• A ortorexia nervosa é um transtorno marcado pela obsessão em comer apenas alimentos considerados saudáveis. Ao contrário do que ocorre na anorexia ou bulimia, quem sofre com esse distúrbio não se importa tanto com o ganho de peso e as calorias de cada alimento, mas sim com a “pureza” e a composição de tudo o que consome e também com o modo de preparo.

    Descrita pela primeira vez em 1997, a condição ainda é considerada um tema novo e pouco explorado pela ciência. Ainda não se sabe, por exemplo, o que leva alguém a se tornar excessivamente cuidadoso com o que coloca no prato. Pois um novo estudo, realizado pela Universidade York, no Canadá, acaba de elencar alguns fatores de risco capazes de facilitar o desenvolvimento do problema.

    Os pesquisadores vasculharam a literatura disponível sobre a ortorexia e descobriram que pessoas com histórico de distúrbios alimentares, como anorexia e bulimia, sinais de transtorno obsessivo-compulsivo, baixa autoestima e obcecadas em dietas e emagrecimento estão mais sujeitas a desenvolver uma relação patológica com a comida saudável.

    “Quando levada ao extremo, a obsessão por ‘comer limpo’ pode ser um sinal de que a pessoa está lutando para gerenciar sua saúde mental”, declarou à imprensa a psicóloga Jennifer Mills, que assina o trabalho. Entre as consequências negativas da ortorexia estão deficiências nutricionais e impactos na socialização – afinal de contas, diversos encontros com família e amigos envolvem comida.

    Trata-se da primeira revisão exaustiva sobre o quadro. Isso significa que os pesquisadores buscaram todos os trabalhos já publicados anteriormente sobre o transtorno.

    A ortorexia ainda não “existe”

    Na verdade, ela não é reconhecida oficialmente como uma desordem psiquiátrica, como acontece com a anorexia ou a bulimia, mas pode, em breve, entrar na lista, tamanho seu impacto na qualidade de vida. “Nossos achados podem levar a uma melhor compreensão entre a população e os profissionais de que a alimentação considerada saudável pode ser, na verdade, prejudicial”, completou Jennifer.

    A pesquisadora e os demais autores ressaltam no artigo que a maioria dos estudos analisados tinha uma qualidade ruim ou neutra. Ou seja, os resultados devem ser interpretados com cautela e são necessárias mais investigações para entender o que é de fato a ortorexia, quais as características que a definem e qual sua prevalência no mundo.

    Teste: será que você tem ortorexia?

    Se ficou curioso para saber se seu comportamento alimentar é saudável mesmo, saiba que existe um teste para isso. Ele foi desenvolvido pelo médico norteamericano Steven Bratman, que, no final da década de 90, foi o primeiro pesquisador a descrever a ortorexia. Abaixo, você confere o teste. Se houver identificação com qualquer afirmação, sua relação com a comida demanda cuidados.

    1. O tempo que gasto pensando em alimentação saudável todos os dias interfere de um jeito negativo em diversas outras áreas da minha vida.

    2. Condeno os hábitos alimentares dos outros e me sinto ansioso e culpado ao consumir produtos não saudáveis.

    3. Minha paz interior, autoestima, segurança, felicidade e prazer estão diretamente ligados ao que eu como.

    4. Não deixo de lado a dieta, mesmo quando quero ou em ocasiões especiais (ignore este item se o motivo for recomendação médica).

    5. Excluo cada vez mais alimentos do meu cardápio, sendo que as restrições variam de acordo com as teorias nutricionais que acompanho.

    6. Minha alimentação fez com que eu ficasse muito abaixo do peso e apresentasse queda de cabelo e outros sinais de desnutrição.

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  • Os métodos anticoncepcionais evoluíram muito nos últimos tempos. Já contamos inclusive com medicamentos que previnem uma gravidez indesejada ou forçada mesmo quando a mulher não utiliza nenhum contraceptivo no dia a dia.

    Apesar de o uso de anticoncepcionais ser realizado há décadas, a anticoncepção de emergência, comumente chamada de pílula do dia seguinte, é algo relativamente recente e passou a despertar maior interesse, ganhando difusão entre o público em geral, principalmente entre mulheres que não se valem dos métodos preventivos de longa duração ou se encontram em situação de risco de uma gestação inoportuna.

    A maioria dos anticonceptivos atua de forma a evitar a gravidez antes ou durante a relação sexual. Já a pílula do dia seguinte dispõe de compostos hormonais concentrados e por curto período de tempo, agindo nos dias posteriores à relação sexual.

    Diferentemente de outros métodos, sua indicação é reservada a situações especiais ou de exceção, com o objetivo de prevenir gravidez indesejada. Seu mecanismo de ação impede o encontro do espermatozoide com o óvulo. Portanto, não pode ser encarada como tática abortiva.

    O uso correto

    Essa forma de prevenção emergencial é facilmente encontrada em farmácias, e sua venda é feita sem prescrição. Nos serviços públicos de saúde, tanto na atenção básica quanto no atendimento à vítima de violência sexual, é oferecido gratuitamente o levonorgestrel de 0,75 mg.

    A medicação deve ser administrada pela mulher tão rápido quanto possível e, preferencialmente, em dose única dentro dos cinco dias que sucedem a relação sexual. As pessoas têm muitas dúvidas sobre os riscos e os benefícios do comprimido. Existem, de fato, alguns efeitos colaterais, tais como náuseas e vômitos, vertigem, dor de cabeça e nas mamas. Mas a pílula não provoca sangramento vaginal nem altera significativamente o ciclo menstrual.

    O principal alerta é que o uso repetitivo ou frequente pode comprometer sua eficácia. É importante lembrar que os contraceptivos orais, sejam os de uso contínuo, seja o emergencial, não protegem o organismo de infecções sexualmente transmissíveis (HIV, sífilis etc.) — esse papel é desempenhado somente pelos preservativos masculino e feminino.

    A pílula do dia seguinte é, sem dúvida, uma conquista das mulheres, mas não deve ser vista como opção de contracepção rotineira. Ter fácil acesso a um método de emergência não significa que seu uso deve ser banalizado.

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  • O esgotamento físico e mental associado ao trabalho já afeta três em cada dez brasileiros. Seus principais indutores são sobrecarga de funções, falta de autonomia, ausência de reconhecimento aos esforços, perda de valores, competição desmedida e desconfiança exageradas. Quer saber se você está sob risco de desenvolver o burnout? Inicie o teste abaixo!

    Como funciona: atribua a nota 1 se a frase se aplica raramente à sua vida, 2 se acontece às vezes ou 3 se ocorre frequentemente. Ao final das 12 etapas, faça a soma e confira o resultado logo a sequência.

    Frases

    1-Minha rotina tem mais custos do que benefícios
    2-Mesmo quando estou de férias, me sinto cansado e desmotivado
    3-Tenho pouco controle sobre o ritmo e o cronograma do meu trabalho
    4-Sinto-me sobrecarregado mesmo quando não estou trabalhando
    5-Tenho faltado ao trabalho porque me sinto doente
    6-Considero meu desempenho profissional insatisfatório
    7-Tenho me isolado de meus amigos e familiares
    8-Executo tarefas incompatíveis com meus valores
    9-Sou responsável por projetos sem ter recursos para executá-los
    10-Uso medicamentos e/ou bebidas alcoólicas para relaxar
    11-Minha vida sexual se tornou mais uma tarefa a cumprir
    12-Sinto que estou em um beco sem saída

    Resultados

    Até 14 pontos: Parabéns! Você é do tipo que sabe delegar responsabilidades, estabelecer metas realistas e recusar exigências absurdas. Continue assim. Sua saúde mental agradece.

    De 15 a 26 pontos: Atenção! O burnout está virando a esquina. Que tal reavaliar suas expectativas? Se o custo é mais alto que o benefício, o esgotamento é uma questão de tempo.

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  • Um acidente científico. É assim que o biomédico Carlos Ricardo Maneck Malfatti, da Universidade Estadual do Centro-Oeste, em Guarapuava (PR), se refere à descoberta da associação entre a ingestão de alecrim-do-campo e a queda na glicemia.

    É que, inicialmente, ele e sua equipe achavam que a planta tinha potencial na perda de peso. “Notamos em pesquisas com animais, porém, que ela poderia ajudar no combate ao diabetes“, relata.

    Ao que tudo indica, esse tipo de alecrim protege o pâncreas, órgão que produz a insulina, e melhora a resposta das células ao hormônio — com isso, o açúcar não sobra no sangue. Os cientistas decidiram, então, usar o extrato do vegetal em uma receita de cerveja, batizada de Rosemary. Ela já está sendo testada em pacientes e, segundo Malfatti, os resultados são bem animadores.

    Como há empresários interessados na inovação, há grandes chances de a bebida sair do laboratório e chegar ao mercado em breve.

    Por trás da própolis

    Sabia que a própolis verde é produzida pelas abelhas a partir do alecrim-do-campo? “E esse é um meio bacana de aproveitar seus benefícios”, diz Malfatti. A resina é conhecida por ser antioxidante e antimicrobiana.

    Nas pesquisas do biomédico, ele concebeu um método para extrair do alecrim só os compostos de seu interesse — como os destinados à cerveja. Então não dá para comparar seus efeitos com os da própolis.

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  • Antioxidante de primeira, a luteína é aliada contra encrencas que vão de catarata a doenças do coração. Não à toa, cientistas da Universidade Linköping, na Suécia, avaliaram como manter o mais alto teor dela nos alimentos — e o espinafre foi o escolhido. Após submetê-lo a vários métodos, ficou nítido que, quanto maior o tempo de aquecimento, mais luteína se perde.

    A intensidade da temperatura também importa: a fritura degradou o composto em apenas dois minutos. O melhor seria não esquentar. Na verdade, a indicação é consumi-lo, quem diria, numa vitamina — a gordura do leite ou iogurte favorece a absorção da substância.

    Para a nutricionista Carina Müller, professora do Namu Cursos, não precisa levar o resultado a ferro e fogo. “Tudo bem cozinhar o espinafre no vapor ou salteá-lo rapidamente”, ensina. “Até porque o vegetal cru tem oxalato, que prejudica o aproveitamento de nutrientes”, ensina.

    Truque de expert

    De acordo com Carina, uma saída para proteger os nutrientes do espinafre e desativar o tal do oxalato é apostar no branqueamento.

    A técnica consiste em ferver água, jogar o vegetal nela por 30 segundos e, aí, mandá-lo imediatamente para um banho de água com gelo. “Algo sempre é perdido. Mas em menor proporção do que ao cozinhar sem interrupção”, diz.

    A maneira mais vantajosa de consumir outros vegetais

    Cru

    Alho: cortar ou amassar libera alicina, sua substância mais protetora.

    Cebola: tem nutrientes sensíveis ao calor. Coloque em saladas e molhos.

    Beterraba: a raiz crua esbanja betalaína, defensora do corpo. Use em sucos e lanches.

    Cozido

    Tomate: o calor facilita a absorção de licopeno, composto anticâncer.

    Abóbora: para absorver o antioxidante betacaroteno, leve-a ao fogo.

    Aspargo: ele é bem fibroso. Então a cocção é interessante para a digestão.

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  • Nós, médicos, temos um nome para essa situação em que se acorda algumas (ou muitas!) vezes durante a madrugada para fazer xixi: é a noctúria. Falamos de um transtorno definido pelo ato de urinar precedido e sucedido pelo sono. Muitas pessoas acreditam, de maneira equivocada, que urinar no meio da noite seja um sinal de saúde, de que o organismo anda muito bem. Acontece que a noctúria é frequentemente relacionada a redução na qualidade do sono, sonolência diurna, aumento da pressão arterial, alteração do humor, maior propensão a quedas e fraturas e até a acidentes de trânsito.

    O risco de desenvolver a noctúria aumenta com o passar dos anos. Pode chegar a 30% entre pessoas acima dos 65 anos e passar dos 50% entre aquelas com mais de 80. Como dá para perceber, ela atinge indivíduos mais velhos, quando eles já costumam se mostrar mais frágeis.

    Que fique claro que a noctúria em si não é uma doença. Urinar frequentemente à noite deve ser visto como sinal de alerta para o sujeito procurar o médico (em geral, o urologista) e podermos detectar o que está acontecendo de errado, bem como prevenir os problemas listados anteriormente.

    Existem três causas principais para a noctúria:

    1- Obstrução do jato urinário, que acontece com o aumento benigno da próstata em homens ou devido a um estreitamento da uretra, o canal por onde sai o xixi.

    2- Hiperatividade vesical, situação marcada por contrações inadvertidas da bexiga que provocam intensa vontade de urinar e está relacionada a infecção urinária e cálculos renais ou não tem causa aparente.

    3- Aumento na produção noturna de urina, condição associada a fatores ou doenças, como insuficiência cardíaca, diabetes, insuficiência venosa (inchaço das pernas) ou, ainda, desbalanço hormonal.

    Um passo essencial para apurarmos o que vem ocorrendo é a solicitação de um diário miccional, que é uma avaliação, realizada pelo próprio paciente, da frequência em que ele urina de manhã e à noite, do volume de xixi e da quantidade e qualidade de líquidos ingeridos durante determinado período. O diário nos ajuda a determinar qual das três causas é o motivo da noctúria.

    Apenas após essa avaliação inicial e, eventualmente, o uso de exames mais específicos, o profissional irá chegar a um diagnóstico preciso. O tratamento, por sua vez, deve ser baseado na origem do problema. Podemos resumir da seguinte forma:

    1- Diante de um bloqueio do canal urinário, a causa mais comum de noctúria em homens após os 40 anos, o tratamento é baseado em medicamentos relaxantes do músculo prostático ou cirurgias na próstata para eliminar a obstrução que está comprometendo o ato e a frequência de urinar.

    2- No caso da hiperatividade da bexiga, quadro mais frequente em mulheres após a menopausa e associado à incontinência urinária, recorremos a terapias e medicações que controlam as contrações da bexiga.

    3- Havendo a produção aumentada de urina à noite, medidas comportamentais, como reduzir a quantidade de líquido ingerido após às seis da tarde e erguer os membros inferiores à tarde por cerca de 30 minutos, assim como ajustar a dose de remédios diuréticos, já ajudam bastante. Mas existem casos que podem exigir uma intervenção com medicamentos específicos. E, felizmente, já existe um tipo capaz de baixar em 60% os episódios de noctúria.

    O recado mais importante para a pessoa que suspeita que está urinando demais à noite é entender que está sob risco e seu problema tem solução. Portanto, não tem por que demorar a procurar um especialista.

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  • O câncer colorretal (CCR), que era comumente associado a pessoas acima de 50 anos, vem afetando cada vez mais adultos de 20 a 39 anos. De acordo com um estudo da American Cancer Society (ACS), a incidência da doença nessa faixa etária vem crescendo entre 1% e 2,4% anualmente desde a década de 1980. Por causa desses dados, a entidade anunciou, no ano passado, novas diretrizes quanto à prevenção da doença, indicando que os exames sejam feitos a partir dos 45 anos, cinco anos antes da recomendação anterior para os indivíduos de médio risco (aqueles assintomáticos e sem fatores de risco).

    Porém, as ameaças que contribuem para o aumento do CCR nessa idade não estão relacionados necessariamente a falta de exames preventivos, mas sim a questões comportamentais. É fundamental, por exemplo, cuidar da dieta, já que o consumo de alimentos processados está vinculado a esse tipo de tumor e é frequente entre os jovens.

    O excesso de álcool, outro hábito juvenil, também é um fator de risco, assim como tabagismo, sedentarismo, excesso de ganho de peso, baixo consumo de fibras, pouca exposição solar, entre outros.

    Por ser uma doença multifatorial, não podemos dizer que apenas a rotina e o ambiente estão provocando o câncer colorretal. A enfermidade também é influenciada por fatores genéticos e hereditários, como o histórico familiar em primeiro grau. Porém, esses casos representam apenas entre 5% e 10% do total.

    Alguns sintomas do câncer colorretal são sutis: alterações intestinais (prisão de ventre ou diarreia frequentes), fezes com sangramento e/ou em fita (com formato fino) e dores abdominais. Já a pesquisa de sangue oculto nas fezes é um método útil para rastreamento populacional. Ela funciona como triagem para a colonoscopia, um exame que exige um preparo intestinal mais complexo e tem alto custo.

    Precisamos lembrar que vivemos em um país no qual 24% da população não realiza nenhum tipo de exame preventivo, como revelou a pesquisa da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc) sobre os brasileiros e o câncer, realizada em 2017. Além da falta de informação sobre o assunto, também há grande dificuldade de acesso aos exames de rastreio.

    Fora os mutirões conduzidos pela Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed) em algumas cidades do Brasil e ações de instituições privadas, não existem muitas iniciativas para garantir que a população em geral seja examinada.

    O CCR é o terceiro câncer mais comum no Brasil, com estimativa de quase 37 mil novos casos por ano, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Avaliando a questão de forma mais ampla, é fundamental observar quais são os custos indiretos para a sociedade do aumento de doenças como essa, que geram perda de produtividade, afastam pessoas jovens do mercado de trabalho e impactam a dinâmica familiar.

    Apesar de clichê, a melhor forma de reduzir a incidência de doenças, incluindo o câncer, ainda é cuidando da alimentação e praticando atividade física regularmente. Temos que refletir sobre os nossos hábitos desde cedo e procurar um especialista quando percebermos mudanças no corpo.

    Assim como a maioria dos cânceres, quando diagnosticado precocemente, o CCR tem altas chances de cura.

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