• Doença de Chagas, hanseníase, febre amarela, malária… Enfermidades bastante comuns no Brasil há séculos foram reduzidas e até controladas nas últimas décadas. Mas uma delas continua a se expandir e preocupar as autoridades: a leishmaniose.

    Ela é causada por diversas espécies de protozoários do gênero Leishmania, que invadem células de defesa chamadas macrófagos. Mas sua transmissão depende da picada de insetos conhecidos como flebótomo, mosquito-palha ou birigui.

    Estima-se que entre 20 e 25 mil pessoas sejam infectadas todos os anos por aqui — o problema está espalhado por vários estados, mas tem maior incidência em locais como Amazonas, Acre, Pará, Mato Grosso e Bahia. Somos os campeões em números de casos nas Américas, junto com países andinos como o Peru e o Equador.

    Aproximadamente 12% da população brasileira possui o micro-organismo circulando pelo corpo — na maioria das vezes, ele é silencioso e não causa complicações. Mas, às vezes, uma baixa na imunidade pode despertar esse inimigo. “Estamos falando de um quadro amplamente disseminado e em franca expansão”, constata o infectologista Marcelo Simão Ferreira, da Universidade Federal de Uberlândia, em Minas Gerais. O especialista deu uma aula sobre o tema no último Congresso Brasileiro de Infectologia.

    A leishmaniose se manifesta de duas maneiras: por meio de lesões na pele ou em órgãos como o fígado, o baço e a medula óssea. Além de humanos, ela acomete os cachorros — para nossos amigos caninos, há inclusive uma vacina e uma coleira inseticida que acaba com os mosquitos transmissores.

    Mas por que a doença continua a crescer?

    Existem vários motivos para isso. O primeiro é a negligência e a falta de investimentos em pesquisas e campanhas de conscientização. O diagnóstico laboratorial até avançou nos últimos tempos, mas segue com um preço elevado.

    Outro fator que complica esse cenário é a quantidade de espécies causadoras da moléstia — só no Brasil, há uns sete tipos de Leishmania circulando. Definir o agente que está por trás dos sintomas é essencial para determinar a melhor forma de tratamento.

    Entre as atitudes preventivas, é possível pensar em medidas de controle do mosquito, como instalação de telas em portas e janelas de casas em locais com maior número de casos. Repelentes podem ser indicados em algumas situações.

    Por fim, não existe nenhuma droga específica para combater o protozoário. Os médicos lançam mão de quimioterápicos da classe dos antimoniais pentavalentes, utilizados desde a década de 1940. Ainda se discute a necessidade de associar outros fármacos na terapia.

    Para piorar, a leishmaniose costuma aparecer mais frequentemente em pacientes com alguma condição crônica, como a asma e a aids. “Portadores do vírus HIV, aliás, têm um risco de 100 a 2 mil vezes maior de desenvolver a doença quando o protozoário invade o organismo”, completa Ferreira.

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  • O diabetes do tipo 2 costuma ser associado ao consumo desenfreado do açúcar. Mas de nada adianta maneirar nesse ingrediente e ir para o lado oposto, abusando dos alimentos cheios de sal. Um estudo realizado por pesquisadores suecos e finlandeses demonstra que o sódio, mineral presente no tempero, elevaria o risco de a doença surgir.

    No trabalho, que foi recentemente apresentado no congresso anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes, os pesquisadores também encontraram ligação entre excesso de sódio e a ocorrência de um quadro chamado diabetes autoimune latente em adultos (ou Lada, na sigla em inglês), que seria bastante confundido com o diabetes do tipo 2. Só que, nesse caso, trata-se de uma doença de progressão bem mais lenta e que não exige tratamento com insulina.

    O estudo

    Liderados pela Dra. Bahareh Rasouli, do Instituto Karolinska, na Suécia, os pesquisadores avaliaram dados de 355 indivíduos com a tal Lada, 1 136 com diabetes tipo 2 e 1 379 pessoas saudáveis.

    A alimentação diária dos participantes foi analisada por meio de questionários. Outras informações essenciais também entraram na conta, como idade, sexo, índice de massa corporal (IMC), tabagismo, nível de atividade física, consumo de álcool e fatores de risco genéticos para o diabetes.

    Os voluntários foram divididos em três grupos diferentes, de acordo com o tipo de consumo de sal. Ou seja, alto (mais de 7,9 gramas por dia), médio (entre 6 e 7,9 gramas) e baixo (até 6 gramas). E os integrantes da primeira turma apresentaram um risco quase 60% maior de receber o diagnóstico de diabetes tipo 2 do que o último. Não custa lembrar que a Organização Mundial da Saúde recomenda uma ingestão de até 2 gramas de sódio por dia, o que dá aproximadamente 5 gramas de sal.

    Os dados ainda mostraram que cada grama extra de sódio (o correspondente a cerca de 2,5 gramas de sal) aumentaria em até 43% o risco de uma pessoa se tornar diabética do tipo 2. Já em relação à Lada, cada grama do mineral elevaria em impressionantes 73% a probabilidade de esse quadro dar as caras.

    Os estudiosos não chegaram a investigar de que maneira o abuso do mineral contribuiria para o diabetes aparecer. Porém, especula-se que a substância pode levar à resistência à ação da insulina. E se esse hormônio não atua direito, a tendência é sobrar açúcar no sangue. Além disso, há evidências de que o sódio estaria ligado ao ganho de peso, um conhecido fator de risco para o diabetes do tipo 2.

    O jeito é maneirar

    Em entrevista ao portal Medical News Today, a líder da pesquisa admite que, por conta de o acompanhamento da dieta dos participantes ter acontecido através de questionários, é possível que as conclusões não sejam tão exatas assim. Afinal, muita gente não se lembra direitinho de tudo que comeu – ou pode deixar de relatar certos alimentos.

    Mas ela ressalta que não devemos subestimar os perigos do sódio em relação ao diabetes. Para a cientista, o próximo passo é avaliar se a diminuição do consumo de sal ajudaria na prevenção do distúrbio.

    Mas não é preciso esperar os resultados desses novos trabalhos para maneirar no sal e na ingestão de alimentos ricos em sódio – como é o caso de muitos industrializados. Afinal, já está mais do que claro que o excesso do mineral contribui para a subida da pressão arterial, o que nos deixa mais suscetíveis a problemas como infarto e derrame.

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  • Ele é conhecido como açaí da palmeira juçara, planta nativa da Mata Atlântica. Sim, é a mesma que dá origem ao palmito

    Se confiar na aparência, dá para confundir o açaí amazônico (aquele tradicional) com o fruto da palmeira juçara. “Eles são do mesmo gênero, mas de espécies diferentes”, ensina a nutricionista Cynthia Howlett, do Rio de Janeiro. Isso explica certas particularidades. De acordo com a especialista, o produto da juçara tem três vezes mais antocianinas, substâncias protetoras do coração e do cérebro.

    Se quiser provar, a Ciano Indústria de Alimentos Sustentáveis lançou a marca Juçaí, que oferece a polpa desse fruto somada a ingredientes como inhame (fonte de fibras) e frutas, cheias de vitaminas e minerais. Por ser adoçado, é bom pegar leve. “Logo mais teremos a versão zero açúcar”, avisa Cynthia, consultora da marca. Abaixo, você confere o que encontramos em 100 gramas da polpa dos dois tipos:

    Açaí do Pará

    Energia: 51,4 cal

    Antocianinas: 17,5 mg

    Carboidratos: 4,3 g

    Gorduras totais: 1,3 g

    Açaí da juçara

    Energia: 63,8 cal

    Antocianinas: 61,8 mg

    Carboidratos: 5,7 g

    Gorduras totais: 3,5 g

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  • O fim do feriadão trouxe um incentivo especial para os jovens cuidarem da saúde: começou nesta segunda-feira (11) a Campanha Nacional de Multivacinação, do Ministério da Saúde. A iniciativa vai até o dia 22 de setembro e contempla crianças e adolescentes de até 15 anos de idade, com foco na prevenção de 18 doenças diferentes.

    O intuito é colocar as cadernetas de vacinação em dia. É essencial, portanto, que os interessados levem aos postos de saúde esse documento, junto de identificação.

    Caso a carteirinha tenha sido perdida, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo sugere que os pais levem os filhos ao mesmo local onde o vacinaram no passado. Assim, será possível verificar quais doses estão faltando.

    Para os menores de 7 anos, a atual campanha terá vacinas para tuberculose, poliomelite, rotavírus humano, pneumocócica 10 valente, tetra viral ou tríplice viral mais varicela (atenuada) e hepatite A. Já para os mais grandinhos, as doses vão focar em difteria, tétano e HPV. E todos terão a chance de se imunizar para coqueluche, hepatite B, febre amarela, meningite e tríplice viral.

    Cada estado adotará medidas específicas para incentivar essa campanha. Em São Paulo, por exemplo, haverá um “Dia D”: em 16 de setembro, um sábado, uma espécie de mutirão vai incentivar a vacinação. Serão cerca de 315 mil profissionais espalhados por 5,1 mil postos diferentes, das 8h às 17h.

    Cabe ressaltar que as picadas serão aplicadas na molecada que não está com a carteirinha em dia. Ou seja, se o seu filho tomou tudo direitinho, você não precisa arrastá-lo até o posto de saúde.

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