e 10/11/18)
    Coxas e sobrecoxas sem osso, caixa de papelão – 15kg (lotes 6/11/18, 9/11/18 e 10/11/18)

    A Salmonella enteritidis é encontrada em diferentes alimentos de origem animal. Ela ficou conhecida por infectar o ovo, mas também pode invadir leite e carnes.

    Além disso, esse micro-organismo eventualmente se esconde em vegetais pela contaminação cruzada. Exemplo: a pessoa coloca o garfo em uma carne crua infectada e, sem higienizá-lo, usa o mesmo talher para separar vegetais.

    Quando invade o corpo, essa bactéria ataca o sistema digestivo. Ela é responsável por surtos de gastroenterite mundo afora – são os casos clássicos de refeitórios que servem pratos contaminados a centenas de pessoas.

    Ah, e apesar da bactéria se chamar Salmonella enteritidis, é comum denominar a doença decorrente dela como salmonela, com um “l” só.

    O que você pode fazer para evitar a salmonela

    Como muitas outras bactérias, essa não resiste a um bom processo de cozimento. Daí porque vale a pena levar o frango e outras carnes ao fogo.
    O mesmo vale para o ovo cru ou para o leite tirado direto da vaca.

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  • A trinca mostarda, catchup e maionese geralmente surge à mesa quando a pedida é hambúrguer, hot dog ou batata frita. Já parou pra pensar o que aconteceria se o critério para a escolha não dependesse do sabor, mas das características nutricionais?

    Pois a gente conta: o molho do lanche seria a mostarda. “Apesar de ter mais gorduras totais do que o catchup, ela apresenta menos calorias e carboidratos, além de mais fibras e proteínas”, analisa a nutricionista Ana Paola Monegaglia, de São Paulo.

    Ou seja, seu balanço se mostra mais favorável. Repare que a maionese abunda em gorduras. Ainda que os tipos predominantes sejam mono e poli-insaturados, considerados mais saudáveis, o valor calórico dela vai lá pra cima.

    “Portanto, é bom controlar o consumo”, orienta Ana. Aliás, o recado vale para os três molhos, já que todos são cheios de sódio, mineral cujo abuso faz a pressão decolar. Sem falar nos conservantes e aromatizantes. “Use esses produtos em ocasiões pontuais”, reforça Ana.

    Agora, confira a comparação desses três molhos, nutriente por nutriente:

    Energia
    Mostarda: 15 cal
    Catchup: 20 cal
    Maionese: 73 cal

    Gorduras totais
    Catchup: 0,03 g
    Mostarda: 0,9 g
    Maionese: 7 g

    Fibras
    Mostarda: 0,5 g
    Catchup: 0,2 g
    Maionese: 0 g

    Proteínas
    Mostarda: 0,9 g
    Catchup: 0,3 g
    Maionese: 0 g

    Carboidratos
    Mostarda: 1,2 g
    Maionese: 2,2 g
    Catchup: 5,4 g

    Sódio
    Catchup: 237 mg
    Mostarda: 250 mg
    Maionese: 289 mg

    Placar final
    Mostarda 4 X 2 Catchup X 0 Maionese

    Os valores se referem a uma colher de sopa de cada molho

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  • Embora a intolerância à lactose seja quase sempre apontada como culpada, sintomas como inchaços e dores abdominais podem ter como causa uma proteína. “A digestão do leite dá origem à beta-caseína dos tipos A1 e A2, ou ambos, de acordo com o DNA da vaca”, explica Marcos Vinicius Barbosa da Silva, pesquisador da Embrapa Gado de Leite. “No caso da A1, ela não é bem digerida e provoca o mal-estar”, completa.

    Os produtores têm sido orientados, então, a rastrear o gado, separando os animais com vocação para produzir mais proteínas A2. Algumas empresas já fazem isso no Brasil, entre elas a Letti, uma das pioneiras na produção de leite, iogurte e queijos que são uma opção para quem sofre de perrengues digestivos relacionados à proteína — e não à lactose.

    Não é pra todo mundo

    O Departamento Científico de Alergia Alimentar da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai) divulgou uma nota em que se posiciona contra o uso do tal leite A2 para pacientes diagnosticados com alergia ao leite, por causa do risco de reações potencialmente graves.

    Segundo o informativo, a exclusão de uma das frações proteicas não torna o leite automaticamente hipoalergênico. Logo, ele não está indicado para pacientes com hipersensibilidade ao leite de vaca.

    “Processos de ultrafiltração e superaquecimento não são capazes de reduzir a alergenicidade completa do alimento. Além disso, o paciente alérgico é geralmente sensibilizado a múltiplas proteínas e não a uma fração isolada”, reforça a nota.

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  • Em um vídeo que está na internet e é compartilhado nas redes sociais, um homem aparece abrindo uma caixa cheia de leite com a finalidade de ensinar uma “dica” aos consumidores. Ele mostra que a parte de baixo de metade das embalagens apresenta alguns quadradinhos coloridos. De acordo com o sujeito, os símbolos só aparecem em leites que passaram por um reprocessamento.

    Ou seja, ele dá a entender que esses produtos já entraram anteriormente no mercado, mas voltaram à indústria para serem tratados quimicamente e, daí, foram devolvidos às prateleiras.

    Em primeiro lugar, o homem não aparece em nenhum momento – só vemos suas mãos – nem cita fonte para embasar esse alerta. Motivos suficientes para ficarmos com a pulga atrás da orelha, certo?

    De qualquer maneira, fomos atrás da Tetra Pak, que fabrica as embalagens que aparecem no vídeo. E para que fique claro: a Tetra Pak não produz leite.

    Segundo Fernanda Miguel, responsável pelo departamento de Tecnologia Asséptica da empresa, o reprocessamento do leite – e de qualquer outro produto – é simplesmente proibido pela legislação.

    Os quadradinhos coloridos apenas representam um teste de cor feito para controle da qualidade de impressão da embalagem. “Não tem nenhuma relação com o produto que vai ali dentro”, afirma Fernanda.

    Mas então por que algumas embalagens têm os símbolos e outras, não? “Da forma com que a embalagem é feita nos equipamentos, há a produção de mais de um tipo na mesma bobina”, esclarece a especialista da Tetra Pak. Dito de outra forma, o teste de qualidade da impressão não precisa ser realizado em todas as caixinhas fabricadas. E isso não tem absolutamente nada a ver com o leite em si.

    Fake news das antigas

    Vale lembrar que essa história de leite reprocessado não é de hoje. Há cerca de dez anos, uma mensagem espalhada também pela internet dizia que um número impresso no fundo da embalagem indicava quantas vezes o produto havia passado por reprocessamento após a data de validade.

    Em algumas caixinhas, era possível encontrar os números 5, 6… “Se isso fosse possível, o leite já teria virado um doce de leite!”, brinca Fernanda.

    De novo, o número não tem qualquer relação com o alimento. Ele indica, na verdade, o posicionamento das bobinas na linha de produção da caixinha.

    Até porque convenhamos: se alguém quisesse fraudar um alimento, não ficaria colocando dicas de ilegalidades na embalagem. Então ao ficar de olho?

    No que prestar atenção

    Na hora da compra, Fernanda diz que é essencial verificar a data de validade do leite e o aspecto da caixa. “Ela não deve estar amassada nem vazando. Precisa estar íntegra e com o lacre da tampa fechado”, ensina. Outra questão que merece ser observada: em quanto tempo o produto deve ser consumido após aberto.

    No mais, caso tenha dúvidas sobre informações contidas nas embalagens e mensagens disseminadas nas redes sociais, não deixe de entrar em contato com as empresas fabricantes dos produtos ou das embalagens.

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  • Estima-se que quase um terço da população brasileira sofra de esteatose hepática não alcoólica – popularmente conhecida como gordura no fígado. Esse problema pode desencadear doenças graves como cirrose e câncer. E, apesar da chateação não apresentar sintomas claros, existe solução.

    Ajustes no estilo de vida são a melhor forma de evitar e tratar essa condição que não para de crescer. Nos tópicos abaixo, explicamos as atitudes que deixam o fígado magrinho e saudável.

    1) A dieta

    Não tem como fugir: o primeiro passo para salvar o fígado é se livrar do peso extra e da gordura que se acumula na barriga. Mas fique calmo que ninguém vai recomendar um emagrecimento drástico — o caminho é justamente o contrário. Uma revisão de estudos assinada por experts do Hospital Universitário de Tübingen, na Alemanha, e recém-publicada no prestigiado periódico The Lancet concluiu que cortar 5% do peso já reduz em 30% o volume de gordura na glândula.

    Convenhamos: não é nada do outro mundo! Um cidadão com 90 quilos precisaria enxugar apenas 4,5 quilos para começar a desfrutar das benesses. “Mas o ideal mesmo é perder 10% do peso em um período de seis meses”, esclarece a hepatologista Liana Codes, do Hospital Português da Bahia, em Salvador.

    O período mencionado pela médica tem sua razão de ser. Isso porque diminuir as medidas com muita rapidez é até perigoso para o fígado. “Dietas da moda e planos mirabolantes podem agravar um processo de inflamação no local”, alerta a nutricionista Wilza Peres, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

    E quais mudanças à mesa são mais indicadas? A chave não está em vilanizar um ingrediente ou outro, mas, sim, apostar numa alimentação variada, com a participação de boas fontes de carboidratos e gorduras.

    Outro assunto que ganhou os holofotes recentemente foi o papel da microbiota do intestino nessa história. Experimentos revelam que a estabilidade das bactérias que moram no sistema digestivo é fundamental para uma boa saúde hepática.

    “E alimentos ricos em fibras prebióticas e princípios bioativos anti-inflamatórios, como frutas, legumes e verduras, ajudam a manter a integridade da mucosa intestinal e equilibrar essa comunidade de micro-organismos”, aponta a nutricionista Rosângela Passos, da Universidade Federal da Bahia.

    Mudanças na alimentação sem radicalismos

    Carboidratos: Priorize aqueles que são integrais. Raízes, caso da mandioca e do inhame, são uma boa pedida. Os carboidratos simples, como o pão branco e a batata, pedem moderação.

    Gorduras: As poli-insaturadas, presentes no abacate, nas castanhas e nos peixes, são bem-vindas. Enquanto isso, atenção com a versão saturada, de queijos amarelos e carnes vermelhas.

    Probióticos: Iogurtes e leites fermentados cheios de bactérias do bem mantêm o equilíbrio da microbiota intestinal, que está relacionada a um funcionamento correto do fígado.

    Frutose: Saíram notícias por aí dizendo que o açúcar das frutas era o vilão por trás da esteatose. Calma lá: esses alimentos são ricos em fibras e, numa dieta diversificada, só trazem benefícios.

    Álcool: Melhor pegar leve. Por mais que as bebidas não sejam diretamente culpadas pelo estoque de gordura nessa região, elas podem causar prejuízos adicionais.

    2) Atividade física

    “Não adianta só mudar a alimentação. O emagrecimento será mais preponderante se aliado a exercícios”, garante a hepatologista Maria Lucia Gomes Ferraz, da Universidade Federal de São Paulo. Muito além de acelerar a perda de peso, fazer um esporte com regularidade traz ganhos diretos ao fígado.

    Um estudo realizado na Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, atesta que mexer o corpo traz três vantagens principais: aliviar a resistência à insulina, aumentar a queima de triglicérides estocados e prevenir danos aos hepatócitos, o primeiro capítulo no desenvolvimento de cirrose e câncer. “Em resumo, trata-se de uma estratégia terapêutica comprovada para melhorar a esteatose”, escrevem os autores americanos.

    Esses efeitos não se limitam somente ao momento do suadouro. “Após a atividade física, para repor o estoque de energia dentro dos músculos, é preciso usar o excedente guardado no fígado”, destrincha a professora de educação física Carla Giuliano Montenegro, do Hospital Israelita Albert Einstein, na capital paulista.

    Mas será que existe alguma modalidade que potencializaria todas essas vantagens? “Por muito tempo se acreditou que os exercícios aeróbicos, como caminhada, corrida e ciclismo, eram os mais indicados. Hoje sabemos que os treinos de força, caso da musculação, também são importantes”, ensina Carla. Cumprir a meta da Organização Mundial da Saúde de fazer 150 minutos de exercícios durante a semana já é suficiente.

    Mas nada de exageros, estamos combinados? A intensidade varia entre leve e moderada. Em termos práticos, isso significa conseguir falar um pouco sem perder totalmente o fôlego nas práticas aeróbicas e, no fortalecimento da musculatura, fazer de oito a 12 repetições nos movimentos — sempre com a orientação de um professor.

    O efeito dos exercícios

    Aeróbicos: Caminhada, corrida, natação e bicicleta são ótimas maneiras de aplacar o excesso de peso — passo fundamental na luta contra a esteatose.

    Resistência: Trabalhar os músculos na academia melhora a resistência à insulina e movimenta o estoque de gordura acumulada lá no fígado.

    3) O tratamento para gordura no fígado com remédio

    Ainda não inventaram um comprimido ou uma injeção capazes de frear a esteatose hepática. Isso não quer dizer, porém, que alguns remédios não possam ser prescritos. “Eles não atuam no problema em si, mas ajudam nos casos de esteato-hepatite para conter a inflamação”, explica a hepatologista Carla Matos, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

    As duas opções mais utilizadas são a vitamina E, suplemento de ação antioxidante, e a pioglitazona, que diminui as taxas de açúcar. “Além disso, é importante realizar o tratamento de outras condições comuns nesses pacientes, como o diabetes, a hipertensão e o colesterol elevado”, ressalta a hepatologista Tarsila Ribeiro, da Universidade Federal de Juiz de Fora, em Minas Gerais.

    A decisão de iniciar qualquer terapia medicamentosa deve sempre partir do profissional de saúde, que vai determinar a dosagem e o tempo de uso. Aliás, a falta de alternativas nas drogarias faz com que centros de pesquisa e laboratórios farmacêuticos invistam pesado nessa área.

    De acordo com o site ClinicalTrials.Gov, um registro global de ensaios clínicos mantido pelo Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, existem 258 testes de novos fármacos contra a esteatose acontecendo neste exato momento. Alguns deles agem na resistência à insulina, um dos fatores que dão início ao quadro, enquanto outros atuam diretamente nos hepatócitos.

    Pelo menos nas fases primárias de estudo, as substâncias candidatas conseguiram estancar a evolução do problema. “Esperamos que novidades sejam lançadas nos próximos cinco anos”, estima o médico Paulo Lisboa Bittencourt, presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia.

    Agora, mesmo a pílula mais moderna nunca vai substituir um estilo de vida saudável. O fígado sabe bem disso.

    Tratamentos disponíveis — e os que podem ser aprovados em breve

    Pioglitazona: Baixa a quantidade de açúcar na circulação.

    Vitamina E: Administrada por meio de cápsulas, tem efeito antioxidante.

    Vitamina D: Há indícios de que a suplementação traria algumas melhoras.

    Empaglifozina: Também retira um monte de glicose do organismo.

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  • Faz tempo que a humanidade se queixa das varizes. O primeiro registro que se conhece delas está estampado numa estátua de mármore feita quatro séculos antes de Cristo e encontrada em escavações nas proximidades de Atenas, dentro de um santuário construído em homenagem ao herói Amynos. A imagem, hoje guardada no Museu Nacional de Arqueologia da Grécia, retrata um homem segurando uma perna com veias dilatadas e tortuosas. A peça representa o agradecimento de um paciente após um tratamento bem-sucedido.

    Passados mais de dois milênios desde que a obra foi esculpida, as varizes continuam incomodando muita gente — e quem mais se queixa hoje são as mulheres. Estatísticas da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV) indicam que 38% dos adultos convivem com ela.

    No público feminino, o número é ainda maior: 45% apresentam a condição. Entre as pessoas com 70 anos, 70% têm algum grau do quadro conhecido por insuficiência venosa crônica.

    Mas por que as varizes são tão corriqueiras? A culpa é da própria evolução da nossa espécie. Quando o ser humano passou a adotar a postura ereta e a andar apenas com os pés, ficou bem mais difícil levar o sangue das pernas de volta ao coração — imagine o esforço que é vencer a gravidade e fazer o líquido vermelho subir ao peito! “Com o tempo, as veias ficam debilitadas e deixam de cumprir seu papel”, explica o cirurgião vascular Nelson Wolosker, do Hospital Israelita Albert Einstein, na capital paulista.

    Mas engana-se quem pensa que o alargamento desses tubos nos membros inferiores seja apenas um impedimento para vestir short, maiô ou biquíni. Diversos estudos demonstram que o fenômeno está por trás de repercussões mais sérias à saúde.

    Uma pesquisa do Hospital Memorial Chang Gung, em Taiwan, por exemplo, acaba de confirmar que as varizes aumentam em cinco vezes o risco de trombose venosa, a formação de um coágulo nos vasos sanguíneos profundos.

    O trabalho, publicado no prestigiado periódico científico The Journal of American Medical Association, analisou os registros de 425 mil cidadãos da ilha asiática. Metade do grupo penava com as varizes, enquanto a outra parcela vivia livre delas. A investigação revela que ter o quadro dobra a probabilidade de um indivíduo sofrer uma grave embolia — quando um trombo sanguíneo se solta da periferia do corpo e vai parar lá nos pulmões, por exemplo.

    Por mais que esse elo já estivesse estabelecido pela ciência, ele não havia sido confirmado por um levantamento com números tão expressivos. A boa notícia é que os episódios de tromboembolismo pulmonar provocados pelas varizes não acontecem com tanta frequência.

    “Por outro lado, existem outras complicações mais comuns, como a inflamação dessas veias e o aparecimento de úlceras na pele, que são dolorosas e de difícil cicatrização”, diz o cirurgião vascular Gilberto Narchi, do Hospital do Coração, em São Paulo. Ainda bem que dá pra intervir muito antes de a situação ficar desse jeito.

    Quem precisa ficar atento às varizes

    O primeiro passo para driblar essa série de enrascadas — e, claro, botar a roupa de banho sem neura — é ficar de olho nas pernas, principalmente a partir dos 30 anos de idade. Geralmente, as varizes se manifestam por meio de manchas verdes ou roxas, que se expandem aos poucos. Outras pistas frequentes são o inchaço e a sensação de peso nos pés ao final do dia.

    “A doença começa muito antes dos sintomas, então é importante procurar um profissional o mais cedo possível”, aconselha o angiologista Marcelo Moraes, diretor da SBACV.

    A atenção deve ser redobrada se você tem um parente próximo com o problema — a genética influencia bastante por aqui. Outros fatores bem conhecidos são o envelhecimento, o ganho de peso, o sedentarismo, o uso de terapias hormonais e duas ou mais gestações.

    Recentemente, um estudo da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, acrescentou outro componente à lista, a altura. Numa análise genética de 413 mil voluntários, eles descobriram que, quanto mais alta a pessoa, mais costumeiras são as varizes.

    “Além de o caminho para bombear o sangue de volta ao coração ser mais longo, parece que há algo no DNA que relaciona o tamanho corporal com o desenvolvimento inadequado das veias”, especula a pesquisadora Alyssa Flores, coautora da investigação.

    De acordo com os médicos ouvidos por SAÚDE, as mulheres, mais sujeitas à intempérie, costumam marcar consultas com maior frequência e rapidez. Os homens, na contramão, deixam a coisa se arrastar por anos — por descuido ou por não reparar nos vasos irregulares em meio aos pelos das pernas.

    E olha que a detecção do problema não tem nada do outro mundo: o especialista faz o diagnóstico no próprio consultório. Ele ainda pode requisitar alguns exames complementares, como o ultrassom e o eco-doppler colorido, para determinar a gravidade e selecionar o melhor tipo de tratamento.

    Os principais causas das varizes

    Genética: Se você tem um familiar de primeiro grau com varizes, seu risco de desenvolvê-las também é alto.

    Hormônios: Remédios que mexem com o sistema hormonal chegam a alterar a integridade dos tubos sanguíneos.

    Obesidade: Os quilos extras sobrecarregam e pressionam os vasos responsáveis por transportar o sangue pelas pernas.

    Gestações: O crescimento do bebê no útero aperta as veias da pelve, o que repercute direto nos membros inferiores.

    Sedentarismo: Estimula o ganho de peso e deixa a panturrilha mirrada. Assim, o músculo não consegue realizar seu trabalho.

    Sexo: Mulheres sofrem mais com elas do que os homens. Parece que os hormônios têm um papel por aqui.

    Altura: Descoberta como fator de risco nos últimos meses, seu impacto ainda precisa ser mais bem estudado.

    Os tratamentos disponíveis

    As intervenções disponíveis para acabar com as varizes evoluíram muito e solucionam a chateação na maioria das vezes. A primeira escolha tende a ser a cirurgia convencional, utilizada há mais de 100 anos com segurança e eficácia. Por meio de pequenas incisões na pele, é possível extrair os vasos que estão doentes.

    Para quem busca alternativas menos invasivas, as técnicas de ablação por laser ou radiofrequência são uma boa pedida. “Introduzimos um cateter que gera um calor entre 120 e 400 ºC para destruir a veia com problema”, detalha o angiologista Arno Von Ristow, da Rede D’Or e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

    Outra saída bastante popular é a escleroterapia, que envolve a aplicação de uma substância com aspecto de espuma diretamente nas regiões afetadas. “Por meio de uma reação química, o vaso se inflama e se fecha, até desaparecer completamente”, resume o cirurgião vascular Marcelo Ruettimann Liberato, do Hospital São Rafael, em Salvador. São necessárias de duas a cinco sessões para completar o tratamento, que é feito em ambulatório, sem necessidade de internação ou anestesia.

    Tamanha facilidade fez com que a escleroterapia fosse incluída a partir de 2017 no Sistema Único de Saúde, o SUS. “Essa aprovação foi uma vitória para os milhares de indivíduos com insuficiência venosa crônica que estavam havia anos à espera de uma solução”, comemora Liberato, que coordenou um projeto-piloto com esse método na capital da Bahia.

    Só é preciso cuidado para não cair em ciladas: tem muito lugar suspeito oferecendo a escleroterapia por aí. “Não é uma coisa que você aprende num curso de fim de semana e faz indiscriminadamente”, avisa Moraes.

    A SBACV, aliás, iniciou uma campanha para alertar sobre os perigos dessa prática irregular. Se injetada de forma errada, a espuma pode causar alergias, infecções e até trombose. Para fugir dessas complicações, sempre procure o médico com a devida formação na área.

    Em resumo:

    Cirurgia: Geralmente é a primeira indicação, uma vez que pode ser realizada em várias veias de tamanhos e calibres distintos. A retirada não afeta em nada a circulação sanguínea, já que esses tubos doentes não cumpriam mais sua função. Apesar dos cortes pequenos, é necessário respeitar o repouso por alguns dias antes de retomar as atividades normais.

    Ablação: Trata-se de uma forma minimamente invasiva de queimar a parede interna dos vasos defeituosos por meio de raio laser ou radiofrequência. Como a operação usa cateteres, só é feita nos ductos maiores, como a safena, que vai da coxa até o meio da batata da perna. É necessário bastante cautela durante o procedimento para não lesar os nervos nas cercanias.

    Escleroterapia: A espuma do princípio ativo polidocanol irrita e destrói as células que compõem a veia. Com isso, o vaso danificado entra em colapso e some. Após algumas semanas, ele se transforma num cordão fibroso e acaba reabsorvido pelo corpo. A técnica é barata, simples e funciona nos quadros mais difíceis. O único porém é que 30% dos pacientes ficam com manchas na pele.

    E os vasinhos?

    Essas linhas arroxeadas parecidas com teias de aranha recebem o nome de telangiectasias. São veias bem menores que estão na derme e na epiderme. Elas não estão relacionadas a desajustes de saúde — o prejuízo é só estético mesmo.

    Quem tem muitas formações desse tipo deve ficar atento, pois é comum que as varizes apareçam em conjunto ou na sequência. Para secá-las, não carece de nada muito sofisticado: injeções de glicose administradas por um especialista dão conta do recado.

    Quando vira ferida

    As inflamações e úlceras na pele são um suplício. E estima-se que 1,5% dos brasileiros tenham essas feridas provocadas pela insuficiência venosa. É primordial seguir direitinho o tratamento com curativos e as recomendações de repouso para acelerar a recuperação.

    A importância do diagnóstico precoce

    Apesar de as opções cirúrgicas serem bastante confiáveis, nem sempre se recorre a elas logo de cara. Se diagnosticadas numa fase inicial, as varizes são manejadas de maneira conservadora, utilizando estratégias para que elas não progridam nem apresentem sintomas.

    Nesse sentido, a meia elástica é uma parceira para todas as horas. “Ela aperta alguns pontos específicos da perna com o objetivo de melhorar o retorno do sangue ao coração”, explica o angiologista Walter Campos Júnior, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

    O uso contínuo da peça reduz a dor e o inchaço ao final do dia. Ela está indicada tanto para casos recém-diagnosticados quanto para aquelas pessoas que já fizeram uma intervenção — em cerca de 20% das vezes, a doença retorna em outros vasos dos membros inferiores nos três anos seguintes.

    Existem ainda medicamentos da classe dos flebotônicos que dão uma força extra ao sistema circulatório. Os mais famosos deles são de origem fitoterápica, como a castanha-da-índia e a hamamélis. Esses produtos, cuja utilização pede sempre orientação médica, aumentam o tônus dos tubos sanguíneos e têm propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes.

    Só não espere que façam milagres… “Eles não evitam o problema em si, mas aliviam queixas como o inchaço e a dor”, aponta Campos Junior.

    Não dá pra se esquecer também do papel da atividade física nesse contexto. “Movimentar e fortalecer a panturrilha e os demais músculos é essencial para aprimorar o fluxo sanguíneo”, ressalta o cirurgião vascular Tony Furuie, do Hospital Santa Cruz, na capital paulista. Isso sem contar o efeito do exercício na perda de peso — como vimos, a obesidade é um dos principais promotores da doença.

    Ao contrário dos gregos antigos, hoje em dia não há mais razão para esculpir estátuas a fim de mostrar um ideal de corpo ou celebrar a melhora das varizes. Nossas pernas podem (e devem!) ficar sempre livres, leves e soltas. A saúde e a autoestima vão agradecer.

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  • De tempos em tempos, surgem textos duvidosos no WhatsApp que acusam alimentos ou hábitos considerados saudáveis de causarem grandes malefícios. A vítima da vez foi a água. Ou melhor, a água gelada. Uma mensagem que está circulando pelas redes sociais afirma que ela pode provocar infarto, câncer, gordura no fígado e outros males no estômago e no intestino grosso.

    Veja o conteúdo da corrente:

    “Dica da Manhã

    E eu aqui achando que água gelada só afetava a garganta…

    A ÁGUA GELADA FAZ MAL PARA VOCÊ.

    No passado, dizia-se que: se a água gelada não lhe afetar na juventude, vai afetar na velhice

    A água gelada fecha 4 veias do coração e causa ataque cardíaco;

    Bebidas geladas são a principal causa de ataques cardíacos.

    A água gelada cria problemas no fígado; prende a gordura ao fígado. Muitas das pessoas que aguardam por um transplante de fígado, são vítimas da água gelada.

    A água gelada afeta as paredes internas do estômago.

    A água gelada afeta o estômago e o intestino grosso, causando câncer.

    Por favor não guarde isto para você. Repasse para ajudar outras pessoas.

    Dr Dráusio Varella – Medicina ortomolecular.”

    Antes de destrinchar o teor do conteúdo em si, repare na assinatura da suposta fonte. Esse nome lembra alguém famoso?

    Pois é. Acontece que Drauzio Varella é oncologista – não um médico ortomolecular – e seu nome se escreve com Z. Esse ponto, por si só, já levantaria suspeitas.

    Mas a verdade é que o texto está cheio de furos. Sim, é outra notícia falsa – e das grandes, aliás.

    Para destrinchar os enganos dessa mensagem, SAÚDE conversou com Abrão Cury, cardiologista do Hospital do Coração (HCor), em São Paulo, e com a gastroenterologista Elaine Moreira, do Instituto Endovitta, também na capital paulista.

    Água gelada dá dor de garganta?

    Como um aperitivo, vamos partir para a alegação de que bebidas resfriadas abalam a garganta. Isso é, no máximo, uma meia verdade.

    Se a garganta está inflamada devido à ação de um vírus ou bactéria, a água gelada pode agravar a situação. Porém, ela em si não é o motivo do incômodo.

    Ela faz mal para o coração?

    Segundo a corrente, a água gelada fecha veias do coração. Mais do que isso, ela e outras bebidas frias seriam a principal causa de ataques cardíacos.

    Ocorre que o infarto é deflagrado pelo entupimento das artérias, impedindo que o sangue chegue ao músculo mais importante do corpo. Ou seja, esse problema grave nada tem a ver com veias, e sim artérias.

    E onde o líquido da vida entraria nessa história? Em lugar nenhum, pelo visto. “A água gelada não provoca infarto, nem entope os vasos sanguíneos”, atesta Abrão Cury.

    De acordo com o cardiologista, essa história pode ser uma deturpação de casos graves de hipotermia, uma queda excessiva da temperatura do corpo inteiro. “Ela é gerada por um ambiente de frio intenso e não pela água gelada consumida”, complementa.

    Nessa situação extrema, os órgãos em geral vão parando de funcionar, o que pode levar à morte. Mas não há quaisquer relatos de caso mostrando casos severos de hipotermia entre quem tomou goles de um líquido qualquer que acabou de sair da geladeira. Você teria que estar nadando por um tempo em meio a um mar congelante para sentir esses efeitos – como nas cenas finais do filme Titanic.

    Entretanto, o médico do HCor explica que alguns poucos indivíduos sofrem com uma hipersensibilidade a líquidos gelados. “Quando você toma uma bebida dessas, ela estimula terminações nervosas que diminuem a frequência cardíaca. Isso, em condições normais, não cria problemas”, explica. “Mas, se a pessoa tiver hipersensibilidade, ocorre uma redução importante nos batimentos, o que gera mal-estar”, explica.

    Mas nada de criar pânico: essa é uma condição rara e diagnosticada por meio de avaliações médicas. Além disso, mal-estar não é sinônimo de infarto. Portanto, não faz sentido espalhar por aí que as bebidas frias são a principal causa dessa encrenca.

    Água gelada gera problemas no fígado, estômago e intestino grosso?

    O texto espalhado pelo WhatsApp garante que a água gelada afeta as paredes do estômago e o intestino grosso, chegando até a originar câncer por ali. “Não existem estudos que comprovem essas alegações”, aponta Elaine Moreira.

    A gastroenterologista do Instituto Endovitta, que também é membro da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), informa que, mesmo se você ingerir um líquido frio, ele vai sendo aquecido até chegar no estômago. No intestino então, a bebida já estará quentinha. Portanto, aquelas afirmações nem têm lógica.

    A corrente diz ainda que a água gelada “prende” a gordura no fígado, sendo uma grande razão das pessoas precisarem de transplante. Isso é um absurdo! Os líquidos que engolimos sequer passam por esse órgão durante a digestão.

    A tal da gordura no fígado – chamada de esteatose hepática pelos médicos – é consequência de consumo excessivo de álcool, sedentarismo, diabetes e obesidade. A água não tem qualquer relação com a história.

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  • Uma funcionária de muitos anos da Universidade de São Paulo, onde eu trabalho, me perguntou outro dia: “Professor, por que eu sempre acordo sem fome?” Para responder essa questão, eu preciso explicar alguns conceitos antes. Mas já adianto: em geral, a falta de fome nesse momento não é um bom sinal para quem deseja emagrecer.

    Durante muitos anos, as pessoas acreditavam que deveriam evitar alimentos contendo carboidratos no jantar. Graças a confusões conceituais, a expressão “não como carboidrato” se difundiu e persiste até hoje no imaginário de muita gente.

    Porém, ao reduzir a ingestão de alimentos ricos em carboidratos, estamos priorizando a de comidas repletas de proteína e gordura. Tudo bem, mas qual a relação disso com a falta de fome pela manhã?

    Aqui vamos usar de uma licença acadêmico/cientifica. O consumo de alimentos com maior concentração de lipídios (conhecidos popularmente como gorduras) promove a liberação de um hormônio chamado CCK, ou colecistocinina. Essa substância diminui a velocidade dos processos digestivos e inibe a fome no sistema nervoso central.

    Voltando à linguagem comum: você se lembra da última vez que comeu uma feijoada? Aposto que ficou sem fome por várias horas, não é? Está aí a prova de que o excesso de gordura nos deixa sem vontade de comer por um bom tempo.

    Pois é mais ou menos isso que acontece quando privamos nossa ingestão noturna de alimentos com carboidratos. Nós provavelmente privilegiaremos a ingestão de proteínas e lipídios, teremos uma digestão lenta ao longo de toda a noite e, consequentemente, acordaremos ainda processando aquela refeição no intestino, sem fome.

    Mas isso não nos ajudaria a emagrecer? A lenda da restrição de carboidrato à noite tem início na afirmação que, ao dormir, reduzimos nossa necessidade de energia e, portanto, não precisamos de carboidratos. Só que os lipídios fornecem mais que o dobro de calorias do que os carboidratos. Confira comigo: 1 grama de carboidrato é igual a 4 calorias, enquanto 1 grama de gordura equivale a 9 calorias.

    Conclusão: ao ingerir mais alimentos contendo lipídios em período próximo ao descanso, teremos um nutriente energeticamente mais rico e sem “custo” para ser convertido em gordura, pois já é gordura! Por sua vez, o carboidrato, se transformado em gordura, terá o “custo” energético dessa conversão.

    Para terminar, no livro O Fim das Dietas, mostro que, ao acordar sem fome, você até pode comer menos no café da manhã. Mas, aí, acaba compensando no almoço e mesmo nos lanches da tarde.

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  • Pré-diabetes não é pré-doença.E novidades do Congresso Europeu de Diabetes de 2018, realizado em Berlim (Alemanha), deixam isso bem claro. O endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto, acompanhou as novidades que estão sendo discutidas por lá sobre o tratamento das pessoas que estão com a glicemia alterada, mas ainda não são caracterizadas como diabéticas.

    No vídeo abaixo, ele revela que o uso de ao menos um remédio no pré-diabetes deve ser considerado. Às vezes, até mais de um.

    E não para por aí. Couri ainda destaca que, para os pacientes que já tem diabetes tipo 2, o foco principal do tratamento deve ser o coração. Dê uma olhada:

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  • Como você já deve ter lido neste espaço, o diabetes tipo 2 é uma doença crônica cujo tratamento é usualmente feito com medicamentos de uso oral e mudanças no estilo de vida (alimentação saudável, exercícios regulares…). O ponto que muitos se esquecem é que falamos de um problema de saúde progressivo, ou seja, com o passar do tempo o pâncreas vai perdendo sua capacidade de produzir insulina, o hormônio que permite à glicose virar combustível para as células. Daí se torna necessária a utilização de mais medicamentos a fim de controlar o açúcar no sangue… Até um momento em que é preciso repor a tal da insulina.

    Apesar de sua enorme importância, as injeções desse santo hormônio ainda suscitam vários mitos e preocupações. Alguns pacientes diabéticos precisam, de fato, recorrer a duas, três, quatro aplicações ao dia para atingir níveis adequados de glicose. E, em geral, esse processo é acompanhado de muitas picadinhas nos dedos que permitem acompanhar, por meio do glicosímetro, como andam as taxas de açúcar no sangue.

    Pois bem, em 2018 tivemos um enorme avanço na insulinização voltada ao diabetes tipo 2. Houve o lançamento de uma insulina sintética de longa duração misturada com outro hormônio sintético, o GLP-1, na mesma caneta de aplicação. O GLP-1 é uma substância naturalmente produzida no corpo humano pelo intestino e tem várias ações: ajuda a regular a oferta de glicose ao longo dia, inclusive durante as refeições, reduz o risco de hipoglicemia, modula o apetite e o peso…

    A indústria farmacêutica já fabrica há alguns anos moléculas que imitam o GLP-1 orgânico (é a classe de medicamentos injetáveis batizada de análogos de GLP-1). A grande sacada agora, dos laboratórios Novo Nordisk e Sanofi, foi fazer a união, dentro de uma mesma caneta de aplicação, da insulina e desse outro hormônio. Com isso, o paciente precisa apenas aplicar o remédio e medir a glicose na ponta do dedo uma única vez ao dia. Menos medições de glicemia, menos picadas de insulina.

    Os resultados dos estudos com as soluções de ambas as companhias mostram que os pacientes conseguem atingir ótimo controle do diabetes, com melhor qualidade de vida e menor risco de hipoglicemias e ganho de peso. No geral, usa-se uma dose de insulina bem inferior à dos tratamentos disponíveis até então. Em poucas palavras, a medicina está aperfeiçoando ferramentas para domar o diabetes tipo 2 com mais conforto e bem-estar.

    No século 21, já não faz mais sentido temer a insulinização. Em pesquisa recente que conduzimos junto a SAÚDE e a área de Inteligência de Mercado do Grupo Abril, observamos que 24% dos diabéticos tinham como uma de suas principais preocupações o medo da insulina. Precisamos conscientizar as pessoas da importância desse hormônio quando indicado pelo médico. A insulina pode fazer toda a diferença na qualidade e na expectativa de vida dos indivíduos com diabetes.

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