• O sabor doce é apreciado de forma natural pelo ser humano desde o seu nascimento. O problema é que, segundo pesquisas, o consumo exagerado de açúcares pode aumentar a probabilidade de ganho de peso, o que, por sua vez, é um fator de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes.

    Mudanças no estilo de vida que ajudem a prevenir o excesso de peso são, portanto, um objetivo importante para uma grande parte da população mundial neste momento. Também é fundamental pensar no balanço energético – ou seja, equilibrar as calorias consumidas com aquelas queimadas por meio da atividade física.

    Os edulcorantes, mais conhecidos como adoçantes, representam uma forma simples de reduzir a quantidade de calorias e açúcares da dieta sem afetar o prazer de saborear alimentos e bebidas doces. Por ter um poder adoçante elevado em comparação aos açúcares, uma quantidade muito pequena é capaz de conferir a doçura desejada – agregando pouquíssima ou nenhuma caloria ao produto final.

    Além disso, os adoçantes podem dar uma ajuda significativa a pessoas com diabetes que precisam controlar sua ingestão de carboidratos, uma vez que não afetam o controle da glicemia. Sem falar que a saúde bucal sai ganhando, já que não há perigo de causarem cáries.

    Quem são eles

    Os adoçantes são usados em todo o planeta há mais de um século. Os mais conhecidos e utilizados são: acessulfame de potássio (ou acessulfame-K), aspartame, ciclamato, sacarina, sucralose e glicosídeos de esteviol. Outros tipos aprovados para uso na Europa e em outras partes do globo incluem: taumatina, neotame, neoesperidina DC e advantame.

    O primeiro adoçante levado à mesa foi a sacarina, descoberta na Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, em 1879. Desde então, vários outros foram identificados e são agora ingredientes de alimentos e bebidas em todo o mundo. Antes da aprovação, todas as substâncias estão sujeitas a um rigoroso processo de avaliação de segurança.

    Por falar em segurança…

    Ela tem sido cuidadosamente avaliada e consistentemente confirmada por um forte corpo de evidências científicas e órgãos regulatórios em todo o mundo. Como ocorre com qualquer aditivo alimentar, para que um adoçante seja aprovado para utilização no mercado, deve primeiro ser submetido a uma avaliação exaustiva por parte da autoridade competente em matéria de segurança de alimentos.

    E, com base na riqueza dos estudos científicos, os organismos de segurança de alimentos em todo o mundo, tais como o Joint Expert Committee on Food Additives (JECFA) da Food and Agriculture Organization (FAO)/World Health Organization (WHO), a US Food and Drug Administration (FDA) e a European Food Safety Authority (EFSA), têm consistentemente confirmado a segurança de todos os adoçantes liberados.

    Para isso, as autoridades analisam e avaliam minuciosamente dados sobre a química, a cinética e o metabolismo da substância, além das utilizações propostas e a avaliação da exposição, bem como estudos toxicológicos extensivos.

    Um adoçante só é autorizado para incorporação em alimentos se existirem fortes indícios de que não suscita preocupações de segurança. No processo de aprovação, os especialistas em avaliação de risco das agências de segurança de alimentos estabelecem uma dose diária aceitável (conhecida como IDA) para cada adoçante aprovado. Seguem abaixo as quantidades para cada um deles, por dia:

    Acessulfame-K: 0-15 mg/kg
    Aspartame: 0-40 mg/kg
    Ciclamato: 0-11 mg/Kg
    Sacarina: 0-5mg/kg
    Sucralose: 0-15mg/kg
    Glicosídeos de esteviol: 0-4mg/kg (expresso como esteviol)
    Taumatina: não especificado**

    **Uma IDA sem especificação significa que a taumatina pode ser utilizada de acordo com as boas práticas de fabricação (BPF).

    Fonte: Dose diária admissível (IDA) para os edulcorantes de baixo teor calórico habitualmente utilizados, conforme estabelecido pelo Joint Expert Scientific Committee on Food Additives (JECFA) of the United Nations Food & Agriculture Organization (FAO) and the World Health Organization (WHO).

    E para que serve a IDA?

    Como contei, trata-se de uma estimativa da dose diária de uma substância que não apresenta risco apreciável à saúde humana, quando ingerida todos os dias, durante toda a vida.

    A IDA serve para proteger a saúde dos consumidores e facilitar o comércio internacional de alimentos. É uma abordagem prática para determinar a segurança dos aditivos alimentares e um meio de alcançar a harmonização do controle regulatório, pois os valores estabelecidos para o uso de cada aditivo são aplicáveis globalmente em diferentes países e em todos os setores da população.

    Para estabelecer a IDA, é necessário determinar, por meio de estudos, a maior quantidade consumida do adoçante que não gerou efeitos adversos. Esse patamar é chamado de NOAEL (do inglês, No Observed Adverse Effect Level) e a quantidade é expressa em miligramas do adoçante por quilograma de peso corporal por dia (mg/kg de peso corporal/dia).

    O NOAEL é, então, dividido por 100. Essa margem de segurança é necessária, porque o NOAEL é determinado em animais, não em seres humanos. Portanto, é essencial ajustar os valores a possíveis diferenças, assumindo que o ser humano é mais suscetível a problemas do que o animal de teste mais sensível.

    Outro ponto de cuidado é que a confiabilidade dos testes de toxicidade é limitada pelo número de animais testados. Essas avaliações não podem representar a diversidade da população humana, cujos subgrupos podem mostrar diferentes sensibilidades (por exemplo, crianças, idosos e enfermos). De novo: é prudente ajustar essas diferenças.

    Uma forma lúdica de explicar o que é a IDA

    Pense em uma estrada onde determinado limite de velocidade é estabelecido para que não ocorram acidentes. Imagine que o limite estipulado é de 100 km/h. Isso significa que se um carro andar a 100 km/h nessa estrada não ocorrerá nenhum tipo de acidente.

    Pois agora imagine que as pessoas que estipularam o limite de 100 km/h querem que a estrada seja a mais segura possível. Para isso, elas dividem o valor de 100 km/h por um fator de segurança de 100. Assim, o novo limite passa a ser de 1 km/h.

    Dessa forma, os carros nessa estrada só poderão andar a 1 km por hora. Caso um carro passar dessa velocidade, não é indicativo de que sofrerá um acidente ou que estará em perigo, mesmo que isso ocorra várias vezes. A mesma analogia pode ser extrapolada para as IDAs dos aditivos alimentares.

    A IDA não é um limite máximo

    Ela é uma referência a uma situação de longa exposição durante a vida toda, e não um valor de base para uma única ocasião. Por isso, você não precisa se preocupar com os limites estabelecidos, porque eles são muito seguros e são raras as ocasiões em que se poderia ultrapassá-los.

    E, quando fica claro que a IDA pode ser excedida com certa regularidade por certos grupos populacionais, os organismos regulatórios reduzem os níveis permitidos desses aditivos nos alimentos, de forma consistente com a quantidade necessária para alcançar sua função – ou então restringem a gama de alimentos em que o aditivo é permitido para uso.

    Sem motivo para preocupação

    Publicada em 2018, uma revisão da literatura mundial sobre os edulcorantes mais utilizados concluiu que, em geral, os estudos realizados para determinar as exposições dos adoçantes ao longo da última década não suscitou preocupações no que diz respeito a ultrapassar os valores das IDAs individuais na população geral ao redor do mundo.

    Cabe lembrar ainda que vários estudos indicam uma redução no consumo de adoçantes. Esses dados proporcionam um grau significativo de confiança, sinalizando que não está acontecendo uma mudança expressiva na ingestão dos adoçantes e que os níveis de exposição em geral estão dentro dos limites da IDA para cada um deles.

    Tags: , ,

  • Mesmo com o desenvolvimento de agulhas para aplicação de insulina cada vez menores — hoje já temos versões com apenas 4 milímetros —, muitas pessoas com diabetes sofrem ou se sentem desconfortáveis com o fato de ter de injetar o hormônio quatro, cinco, seis vezes ao dia. Essa é uma realidade ainda mais incômoda para as crianças.

    Tem gente com diabetes que inclusive deixa de aplicar algumas doses diárias de insulina devido a esse estresse. E nem preciso dizer como isso pode provocar um descontrole nos níveis de glicose no sangue, com todos os prejuízos que essa situação acarreta.

    Para ajudar a diminuir o desconforto e melhorar a adesão ao tratamento com insulina, chega neste ano ao Brasil uma tecnologia batizada de i-Port.

    Criado pela empresa Medtronic, o i-Port é um dispositivo implantável na superfície da pele que possui um cateter (uma pequena cânula) que pode ter 6 ou 9 milímetros e fica inserido no tecido subcutâneo.

    Com isso, em vez de o paciente receber várias picadinhas ao dia, ele injeta a insulina nesse dispositivo (com caneta ou seringa, e na frequência pré-estabelecida com o médico) sem sentir dor ou desconforto.

    O i-Port deve ser implantado nos mesmos locais usuais de aplicação da insulina, como nádegas, barriga, coxas e braços, e precisa ser trocado a cada três dias. Sua inserção na pele é simples e pode (e deve) ser realizada pelo próprio paciente ou familiares. Situações como banho e prática de esportes (inclusive aquáticos) não são empecilho para o uso.

    Apesar de o preço por aqui ainda não ter sido divulgado pelo fabricante, acredito que o recurso será uma excelente opção para muitas pessoas com diabetes angariarem conforto e qualidade de vida durante o tratamento. Só lembrando que o controle do diabetes vai muito além da aplicação rigorosa da insulina. Envolve cuidar de si, manter bons hábitos alimentares e a prática regular de exercícios.

    Tags: , , , ,

  • A meningite meningocócica pode ser confundida com infecções menos ameaçadoras – principalmente durante a temporada de gripe e afins. Quem faz o alerta é a Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (Fehoesp).

    Em campanha lançada nesta semana, a entidade pede cautela redobrada na avaliação de pessoas que chegarem ao pronto-atendimento. “Serviços de saúde devem estar atentos à ocorrência de doenças como meningite, zika, dengue e chikungunya, e realizar um diagnóstico criterioso para evitar erros”, declarou à imprensa o médico Yussif Ali Mere Jr, presidente da Fehoesp.

    O diagnóstico correto é importante, mesmo que às vezes a única opção seja combater os sintomas e acompanhar a evolução do quadro, caso dos resfriados e das infecções transmitidas pelos Aedes aegypti. Se o que estiver por trás dos sintomas for uma gripe forte ou mesmo a meningite bacteriana, o tratamento é mais específico.

    Como diferenciar meningite de gripe e outras infecções

    Muitas infecções têm, como primeiro sintoma, a febre. Por isso nem sempre é evidente qual a origem da subida na temperatura quando a pessoa chega ao pronto-socorro.

    “Num primeiro momento, pode ser difícil suspeitar de meningite ou outra coisa mais séria”, aponta Renato Kfouri, infectopediatra diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

    Vale esclarecer que estamos falando de uma situação relativamente rara no Brasil. Em 2018, foram 1 072 ocorrências da versão meningocócica, a mais comum entre as meningites transmitidas por bactérias, com 218 mortes. Há também uma versão viral da doença, mas seus sintomas são mais brandos.

    As bacterianas, por sua vez, merecem atenção por causa da taxa alta de mortalidade – cerca de 20% dos casos, geralmente crianças e adolescentes. A meningocócica, destaque da categoria, é causada por 12 subtipos do micro-organismo meningococo. No país, os mais comuns são os A, B, C, W e Y, todos evitáveis com a vacinação.

    As semelhanças entre gripe e meningite são febre alta e mal-estar abruptos, além de vômito. Depois, elas evoluem de maneiras diferentes.

    O vírus da gripe ataca as vias respiratórias. Por isso, provoca coriza, tosse e cansaço.

    Já a meningite desencadeia dores de cabeças e vômito intensos, rigidez no pescoço, além de sintomas neurológicos, como surdez, perda de consciência e, em alguns casos, paralisia. “É um quadro que evolui rapidamente, geralmente em 24 horas”, destaca Kfouri.

    Diagnóstico

    O diagnóstico das duas pode ser feito com exames de sangue. No caso da meningite bacteriana, o médico solicita ainda a coleta do líquor da medula espinhal, um líquido que banha as meninges, para identificar qual o agente causador do problema.

    “Esse teste sempre é feito para saber qual antibiótico deve ser administrado. Dependendo do tipo da bactéria, também é preciso fazer um tratamento preventivo em quem teve contato com o doente”, aponta Kfouri.

    O ideal é que a análise seja feita antes de iniciar o tratamento, pois o uso de antibióticos pode interferir no exame. Entretanto, como o resultado às vezes demora até três dias para chegar, em alguns episódios é necessário aplicar a medicação imediatamente.

    Eu devo me preocupar?

    É claro que uma febre alta sempre chama a atenção, mas a meningite não está em alta no Brasil. “Vivemos uma tendência de queda nos casos há anos, e a incidência diminuiu muito depois que a vacinação começou no SUS”, reforça Kfouri.

    Atualmente, só as doses contra a meningite meningocócica C – a versão mais comum – estão na rede pública. Nas clínicas particulares, dá ainda para se imunizar contra os tipos A, B, W e Y.

    “Temos a vacina contra o tipo mais frequente gratuitamente para crianças e adolescentes, mas nossas taxas de cobertura estão aquém do esperado”, alerta o médico.

    Já a gripe preocupa mais as autoridades públicas – não pela gravidade, que é menor do que a da meningite, mas pelo alto número de casos. Essa infecção costuma ser mais incidente nos meses frios do ano. Fique ligado e aproveite as campanhas de vacinação.

    Tags: , , , , , , ,

  • 1) Todo medicamento tomado em jejum faz mal ao estômago
    Alguns de fato podem acarretar esse problema. Já outros até devem ser ingeridos com o estômago vazio para facilitar a absorção pelo organismo.

    Siga a recomendação de um médico ou farmacêutico. E leia a bula, claro.

    2) É seguro tomar remédio vencido, mas com aparência normal
    Sempre respeite o prazo de validade. Não há estudos confiáveis que indiquem que os remédios mantêm sua eficácia e segurança após o prazo recomendado. Nesse caso, portanto, não dá para confiar nos seus olhos ou no seu nariz.

    3) Fitoterápicos não possuem efeitos colaterais
    Qualquer fármaco pode causar reações adversas, inclusive os tidos como naturais. Além de sobrecarregarem o fígado em casos de consumo excessivo, os fitoterápicos às vezes interagem com substâncias presentes em outras drogas, convencionais ou não.

    É aquela máxima: todo tratamento medicamentoso merece uma conversa com o profissional de saúde.

    4) Não é preciso completar o tratamento se os sintomas desaparecerem
    Isso é um perigo! O fim dos sintomas não indica a cura da doença. No caso dos antibióticos, a interrupção do tratamento antes do tempo indicado pelo médico chega a tornar as bactérias mais resistentes.

    5) O banheiro é um bom lugar para guardar seus comprimidos
    Por ser úmido e mais abafado, esse lugar não é a opção ideal. Para que não tenham sua composição alterada, os medicamentos devem ser mantidos em local fresco e arejado, longe da luz e de fontes de calor.

    Tags: ,