• O Sistema Único de Saúde (SUS) ampliou consideravelmente o número de pessoas que poderá se tratar de graça contra a hepatite C. E outra boa notícia: incluiu remédios mais modernos, com altíssimas taxas de cura e menos incômodos, na lista de tratamentos disponíveis do novo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT).

    “Esse é mais um passo que o Brasil dá para garantir amplo acesso ao tratamento de hepatites”, afirma Ricardo Barros, ministro da Saúde, em nota à imprensa. O governo tem como meta eliminar a hepatite C do país até 2030.

    Na prática, a primeira grande mudança envolve a universalização do atendimento. Antes, só pacientes com lesões no fígado mais graves ou longas poderiam começar o tratamento na rede pública. Agora, a infecção por si só já garantirá esse acesso – estima-se que, no Brasil, de 600 a 700 mil pessoas têm o vírus da hepatite C no corpo.

    “Isso é importante, porque, quanto mais cedo iniciamos o tratamento, mais conseguimos preservar o fígado e outras partes do corpo atingidas pela hepatite C”, avalia a infectologista Anita Campos, diretora médica da Gilead.

    Essa farmacêutica, aliás, é detentora de um dos novos medicamentos que serão disponibilizadas no SUS graças ao novo PCDT. Trata-se de um comprimido com ledispavir e sofosbuvir, duas moléculas que atacam diferentes pontos do vírus em questão.

    A droga está focada em pacientes com o genótipo 1 da doença – uma versão de hepatite C que corresponde a mais ou menos 70% dos casos no Brasil.

    A chance de cura com ela vai de 95 a 99%, enquanto os efeitos colaterais são bem controláveis (estamos falando de náusea e dor de cabeça, por exemplo).

    “É o primeiro tratamento com um único comprimido diário, o que facilita a adesão”, completa Anita. O fármaco costuma ser administrado por oito a 12 semanas. Em alguns casos, essa estratégia pode se prolongar por 24 semanas.

    Outros subtipos da doença também estão contemplados. Para o genótipo 4, por exemplo, foi incorporado um remédio que une os princípios elbasvir e grazoprevir, da MSD. Em linhas gerais, ele também oferece mais chance de cura e poucos efeitos colaterais.

    O desafio do diagnóstico
    Hoje, só 10% dos brasileiros com hepatite C sabem que carregam o vírus, até porque os sinais de sua presença não são tão claros (febre, enjoo, cansaço, olhos amarelados). E, acima disso, muitas vezes a enfermidade sequer apresenta sintomas no começo.

    “O diagnóstico é um dos principais gargalos para a eliminação da doença”, aponta Anita. Ora, de pouco adianta ter tratamentos eficazes se o indivíduo não busca o atendimento.

    Mais: embora os novos remédios também ajudem as pessoas em que a hepatite C já comprometeu bastante o fígado, eles não são capazes de recuperar o órgão por completo. Longe disso: seu principal papel é eliminar o vírus, porém os estragos provocados muitas vezes vão exigir acompanhamento médico para o resto da vida.

    Daí porque é fundamental valorizar os exames de sangue que detectam precocemente a doença. Eles são gratuitos e estão disponíveis na rede pública.

    Aliás, o Conselho Federal de Medicina emitiu uma resolução recomendando a todos os médicos – de qualquer especialidade – pedirem os testes de hepatite C, hepatite B, sífilis e HIV aos seus pacientes.

    Quem está mais suscetível à hepatite C
    Hoje, o vírus é transmitido pela reutilização inadequada de seringas, materiais cortantes e outros objetos médicos. O alicate da manicure é um ponto de risco, por exemplo (e, se o cliente não sabe que tem hepatite C, não vai tomar as medidas cabíveis para evitar a disseminação). Só muito raramente a doença passa por relações sexuais.

    80% das pessoas com essa encrenca estão acima dos 40 anos. Isso porque, entre outras coisas, antes de 1992 a doação de sangue não exigia testagem para a hepatite C. Assim, muitas pessoas que receberam transfusões naquela época acabaram contraindo o vírus.

    E aí: você já fez o teste de hepatite C?

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  • Já se vão quase 50 anos desde que o médico americano Robert Atkins (1930-2003) lançou sua famosa dieta, caracterizada pela eliminação brutal de carboidratos (arroz, pães, massas…) e por uma maior permissividade em relação às gorduras. De lá pra cá, cardápios similares ficaram à espreita do prato, ora alcançando popularidade, ora caindo em desuso. A onda da vez, queridinha entre quem quer emagrecer sem demora, é conhecida como low carb, termo em inglês para cardápio com pouco carboidrato. Segundo o Google, principal site de buscas na internet, ela foi a dieta mais procurada em 2017 pelos brasileiros, com um crescimento de 986% em relação a 2016.

    Nem precisa gastar seu tempo vasculhando quanto carboidrato é permitido nesse modelo alimentar. Não há consenso quanto a isso – o que dificulta, do ponto de vista científico, chegar a conclusões sobre o método. Em geral, fala-se em um consumo de 20 a 40% do nutriente em relação às calorias ingeridas em um dia, ou algo em torno de 50 a 100 gramas. Em uma dieta tradicional, suas fontes devem representar de 55 a 65% das calorias diárias. É uma baixa considerável.

    Na ponta do lápis

    Dieta tradicional
    Indica-se que de 55 a 65% das calorias consumidas diariamente sejam de fontes de carboidratos.

    Dieta low carb
    De todas as calorias ingeridas no dia, só de 20 a 40% deveriam vir do famigerado nutriente.

    Mas, mais do que bitolar na quantidade, a low carb propõe foco no tipo de alimento escolhido para suprir essa demanda. As pessoas são incentivadas a obter os carboidratos a partir de legumes e verduras. Já grãos, cereais, farináceos, algumas frutas e tudo que leva açúcar saem de cena por causa do alto teor da substância. Para ter ideia, é preciso dar adeus ao pão do café da manhã e ao arroz com feijão do almoço. No outro lado da balança, o que sobe é a ingestão de redutos de gorduras e proteínas.

    Não é difícil explicar por que esse cardápio causou frisson entre quem está preocupado com as dobras na cintura. “Sabemos que as dietas low carb levam a uma perda de peso rápida”, informa o endocrinologista Bruno Halpern, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica. Só que esse fato, tão apreciado pelo público, não é animador para parte dos especialistas na área. Na visão de Halpern, como as fontes de proteínas e gorduras saciam bastante, as pessoas passam a comer menos – daí emagrecem mesmo. O dilema é que, segundo ele, essas dietas restritivas são menos efetivas com o tempo. Lá vem efeito sanfona…

    Para Antonio Herbert Lancha Jr., professor titular de nutrição da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (USP), até o emagrecimento ligeiro merece vista grossa. Isso porque a queda súbita no número que a balança exibe não significaria necessariamente uma queima de gordura. Calma que a gente explica o mistério.

    Low carb e emagrecimento

    O carboidrato é um dos elementos que determinam a presença de água dentro de nossas células. Portanto, quando o nutriente está em falta, o líquido vai embora. “As pessoas acham que a variação do peso vem da eliminação de gordura. Mas, na realidade, elas só perderam água”, esclarece Lancha Jr., que também é autor do livro O Fim das Dietas (Editora Abril). Pior: de acordo com experimentos do professor, nesse bolo a massa magra também vai para o espaço. E os músculos são justamente nossos maiores torradores de energia e gordura corporal.

    O endocrinologista Pedro Assed, do Rio de Janeiro, concorda que é válido colocar essas questões em pauta. Afinal, desidratar ou ver a musculatura minguar não é nada desejável, apesar de o peso parecer adequado. “Nesses casos, é necessário um plano para reverter a situação. E ele envolve ajustes na dieta e em outros hábitos, como o tempo de sono e jejum“, descreve o médico.

    Então, o problema não estaria na low carb em si, mas no fato de ela ser realizada sem acompanhamento. Segundo o nutrólogo e neurologista Rafael Higashi, diretor da clínica Higashi, no Rio de Janeiro, caso o profissional não tenha aparelhos para verificar a taxa de gordura do paciente – como o de bioimpedância -, pode medir braço, panturrilha e força muscular. “Se houver perda em 30 dias, há algo errado”, avisa.

    De qualquer forma, em termos de perda de peso, não é pra esperar milagres. Há evidências de que tanto faz investir na low carb ou em uma dieta baseada na redução de gorduras ou de calorias. “Uma das premissas para o emagrecimento é gastar mais do que consumir”, resume a nutricionista Ana Beatriz Barrella, da RG Nutri, na capital paulista. Ao revisar vários estudos publicados de 2005 a 2016 sobre todas essas estratégias, pesquisadores da Clínica Mayo, nos Estados Unidos, concluíram que a perda de peso advinda da low carb seria insignificativamente maior – coisa de 1 a 2 quilos.

    Os cientistas salientaram ainda que só é possível garantir a segurança do método por seis meses, já que a maioria das experiências é de curto prazo. Fora isso, informam que, nos trabalhos, não dá para identificar a qualidade das fontes de proteínas e gorduras colocadas no prato.

    Portanto, é altamente contraindicado consultar o vizinho ou a internet na hora de montar o cardápio. Há quem interprete, por exemplo, que tudo bem comer, dia após dia, bacon, picanha, salsicha e frango com pele frito na banha de porco. Lembre-se: os impactos negativos vão além do peso.

    Ao carregar a mão na gordura animal, por exemplo, as consequências não são nada agradáveis. “Esse hábito pode chegar a dobrar o colesterol total, a triplicar o colesterol LDL e a reduzir pela metade o HDL“, alerta a nutricionista Nágila Damasceno, pesquisadora da Faculdade de Saúde Pública da USP e membro da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp). Caso tenha se perdido nas siglas, a gente explica: enquanto o colesterol LDL deposita gordura nas artérias, o HDL a tira de circulação. Entendeu o enrosco?

    De acordo com a nutricionista clínica Isabella Vorccaro, da capital paulista, para minimizar qualquer ameaça, o ideal é privilegiar itens como azeite, abacate, coco, castanhas e sementes, ricos em gorduras insaturadas, reconhecidamente mais benéficas. “Eles geram saciedade e, ao mesmo tempo, ofertam vitaminas, minerais e fibras“, esclarece.

    Escrito nos hormônios

    Para os defensores da low carb, não é surpresa que outras estratégias – como simplesmente reduzir o tamanho das porções de comida – emagreçam na mesma magnitude. Mas a alegação para coibir o carboidrato não para por aí. “O consumo exagerado desse nutriente leva a uma superestimulação do pâncreas, com maior produção de insulina”, aponta Isabella.

    E o excesso desse hormônio é ligado a um maior risco de engordar e ficar diabético. Fora isso, o açúcar derivado do carboidrato contribuiria com processos inflamatórios, situação que patrocina muitas doenças.

    Que ter insulina aos montes na circulação não é bacana, ninguém discorda. Mas, para quem não é tão fã da low carb, outras questões merecem debate. Para começar, a produção do hormônio não é incitada apenas pela glicose derivada dos carboidratos.

    “Algumas proteínas e gorduras também estimulam esse processo”, explica a nutricionista Bruna Reis, do Conselho Regional de Nutricionistas – 3ª Região (CRN-3). Logo, ignorar o arroz do bufê e cair de boca na fraldinha não garantem folga ao pâncreas – a produção de insulina também será instigada.

    Nágila, da Socesp, frisa que o hormônio faz parte de um metabolismo saudável, já que abre as portas para glicose, proteínas e gorduras entrarem nos tecidos. “Essa história só se torna perigosa se comemos em excesso”, avisa a nutricionista.

    Nesse contexto, o pâncreas produz tanta insulina que, para se proteger, os tecidos se fecham. Ocorre, assim, um aumento do hormônio circulante e uma maior resistência à sua ação. E, se a insulina não atua direito, de fato sobra açúcar no sangue, um estopim para encrencas. “Mas isso se dá mais pelo abuso do todo”, reitera Nágila.

    Lancha Jr. também defende que é maldade colocar a oscilação de insulina só nas costas dos carboidratos. “Vamos supor que 90% de sua dieta venha de pão. Só que você consumirá tudo isso com um caminhão de alface. Pronto: o índice glicêmico já é compensado, assim como a liberação de insulina”, raciocina. O exemplo é surreal, claro, mas ilustra como o pico de açúcar no sangue depende bastante do que agregamos à refeição.

    Tem outro ponto: o que conta pra valer são quantidade e tipos de carboidratos escolhidos. Todos os especialistas concordam que exageramos em alimentos que fazem a glicose e a insulina dispararem – arroz e massas refinadas, sobremesas e refrigerantes são exemplos. Só que, em vez de ir para o extremo (a low carb), o pulo do gato seria maneirar e substituir esses itens por versões boas do nutriente, como arroz e massas integrais, grãos, cereais e frutas.

    É que elas são lotadas de fibras, substâncias que freiam a subida da glicose no sangue. “Isso, por si só, já altera o padrão de produção da insulina”, reforça o biólogo e nutricionista Geraldo Thedei, da Universidade de Uberaba (MG).

    Há mais argumentos favoráveis às trocas, e não ao corte radical. “Alguns estudos demonstram que a dieta restrita em carboidratos, especialmente nesses ricos em fibras, modificam a diversidade de bactérias no intestino, o que predisporia a problemas inflamatórios, como alergias e doenças autoimunes”, diz Bruna.

    Agora, para quem já recebeu o diagnóstico de diabetes tipo 2, a low carb pode até ser uma saída para domar a glicemia. O pesquisador Grant Brinkworth, da Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation, na Austrália, viu essa faceta da dieta de perto. Em experiência com 115 diabéticos, metade seguiu uma alimentação com baixo teor de carboidratos (14% das necessidades calóricas diárias), enquanto outra parte focou na redução de gorduras. “Embora os dois grupos tenham perdido peso de forma similar, quem aderiu à low carb conseguiu controlar melhor a doença”, revela Brinkworth.

    A nutricionista Maristela Strufaldi, da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), confirma que alguns pacientes se beneficiam bastante do método – quando bem-feito e individualizado. Contudo, ressalta que tanto a SBD como as organizações internacionais que atuam com esse público priorizam um cenário de equilíbrio nutricional, em que há, sim, espaço para os carboidratos. “Evitar o terrorismo nutricional é essencial para a adesão ao tratamento”, defende.

    Caso você tenha chegado até aqui sem a certeza se a low carb é um bom investimento, tranquilo. No fim das contas, o melhor padrão alimentar é aquele factível de ser seguido. “E isso depende do perfil do paciente”, pondera Assed. O crucial é não embarcar em modismos sem a orientação de um profissional. Ele consegue avaliar, de forma global, se a dieta está valendo a pena. O primeiro erro é deixar isso só a critério da balança.

    Cetogênica é outra coisa

    Esse estilo de dieta é uma versão bem mais radical da low carb. Em geral, o consumo de carboidratos não passa de 10%. Já o de gordura chega a incríveis 90%. Nágila Damasceno avisa que tal cardápio só vale para situações muito específicas, como quadros de epilepsia que não respondem a remédios.

    Mas tem gente que anda recorrendo à dieta cetogênica para secar a barriga. Na visão de Geraldo Thedei, da Universidade de Uberaba (MG), é um verdadeiro disparate. “Há produção elevada de substâncias que mudam o pH do sangue. Isso traz riscos para o organismo”, alerta. Para completar, o menu é pobre em vitaminas, minerais, fibras… “Trata-se de uma deseducação alimentar”, crava Thedei.

    Tem que malhar

    Caso escute por aí que a low carb ajudou fulano a emagrecer 30, 40, 50 quilos sem atividade física, saiba: não há vantagem alguma nisso. “Exercício nunca é dispensável”, declara a nutricionista Isabella Vorccaro. “Inclusive, é um dos pilares da saúde”, acrescenta. Ocorre que, ao cortar os carboidratos, muita gente sente uma indisposição tremenda. Normal, pois o nutriente nos fornece energia. A solução, porém, não é parar de se mexer. Nem se entupir de cafeína. “Ela não produz energia. Só disfarça a fadiga”, aponta Gabriela Parise, nutricionista da RG Nutri. Fora que pegar pesado nos estimulantes pode acarretar danos depois.

    O QUE PODE COMER

    Os grupos alimentares abaixo dão uma ideia do que é o padrão low carb na prática

    Café

    Sem açúcar, tá? Chás e água com limão podem também.

    Laticínios

    Iogurte natural, ricota e cottage são opções.

    Azeite

    O óleo da azeitona tem gordura boa.

    Carnes

    De vaca, frango, peixe… Vale tudo.

    Cogumelos

    De todos os tipos, à vontade.

    Ovos

    Liberados em qualquer refeição.

    Tubérculos

    Batata-doce e inhame seriam os melhores.

    Frutas com baixo índice glicêmico

    Abacate, coco, morango e damasco fazem parte da lista.

    Leguminosas

    Grão-de-bico e lentilha, mas com muita moderação.

    Verduras e legumes

    Pode variar e investir sem medo.

    Oleaginosas

    Prove amêndoas, castanhas, nozes…

    O QUE É MELHOR EVITAR

    Os alimentos e grupos abaixo são contraindicados na dieta low carb

    Leite desnatado

    O ponto fraco é que não tem gordura.

    Doces

    Têm açúcar pra dar e vender.

    Massas

    Aposente macarrão, lasanha, nhoque…

    Industrializados

    Não são considerados comida de verdade.

    Milho

    Em qualquer receita, ele está vetado.

    Pães

    É o símbolo máximo do carboidrato, né?

    Sucos de frutas

    Tem que evitar os naturais e o néctar.

    Tapioca

    É bastante similar ao pão.

    Refrigerante

    Um verdadeiro poço de açúcar.

    Frutas com alto índice glicêmico

    Banana, melancia, manga, uva e abacaxi são exemplos.

    Arroz branco

    Nem o integral deve entrar no prato.

    Batata-inglesa

    Tem menos fibras que os outros tubérculos.

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  • A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a comercialização de quatro alisantes de cabelo. E o motivo é sério: segundo análises laboratoriais, eles continham formol, uma substância que reconhecidamente causa câncer e outros problemas de saúde.

    Todos os lotes de Maxxdonna Profissional Matutinha e Ingel Maxx Premium Forever Liss Professional não podem mais ser vendidos ou divulgados. Lotes específicos de Forever Liss Btox e Bio Amazônia também foram vetados.

    Cada caso teve suas particularidades, mas todos foram reprovados na análise para formol, conduzida pelo Laboratório Central de Saúde Pública de Pernambuco.

    Danos que o formol causa

    São muitos os efeitos. Na pele, ele provoca irritações, dores e até queimaduras. Isso, claro, também vale para o couro cabeludo.

    Em contato direto com os olhos – ou quando vira vapor por causa da chapinha –, pode gerar conjuntivite ou incômodos severos.

    Mas a maior preocupação envolve as vias respiratórias. Quando inalado, ele irrita toda a mucosa de nariz, boca, faringe e até pulmão… Isso acaba alterando células da região, o que abre as portas para o câncer nessas regiões.

    Para evitar tudo isso, vá atrás de alisantes confiáveis e converse com seu cabeleireiro sobre o assunto. E nunca – nunca mesmo – aceite utilizar formol nos cabelos.

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  • O sarampo voltou a desembarcar no Brasil em 2018 – dessa vez no estado de Roraima, por causa da chegada de imigrantes da Venezuela com a doença. E as duas principais perguntas são: qual o risco de o vírus voltar a se alastrar pelo país e o que podemos fazer para evitar isso? SAÚDE vai responder ambas as questões, mas já antecipamos: a vacina é fundamental.

    No último informe do Ministério da Saúde, foram notificados 29 casos suspeitos – 19 procedentes de venezuelanos e 10 de brasileiros. Até o momento, seis episódios foram confirmados. Uma criança venezuelana de 3 anos morreu.

    Cabe destacar que, até então, os últimos registros dessa moléstia no Brasil ocorreram entre 2013 e 2015, principalmente nos estados de Ceará e Pernambuco. Naquela época, foram contabilizados 1 310 casos no país. Em 2016, recebemos o certificado de eliminação do sarampo.

    Apesar do histórico recente e dos episódios em Roraima, o ministro Ricardo Barros praticamente descartou a possibilidade da disseminação da doença. “A situação não é preocupante porque está sob controle e as medidas estão tomadas. Todos os casos identificados são importados da Venezuela e não há nenhum autóctone [uma infecção de brasileiro para brasileiro]”, disse, à Agência Brasil.

    Esse otimismo, entretanto, não é compartilhado pelo pediatra Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim). “Hoje, o controle de infecções em geral é muito mais complexo, porque a circulação de pessoas é enorme e propicia surtos”, afirma. “Só podemos ficar tranquilos se nos vacinarmos”, arremata.

    Até porque não são apenas os venezuelanos que podem trazer a enfermidade. No ano passado, o número de casos de sarampo na Europa cresceu 400%. Logo, se um europeu com a doença viaja para o Brasil e entra em contato com um brasileiro não imunizado, pode dar início a um surto.

    Como o sarampo é transmitido e quais os sintomas

    Esse vírus é facilmente passado de um indivíduo para outro através de secreções. Ou seja, um espirro ou um beijo são o suficiente.
    Parte das pessoas que o contraem lidam com ele sem manifestar quaisquer sintomas. Mas algumas sofrerão com manchas no corpo, coceira, conjuntivite, febre…

    O maior problema, no entanto, envolve as crianças, que têm o sistema imunológico mais frágil. “Antes das vacinas, o sarampo foi uma das principais causas de mortalidade infantil no mundo”, reitera Kfouri.

    Ainda assim, os adultos não imunizados também devem se proteger. Falaremos das vacinas em si mais adiante, mas o fato é que, ao tomarem uma injeção, eles ajudam a bloquear surtos e impedir que os pequenos sejam infectados.

    Acha que isso é balela? Pois o caso do ex-surfista profissional Fabio Gouveia deixa isso claro. Durante uma viagem, ele pegou o vírus – e, no Brasil, espalhou-o para várias pessoas (inclusive seu filho). Veja o depoimento dele:

    A cobertura vacinal contra o sarampo

    Em Roraima especificamente, está acontecendo uma campanha de vacinação para impedir que o sarampo se alastre. Até porque a adesão à vacina tríplice viral (contra sarampo, caxumba e rubéola) caiu por lá nos últimos anos.

    Se em 2016 a primeira dose atingiu uma cobertura de 95,4% e a segunda, 76,7%, em 2015 as taxas baixaram para 83,2% e 68,5%. Esses últimos dados são preliminares, mas estão abaixo da meta, que é de 95%.

    Dito de outra forma, há, sim, pessoas suscetíveis ao sarampo e que, uma vez em contato com ele, podem disseminá-lo pelo Brasil. “Acima disso, a taxa de adesão não é homogênea no país. Temos locais com uma aparente ótima cobertura, enquanto outros possuem muitos indivíduos suscetíveis”, alerta Kfouri.

    No último informe do Ministério da Saúde sobre a cobertura de vacinas, de 2016, 66,7% dos municípios avaliados de Roraima estavam com esse índice abaixo do preconizado. No Brasil inteiro, o número ficou em 46%. Há, portanto, espaço para o sarampo avançar em certas regiões se nada for feito.

    “As vacinas deram tão certo que os mais jovens dificilmente viram um caso de sarampo ou de paralisia infantil, por exemplo”, diz Kfouri. “E isso dá uma falsa percepção de que não há motivo para se vacinar”, lamenta.

    Está aí um engano dos grandes: a maioria dos vírus e bactérias que assolaram o mundo em décadas passadas seguem circulando – nem que de forma mais restrita. Se baixarmos a guarda, portanto, eles ganham espaço e podem se disseminar globalmente outra vez.

    A vacina contra o sarampo

    E o que fazer então? Vacinar, vacinar e vacinar. Hoje, tanto a tríplice viral quanto a tetravalente (contra sarampo, caxumba, rubéola e catapora) estão disponíveis na rede pública e privada.

    Segundo Kfouri, a versão tríplice viral idealmente deve ser aplicada em bebês de 12 meses, com um reforço aos 15 meses de vida. O imunizante também é ofertado para pessoas de até 49 anos que não foram vacinadas. Se você não sabe se recebeu suas doses, converse com um médico e vá ao posto de saúde.

    A proteção conferida pela vacina é alta. Mais de 90% dos sujeitos que recebem as duas doses criam um bloqueio duradouro contra o vírus.

    Fora isso, ela é segura na população indicada. E, mesmo nos poucos casos em que gera reações adversas, pode ter certeza: eles são bem menos preocupantes do que a doença em si. “Não há risco de óbito pela vacinação, mas muitas crianças já morreram de sarampo”, afirma Kfouri.

    Só é importante conferir se o indivíduo é alérgico ou se possui alguma contraindicação. Nada que uma conversa com o profissional de saúde não resolva.

    A caderneta de vacinação

    Não faça pouco caso desse documento. Mais do que isso, mantenha-o atualizado com o passar dos anos. Não, vacina não é só coisa de criança.
    Hoje em dia, há protocolos para adolescentes, gestantes, pessoas com doenças crônicas, idosos e mesmo adultos considerados saudáveis. Ao tomar as injeções, você protege a si próprio e aos outros ao seu redor.

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  • Tarefas do dia-a-dia podem se tornar muito complicadas para pessoas com o transtorno de ansiedade – mas, segundo um estudo publicado no jornal científico Brain Sciences, um nível moderado desse sentimento até bombaria a nossa memória.

    Pesquisadores da Universidade de Waterloo, no Canadá, recrutaram 80 alunos com ansiedade. Todos observaram palavras escritas sobre diferentes imagens. Os resultados mostraram que participantes com níveis controláveis de ansiedade memorizaram mais detalhes e expressões.

    Segundo Myra Fernandes, professora do Departamento de Psicologia da Universidade de Waterloo e coautora do estudo, há uma explicação para isso. “Há algum grau positivo de ansiedade que beneficia a memória”, falou, à Business Insider. “Mas nós sabemos, por outras pesquisas, que altos níveis podem impactar negativamente a memória e a performance”, alertou.

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  • A partir de hoje, todos os produtos com alegações terapêuticas da empresa Bella Você Natural não podem ser distribuídos, divulgados e, principalmente, comercializados no Brasil. No portfólio da empresa, havia uma série de cápsulas, óleos, sementes e outros itens que ajudariam a emagrecer, combater a disfunção erétil, afastar a gripe…

    A medida, já publicado no Diário Oficial da União, decorre do fato de que a empresa em questão não tinha qualquer registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ou seja, nenhum de seus produtos tem qualquer comprovação de eficiência ou mesmo de segurança.

    Dito de outra forma, não dá pra saber se o que está no rótulo de fato corresponderia à realidade. E olha: as embalagens dos produtos, pelo menos no site, prometem maravilhas. Ah, se fosse verdade…

    Um único item, por exemplo, alega emagrecer, reduzir o colesterol, melhorar o humor, fortalecer o sistema imunológico, combater a TPM e regular o intestino! Ao se deparar com esse tipo de produto, desconfie. Se você pretende remediar algo, procure um profissional.

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  • Antes de tudo, é importante destacar que ter ovários policísticos não é sinônimo de sofrer com a síndrome do ovário policístico (SOP) e seus sintomas. Essa diferença também altera o tratamento.

    Veja: 20% das mulheres, ao fazerem um ultrassom, apresentam vários cistos no ovário. No entanto, a síndrome em si só é diagnosticada se há aumento de hormônios masculinos no corpo da mulher e um período menstrual irregular.

    Acredite: em alguns casos a paciente pode ter SOP e não apresentar vários cistos no ovário! O diagnóstico é definido quando pelo menos dois dos três critérios a seguir estão presentes: aumento da produção de hormônios masculinos, anovulação (período menstrual irregular) e exames de imagem com ovário policístico. Isso, claro, desde que outras doenças que cursam com sintomas parecidos sejam descartadas.

    A SOP em si atinge de 5 a 10% das mulheres em idade reprodutiva. Ela costuma surgir quando a hipófise, a glândula que regula a produção hormonal, acaba estimulando a liberação em excesso de andrógenos, os hormônios masculinos.

    Com isso, o amadurecimento dos óvulos, processo que ocorre todo mês, é comprometido. Quando a célula reprodutiva feminina não se desenvolve como deveria, vira um folículo enrijecido, que fica preso na região. É o famoso cisto no ovário.

    Portanto, aglomeração de cistos – em conjunto com o excesso de hormônios masculinos – pode impedir a formação de óvulos saudáveis e, consequentemente, alterar ou interromper o ciclo menstrual, levando à infertilidade. O aumento de andrógenos provoca ainda, entre outros sintomas, o aparecimento de acne e pelos no rosto.

    Por trás da síndrome do ovário policístico muitas vezes está a resistência à insulina, hormônio fabricado pelo pâncreas e responsável pelo controle do nível de açúcar no sangue. É que o desequilíbrio nessa produção pode desencadear o diabetes tipo 2. E os níveis de glicose muito elevados prejudicam os ovários, que passam a gerar mais andrógenos do que estrógenos, os hormônios femininos.

    Sintomas

    – Dificuldade para engravidar

    – Menstruação desregulada ou inexistente

    – Ganho de peso

    – Pele muito oleosa

    – Acne

    – Crescimento de pelos no rosto, nos seios e no abdômen

    – Queda de cabelo

    – Atenção: não é regra, mas primeiros sinais da SOP costumam aparecer na adolescência

    Causas e fatores de risco

    – Histórico familiar

    – Resistência à insulina

    – Obesidade

    A prevenção

    Embora não dê para evitar completamente a síndrome do ovário policístico, medidas com perda de peso em geral normalizam parte dos problemas. Estamos falando de espinhas, pelos, alterações menstruais… Levar uma vida saudável, com dieta leve e exercício físico, diminui até mesmo o risco de desenvolver diabetes tipo 2, outro fator de risco da SOP.

    O diagnóstico

    Desordens típicas da síndrome do ovário policístico podem ser confundidas com alterações da menstruação em si – entre elas o aparecimento da própria acne. Às vezes, esses sintomas e a própria irregularidade menstrual são intensificadas nos primeiros ciclos da adolescente. Por isso é importante procurar um ginecologista para uma avaliação logo que a menina entra na puberdade.

    Para o diagnóstico da SOP, o especialista leva em conta sintomas como irregularidade do ciclo menstrual e a presença de muitos pelos no rosto ou no corpo, além de testes laboratoriais que indicam o excesso de hormônios masculinos. Um exame de ultrassom ajuda: num quadro típico, ele revela a presença de dezenas de cistos ou mostra volume ovariano maior que 10 centímetros cúbicos.

    Mas, como já dissemos no início, é possível que a imagem do exame nem mostre essas alterações. Converse com o médico.

    O tratamento

    A síndrome do ovário policístico em si não tem cura. Mas o tratamento, aliado à adoção de um estilo de vida saudável, afasta as consequências.

    Antes de tudo, a pessoa deve praticar atividades físicas regularmente e ter uma dieta equilibrada, o que também significa maneirar no açúcar e na gordura.

    Se o médico constatar que a SOP está relacionada à resistência à insulina, a paciente via de regra será orientada a se medicar com metformina ou glitazonas, substâncias que corrigem esse defeito. Tais drogas afastam o risco de diabetes.

    Para aquelas que não querem engravidar, o tratamento é feito à base de pílula anticoncepcional. Ela contém doses de estrógeno e progesterona que normalizam o ciclo menstrual e diminuem a produção de hormônios masculinos. Uma alternativa é o uso exclusivo de progesterona.

    Caso o medicamento não dê resultados, pode-se optar pela cauterização laparoscópica dos cistos. É uma cirurgia pouco invasiva que, digamos, queima as estruturas que estão tomando conta do ovário.

    Por outro lado, quando há dificuldade para engravidar, a ovulação é induzida com substâncias como as gonadotrofinas e o clomifeno. O tratamento facilita a gestação porque torna o momento da ovulação mais previsível.

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