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    Origem: uma árvore encontrada na Indonésia, na Índia e no Madagascar é a fonte dos botões de flor de cravo, que são ressecados na culinária. Esse tempero é conhecido desde a Antiguidade por propriedades antissépticas e de conservação de alimentos.

    Já na época das Grandes Navegações, foi tido como uma especiaria valiosíssima. Para ter ideia, um quilo de cravo seco chegou a custar um quilo de ouro!

    Forma de uso: você pode recorrer ao cravo seco inteiro ou triturado em pó. Adicione junto com os outros ingredientes para que libere os aromas durante o cozimento.

    Com o que combina: no Brasil, o cravo é mais utilizado em sobremesas, como doce de abóbora, canjica, arroz doce. Mas seu gosto adocicado também harmoniza com batata doce, beterraba, cenoura e abóbora. Aliás, pode ser um contraponto interessante para conservas e picles, presuntos e carne de caça.

    Com o que não combina: seu sabor é dominante. Por isso, apaga o gosto de alimentos frescos, a exemplo de saladas e legumes.

    Benefícios nutricionais: os antigos tinham razão — o cravo é um ótimo antisséptico. Um estudo da Universidade Miguel Hernández (Espanha) confirma que o tempero é rico em substâncias antioxidantes e bactericidas.

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    A bexiga hiperativa é caracterizada pela urgência de fazer xixi, podendo ou não ser acompanhada de incontinência urinária — apesar de mais comum em idosos, afeta todas as idades. Agora, uma pesquisa com portadoras da síndrome concluiu que ela está ligada a distúrbios mentais.

    Das 274 participantes, 59,8% tinham depressão e 62,4% mostraram sinais de ansiedade. Os números expressivos servem de alerta: “Abordar os aspectos psicológicos é importante no tratamento dos sintomas urinários, mas, muitas vezes, acaba sendo deixado de lado pelos profissionais da saúde”, lamenta a terapeuta sexual Iane Melott, autora do trabalho realizado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em comunicado. “Escutar as queixas das mulheres, aprofundando o conhecimento de suas vivências, pode permitir uma melhor compreensão sobre o problema”, arremata.

    Os especialistas dizem que não dá para saber se a bexiga hiperativa causa depressão e ansiedade ou o contrário. Mesmo assim, conseguiram observar que, quanto maior a intensidade de um desses transtornos, maior a probabilidade de o outro se manifestar.

    Mais de 50% das brasileiras que sofrem com o distúrbio não procuram tratamento, que pode incluir fisioterapia, cirurgia, terapia comportamental e medicamentos. Sem as intervenções, a qualidade de vida das pacientes cai substancialmente. “Em alguns casos, elas deixam de trabalhar ou fazer uma viagem”, exemplifica Iane. “Muitas vezes, a mulher com a síndrome já sai de casa pensando se vai ter banheiro, se vai poder ir ao banheiro e em que momento isso vai ser possível”, conclui.

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  • Dicas, Doenças 16.02.2017 No Comments

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    As doenças inflamatórias intestinais — nome que reúne a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa —, estão em ascensão entre adultos jovens. “Elas têm aumentado nos últimos dez anos e acredita-se que isso não seja apenas fruto do maior número de diagnósticos”, afirma gastroenterologista brasileira Dídia Cury.

    Já foram identificados diversos genes ligados a elas, mas é provável que o estilo de vida favoreça sua erupção e as crises. Apesar de ainda não conhecermos os mecanismos exatos, o estresse, o tabagismo e a dieta desbalanceada podem influenciar os sintomas e a gravidade do quadro.

    As estimativas mostram que essas enfermidades são muito mais comuns no Ocidente — e, ao que tudo indica, os hábitos deste lado do globo pesam a favor de novos casos. Além disso, corre a hipótese de que a adoção demedidas de higiene e de extermínio de micro-organismos (desinfetantes e por aí vai) repercuta negativamente no corpo de pessoas com propensão a tais doenças.

    Sem vírus e bactérias para enfrentar, o sistema imune delas passa a descontar na flora intestinal. E aí nasce o incêndio. “Estamos diante de problemas complexos, com diversas manifestações, e que precisam ser acompanhados porque comprometem a qualidade de vida”, alerta Dídia.

    Como já adiantamos, um intestino em chamas representa ameaça a outros cantos do corpo. “Tanto a doença de Crohn quanto a retocolite podem ocasionar manifestações fora desse órgão”, afirma a cirurgiã do aparelho digestivo Angelita Habr-Gama, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, na capital paulista. E, por incrível que pareça, às vezes um sinal na periferia aparece antes mesmo do rebuliço dentro da barriga.

    “Há pessoas com dores nas articulações motivadas pelo problema que só apresentam mais tarde os sintomas no intestino”, conta Dídia Cury. Essa situação nos permite imaginar a dificuldade em fazer o diagnóstico precoce.

    As doenças inflamatórias não poupam os olhos, o fígado nem os rins. Até cálculo renal elas patrocinam! “Nessas condições, há muita perda de líquido por causa das diarreias e um aumento na absorção de oxalato, substância que, na urina, pode se transformar em cristal”, explica o nefrologista Nestor Schor, da Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp.

    O estado nutricional também é abatido. Dependendo da região do intestino afetada, temos um prejuízo na absorção de vitaminas e outros nutrientes. São razões de sobra para procurar um especialista se houver suspeita de um dos males.

    O diagnóstico

    “Para fecharmos o diagnóstico, recorremos a exames de imagem, de sangue e métodos como a colonoscopia”, informa Dídia. Detectado o martírio, a ciência dispõe de meios cada vez mais eficazes para controlá-lo.

    É difícil falar na cura dessas doenças, mas estamos aprendendo melhor o papel da flora intestinal e como suas alterações repercutem no processo inflamatório. Aliado ao tratamento e ao acompanhamento médico, o estilo de vida pode intensificar o socorro ao intestino — daí a recomendação de seguir um cardápio equilibrado, praticar atividade física, aliviar o estresse e não fumar. “Se o problema está controlado, o indivíduo pode levar uma vida normal”, diz Angelita.

    Tratamentos à disposição

    Há um extenso arsenal terapêutico contra as doenças inflamatórias intestinais. “Mas a resposta ao tratamento varia muito entre os pacientes”, já adianta Angelita Gama.

    A primeira frente de batalha é composta de drogas como as mesalazinas e os corticoides. Quando elas não funcionam, entram em cena os medicamentos imunossupressores.

    Se esses deixam a desejar, a solução é recrutar a terapia biológica. “São injeções que anulam uma substância inflamatória em alta no organismo e, assim, domam a inflamação exacerbada no intestino”, explica Dídia Cury. “Essas drogas mudam, de fato, o curso da doença.”

    Mas e se todos os fármacos falharem? “Nesse caso, a solução se encontra em cirurgias que podem ressecar ou remover a área acometida pelo problema”, afirma Angelita.

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    Quem sofre de artrite reumatoide logo vai poder encontrar no Sistema Único de Saúde (SUS) um medicamento que torna a terapia mais prática e eficaz em alguns casos. O prazo para que isso ocorra é de 180 dias, contados a partir do dia 2 de fevereiro.

    Disponível no nosso país desde 2015, ele apresenta o mesmo perfil de eficácia e segurança dos medicamentos biológicos. Isso com a comodidade de ser um comprimido, o que pode contribuir para a adesão ao tratamento, segundo um comunicado da Pfizer Brasil, empresa que fabrica o fármaco. Os outros medicamentos biológicos são aplicados por injeções, mensais ou semanais.

    Para entender o mecanismo de ação do citrato de tofacitinibe, é necessário saber como começa a artrite reumatoide. Primeiro, uma molécula inflamatória, a citocina, conecta-se a uma célula de defesa do corpo, o linfócito.

    Depois, uma partícula proteica, a janus quinase, começa a trabalhar, estimulando a produção de mais e mais citocina – o que causa dores e inflamações nas articulações. É como se elas fossem corroídas aos poucos. O remédio, por sua vez, bloqueia a tal janus quinase, cortando o ciclo.

    A droga liberada pelo SUS é indicada para adultos com essa doença autoimune em intensidade moderada a grave e que não tenham respondido adequadamente aos tratamentos convencionais. A estimativa é que 30% dos pacientes se enquadrem nesses quesitos. No Brasil, a porcentagem corresponderia a 600 mil casos que, agora, podem ter acesso à medicação gratuitamente.

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    Se 2016 não foi um ano bom sob vários aspecto, para os tratamentos contra o câncer esteve entre os mais frutíferos. A FDA (agência que regula os medicamentos nos Estados Unidos) aprovou oito novas terapias contra a doença e 12 novos usos para outras já existentes.

    Nessa avalanche de novidades, destaca-se a imunoterapia, considerada a mais promissora em 2016 pela Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco, na sigla em inglês). Em resumo, trata-se de um grupo de drogas que, ao invés de mirar o câncer, ajuda as nossas defesas a detectá-lo e agredi-lo.

    Curiosamente, os primeiros estudos sobre o tema foram feitos há mais de um século: em 1881, cientistas usaram bactérias para impulsionar a resposta do sistema imunológico contra tumores malignos. Mas só em 1980 que uma medicação que se vale dessa lógica foi aprovada — e era bastante agressiva.

    Hoje, as drogas imunoterápicas agem de diferentes maneiras — a principal envolve os chamados inibidores de pontos de verificação imunológicos. Esses “pontos” na verdade são moléculas especializadas que agem como freios no sistema imune, assegurando que as células de proteção sejam utilizadas apenas quando necessário. O mecanismo é extremamente importante, porque tropas de defesa descontroladas, que entram em cena sem a presença de um inimigo, podem causar inflamações e doenças autoimunes.

    O problema é que as células cancerosas conseguem enganar esses pontos de verificação. Nesse contexto, o sistema imunológico não percebe a doença como uma ameaça e a deixa evoluir. E é aí que entra a imunoterapia: ao bloquear esse sistema, ela faz o próprio corpo consegue combater o tumor.

    O que anima a comunidade científica é que, só no ano passado, foram descobertos cinco novos usos para os inibidores de pontos de verificação imunológicos. São eles: câncer de cabeça e pescoço, bexiga e pulmão e linfoma de Hodgkin. Aliás, esse é o primeiro tratamento que surge contra nódulos malignos originados na bexiga em três décadas.

    Apesar disso, não são todas as pessoas com esses tumores que se beneficiam dos medicamentos. Os estudos estão focados justamente em identificar quem pode tirar mais proveito da imunoterapia, poupando os pacientes dos custos altos e dos efeitos colaterais. Mas isso não é motivo para desanimar: a Asco liberou um relatório com várias terapias que ganharam destaque em 2016.

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