• saúde 27.02.2018 No Comments

    A marca Búfalo Dourado acaba de colocar nas gôndolas um queijo tipo grana padano feito com leite de búfala. Essa também foi a matéria-prima de um queijo cottage lançado pela Levitare. A categoria ainda conta com requeijão, ricota, manteiga, queijo frescal…

    De acordo com a nutricionista Ana Paula Del’Arco, consultora da Viva Lácteos, em geral o leite desse animal tem mais proteínas e menos colesterol do que a bebida da vaca. Só que carrega quase o dobro de gorduras.

    A pesquisadora Renata Costa, da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), conta, porém, que a fração gordurosa é formada por mais ácidos graxos conjugados, o CLA. E esse componente já está associado a ganhos ao sistema imune e proteção cardiovascular. Então, na hora das compras, guie-se pelo rótulo… ou pelo sabor.

    Menos alergênico?
    Quem tem reações alérgicas ao ingerir leite de vaca e derivados não deve se empolgar com os produtos procedentes da búfala. A nutricionista Renata Pinotti, do Hospital da Criança e Maternidade de São José do Rio Preto, no interior paulista, esclarece que as proteínas – substâncias que disparam a alergia – dos dois leites são bem similares. O mesmo vale para as bebidas de cabra e ovelha.

    Leites de vaca versus búfala
    Veja os nutrientes que costumamos encontrar em 250 mililitros (ou uma xícara de chá) dos dois produtos na versão integral

    Leite de búfala
    Proteína – 9,1 g
    Cálcio – 412 mg
    Calorias – 237 cal
    Gorduras – 16,8 g

    Leite de vaca
    Proteína – 7,9 g
    Cálcio – 276 mg
    Calorias – 146 cal
    Gorduras – 7,9 g

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  • saúde 23.02.2018 No Comments

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu as vendas da fralda descartável Megafral Baby, por falta de cadastro do produto na agência.

    Em resolução publicada no dia 7 de fevereiro, a agência determina que a venda do produto, fabricado e vendido pela empresa Megafral Indústria e Comércio Ltda, seja interrompida. O documento também estabelece que a empresa recolha o estoque existente no mercado.

    A agência também determinou a proibição das vendas do kit para parar de fumar da marca Fumodex, também por falta de registro, notificação ou cadastro. O Fumodex é um higienizador bucal para fumantes, que teoricamente atua no paladar, fazendo com que o consumidor deixe de sentir o gosto do cigarro. De acordo com a descrição do produto no Mercado Livre, o efeito é de aversão ao gosto do cigarro.

    A Anvisa não localizou a empresa fabricante do kit e determinou “como medida de interesse sanitário a apreensão em todo o território nacional do produto encontrado no mercado”.

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  • Esta notícia é para quem estava cético com a vacina fracionada da febre amarela. Um estudo de diversas entidades internacionais, entre elas o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, revela que essa dose gera uma resposta imunológica positiva em 98% dos casos – uma taxa parecida com a da versão convencional.

    Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores coletaram amostras de sangue de 716 indivíduos antes e um mês após receberem a vacina fracionada. Isso aconteceu na República Democrática do Congo no ano de 2016, em uma epidemia de febre amarela que assolou o país.

    Foi com base nesses testes que se notou a produção de anticorpos contra essa infecção na enorme maioria das pessoas que tomaram a injeção. “Descobrimos que a resposta imunológica à dose fracionada foi apropriada entre pessoas com mais de 2 anos”, escreveram os cientistas no artigo. “A proporção de pacientes que apresentaram soroconversão [que passaram a desenvolver anticorpos contra febre amarela] foi similar ao da dose completa”, completam.

    O levantamento não incluiu gestantes – portanto, segue a regra de que elas devem tomar a versão tradicional da vacina, desde que com o aval do médico. As crianças também exigem cuidados especiais.

    Mais: embora não tenha sido alvo da pesquisa, as reações adversas graves com a vacina fracionada na República Democrática do Congo foram raras, de acordo com dados epidemiológicos. A cada 200 mil doses aplicadas, uma gerava problemas sérios – taxa parecida com a observada durante campanhas que usaram a versão convencional no Oeste africano.

    O que é a vacina fracionada e quanto dura
    Não tem segredo. Em resumo, essa versão possui apenas um quinto da dose tradicional. Com isso, uma mesma quantidade do imunizante pode ser oferecida a mais pessoas, o que expande o acesso à vacina em situações de surto como o do Brasil.

    O artigo científico em questão dá segurança para que as pessoas saiam dos postos de saúde sabendo que estão realmente protegidas contra a febre amarela, mesmo que tenham tomado a versão fracionada.

    Mas por quanto tempo dura essa blindagem? Ainda não dá pra saber ao certo, mas, de acordo com outro estudo, pelo menos oito anos. É um tempo mais do que suficiente para revertermos essa crise que ameaça principalmente São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia. Já a vacina tradicional tem eficácia garantida para o resto da vida.

    As campanhas de vacinação
    O mais importante recado é: se você faz parte do grupo de risco, pode aproveitar as campanhas para tomar a vacina fracionada numa boa. Até o momento, vários municípios de São Paulo e Rio de Janeiro registram taxas de adesão baixas, o que favorece a disseminação da febre amarela.

    A Bahia começa sua campanha hoje, dia 19 de fevereiro. E o estado paulista já anunciou que vai prorrogar sua campanha até o dia 2 de março.

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  • Que tal se refrescar, nesse calorão, com uma taça de frozen à base de farinha de beterraba? Pois saiba que 30 pessoas receberam o convite para degustar a nova receita, bolada por cientistas da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) e da Universidade do Alto Vale do Rio do Peixe (Uniarp).

    O sucesso foi absoluto – e não só pelo sabor. A turma se deleitou com doses extras de fibras, potássio, magnésio e cálcio. Mas o destaque ficou por conta de antioxidantes poderosos. Desse grupo, o nome que sobressai é a betalaína, que inclusive confere o tom peculiar do vegetal. “Nós também criamos um cookie, e as crianças que participaram da degustação adoraram”, conta a química Bianca Schveitzer, da Epagri, e uma das autoras do trabalho que avaliou os teores de nutrientes desses preparos diferenciados.

    Os estudiosos catarinenses não dispensaram nem mesmo folhas e talos em novas experiências. Segundo o engenheiro agrônomo Gentil Gabardo, professor da Uniarp, essas partes são ótimas fontes de vitaminas e sais minerais. Aliás, às vezes até levam a melhor em quantidade quando comparadas à própria beterraba. Panquecas e pães enriquecidos com a nutritiva farinha são os próximos itens a sair do forno dos pesquisadores.

    Beterraba para o coração… e muito mais
    Em outros pontos do país, o alimento também protagoniza novos estudos. A nutricionista Anna Paula Oliveira Gomes, juntamente com as professoras Patrícia Borges Botelho, da Universidade de Brasília (UnB), e Caroline Dario Capitani, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), apurou a atuação de folhagens e hastes da planta em prol dos vasos sanguíneos.

    Para isso, elas ofereceram uma bebida preparada com essas partes a um grupo de indivíduos com colesterol e triglicérides alterados após uma refeição repleta de gordura saturada – aquela que, em excesso, ameaça o coração. Os resultados indicam que a receita é capaz de minimizar a redução de HDL, o chamado bom colesterol. Em outras palavras, há indícios de que ela contribua para o equilíbrio nas taxas da molécula gordurosa, mecanismo que zela pela saúde cardíaca.

    Por trás desse feito estão compostos flavonoides de nomes bem peculiares. “As folhas e os talos de beterraba são ricos em vitexina-ramnoside”, exemplifica Anna Paula. Eles conseguem a façanha de modular proteínas envolvidas no transporte de colesterol, promovendo uma espécie de faxina nas artérias. Assim, elas tendem a ficar livres de processos inflamatórios e entupimentos.

    Não há dúvidas de que o coração bate feliz quando tem beterraba no prato. Um estudo publicado no periódico Hypertension comprovou que seu suco ajuda a reduzir a pressão. O alimento melhora a função e a elasticidade dos vasos – aí o sangue circula sem aperto. Embora o efeito resulte do combo de substâncias presentes no vegetal, um ingrediente especial desperta a atenção da ciência nesse quesito: o nitrato.

    O tal nitrato presente nos talos, nas folhas e na própria beterraba tem o mérito de apresentar alto poder vasodilatador. Em outras palavras, ele é precursor de óxido nítrico, substância que é velha conhecida por relaxar as artérias.

    Portanto, favorece a oxigenação de todo o organismo. De olho nisso, já dá para imaginar que o consumo da hortaliça também agrade ao cérebro, né? Um trabalho publicado na revista científica Journals of Gerontology comprova a benesse.

    Pesquisadores deram uma bebida à base da hortaliça a um grupo de 25 voluntários com mais de 55 anos de idade antes da prática de exercícios. Ao final da experiência, observou-se um impacto positivo na região cerebral relacionada ao controle motor.

    Outra evidência que cada vez ganha mais força é de que o nitrato contribui com a demanda de oxigênio para a musculatura. Daí o posto de parceiro dos esportistas. Há, inclusive, comprovação de que aumente a capacidade física.

    O nutricionista Murilo Dáttilo, da RG Nutri, na capital paulista, comenta que, em situações específicas, caso de competições, há indicação de suplemento de suco de beterraba com concentração de nitrato padronizada.

    Não significa, veja bem, que qualquer pessoa possa sair por aí consumindo esses produtos, tá? Vale ressaltar que a cautela é restrita ao uso de suplementação. Não há contraindicação quando se trata do alimento in natura.

    Cada parte, um benefício
    Folhas: são as responsáveis por dar gás ao desenvolvimento do vegetal, transformando energia luminosa em carboidratos. Guardam boas doses de minerais e de vitamina C, baita aliada da nossa imunidade.

    O macete é prestar atenção na hora da compra. A folhagem deve ser brilhante. As chamadas folhas de beterraba baby são ótimas cruas em saladas e sucos. Mas, para total absorção dos nutrientes, vale refogá-las rapidamente.

    Talos: além de sustentar as folhas, conduzem nutrientes para a raiz. Não à toa concentram fibras, vitaminas e substâncias como os carotenoides, festejados principalmente pela proteção aos nossos olhos.

    Observe se o tom das hastes está bem vivo e capriche na higienização antes de botar na panela. Dá para incluir em receitas de omeletes, vinagretes, sopas, quiches, farofas, patês e até bolos.

    Raiz: é o órgão de reserva da planta. Acumula açúcares, que são a fonte de energia utilizada nos processos celulares. Seu diferencial, porém, é a coloração resultante de potentes antioxidantes, as betalaínas.

    Cozinhar com casca, em panela de pressão, é uma boa pedida para evitar grandes perdas, especialmente das badaladas betalaínas. Outra opção que preserva seus nutrientes é consumir a beterraba crua em saladas, sanduíches e sucos.

    O açúcar da beterraba é um perigo?
    Sem paranoia: até diabéticos podem colocar a beterraba no cardápio. “Ela não é proibida”, afirma a nutricionista Maristela Strufaldi, da Sociedade Brasileira de Diabetes. O teor de carboidrato é baixo e até parecido com o de alimentos insuspeitos, caso do chuchu.

    Isso sem falar na presença das fibras, substâncias que asseguram uma resposta glicêmica gradual – assim, não há picos de açúcar no sangue. Maristela explica que há muita confusão em torno da hortaliça. “É a versão branca que serve de matéria-prima para a produção de açúcar”, lembra. Aí a colorida acaba banida do prato injustamente.

    O engenheiro agrônomo Luis Felipe Villani Purquerio, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), explica que existem diferentes tipos de beterraba, mas que é somente da branca que se extrai a sacarose. “Ela tende a acumular mais açúcar”, ensina.

    No Brasil, graças à abundância de cana-de-açúcar, não usamos a hortaliça para esse fim, mas em países como a França ela atende à boa parte do mercado açucareiro. E quem deu impulso a essa indústria foi ninguém menos que Napoleão Bonaparte (1769-1821). O imperador entregou pessoalmente uma medalha ao cientista que criou a primeira fábrica.

    Apesar do parentesco forte, a beterraba esbranquiçada perde feio para a vibrante no quesito antioxidantes. “Essa capacidade é menos expressiva devido à ausência das betalaínas”, explica a bióloga Ana Paula Preczenhak, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo, em Piracicaba. Muito mais que colorir o vegetal e combater radicais livres, as betalaínas têm propriedades anti-inflamatórias e já figuram em estudos pela sua capacidade de proteger contra o câncer.

    Não se assuste se esse grupo de pigmentos deixar sua marca no vaso sanitário. “Eles podem passar quase intactos pelo trato digestivo, interferindo com a cor das fezes“, explica a nutricionista Norka Beatriz Barrueto, professora da Universidade Estadual Paulista (Unesp). A professora avisa que o efeito tende a cessar após 48 horas e acredita que essa situação não sinaliza anemia, como já foi sugerido.

    Por falar em deficiência de ferro, embora a raiz ofereça o mineral, ele não é bem aproveitado. “Para melhorar a absorção, consuma a hortaliça junto de um alimento fonte de vitamina C”, sugere a nutricionista Renata Guirau, do Oba Hortifruti. Então, que tal um suco de laranja com beterraba no próximo café da manhã? Abuse da criatividade e deixe o resto por conta da super-hortaliça.

    O que a beterraba é, afinal?
    Originária das regiões de clima temperado da Europa e do norte da África, a beterraba (de nome oficial Beta vulgaris) é chamada popularmente de raiz tuberosa, uma designação comum a vegetais que acumulam nutrientes na raiz principal e embaixo da terra. Como servem de estoque energético para a planta, essas hortaliças são muito ricas. A má notícia é que, mesmo abaixo do solo, não estão livres de apresentar resíduos de defensivos agrícolas, os indesejáveis agrotóxicos. Portanto, sempre que der, priorize as versões orgânicas.

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  • Eliminar fontes de carboidratos – pães, massas e afins – da rotina está na moda. Discussões à parte sobre o efeito disso na perda de peso, um novo estudo dá motivos para grávidas ou mulheres que estão planejando engravidar não seguirem a tal dieta low carb.

    Segundo os pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill (EUA), esse padrão alimentar aumenta o risco de o feto apresentar defeitos no tubo neural, o que pode levar a incapacidades para o resto da vida e até mesmo à morte. No trabalho, foram analisadas 11 285 gestações ocorridas entre 1998 e 2011.

    “Nós já sabíamos que a dieta da mulher antes e durante a gravidez tem papel importante no desenvolvimento do feto. A novidade é a sugestão de que uma dieta com pouco carboidrato pode aumentar o risco de o bebê ter defeitos no tubo neural em 30%”, informou a pesquisadora Tania Desrosiers, ao site da instituição. “Isso é preocupante, especialmente porque as dietas low carb são populares”, acrescentou.

    Para a cientista, esses achados demonstram a importância de a mulher, ao engravidar, conversar com profissionais de saúde sobre qualquer dieta ou hábito alimentar.

    O tal do ácido fólico
    Trata-se do nutriente essencial para garantir o bom desenvolvimento do tubo neural. Nos Estados Unidos, desde 1998 os produtos à base de grãos são enriquecidos com o ácido fólico. No Brasil, não é diferente. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também exige que as farinhas de trigo e milho sejam turbinadas com a substância.

    De olho nisso, fica fácil entender por que abolir massas, pães e companhia não é uma boa ideia durante a gravidez ou no momento que antecede a concepção do bebê. Aí você pode pensar: “mas basta tomar um suplemento!”.

    A questão é que, como muitas gestações não são planejadas, boa parte das mulheres só recorre a esses itens mais tarde, depois que o defeito no tubo neural já teria ocorrido. Daí a relevância dos alimentos enriquecidos com o ácido fólico.

    De acordo com Tania, autora da pesquisa, investigações futuras são necessárias para ver se essa relação é válida para outras populações e também para entender exatamente de que maneira o consumo de carboidratos se relaciona com prejuízos no tubo neural.

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  • A depressão, a ansiedade e a síndrome do pânico, desordens mentais muitas vezes negligenciadas entre a família e os amigos devido ao desconhecimento que ainda existe sobre essas doenças, são um problema sério e cada vez mais comum. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), hoje existem mais de 350 milhões de deprimidos em todo o planeta.

    Além dos sintomas intrínsecos ao quadro — tristeza profunda, isolamento social, falta de entusiasmo com a vida… —, a depressão (e mesmo o transtorno de ansiedade e a síndrome do pânico) agrava ou se soma a fatores de risco tradicionalmente reconhecidos como causadores das doenças cardiovasculares, caso de obesidade, tabagismo, pressão elevada, colesterol alto, diabetes, sedentarismo…

    Um estudo interessante sobre o tema, conduzido pelo médico Kalil Duaillib, professor titular de psiquiatria da Universidade de Santo Amaro (Unisa), foi apresentado no último Congresso da Socesp (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo) em 2017.

    O trabalho deixa claro que o manejo do estresse e o tratamento da depressão — bem como da ansiedade e do pânico — contribuem para a redução da ocorrência de eventos cardiovasculares. Os riscos são concretos, uma vez que os problemas de origem mental estão associados a situações comprovadamente ameaçadoras para o coração.

    Uma delas é a insônia, caracterizada pela demora excessiva para dormir, acordar com frequência durante o sono ou despertar antes do tempo adequado. Quem tem insônia e dorme por volta de seis horas por noite corre um risco 30% maior de desenvolver hipertensão no comparativo com pessoas com sono normal. Já quem tem insônia e dorme menos de cinco horas por noite enfrenta um risco 520% maior!

    As pessoas com transtorno de ansiedade generalizada (TAG) apresentam, por sua vez, um risco 30% maior de ter uma doença cardiovascular.

    Ao redor das dificuldades psicológicas rondam outros fatores nocivos ao sistema circulatório. No Brasil, assim como ocorre no México, vem aumentando de maneira expressiva o consumo de álcool pela população. Além disso, 1,5 milhão de brasileiros com mais de 18 anos fuma maconha todos os dias e 8,4 milhões o fazem quatro vezes por semana. Muitos desses comportamentos estão relacionados a depressão, estresse, ansiedade e síndrome do pânico.

    É preciso considerar também que o indivíduo deprimido não raro abandona o tratamento de uma enfermidade e tende a ingerir álcool e outras substâncias.

    Repito: depressão, ansiedade e síndrome de pânico são problemas graves. Esses inimigos aparentemente invisíveis da saúde e do coração não são simples crises de tristeza, abatimento ante um fato pontual da vida ou melindre, temperamento e capricho, como às vezes são interpretados pela sociedade. Falamos de doenças que merecem máxima atenção, apoio e tratamento médico especializado. Inclusive pelo bem do coração!

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  • A cirurgia bariátrica não é uma solução mágica contra a obesidade. E, segundo um estudo ainda em andamento na Universidade de São Paulo (USP), ela nem vale tanto a pena se não vier acompanhada de exercícios físicos.

    Até agora, os cientistas angariaram dados como gordura corporal, massa muscular e densidade óssea de quase 40 mulheres que passaram pela operação de redução de estômago. “Só que, três meses após a operação, submetemos metade a exercícios regulares”, relata o educador físico Hamilton Roschel.

    Em seis meses de treino, notou-se que essa turma enxugou bem mais a barriga. Além disso, praticamente recuperou a força muscular perdida depois de entrar na faca, enquanto as sedentárias definharam pra valer. “A cirurgia pode ajudar, mas não livra as pessoas das mudanças de hábito”, conclui Roschel.

    Veja outros motivos que mostram como a atividade física é fundamental para quem se submete a esse procedimento:

    As artérias ganham
    A operação aprimorou a capacidade de os vasos dilatarem, o que afastaria a hipertensão. Mas tal melhoria foi se esvaindo entre quem não malhou.

    O diabetes perde
    Embora a resistência à insulina – situação que deixa glicose sobrando no sangue e é o primeiro passo para o diabetes – tenha sido atenuada com a cirurgia, manteve-se mais controlada no grupo ativo.

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  • Não há dúvidas sobre a importância da vacinação contra a febre amarela. Mas, segundo informações da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc), graças à repercussão dos novos casos dessa doença, muitos pacientes com câncer se preocuparam e foram aos consultórios médicos pedir orientação.

    Ainda bem! Ora, uma vez que o sistema imunológico fica fragilizado em decorrência de certos tratamentos antitumorais, cresce a possibilidade de reações graves à matéria-prima da vacina. Para quem não sabe, ela é composta de uma versão atenuada do vírus em questão, utilizada justamente a fim de estimular o organismo a desenvolver os anticorpos necessários para combatê-lo.

    “A principal orientação é que os prós e contras sejam discutidos de maneira individualizada com um oncologista”, destacou, em comunicado à imprensa, Rodrigo Munhoz, diretor da Sboc. Abaixo, três fatores que inviabilizam a injeção entre os pacientes com câncer:

    1. Uso de quimioterapia venosa ou oral, terapia-alvo ou imunoterapia. O ideal é esperar de três a seis meses após o término do tratamento antes de se vacinar, variando de acordo com o medicamento.

    2. Para o uso de corticoides, recomenda-se esperar pelo menos um mês.

    3. Transplante de medula óssea realizado há menos de dois anos ou situações em que o paciente apresenta sinais de complicação ou toma medicamentos imunossupressores.

    Redobre os cuidados se você tem…
    – 60 anos ou mais
    – Outro problema de saúde
    – Algum tipo de alergia (principalmente a ovos e gelatina)
    – Histórico de reações negativas a vacinas

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  • Procurar e ter acesso ao tratamento de câncer no Brasil pode se tornar uma missão desgastante. Às vezes, pacientes e familiares só conseguem obter medicamentos ao importá-los com seus próprios recursos. Em outras situações, imperam os processos judiciais, meios legais encontrados para garantir o acesso aos próprios direitos. A exemplo do mieloma múltiplo (MM), a luta do indivíduo para receber os mais modernos tratamentos é árdua e antiga.

    A doença não é só subestimada como subtratada no país. Para começar, não existem números oficiais de casos desse tipo de câncer. Estima-se, por enquanto, de 5 a 7 casos a cada 100 mil habitantes. Mas há outro agravante na história: apesar da maioria dos casos de MM ocorrerem a partir da terceira idade, a patologia vem sendo diagnosticada em pacientes cada vez mais jovens, antes mesmo dos 40 anos.

    Enquanto nos Estados Unidos 35% dos pacientes são diagnosticados por meio de exames de rotina – antes mesmo de a doença apresentar sintomas -, no Brasil 85% dos casos de mieloma múltiplo costumam ser identificados em estágio três, quando as manifestações são bem explícitas, como as fortes dores lombares e torácicas. Ou seja, é um momento em que a qualidade de vida já foi bem comprometida. Entre os sintomas da enfermidade que acomete a medula óssea estão: dores ósseas, aumento da possibilidade de fraturas, danos aos nervos, infecções e danos renais.

    Eu defendo e acredito que a difusão de informações da patologia deve ser intensificada e constante. Além de alertar os pacientes, esse conteúdo precisa estar acessível aos médicos e demais profissionais da saúde.

    Contribuímos ativamente para isso com o nosso trabalho na International Myeloma Foundation Latin América, que não só propaga dados sobre a doença, como oferece apoio aos pacientes e seus familiares.

    Em 2004, quando entrei nessa luta após a morte da minha mãe, diagnosticada com o mieloma múltiplo, esse cenário era ainda mais complicado. Gradativamente a situação foi mudando.

    Para identificar o MM, um dos principais testes é a eletroforese de proteínas, exame de sangue que mede a quantidade total de imunoglobulina, alterada em pessoas com o tumor. E a boa notícia: é possível fazê-lo no SUS.

    Um dos impasses nessa história, porém, consiste nas dificuldades de acesso ao tratamento. A não disponibilidade de algumas medicações sempre restringiu as opções terapêuticas no Brasil – um atraso de quase uma década em relação a outros países.

    Felizmente, começamos o ano com uma boa novidade. A droga lenalidomida, já presente em 70 países, finalmente foi aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Com isso, esperamos que o remédio passe a ser comercializado ainda neste primeiro semestre, após mais de oito anos de muita batalha (e espera).

    Usada recorrentemente nos Estados Unidos e na Europa, a substância representa um avanço na classe de medicamentos imunomoduladores, justamente por ser mais potente e apresentar menos efeitos colaterais. A lenalidomida é um recurso importante em casos de recidiva (retorno) da doença.

    Sua disponibilidade no Brasil representará um marco na história. Agora, mais do que nunca, o paciente terá uma nova opção de tratamento e mais chances de decidir por melhor qualidade de vida após o diagnóstico. Sem contar que o medicamento aumenta as taxas de resposta ao tratamento e desacelera a progressão do mieloma múltiplo.

    Tenho certeza de que vivemos um momento mais do que propício para o paciente decidir o seu tratamento juntamente com o médico. Com mais recursos, fica mais fácil analisar e decidir qual a forma de administração mais indicada do medicamento, quais as melhores combinações e por aí vai. Além de levar em conta, de forma mais particular, os efeitos colaterais dessas drogas. Devemos comemorar – mas continuar batalhando.

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