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    Ficar se revirando na cama e lutando para dormir é um sentimento familiar para muitos.

    A dificuldade pode estar em adormecer ou em manter o sono. De qualquer maneira, todos sabemos o esforço que fazer as atividades do dia demanda quando não temos uma boa noite de sono. Aqui estão cinco coisas comuns que impedem muitos de nós de descansar o quanto precisamos.

    1) Barulho e desconforto
    Podemos nos sentir sonolentos quando começamos a adormecer, mas nosso cérebro ainda está ativo. Por isso, ruídos ou desconforto podem nos perturbar.

    À medida que entramos em um sono leve, uma área do cérebro chamada hipotálamo começa a bloquear o fluxo de informações de nossos sentidos para o resto do cérebro. Mas ainda deixa passar ruídos, que precisam ser capazes de nos acordar.

    Após cerca de meia hora de sono leve, a maioria de nós entra em um tipo de sono profundo chamado de sono de ondas lentas. Nosso cérebro fica menos sensível e torna-se muito mais difícil ser acordado. Mas algumas coisas sempre irão passar – como os nossos nomes sendo chamados em voz alta.

    Perder partes do nosso ciclo de sono habitual reduz a qualidade e a quantidade de sono.

    2) Rotinas irregulares
    Todos nós temos um relógio biológico interno que nos diz quando estamos cansados. Ela ajuda a sincronizar milhares de células em nosso corpo a um ciclo de 24 horas chamado de ritmo circadiano.

    O principal sincronizador para o nosso relógio biológico é a luz. Nossos olhos reagem à luz e ao escuro mesmo quando nossas pálpebras estão fechadas.

    A luz do dia faz com que o cérebro reduza a produção do hormônio do sono melatonina. Isso faz com que as pessoas se sintam mais alertas.

    Se dormimos menos durante a noite – por ir para a cama tarde ou acordar cedo -, é improvável que tenhamos o tempo de sono profundo que precisamos.

    Fechar as cortinas para bloquear totalmente a entrada de luz do sol ajuda a melhorar a qualidade do sono.

    3) Temperatura errada
    Nossa temperatura corporal normalmente cai meio grau quando estamos dormindo. Assim, quando o sono se aproxima, nosso relógio biológico faz os vasos sanguíneos em nossas mãos, rosto e pés se dilatarem para perder calor.

    Mas, quando está muito frio, ficamos inquietos e temos dificuldade para dormir. Ou, se os nossos quartos ou edredons são muito quentes, nossos corpos não conseguem perder calor, o que também pode causar inquietação.

    4) Comida e bebida
    Podemos ter problemas para dormir depois de consumir alimentos e bebidas que agem como estimulantes.

    Cafeína
    Bebidas ricas em cafeína podem tornar mais difícil adormecer e interferir em nosso sono profundo. A cafeína pode ficar em nosso sistema por muitas horas. Por isso, a nossa qualidade de sono pode ser afetada pelas bebidas com cafeína que consumimos ao longo do dia.

    Álcool
    Durante uma noite, geralmente temos de seis a sete ciclos de REM (movimento rápido dos olhos) do sono, durante o qual nossos cérebros processam a informação que absorvemos durante o dia. Isto faz com que nos sintamos revigorados. Mas uma noite de bebedeira significa, normalmente, que teremos apenas um ou dois ciclos e acordaremos cansados.

    Comida
    Alimentos que contêm uma substância química chamada tiramina – como bacon, queijo, nozes e vinho tinto – podem nos manter acordados durante a noite. Isto acontece porque a tiramina provoca a liberação de noradrenalina, um estimulante cerebral.

    Refeições ricas em carboidratos iniciam uma cadeia de reações que faz com que sintamos sono. Quando são digeridos, os carboidratos liberam insulina, que ajudam o triptofano a entrar no cérebro. Ali, ele se transforma em seratonina, que provoca sono.

    Comer proteínas tem o efeito oposto. Elas se transformam em aminoácidos, que reduzem a quantidade de triptofano no cérebro. Dessa forma, menos seratonina é produzida, o que nos faz ficar mais alertas.

    5) Mente ocupada
    O estresse é um inimigo do sono. Na cama, nossa mente fica livre para passear – e ansiedade a respeito do sono só piora a situação.

    É difícil manter a noção do tempo quando você está deitado no escuro tentando dormir. As pessoas muitas vezes adormecem e acordam novamente, mas acham que ficaram o tempo todo acordadas. Isto leva ao sono fragmentado, com muito menos tempo gasto nos importantes estágios de sono profundo.

    Especialistas em sono recomendam que as pessoas com este problema se levantem e façam uma atividade que distraia a mente de preocupações – como um quebra-cabeça – antes de tentar dormir novamente.

    Por que a falta de sono é ruim para você?

    Um em cada três pessoas sofrem com noites mal dormidas. Veja quatro coisas que podem acontecer se você não descansar o suficiente.

    1) Resfriados ou gripes
    Pouco sono pode atrapalhar seu sistema imunológico, tornando-se mais difícil combater doenças como a gripe. Ela também pode aumentar o tempo de recuperação de uma doença.

    2) Ganho de peso
    Acredita-se que a falta de sono estimula o ganho de peso. Cientistas afirmam que dormir mal aumenta o apetite ao elevar os níveis de hormônios relacionados à fome.

    3) Depressão
    Muitas vezes, ficamos irritados após uma noite de sono ruim. A privação de sono por um tempo prolongado pode levar a desordens de longo prazo, como depressão e ansiedade.

    4) Redução da fertilidade
    Acredita-se que a falta de sono pode tornar mais díficil conceber um bebê, ao reduzir a liberação de hormônios de reprodução.

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    Os pesquisadores, da Organização Holandesa para Pesquisa Científica Aplicada, monitoraram beijos de 21 casais e descobriram que os que se beijavam nove vezes por dia tinham probabilidades maiores de compartilhar bactérias presentes na saliva.

    Outras pesquisas sugerem que podem existir mais de 700 tipos diferentes de bactérias na boca. Agora, este novo estudo revela que algumas destas bactérias são compartilhadas mais facilmente que outras.

    A pesquisa foi publicada na revista especializada Microbiome.

    Questionário

    A equipe de pesquisadores holandeses mapeou – através de entrevistas – os hábitos dos 21 casais relativos à troca de beijos.

    Os cientistas então colheram amostras de bactérias das línguas e saliva dos voluntários antes e depois de um beijo de dez segundos.

    Um membro do casal então bebeu um probiótico, que continha uma mistura de bactérias que poderiam ser facilmente identificadas.

    Leia também: Volta ao mundo em 100 beijos

    No segundo beijo do casal de voluntários, após o consumo da bebida probiótica, os cientistas conseguiram detectar o volume de bactérias transferidas para o parceiro – cerca de 80 milhões de bactérias.

    Os cientistas observaram ainda que a população de bactérias na saliva parecia mudar rapidamente em resposta a um beijo, enquanto que a da língua permanecia mais estável.

    “O beijo de língua é um ótimo exemplo de exposição a um número gigantesco de bactérias em um tempo curto”, disse Remco Kort, professor que liderou a pesquisa.

    “Mas apenas algumas bactérias transferidas de um beijo parecem se estabelecer na língua. Mais pesquisas devem analisar as propriedades da bactérias e da língua que contribuem para este poder de fixação.”

    “Este tipo de investigação pode nos ajudar a criar, no futuro, terapias (para enfrentar as) bactérias e ajudar as pessoas que têm problemas com bactérias”, acrescentou o cientista.

    Museu do micróbio

    Os cientistas holandeses trabalharam em parceria com o museu Micropia, considerado o primeiro museu sobre micróbios do mundo e com sede em Amsterdã.

    Em uma exposição recém-inaugurada, casais são convidados a se beijar e recebem uma análise instantânea das bactérias que compartilharam.

    E um número cada vez maior de pesquisadores está analisando o chamado microbioma, um ecossistema de cerca de 100 trilhões de micro-organismos que vivem em nossos corpos.

    Os cientistas afirmam que estas populações podem ser essenciais para a saúde e prevenção de doenças.

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    Qualquer restaurante japonês que se preze oferece fatias de salmão e atum crus, os famosos sashimis. Pois trate de aproveitá-los. “Eles são nutricionalmente excelentes”, afirma a nutricionista Roseli Ueno Ninomiya, de São Paulo. Para começo de conversa, ambos os peixes têm ômega-3, gordura boa que ajuda a evitar o acúmulo de placas nas artérias. Quem preferir as lâminas de salmão também vai brindar o corpo com vitamina A, protetora da visão, e potássio, mineral que derruba a pressão arterial. Já os fãs de atum se abastecerão de ferro, um aliado do sistema imune, e de vitamina B12, vital para as células, especialmente as do sistema digestivo, do tecido nervoso e da medula óssea. Então, que tal degustar os dois? “Quando for ao restaurante, você pode comer cinco fatias de cada um”, sugere Roseli. Só não vá inundá-las de shoyu, molho cheio de sódio. De acordo com a especialista, os acompanhamentos mais adequados são o gengibre, que é digestivo, e o chá-verde, repleto de antioxidantes.

    Veja a comparação de 100 gramas do alimento, de acordo com o livro Nutrição e técnica dietética, da nutricionista Sônia Tucunduva Philippi.

    1. Energia

    Sashimi de salmão 116 Kcal
    Sashimi de atum 144 Kcal

    2. Proteína
    Sashimi de atum 23,3 g
    Sashimi de salmão 19,9 g

    3. Gorduras totais
    Sashimi de salmão 3,4 g
    Sashimi de atum 4,9 g

    4. Gordura saturada
    Sashimi de salmão 0,5 g
    Sashimi de atum 1,2 g

    5. Vitamina B12
    Sashimi de atum 9,4 mcg
    Sashimi de salmão 3 mcg

    6. Ferro
    Sashimi de atum 1 mg
    Sashimi de salmão 0,7 mg

    Placar SAÚDE

    Sashimi de atum 3 X?3 sashimi de salmão

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  • Estudo chinês aponta que agulhadas na orelha beneficiariam pessoas que sofrem com a constipação.

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    Uma revisão assinada por estudiosos da Universidade de Medicina Tradicional Chinesa sinaliza que a auriculoacupuntura, método que aplica as agulhas exclusivamente nas orelhas, alivia quadros de prisão de ventre crônica. “Elas possuem complexos neurovasculares. Eles são pontos que, quando estimulados, interferem no trabalho de várias regiões do organismo”, explica Alessandra Scavone, acupunturista auricular de Campinas. “Essa técnica é capaz de tanto acelerar funções corporais lentas demais como controlar as que estão hiperativadas”, completa. Em outras palavras, ela também beneficiaria gente com o intestino solto.

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  • Popular entre os orientais, ela chega ao Brasil com a fama de detonar quilos extras. Descubra até que ponto a fruta do momento ajuda nessa empreitada

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    Chá-verde, óleo de coco, chia… De tempos em tempos algum alimento rouba a cena e ganha a alcunha de emagrecedor milagroso. Hoje, o posto é da goji berry, uma fruta bastante apreciada na China que desembarcou recentemente por aqui. Encontrada desidratada e em pó – importar a versão in natura sai muito caro -, ela anda na boca do povo. A questão é que, para afirmar seus benefícios, precisamos conhecer os nutrientes encontrados nela, e… Bem, os dados referentes à sua composição ainda não estão totalmente definidos. Veja o caso da vitamina C. Enquanto artigos reportam que em 100 gramas da fruta encontramos 42 miligramas do nutriente, há quem defenda que ela carrega 2 500 miligramas. Que diferença!

    Mesmo que o primeiro dado, mais modesto, se confirme, já se trata de um valor considerável. “Recomendam-se 75 miligramas diárias de vitamina C para mulheres e 90 para homens”, pontua a nutricionista Carla Cristina de Morais, da Universidade Federal de Goiás (UFG). É justamente por contribuir para o aporte da substância que a fruta tem gerado bafafá no campo do emagrecimento. Tudo porque um estudo da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, sugere que pessoas que não ingeriram níveis adequados de vitamina C tinham uma menor capacidade de queimar gordura do que aquelas que tomaram cápsulas do nutriente.

    “Essa vitamina participa ativamente dos nossos processos metabólicos. A carência talvez prejudique o trabalho das células, que, assim, deixariam de usar a energia de forma eficiente”, especula a nutricionista clínica Alessandra Luglio, de São Paulo. Só que, no trabalho americano, os dois grupos seguiam uma dieta restritiva. E olha que curioso: ao final de um mês, não houve diferença significativa na perda de peso entre as turmas. Ambas secaram 4 quilos em média. Ou seja, por mais que os defensores da goji usem o estudo como argumento, é o controle de calorias em si que importa para ficar em forma.

    A fruta em números

    A goji concentra nutrientes que dão inveja a muitos vegetais

    Betacaroteno
    Seis colheres de sopa de goji berry (100 g) = 7,4 mg
    Uma cenoura (100 g) = 4,7 mg

    Fibras
    Seis colheres de sopa de goji berry (100 g) = 7,4 mg
    Uma xícara de chá de feijão (100 g) = 6,4 g

    Índice Glicêmico
    Goji berry: 29
    Melancia: 72

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  • foto-imagem-saude-whey-protein-beneficios

    Apesar de esse produto ter se tornado popular entre os marombeiros, engana-se quem pensa que se trata de um item sintético ou cheio de hormônios. Na verdade, o whey é a proteína do soro do leite, um elemento proveniente da indústria de laticínios. “Só que, antigamente, ele era jogado no esgoto pelas grandes fábricas”, conta o cientista de alimentos Jaime Amaya-Farfan, da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Estadual de Campinas, no interior paulista.

    Seu destino mudou quando algo curioso foi observado: bactérias e fungos se multiplicavam ao entrar em contato com ele. “Aí seu potencial nutritivo foi descoberto”, revela Antonio Herbert Lancha Júnior, coordenador do Laboratório de Nutrição e Metabolismo Aplicado à Atividade Motora da Universidade de São Paulo (USP).

    E o que o produto tem de tão especial?

    “Ele reúne proteínas de alto valor biológico”, resume o médico Guilherme Giorelli, da Associação Brasileira de Nutrologia. Em outras palavras, contém todos os aminoácidos – as moléculas constituintes das proteínas – de que o nosso organismo necessita mas é incapaz de fabricar. Pra melhorar, no whey eles vêm aos montes, respondendo por 35 a 90% de sua composição. No leite, esse índice não passa de 20%.

    Benefício extra

    Recorrer ao suplemento também é uma boa pedida para acelerar a recuperação de bíceps, tríceps e companhia. Além da leucina, um aminoácido do whey capaz de contribuir bastante nessa empreitada é a arginina, que aumenta o fluxo de sangue pelo corpo. Com isso, mais nutrientes e oxigênio desembarcam na musculatura para repará-la. Em última instância, os incômodos que surgem após a ginástica desaparecem depressa e há uma maior disposição para voltar a se exercitar no dia seguinte.

    “Até por isso faz mais sentido utilizar o produto no pós-treino”, opina a nutricionista Geórgia Bachi, autora do livro Dieta com Whey Protein (Editora Matrix). “Inclusive, quanto menor o tempo entre o término das atividades físicas e a ingestão proteica, melhor será a resposta em termos de ganho muscular. Esse período é conhecido como janela de oportunidade”, completa. Geralmente, 20 gramas de whey logo em seguida à malhação dão conta do recado.

    Cuidados com o consumo

    O exagero no consumo de proteínas (isso inclui a do whey) pode afetar rins e fígados já fragilizados. Em indivíduos saudáveis, essa ameaça ainda é apurada – mas não há por que abusar.

    A regrinha básica é nunca comer mais do que 2 gramas de proteínas por quilo de peso. Colocando na ponta do lápis, um homem de 75 quilos e uma mulher de 60 não deveriam ingerir mais de 150 e 120 gramas desse nutriente ao dia, respectivamente. É importante lembrar que o limite vale para pessoas ativas. Quem não se mexe tanto poderia parar em 1 grama por quilo de peso. Perceba: estamos falando de proteínas, e não somente de whey. Em outras palavras, ele deve ser somado às demais fontes de proteína, como carnes, leguminosas e lácteos. “Para chegar à conta certa, o melhor é consultar um especialista”, orienta Geórgia.

    Os tipos de whey

    Concentrado
    Tem de 35 a 80% de proteína. Quanto mais alto o valor, menor a presença de lactose, gorduras e minerais.

    Isolado
    Mais puro, reúne cerca de 90% de proteína, com resquícios mínimos dos demais compostos do soro do leite.

    Hidrolisado
    Costuma concentrar 80% de proteínas. A vantagem: elas estão quebradas em pequenos pedaços, os peptídeos. Logo, digestão e absorção são facilitadas.

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    É quase certo que, a poucos metros de você, existe um vampiro se alimentando.

    Ele pega a vítima, perfura sua pele e suga todos os seus fluidos corporais. E esse processo leva apenas alguns minutos.

    Não estamos falando de Drácula ou qualquer outro personagem de ficção. Esses “vampiros” são organismos unicelulares chamados Vampyrellidae, que atacam até animais muito maiores do que eles, como vermes.

    Vampyrellidae

    O “vampiro-ameba” foi descrito pela primeira vez em 1865 pelo biólogo russo Leon Semenowitj Cienkowski, um dos fundadores da microbiologia.

    Ele descobriu criaturas unicelulares de cor vermelho brilhante, semelhantes às amebas, que atacavam algas perfurando as paredes celulares para extrair seu conteúdo.

    Como seu comportamento lembrava o dos vampiros da tradição popular, ele decidiu chamá-los de Vampyrella.

    Depois disso, foram descobertos outros organismos semelhantes, que foram chamados coletivamente de Vampyrellidae. Hoje, os Vampyrellidae são classificados como pertencentes a um grupo diversificado de organismos unicelulares chamados Rhizana.

    Sua forma macabra de alimentação tem fascinado os microbiologistas há 150 anos.

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    Em 1926, um estudo descreveu como a Vampyrella lateritia se posiciona ao redor da vítima e, em cerca de um minuto, rapidamente incha devido “à injeção do conteúdo das células de algas no animal, através de um orifício ovalado”.

    Agora sabe-se que elas atacam não apenas as algas. Algumas espécies podem atacar fungos ou até animais multicelulares, especificamente os nemátodos.

    Se não há comida suficiente, as células de algumas espécies podem se fundir com outras para formar estruturas maiores. Estas podem chegar mais longe na busca por comida.

    Na água e na terra

    Quando termina de comer, o Vampyrellidae constrói uma dura parede a seu redor.

    “Eles permanecem em estado de imobilidade e digerem os alimentos”, diz Sebastian Hess, da Universidade de Colônia, na Alemanha.

    O processo leva um ou dois dias. E, ao mesmo tempo, a célula se divide.

    Como resultado, quando a casca é aberta, pode haver duas amebas-vampiro em vez de uma.

    Hess e seus colegas estão investigando como as diferentes espécies de Vampyrellidae se relacionam. No laboratório, a equipe cultivou oito tipos de Vampyrellidae e sequenciou seu DNA.

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    De acordo com Hess, os testes confirmaram que todos pertencem ao mesmo grupo.

    No entanto, Hess descobriu que existem pelo menos dois subgrupos relacionados dentro das Vampyrellidae: um é composto de várias espécies de Vampyrellidae, e o outro de organismos como Leptophrys vorax.

    Esta divisão é baseada no local em que eles vivem: os Vampyrellidae vivem em poças e lagoas, enquanto outros membros do grupo vivem na terra.

    Como fazem isso?

    Mais recentemente, uma equipe de pesquisadores do Museu de História Natural de Londres descobriu oito novos tipos de Vampyrellidae que vivem no mar ou em águas salgadas.

    Também descobriram sequências de 454 DNAs que claramente pertencem a Vampyrellidas, recolhidas em amostras de todo o mundo.

    Isso significa que há muitos mais vampiros-ameba do que se imaginava, especialmente no mar, onde até então ninguém tinha reparado na presença deles.

    No entanto, o que nenhum pesquisador foi capaz de entender é como esses organismo conseguem quebrar as paredes celulares resistentes de uma bactéria ou um fungo para absorver seu conteúdo.

    Estas paredes são muito duras: as de fungos são feitas de quitina, o mesmo material que forma as conchas de lagostas.

    E isso acontece rápido, segundo Hess. “A perfuração da parede celular leva de cinco a dez minutos.”

    Hess acredita que este seja um processo químico.

    “Eles devem ter um conjunto de enzimas que podem digerir as paredes celulares das plantas. Estou começando a investigar isso”, explica ele.

    Mas a questão não é apenas acadêmica.

    Muitas empresas e cientistas estão interessados na criação de biocombustíveis a partir de algas. Isso poderia se tornar uma fonte limpa de combustível com emissões quase zero de dióxido de carbono.

    O problema é que é muito difícil quebrar as paredes exteriores do algas para obtenção de açúcares ricos em energia que estão em seu interior.

    Neste sentido, diz Hess, as enzimas das amebas-vampiro poderiam ser uma grande ajuda.

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  • Dicas, Sexo 03.11.2014 No Comments

    foto-imagem-mulheres-Tetracromatismo

    A professora americana Concetta Antico passou anos levando seus alunos de arte para o mesmo parque. Ela costumava perguntar a todos: “Vejam a luz na água, vocês conseguem ver o rosa brilhando naquela rocha? Ou o fio vermelho naquela folha?”

    Só depois de muitos anos que ela descobriu que seus alunos estavam apenas respondendo “sim” por educação. Ninguém via as mesmas cores que ela.

    Ela sofre com uma condição conhecida como tetracromatismo. Graças à variação de um gene que influencia no desenvolvimento das retinas, pessoas como Antico veem cores invisíveis para a maioria de nós.

    Um exemplo é uma trilha cheia de pedras. Para a maioria, ela é cinza e sem graça. Para Antico, o caminho parece mais uma vitrine de joalheria.

    “As cores das pedras ‘saltam’ em tudo que é direção, com laranjas, amarelos, verdes, azuis e rosas. Eu fico espantada quando descubro que os outros não veem isso”, diz ela.

    Cones e daltonismo

    Tetracromatismo é uma condição rara.

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    Por muito tempo, acreditava-se que todos percebiam as cores da mesma forma. Quase todos possuem três tipos de cones, que são células na retina. Cada tipo responde a uma frequência diferente de cor.

    Daltônicos possuem um defeito em um dos cones, e por isso têm dificuldade de distinguir entre algumas cores, como verde e vermelho, por exemplo.

    Alguns animais são dotados com um “quarto cone”. É o caso de peixes dourados e o pássaro diamante-mandarim. Esses animais provavelmente conseguem distinguir melhor as nuances entre as cores.

    Há 20 anos, os cientistas Gabriele Jordan, da Universidade de Newcastle, e John Mollon, de Cambridge, levantaram a hipótese de humanos poderem fazer isso.

    foto-imagem-arte

    A hipótese é baseada no fato de o cromossomo X carregar dois tipos de cones – que percebem o vermelho e o verde. Como as mulheres possuem dois cromossomos X, elas poderiam, em tese, carregar quatro cones diferentes, cada um sensível a um espectro de cores diferentes. Essa hipótese dos quatro cones que deu origem ao termo “tetracromatismo”.

    Em tese, ela só se aplica a mulheres, já que os homens não possuem dois cromossomos X.

    ‘Ir no supermercado é um pesadelo’

    Provar essa hipótese dos cientistas foi uma jornada longa de duas décadas. Jordan e Mollon passaram anos administrando um teste de cores em vários voluntários. As cores apresentadas tinham diferenças tão sutis que apenas uma pessoa com quatro cones poderia percebê-las.

    Em 2010, eles finalmente acharam uma pessoa capaz de fazer isso. A identidade dessa pessoa foi preservada, mas a pesquisa publicada fez com que vários outras pessoas com tetracromatismo se voluntariassem para outros estudos.

    Uma delas é Maureen Seaberg, uma jornalista americana que passou anos reclamando das roupas que as pessoas usavam. Ela achava que muitas pessoas não sabiam combinar bem uma saia com uma blusa, por exemplo. Ao reformar sua casa, ela rejeitou 32 tipos de tintas diferentes até achar a ideal.

    “O bege era amarelado demais, e não tinha tons azuis o suficiente; o amêndoa era alaranjado demais”, conta ela. Esse tipo de descrição só confundia os seus decoradores e arquitetos.

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    Antico conta que sempre soube que tinha uma visão especial e diferente da dos demais. Justamente sua sensibilidade aguçada a levou ao mundo das artes. Hoje ela é dona de uma galeria em San Diego, na Califórnia.

    Suas pinturas são vibrantes em cores. Um eucalipto comum vira uma erupção de violetas, amarelos e verdes. Se os quadros realmente são uma representação de como ela vê o mundo, o resultado mostra que sua percepção é radicalmente diferente da maioria das pessoas.

    Foi um cliente da galeria que sugeriu que ela fosse trabalhar com a cientista Kimberly Jameson, da Universidade da Califórnia. Jameson imediatamente suspeitou que a resposta estava nos genes.

    O ganho em sensibilidade – apesar de parecer ser uma habilidade extra – pode também ser uma maldição.

    “Ir ao supermercado é um pesadelo. É como uma lata de lixo de cores pulando de tudo que é lado”, conta. Por isso, sua cor preferida é o branco.

    “As pessoas acham incrível que minha cor favorita seja o branco, mas isso faz sentido porque ela é pacífica e agradável aos olhos. Ainda tem bastante cor presente ali, mas elas não me agridem.”

    Antico e Jameson querem criar um sistema de treinamento com crianças com tetracromatismo, para que elas aprendam a usar melhor seu potencial raro.

    Como professora de arte, Antico tem uma ambição ainda maior: a de mostrar aos demais como ela enxerga o mundo. Sem o gene extra, é impossível que as pessoas consigam as cores que ela enxerga. Mas ela trabalha descrevendo os diferentes tons a quem não consegue enxergá-los.

    Isso se tornou ainda mais importante depois do nascimento de sua filha. A artista americana que possui um dom raro não conseguiu passar esses genes a sua filha. E curiosamente o oposto aconteceu: a filha nasceu com daltonismo.

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