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    O Plenário do Senado aprovou nesta terça-feira, 23, o projeto de lei n° 3/2016, que autoriza o uso da fosfoetanolamina sintética. Pra quem não se lembra, esse composto foi chamado de cura contra o câncer por parte de seus criadores e usuários. Se a proposta for aprovada pela presidenta Dilma, a pílula anticâncer poderá ser produzida, importada e prescrita independentemente de registro sanitário. Isso significa que as cápsulas serão usadas no tratamento mesmo antes de os estudos serem concluídos e de estarem devidamente registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
    Por outro lado, o Ministério da Saúde recomenda que as pessoas não tomem a substância até que todos os testes sejam concluídos.
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    Resultados iniciais

    Na mesma semana em que a substância foi aprovada no Senado, saíram também as primeiras conclusões das pesquisas científicas, que já estão em curso. Relatórios iniciais divulgados pelo Ministério da Ciência apontam que as cápsulas de fosfoetanolamina sintética têm potencial limitado. Trocando em miúdos, as cinco primeiras pesquisas realizadas com financiamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), que avaliaram a efetividade da substância com células em laboratórios, trouxeram resultados nada positivos. Em entrevista ao UOL, a pesquisadora do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), Alicia Kowaltowski, disse que foram testados dois tipos de células tumorais e três métodos diferentes. Aí, comprovou-se que o composto não tem efeito, nem mesmo em concentrações milhares de vezes maiores do que as usadas clinicamente.

    Ainda que as previsões dos primeiros estudos sejam pessimistas, pacientes com câncer e seus familiares promovem campanhas para a liberação da substância. Na rede social Facebook, grupos que somam mais de 10 mil usuários organizam protestos e trocam informações com os melhores atalhos para se conseguir a “pílula do câncer”. Na página virtual, muitos advogados fazem propaganda com os sucessos obtidos na Justiça para conseguir a medicação. Até o final de 2015, foram movidos 13 mil processos exigindo o fornecimento da substância por parte da USP, onde a molécula vinha sendo produzida pelo químico Gilberto Chierice, principal nome por trás da fosfoetanolamina.

    Motivos para ter cautela

    Os depoimentos positivos quase sempre se sobrepõem aos negativos. Várias pessoas que engolem uma pílula contra o câncer e não melhoram caem no silêncio ou, infelizmente, morrem antes de dar declarações.
    Sempre há um viés por parte de quem coleta e seleciona os testemunhos. Ora, um sujeito que deseja provar o potencial de um comprimido pode destacar os finais felizes.
    Sem um seguimento pormenorizado, é impossível medir a evolução do quadro (será que o tumor regrediu ou só alguns sintomas foram aliviados provisoriamente?).
    Não dá pra saber se uma eventual recuperação veio da promessa testada, de um tratamento anterior ou de qualquer intervenção adotada, às vezes inconscientemente.
    Acompanhe as pesquisas

    Os estudos para mapear a composição da fosfoetanolamina vêm sendo conduzidos pelo Laboratório de Avaliação e Síntese de Substâncias Bioativas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LASSBio/UFRJ), em parceria com o Laboratório de Química Orgânica Sintética do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (LQOS/UNICAMP). Já os estudos pré-clínicos — ou seja, sem voluntários humanos — estão sendo conduzidos pelo Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos da Universidade Federal do Ceará (NPDM/UFC) e pelo Centro de Inovação de Ensaios Pré-Clínicos (CIEnP). Os relatórios emitidos por essas instituições estão disponíveis aqui.

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    Alguns nutricionistas afirmam que comer chocolate amargo todo dia pode reduzir a pressão sanguínea e beneficiar o coração. Também dizem que pode evitar alguns tipos de câncer, derrames e até melhorar a memória.

    A BBC fez uma avaliação das últimas provas a favor do chocolate e como seus efeitos podem ser comparados aos de algumas drogas.

    O tipo importa?

    “Atribuo todo meu sucesso essencialmente à grande quantidade de chocolate que consumo. Pessoalmente eu acho que chocolate ao leite te deixa estúpido… chocolate amargo é a chave.. É algo que, se você quer um prêmio Nobel de medicina ou de química, tudo bem, mas se você quer um prêmio Nobel de física, tem que ser chocolate amargo mesmo”, já disse Eric Cornell, vencedor do Nobel de física em 2001.

    Infelizmente a escolha de chocolate provavelmente não fará muita diferença quando se trata do prêmio Nobel, mas fica a questão: o chocolate amargo é mesmo o melhor?

    Os supostos benefícios do chocolate para a saúde e o cérebro são atribuídos, principalmente, aos antioxidantes encontrados no cacau. No entanto, pelo fato de o cacau ser amargo, frequentemente se adiciona leite e açúcar para fazer o chocolate, diluindo o conteúdo de antioxidantes.

    Também é preciso lembrar dos problemas causados pelo consumo de grandes quantidades de calorias e açúcar.

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    Então a mensagem é: se você come chocolate, escolha o amargo, escuro. O ideal seria o que tem 85% de cacau ou mais, que possui menos gordura e açúcar do que o chocolate ao leite.

    Quais drogas o chocolate imita?

    O cacau tem pequenas quantidades de alguns estimulantes que são encontrados em várias drogas legais e ilegais.

    O “chocolatier” belga Dominique Persoone criou um um dispositivo que disparava cacau diretamente no nariz do usuário. Ele afirma ter vendido 25 mil unidades do dispositivo, que não era barato (45 euros, cerca de R$ 185), e a embalagem vinha com alerta sobre riscos do uso excessivo.

    Parece pouco provável que o chocolate realmente imite os efeitos das drogas, mas ele possui algumas substâncias químicas presentes em algumas drogas.

    1.Ópio

    O chocolate pode afetar o cérebro de uma forma parecida com o ópio, reduzindo a dor e produzindo prazer, apesar de ser bem mais fraco.

    Isso ocorre graças ao neurotransmissor encefalina. Estudos em ratos indicam que a quantidade de encefalina produzida quando se come chocolate é o bastante para criar um efeito suave e levar ao vício.
    Apesar de especialistas acreditarem que isso também se aplique a humanos, ainda não há provas.

    2.Amor

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    O cacau pode imitar o efeito do amor, segundo alguns especialistas, pois contém a substância química feniletilamina, liberada nos primeiros meses de um relacionamento.

    Isso faz com que a pessoa se sinta excitada e nervosa e pode funcionar como um antidepressivo.

    Existem apenas pequenas quantidades da substância no chocolate e há dúvidas se ela permanece ativa quando o chocolate é ingerido. Portanto ainda não se sabe com certeza se a pessoa sente mesmo esse efeito.

    3.Maconha

    O chocolate tem pequenas quantidades de anandamida, conhecida como a “molécula da felicidade”.

    Este neurotransmissor atinge as mesmas estruturas cerebrais acionadas pelo THC, o ingrediente ativo da maconha.

    No entanto, para ter um impacto substancial no cérebro, a pessoa precisaria comer vários quilos de chocolate, então não é provavel que o chocolate afete o humor da pessoa.

    4.Álcool

    O chocolate tem um grupo de alcaloides neuroativos conhecidos como tetrahidro-beta-carbolinas, que também podem ser encontrados na cerveja, vinho e outras bebidas.

    Essas substâncias elevam nossos níveis de dopamina e serotonina – têm, portanto, um efeito no humor. E podem explicar o poder viciante do chocolate.

    O chocolate, contudo, possui quantidades reduzidas de tetrahidro-beta-carbolinas e são necessárias mais pesquisas antes de concluir que há impacto no humor.

    5.Café

    O cacau tem cafeína e é possível encontrar um pouco deste estimulante no chocolate. Quanto mais amargo o chocolate, maior a quantidade de cafeína.

    Mas as quantidades de cafeína são mais baixas em todos os tipos de chocolate, incluindo o amargo, do que no café.

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    O cacau também tem teobromina, que produz um efeito estimulante quando combinada com cafeína.

    Melhora o desempenho do cérebro?

    Estudo publicado recentemente envolvendo cerca de mil pessoas descobriu a ligação entre comer chocolate – não importando o tipo – pelo menos uma vez por semana e uma melhora na memória e raciocínio abstrato.

    Há razões para otimismo, mas a pesquisa não apontou categoricamente se comer chocolate foi a causa da melhora.

    Em outra pesquisa recente, descobriu-se que uma substância química encontrada no cacau e no chocolate reduz a perda de memória relacionada à idade em adultos de 50 e 69 anos.

    O estudo apontou que o antioxidante flavonol (uma classe de flavonoides) aumenta o fluxo sanguíneo para uma região do cérebro que promove a memória. Cientistas estão animados com a descoberta, pois é o primeiro indicador de que a dieta pode reverter o declínio na memória e também reduzir a perda da memória.

    Depois de consumir bebidas enriquecidas com estes flavonois por três meses, o desempenho das pessoas neste grupo de idade em um teste de memória foi equivalente ao desempenho de pessoas várias décadas mais jovens.

    No entanto, apenas comer mais chocolate não vai proteger a memória, pois métodos usados para processar o chocolate costumam remover a maior parte dos flavonois.

    Uma barra de chocolate típica tem 40 mg destes flavonois, e a bebida usada na pesquisa continha 900 mg. Seria necessário comer quantidades enormes de chocolate para obter algum benefício.

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    E a saúde?

    Acredita-se que os antioxidantes encontrados no cacau possam ter efeitos antiinflamatórios, melhorando o fluxo sanguíneo e diminuindo o risco de doenças cardiovasculares.

    Algumas pessoas também afirmam que o cacau protege contra o câncer e reduz o estresse.

    Mas há a questão da validade de estudos que ligam o cacau à diminuição da pressão sanguínea, e se há algum efeito para a saúde depois que o cacau é transformado em chocolate.

    Em 2012, uma análise das melhores provas dos efeitos do cacau na pressão sanguínea concluiu que alguns produtos do cacau, incluindo chocolate amargo, diminuem levemente a pressão. A análise apontou, porém, a necessidade de mais comprovações.

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    Duas pessoas de uma mesma família foram tiveram diagnóstico positivo para o vírus ebola na Guiné, segundo a agência France Presse. Tratam-se dos primeiros casos relatados no país desde que o fim da epidemia foi declarado em 29 de dezembro – anunciou nesta quinta-feira (17) o governo guineano.

    Horas antes da comunicação sobre os dois casos, a Organização Mundial da Saúe (OMS) tinha declarado o fim do surto de ebola em Serra Leoa, o que significaria o fim da transmissão do vírus na África Ocidental.

    O anúncio, confirmado por uma fonte médica, ocorreu horas depois que a Organização Mundial de Saúde (OMS) proclamou, ainda nesta manhã, o suposto fim de “todas as redes de transmissão iniciais” da epidemia no oeste da África após o fim do último episódio da doença em Serra Leoa.

    Mais de 11,3 mil pessoas morreram desde o início da epidemia em 2013, a maior parte na Guiné, Libéria e Serra Leoa.

    A OMS tinha alertado, nesta quinta-feira, que o ebola poderia voltar a qualquer momento, já que o vírus permanece nos fluidos corporais de alguns sobreviventes.

    Não ficou claro como os pacientes, que são da cidade de Korokpara, contraíram a doença. Um porta-voz do governo disse, segundo a Reuters, que vacinas foram levadas à região para evitar novas infecções e que a área tinha sido isolada.

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    A pesquisadora especializada em nutrição Georgina Crichton, da Universidade do Sul da Austrália, analisou uma pesquisa que teve início na década de 1970 nos Estados Unidos e observou mais de mil pessoas durante 30 anos.

    O objetivo da pesquisa, chamada Maine-Syracuse Longitudinal Study (MSLS) – pois envolvia a Universidade do Maine e o Instituto Luxemburgo de Saúde -, era observar a relação entre a pressão sanguínea das pessoas e o desempenho do cérebro.

    Isto foi feito durante décadas até que os pesquisadores resolveram ampliar o estudo e observar outros fatores de risco cardiovascular, incluindo diabetes, obesidade e fumo. A pesquisa teve ao todo sete coletas de dados entre os participantes, feitas com cinco anos de intervalo.

    O pesquisador que liderou o estudo, Merrill Elias, decidiu perguntar aos participantes o que eles comiam e incorporou um novo questionário já na sexta onda de coleta de dados, entre os anos de 2001 e 2006.

    As respostas a esse questionário deram pistas sobre a dieta dos participantes que interessaram os pesquisadores.

    “Descobrimos que as pessoas que comiam chocolate pelo menos uma vez por semana tendiam a ter um melhor desempenho cognitivo. É significativo, toca vários domínios cognitivos”, afirmou Elias.

    A pesquisadora australiana entrou em contato com Merrill Elias, que liderou o MSLS, para fazer uma nova análise da pesquisa.

    “Examinamos se o consumo habitual de chocolate estava associado à função cognitiva (funcionamento do cérebro – memória, concentração, raciocínio, processamento da informação) em cerca de mil indivíduos no MSLS. Descobrimos que aqueles que comeram o chocolate pelo menos uma vez por semana tiveram um melhor desempenho em múltiplas tarefas cognitivas, se comparados àqueles que comiam chocolate menos de uma vez por semana”, disse Georgina Crichton.

    O que foi analisado

    Entre os aspectos analisados estavam memória verbal, memória visual e espacial, organização e raciocínio abstrato, além da habilidade de recordar uma lista de palavras ou onde um objeto foi colocado.

    “Com exceção da memória funcional, essas relações não foram atenuadas com o controle estatístico para fatores cardiovasculares, de dieta e estilo de vida. Isto significa que independentemente de fatores como idade, sexo, nível de educação, colesterol, glicose, pressão sanguínea, energia total e consumo de álcool, a relação entre consumo de chocolate e cognição continuava sendo importante”, afirmou Crichton.

    A pesquisadora afirma que existe uma crença histórica nos benefícios do chocolate, mas baseada apenas na experiência e observação. Agora a ciência está começando a identificar bases para estas crenças.

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    “O chocolate e os flavonoides do cacau eram associados à melhoria em uma série de problemas de saúde que vinham desde tempos antigos e os benefícios cardiovasculares já tinham sido estabelecidos, mas sabíamos muito menos a respeito dos efeitos do chocolate na neurocognição e comportamento”, disse Crichton.

    Ao leite

    Outra boa notícia é que se antes os pesquisadores davam mais ênfase ao chocolate amargo, desta vez não importa se o chocolate consumido é o mais escuro ou ao leite.

    “A maioria das pesquisas se concentrou nos efeitos intensos do chocolate amargo ou das bebidas ricas em cacau. Isso acontecia porque o chocolate amargo tem mais flavonoides do que o chocolate ao leite. Os participantes recebiam chocolate ou cacau para consumir e seu desempenho cognitivo era testado horas depois”, disse Crichton.

    “Nossa pesquisa é inovadora porque pediu para as próprias pessoas registrarem seu consumo normal/habitual. Em segundo lugar, essas pessoas teriam consumido todos os tipos de chocolate, e os dados nacionais sobre a dieta americana mostram que chocolate ao leite era o tipo mais frequente consumido no momento da pesquisa. Em resumo: descobrimos essa associação positiva sem isolar apenas o chocolate amargo.”

    Apesar do entusiasmo da pesquisadora, Crichton e Merrill Elias ainda não sabem a causa exata da melhora no desempenho do cérebro. E Elias vai mais longe.

    “Não é possível falar sobre causalidade, porque isso é quase impossível de se provar com nosso projeto. Mas podemos falar sobre direção. Nosso estudo definitivamente indica que a direção não é que a habilidade cognitiva afeta o consumo de chocolate, mas que o consumo de chocolate afeta a habilidade cognitiva”, afirmou o pesquisador americano.

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  • Os efeitos benéficos de alimentar bebês com produtos à base de amendoim para diminuir o risco de alergia foram endossados por um novo estudo de pesquisadores de Estados Unidos e Reino Unido.

    foto-imagem-amendoimNo ano passado, um outro estudo afirmou que o consumo de amendoim poderia reduzir em 80% as chances de reações alérgicas futuras. Mas os cientistas agora foram além: proteção a longo prazo contra alergias não apenas pode ser obtida, mas mantida mesmo se produtos à base de amendoim forem evitados pelas crianças por um ano.

    O resultados da pesquisa foram publicados na revista científica New England Journal of Medicine. Os pesquisadores estudaram 550 crianças consideradas sob risco de desenvolver alergias – porque tinham sofrido de eczema quando bebês – e prosseguiram o trabalho feito no ano passado por cientistas americanos e britânicos, em que pela primeira vez cientistas perceberam que a exposição de crianças a pequenas quantidades de lanches à base de amendoim poderia evitar alergias.

    Diagnósticos

    O novo estudo argumenta que, se houver consumo nos primeiros 11 meses de vida, uma criança de cinco anos de idade pode parar de comer amendoim por um ano e, ainda assim, não desenvolver alergias.

    “Acreditamos que o medo de alergias alimentares é o que chamamos de profecia auto-realizável: o alimento é excluído da dieta e, como resultado, a criança não desenvolve tolerância”, disse à BBC Gideon Lack, um dos principais autores do novo estudo.

    Os pesquisadores usaram as mesmas crianças testadas no estudo original – metade delas tinham recebido alimentos à base de amendoim enquanto bebês e a outra apenas se alimentado de leite materno. Segundo os cientistas, aos seis anos de idade não havia crescimento estatístico significativo em alergia após 12 meses de interrupção no consumo nas crianças que tinham ingerido amendoim.

    Para o professor Lack, novos estudos são necessários para estabelecer se a resistência pode durar mais que 12 meses. Segundo dados do estudo, 20 mil bebês por ano são diagnosticados com alergia a amendoim nos EUA e no Reino Unido. e, entre 1995 e 2005, o número de diagnósticos triplicou. Os pesquisadores afirmam que os métodos de deteçcão permaneceram os mesmos.

    “Os resultados mostram uma nova maneira de analisar os mecanismos de tolerância para comidas alergênicas em crianças sob risco”, diz Barry Kay, cientista do Imperial College, em Londres.

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    Se você é uma daquelas pessoas que apertam o botão “soneca” do despertador a cada manhã e não consegue sair da cama, não se culpe. O problema pode ser sua rotina de trabalho.

    Um número crescente de pesquisas mostra que, para muitos de nós, nossas agendas profissionais estão fora de sincronia com nossos relógios biológicos. E especialistas querem que empregadores urgentemente tomem nota.

    O sono é um recurso estratégico que muitas empresas estão ignorando, de acordo com um estudo preparado por Cristopher Barnes, professor de administração da Foster School of Business, pertencente à Universidade de Washington, nos Estados Unidos.

    Barnes explica no estudo que, quando escalas de trabalho estão alinhadas com os padrões naturais de sono, isso resulta em mais qualidade e inovação porque os empregados estão mais concentrados, menos estressados e relativamente mais saudáveis.

    Ciclos

    O oposto também é verdade: trabalhadores cansados tendem a cometer mais erros graves e a sofrer acidentes de trabalho. A pesquisa de Barnes revelou até que pessoas que dormem tarde se comportam de maneira menos ética pela manhã do que à noite, comportamento contrário ao de pessoas que acordam cedo.

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    Mas não se trata apenas da quantidade de horas que alguém dorme. Para você ser produtivo às 8 da manhã, isso depende do ritmo circadiano. Todos os organismos vivos, das bactérias aos humanos, têm um relógio biológico interno, como explica Till Roenneberg, professor do Instituto de Psicologia Médica da Universidade Ludwig-Maximillian, em Munique.

    E, nos humanos, esse relógio varia um bocado.

    “É como os pés. Algumas pessoas tem pés grandes e outras, pequenos. Mas a maioria está no meio termo”, explica Roenneberg.

    Ele explica que nossas vidas não costumam levar em conta os ritmos circadianos que tínhamos no passado, quando passávamos mais tempo do lado de fora e sob luz natural. Muitas empresas começam seu expediente às 8 ou 9 da manhã, o que iria contra o relógio biológico dos empregados.

    Aliado à pressão por produtividade e pela disponibilidade de resolver assuntos de trabalho fora do horário do expediente, através de e-mails e telefonemas, isso causa um fenômeno conhecido como jetlag social – nossos organismos estão sempre no fuso horário errado. O pesquisador estima que mais de 70% das pessoas acordam mais cedo do que deveriam se o objetivo era estarem descansadas e produtivas.

    Esse descompasso tem início na adolescência, segundo Paul Kelly, neurocientista da Universidade de Oxford, no Reino Unido. A puberdade acelera os relógios biológicos e, quando as crianças chegam ao ensino secundário, estão, em média, levantando três horas mais cedo do que deveriam porque as aulas podem começar, por exemplo, às 7h30m. O resultado? Privação de sono crônica, o que afeta a capacidade de concentração e pode levar a problemas de saúde a longo prazo, como obesidade e diabetes.

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    Em alguns distritos americanos e britânicos, escolas começaram a adotar horários mais tardios para o início das aulas.

    À medida que as pessoas envelhecem, os relógios biológicos começam a voltar a despertar mais cedo, mas Kelley afirma que a maior parte da população mundial ainda acorda muito cedo. Ele defende que a jornada de trabalho ideal deveria começar às 10h.

    Isso, porém, contrasta os estereótipos da vida no escritório, em que os trabalhadores que chegam mais cedo são tidos como mais diligentes, por exemplo, ao passo que a turma trabalhando mais tarde é vista como mais “vadia”.

    “Mas o problema é que os ritmos circadianos são controlados pela biologia e não por nós”, completa Kelley.

    Barnes acredita que o favorecimento dos “madrugadores” é uma das razões pelas quais políticas de trabalho flexível volta e meia falham. O professor estudou uma série de empresas que introduziram o horário flexível e descobriu que trabalhadores que escolheram horários de entrada mais cedo eram frequentemente mais valorizados em avaliações de desempenho, mesmo se trabalhassem o mesmo número de horas de quem começava a jornada mais tarde.

    Sincronia

    “Esse tipo de percepção impede a sincronização do início da jornada de trabalho com seu processo circadiano”, diz o americano.

    Usando suas pesquisas sobre cronotipos (termo que descreve se uma pessoa é “madrugadora” ou “criatura da noite”), Roenneberg conduziu experimentos na montadora Volkswagen e numa empresa siderúrgica, ambas na Alemanha. Ele ajustou os turnos de trabalho para que eles combinassem com os relógios biológicos, dando turnos vespertinos e noturnos para empregados que gostam de levantar mais tarde e matutinos para os madrugadores.

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    Em ambos os casos ele constatou que a sincronização resultou em maior produtividade e que os trabalhadores se sentiram mais saudáveis e menos cansados tanto no trabalho quanto no tempo livre. Ryan Olson, cientista do Instituto de Ciência da Saúde Ocupacional, nos EUA, encontrou resultados semelhantes para trabalhadores de escritório. “Com a tecnologia que temos hoje, não há razão para manter horários rígidos”, afirma.

    Olson organizou um estudo de um ano em uma empresa internacional de tecnologia com sede nos EUA. Antes do início do experimento, empregados tinham que chegar no trabalho entre 8h e 9h, mas também exigia-se deles atender durante a noite à chamadas telefônicas de colegas de empresa baseados no exterior. Para prevenir que quem entrasse mais cedo fosse privilegiado, os participantes do estudo receberam a liberdade para trabalhar horários mais flexíveis desde que apresentassem os mesmos resultados – por exemplo, a entrega de projetos para clientes.

    O programa durou três meses e incluiu workshops para ensinar os trabalhadores a julgar colegas pela maneira que eles escolhiam para passar o tempo e promoveu atividades para estimular os empregados a valorizar o tempo pessoal. No estudo, empregados foram encorajados a deixar o trabalho para resolver problemas da casa ou participar de eventos escolares dos filhos no meio do dia. Tudo para ajudar as pessoas a equilibrar vida pessoal e profissional.

    Mas o programa também deu aos funcionários uma hora extra de sono por semana – o que equivale a uma semana de sono por ano. Olson argumenta que o benefício desse tempo extra durou mais de um ano após o início do estudo e que a empresa está trabalhando em mudanças em seu esquema de trabalho.

    “Há um velho ditado que diz que dormir é para os fracos. Mas sinto uma mudança de atitudes e que as pessoas perceberam que não adianta privar as pessoas de sono. As empresas agora começaram a ouvir”, diz o cientista.

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