• foto-imegem-aparelho

    Trata-se de um manequim de treinamento que, quando visto sob a lente de um aplicativo de tablet, mostra uma imagem em 3D de uma “pessoa real”, com emoções, dores e aparência características de determinadas doenças.

    São gravações variadas, feitas por atores, simulando problemas médicos. O manequim reage então a estímulos provocados pelos estudantes.

    Para Mandy Braislford, palestrante sênior do hospital universitário, isso permite avaliar a técnica usada pelos futuros enfermeiros e médicos – bem como a forma como eles tratam o paciente.

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    Um americano que alega se alimentar quase exclusivamente de um produto sintético que ele mesmo criou e que diz que os alimentos tradicionais são obsoletos gerou um debate nos Estados Unidos, enfrentando a ira das pessoas defensoras da alimentação natural e orgânica.

    Ele alega que seu produto, batizado de Soylent, não apenas substitui os alimentos como é superior a eles.

    Trata-se de um pó que, ao ser misturado com água, resulta num líquido bege e levemente adocicado. A quantidade recomendada para um mês (3,5 kg) é vendida a US$ 230 (cerca de R$ 100).

    “Ele contém todos os nutrientes necessários para substituir alimentos de forma eficiente e se tornar uma fonte alimentar padrão para toda a humanidade que pode ser produzida sem precisar de agricultura”, diz Rhinehart à BBC Brasil.

    “O alimento natural nem sempre é melhor. Com o tempo, invenções do homem são sempre superiores aos seus correspondentes encontrados na natureza. O Soylent gera menos impacto ambiental que alimentos orgânicos, que exigem grandes quantidades de terra, água e pesticidas, além de muita mão de obra. Assim que conseguirmos provar que ele é mais ecologicamente eficiente e sustentável, aqueles interessados em preservar o planeta ficarão muito felizes com o produto.”

    Mesmo sendo alvo de fortes críticas, Rhinehart acha ser apenas uma questão de tempo e da divulgação de informações para que seu produto seja não apenas mais aceito entre consumidores éticos como também promovido por eles.

    Alimento futurista

    Engenheiro de software formado pelo Instituto de Tecnologia da Geórgia, o inventor diz que sonhava desde criança em encontrar algo que eliminasse a necessidade de preparar e consumir alimentos tradicionais.

    Ele conta que ficava vendo sua mãe trabalhar duro na cozinha para alimentar a família de sete pessoas – além dela e de Rhinehart, o pai e mais quatro irmãos – e que isso o motivou a refletir sobre uma alternativa.

    “Sempre gostei de comer e nunca fui seletivo com o que comia, mas lembro da trabalheira que minha mãe tinha.”

    Outro motivo que levou o engenheiro a desenvolver o produto é sua crença de que comidas convencionais, além de não serem práticas (por consumirem muito tempo de preparo), são primitivas.

    Para Rhinehart, precisar de alimentos que vêm da natureza para sobreviver deveria ser algo ultrapassado. “Podemos fazer melhor que isso”, afirma.

    Mente de engenheiro

    foto-imagem-rob-rhinehartEm janeiro de 2013, Rhinehart colocou sua mente de engenheiro para trabalhar a fim de encontrar uma fórmula que oferecesse o alimento mais otimizado possível para o corpo humano.

    Com a colaboração de Xavier Pi-Sunyer, diretor do departamento de nutrição humana da Universidade Columbia, ele desenvolveu seu produto, que tem um nome inspirado no filme de ficção científica “No Mundo de 2020”, de 1973 (chamado “Soylent Green” no título original em inglês), em que a alimentação é fornecida pelas indústrias Soylent devido a escassez de recursos naturais.

    Há mais de um ano, 90% da dieta de Rhinehart é exclusivamente composta por Soylent.

    O engenheiro garante que nunca se sentiu tão saudável e produtivo e, embora às vezes coma por prazer alimentos como sushi ou churrasco, garante não haver motivos para complementar uma dieta composta exclusivamente pelo substituto alimentar.

    Até agora, o nicho do produto é formado pelo público jovem masculino ligado em tecnologia e que não quer perder mais do que poucos minutos por dia para se alimentar. O slogan do produto é Free Your Body (Liberte seu corpo, numa tradução livre).

    Inovador?

    Apesar do entusiasmo de Rhinehart com sua invenção, a Sociedade Americana para Nutrição (ASN) não acredita que Soylent seja, de fato, a resposta para uma alimentação completa nem algo inovador.

    “O Soylent não é diferente de produtos comerciais semelhantes que oferecem uma nutrição completa de forma líquida”, disse Roger Clemens, porta-voz da ASN e professor adjunto de Farmacologia e Ciências Farmacêuticas da Universidade do Sul da Califórnia (USC), à BBC Brasil.

    “Mas esses produtos têm vantagens sobre o Soylent. Além de contarem com evidência clínica de segurança e eficácia, já foram aceitos pela comunidade médica, por órgãos regulamentadores e pelo público em geral.”

    Por outro lado, a ASN concorda com o argumento de Rhinehart de que produtos naturais não necessariamente são melhores ou mais seguros.

    A associação lembra que enlatados, assim como muitas outras tecnologias modernas, oferecem alimentos seguros e acessíveis que são tão nutritivos quanto aqueles recém colhidos da horta.

    Antipatia

    O Soylent desperta antipatia da parcela crescente da população americana que promove e compra produtos orgânicos em nome de uma uma alimentação natural e livre de ingredientes artificiais.

    Cerca de 81% das famílias americanas dizem comprar alimentos orgânicos ao menos algumas vezes, de acordo com um relatório de 2012 da Associação de Comércio Orgânico (OTA, na sigla em inglês).

    Esse mercado deve crescer 14% por ano até 2018, segundo a consultoria Research & Markets.

    O médico Russell Saunders, colunista de saúde dos sites de notícia Daily Beast e Ordinary Times, diz que não recomendaria Soylent para seus pacientes nem trocaria um bom pedaço de bacon por um copo da bebida.

    Saunders diz que, assim como muitos cientistas, teme que Rhinehart esteja inventando seus dados conforme desenvolve o produto e que o inventor não saiba “que está fazendo”.

    As críticas mais ferozes vêm dos defensores de alimentos orgânicos e naturais.

    Diz o site PricePlow, especializado em suplementos alimentares: “Em 30 anos, vamos estar morrendo de rir desse produto, ainda mais do que rimos hoje. Esses idiotas [do Soylent] vão prejudicar a saúde deles e a dos outros. Se você acha muito difícil fazer comida, é porque está fazendo errado”.

    Dedicado a promover “um estilo de vida mais humano”, o site Rapture declarou que o Soylent é a “bebida mais odiada na internet”.

    É comum que Rhinehart receba mensagens de pessoas declarando seu ódio ao produto. “Dizem esperar que o Soylent me cause câncer”, diz o inventor.

    Nutrição ideal?

    Rhinehart garante que o produto é mais barato que alimentos tradicionais, além de ser uma fonte de nutrição ideal.

    Um dos seus objetivos é que o Soylent seja consumido em países em desenvolvimento, beneficiando populações menos privilegiadas. Mas a comunidade de nutricionistas não assina embaixo dessas afirmações e promessas.

    “Ainda não há uma definição de nutrição ideal. Os novos estudos têm mostrado que isso varia bastante entre cada indivíduo. A idade e a fase da vida em que a pessoa se encontram impactam bastante as necessidades nutricionais”, diz Clemens, da ASN.

    Outra desvantagem do produto, segundo o especialista, é que ele elimina a mastigação, um aspecto importante da satisfação alimentar e da disponibilidade de nutrientes já que a capacidade de mastigar alimentos está associada a uma melhor qualidade de vida e saúde.

    Ainda de acordo com Clemens, a distribuição de produtos como Soylent em países em desenvolvimento enfrenta desafios logísticos, como acesso a água potável, além de obstáculos relacionados à regulamentação, cultura e tradição locais.

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  • foto-imagem-pronzeamento-artificial

    Com uma das maiores taxas de câncer de pele da Grã-Bretanha, inclusive entre jovens, a cidade de Liverpool tenta fechar o cerco contra o bronzeamento artificial.

    O uso da técnica na cidade é muito maior do que na média do país, mas as autoridades locais hoje têm dificuldade de fiscalizar o serviço.

    Como não há obrigação de registro dos estabelecimentos que oferecem as câmaras artificiais de bronzeamento, é difícil checar se os operadores usam equipamentos seguros e se não oferecem sessões a menores de 18 anos.

    As campanhas educativas com adolescentes e adultos não tem sido suficientes para conter o problema, por isso as autoridades locais querem que o governo inglês lhes dê poder para licenciar o serviço.

    Assim, ele só poderá ser oferecido após receber autorização, como já ocorre na Escócia, no País de Gales e, no caso da Inglaterra, em Londres.

    Cultura do bronzeamento

    Liverpool parece ter uma cultura profundamente enraizada de bronzeamento artificial, mas é difícil definir exatamente o porquê.

    Alguns relacionam sua popularidade ao uso por celebridades somado à percepção de que, em uma cidade com níveis significativos de pobreza, a pele bronzeada é sinal de sucesso e riqueza.

    Os jovens adolescentes não são imunes a essa cultura. Apesar de ser ilegal permitir que menores de 18 anos façam o tratamento, existe evidência de que isso é muito comum na cidade.

    Muitas clínicas estão nas ruas principais e seguem perfeitamente as regras de segurança. Mas, como explica o vereador Roy Gladden, há também câmaras de bronzeamento irregulares em locais como salões e cabeleireiros, que são difíceis de ser localizadas para fiscalização.

    “Não sabemos onde estão porque eles não têm que se registrar”, disse.

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    ‘Marcada para a vida’

    A exposição desprotegida ao sol forte também pode causar câncer de pele. Desde 2000, porém, o número de casos entre mulheres em Liverpool aumentou 129%, mais que o dobro da média do Grã-Bretanha.

    Alisha Lawler, 30 anos, sabe o quão devastador um diagnóstico de câncer de pele pode ser. Ainda na sua adolescência, ela fazia bronzeamento artificial várias vezes por semana.

    No ano passado ela descobiu uma mancha em seu braço que foi diganosticada como um melanoma. O tumor foi removido, mas deixou uma cicatriz de vários centímetros.

    “Por que você desejaria expor sua pele para esses perigos, passar pela dor que eu já passei e ficar marcada para a vida toda? Eu tive que esconder meu braço”, conta.

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  • Pais americanos estão se mudando para o Estado do Colorado, onde a maconha foi legalizada, para conseguir tratamento para crianças que têm um tipo raro de epilepsia.

    O óleo conhecido como CBD é produzido a partir da planta e não possui efeitos psicoativos.

    Ele têm sido usado com sucesso para atenuar as convulsões nestes casos.

    Seus efeitos não foram comprovados cientificamente, mas as histórias de sucesso têm atraído cada vez mais famílias ao Estado.

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    Pais americanos estão se mudando para o Estado do Colorado, onde a maconha foi legalizada, para conseguir tratamento para crianças que têm um tipo raro de epilepsia

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  • foto-imagem-bebe

    Quando Ruben Weber-Jackson nasceu na cidade de Beverley, na Inglaterra, ninguém notou que havia algo diferente com o bebê. Duas semanas depois, sua mãe, Petra Weber-Jackson, de 29 anos, percebeu que ele passou a respirar com dificuldade. Exames mostraram que Ruben tinha dois buracos no coração e um estreitamento da aorta, o que comprometia severamente sua circulação.

    Foram necessárias duas grandes cirurgias para tratar o defeito congênito, de acordo com agência Caters. A primeira foi feita ainda no primeiro mês de vida. No segundo procedimento, realizado logo depois, os médicos usaram tecido retirado de um coração de vaca para reparar os buracos no coração. Segundo a equipe médica que o atendeu, foi o que salvou sua vida.

    Hoje, logo depois de completar um ano, os pais de Ruben dizem que temiam que a criança não vivesse até o primeiro aniversário. “Não há um dia que passa em que eu não pense sobre como nossas vidas poderiam ser diferentes agora, como chegamos tão perto de perdê-lo”, diz Petra. “De certa forma, eu acho que ele sabe no subconsciente – ele é um bebê tão feliz e parece querer fazer o máximo da vida.”

    De acordo com a cardiologista pediátrica Simone Pedra, coordenadora da Unidade Fetal do HCor, em São Paulo, o uso do pericárdio bovino para tratar defeitos congênitos é comum. “O pericárdio é uma membrana que envolve o coração. Existe um banco desse tecido, em que ele é tratado com toda a antissepsia e vira como se fosse um retalho biológico, usado para ampliar vasos, fechar orifícios e outras funções”, explica.

    A especialista diz que, a cada 100 bebês, um nasce com alguma alteração cardíaca. Entre os que têm esse problema, mais ou menos metade precisa de atendimento logo após o nascimento. “Há uma gama muito grande de defeitos possíveis, como buracos no coração, válvulas parcialmente ou totalmente fechada, troca na posição dos vasos”, diz.

    Alguns sinais desses problemas são a pele de coloração arroxeada (que indica que a quantidade de oxigênio circulante no corpo está reduzida), a insuficiência cardíaca (visível quando a criança se mostra cansada e com respiração rápida) ou a presença de sopro no coração (detectado em um exame rotineiro feito pelo pediatra).

    No caso de Ruben, além da respiração irregular, sua mãe também notou que ele estava com lábios arroxeados. Hoje, a criança vive saudável com a mãe, Petra, o pai, Mike Jackson, de 40 anos, e os dois irmãos: William, de 7, e Johannes, de 4 anos.

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  • sangue-novo-retarda-envelhecimento

    Três estudos diferentes, tocados por universidades consagradas, chegaram à conclusão de que injetar sangue novo em ratos velhos ajuda a retardar o processo de envelhecimento. E talvez a descoberta possa ajudar os humanos.

    Dois trabalhos foram realizados independentemente e com abordagens diferentes em Cambrigde e na Califórnia. Quando cientistas costuraram os sistemas circulatórios dos ratos de idades diferentes – um processo conhecido como parabiose -, perceberam benefícios sobre as células da medula espinhal, músculos, cérebro e fígado dos mais velhos. Mas ainda é preciso saber por que isso aconteceu e quais substâncias do sangue foram responsáveis pelas melhoras.

    Na Universidade de Harvard, ao aplicar proteína de sangue novo em ratos mais velhos, pesquisadores descobriram que os animais passaram a correr mais rapidamente na esteira e tinham mais ramificações de vasos sanguíneos que os ratos não tratados.

    Já um grupo da Universidade da Califórnia identificou um interruptor molecular em um centro de memória cerebral que parece ser ativado por laços sanguíneos de ratos mais novos. Amy Wagers, que dá aulas sobre células-tronco e biologia regenerativa em Harvard e esteve envolvida com os dois estudos, disse ao Boston Globe que os tecidos tratados na Califórnia realmente são afetados pelo avanço da idade, estando ligados à perda de cognição e de função independente.

    Ambos os trabalhos são uma extensão de algo feito pelo doutor Richard T. Lee, também de Harvard, que no ano passado revelou como uma proteína chamada GDF11 poderia ser aplicada ao coração de ratos velhos para retardar o envelhecimento; a diferença é que os estudos recentes levam o método ao cérebro e músculos.

    O terceiro estudo foi realizado pelas universidades da Califórnia e de Stanford e usa a parabiose para procurar mudanças na atividade dos genes no cérebro que ajudassem a entender como o sangue mais novo opera. Ao invés de usar uma proteína específica, eles fizeram várias transfusões e perceberam melhoras em tarefas de memória relacionadas à idade.

    No estudo de Harvard ainda é preciso entender como trabalhar com a proteína, substância também encontrada em humanos, mas a professora Amy Wagers tenta viabilizar o método comercialmente. Em todos os casos, porém, ainda falta um bom caminho a ser percorrido até que isso chegue às pessoas.

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  • foto-imagem-mesas-adaptadas

    A partir disto, o apresentador da BBC Chris Bowlby questiona se os escritórios do futuro poderiam girar em torno da ideia de trabalhar em pé.

    Os últimos estudos sugerem que permanecer sentado durante o trabalho pode causar problemas cardiovasculares ou deixar o corpo vulnerável à diabetes. E muitas pessoas não tem como resolver esses problemas com prática de exercícios em academias.

    A cultura de conforto no espaço doméstico também ajuda pouco quando se tenta evitar um estilo de vida sedentário.

    Uma solução seria buscar novas concepções no que concerne o espaço de trabalho, buscar formas de reduzir o tempo em que o trabalhador permanece sentado.

    Esse desafio significa repensar a arquitetura, ter dinheiro para investir nisso e tentar mudar a rotina de trabalho.

    O investimento é caro. Só as mesas ajustáveis que permitem trabalhar sentado ou de pé podem custar centenas de dólares.

    O modelo atual comum, de fileiras de mesas de trabalho, que tem a vantagem de economizar espaço, não serve para os empregadores que querem um estilo mais ativo.

    Energia e criatividade

    Os que defendem um tempo maior de pé durante o trabalho afirmam que esta nova forma de trabalhar é benéfica não apenas para a saúde, mas também para a energia e criatividade dos funcionários. E muitas grandes companhias estão começando a levar a sério estas afirmações.

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    A gerência das instalações da companhia americana GE na Grã-Bretanha está considerando a possibilidade de dar uma escolha aos funcionários.

    “Sabe-se cada vez mais que períodos longos de comportamento sedentário têm um efeito adverso para a saúde, então estamos tentando introduzir mesas para (os funcionários ficarem) em pé”, disse o engenheiro da GE Jonathan McGregor.

    No entanto, o custo precisa ser calculado. As grandes empresas estão levantando os dados sobre doenças e folgas dos trabalhadores antes de tomar uma decisão.

    Preços

    Os preços podem variar, mas uma mesa que permita trabalhar em pé geralmente custa mais do que as mesas convencionais.

    Na Grã-Bretanha, por exemplo, empresas cobram entre 500 libras (quase R$ 1,9 mil) e 400 libras (quase R$ 1,5 mil) por cada uma destas mesas quando são feitos pedidos de 50 ou mais unidades. O preço de uma mesa normal é de 172 libras em média (R$ 642).

    Além da diferença do custo, há também outra questão: as pessoas precisarão escolher se vão ficar sentadas ou em pé. Obrigar os funcionários a ficar em pé pode prejudicar o moral no local de trabalho.

    Alan Hedge, especialista em ergonomia é cético em relação à este tipo de mudança entre os trabalhadores. Alguns simplesmente vão querer continuar sentados e os que tiverem mesas ajustáveis poderão ter desentendimentos com os que permanecem sentados.

    Hedge acredita que os chefes deveriam estimular os funcionários a se mover mais dentro do escritório.

    Precisamos tratar a experiência de trabalhar sentado como a de dirigir. É preciso fazer pausas regularmente”, afirmou.

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    O conceito de permanecer sentado em um local de trabalho é uma inovação recente, segundo Jeremy Myerson, professor de design no Royal College of Art.

    “Se você analisar o final do século 19”, disse o professor, os escrivãos vitorianos podiam ficar em pé em frente às suas mesas “e se moviam muito mais”.

    “É possível ver o escritório industrial dos últimos cem anos como uma espécie de aberração na trajetória dos hábitos de trabalho dos últimos mil anos, quando sempre nos movimentamos”, acrescentou.

    O que mudou tudo no século 20 foi o modelo de produção chamado de “taylorismo”, quando estudos de uso de tempo e movimentação foram aplicados ao trabalho de escritório.

    “É muito mais fácil supervisionar e controlar as pessoas quando elas estão sentadas”, disse Myerson.

    O professor sugere que, nos Estados Unidos e Grã-Bretanha, há uma “tendência de tratar o projeto do local de trabalho como custo e não como investimento”.

    Myerson lembra que nem todos seguem esta tendência. “A Dinamarca acabou de determinar que os empregadores ofereçam aos funcionários mesas para sentar ou para ficar em pé.”

    O professor lembra que é preciso dar uma escolha aos funcionários, ao invés de simplesmente obrigá-los a ficar em pé.

    “Muitas pessoas sentem que ter sua própria mesa e cadeira é um símbolo de segurança e status no trabalho”, disse.

    Mesa mais altafoto-imagem-mesa-mais-alta

    Quando o apresentador da BBC Chris Bowlby resolveu colocar isto em prática, ele precisou ocupar um canto mais afastado do escritório, que pudesse acomodar uma mesa mais alta – que não tinha sido projetada para o trabalho regular – para poder trabalhar de pé.

    “Consegui apenas encontrar uma mesa fixa mais ou menos da minha altura, usada para trabalhos específicos, técnicos. A conexão do computador era ruim e não havia um telefone. Me disseram que mudar tudo isso sairia caro”, disse.

    “Gurus do designer falam muito sobre a tecnologia móvel liberando os trabalhadores. Mas, para muitos, a necessidade de um computador e de uma linha fixa ainda funciona mais como uma amarra”, acrescentou o jornalista.

    Bowlby afirma que, depois de algumas dores iniciais, ele começou a se acostumar com o trabalho em pé, voltar a se sentar em uma cadeira parecia mais apertado do que antes.

    “Mas, enquanto estava em pé, fiquei distante de meus colegas, a maioria deles se perguntando o que será que eu estava fazendo.”

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  • foto-imagem-antibioticos
    O órgão analisou dados de 114 países e afirmou que essa resistência está ocorrendo “em todas as regiões do mundo”.

    A OMS disse que caminhamos rumo a uma “era pós-antibiótico”, em que pessoas morrem de infecções simples que são tratáveis há décadas.

    Ainda acrescentou que provavelmente haverão consequências “devastadoras” a não ser que medidas sejam tomadas com urgência.
    Doenças comuns

    O relatório trata de sete bactérias que causam doenças comuns, ainda assim sérias, como pneumonia, diarreia e infecções sanguíneas.

    O documento indica que dois antibióticos-chave não funcionam em mais da metade dos pacientes, em vários países.

    Um deles, o carbapedem, é usado como um “último recurso” para tratar infecções potencialmente mortais, como pneumonia, infecções sanguíneas e infecções em recém-nascidos, causadas pela bactéria K.pneumoniae.

    Bactérias normalmente sofrem mutações até se tornarem imunes a antibióticos, mas o mal uso desses medicamentos – como sua prescrição desnecessária por médicos ou pacientes que não terminam seus tratamentos – faz com que isso ocorra mais rápido.

    Novos antibióticos

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    A OMS diz que novos antibióticos devem ser desenvolvidos, enquanto governos e indivíduos devem tomar medidas para retardar o processo de resistência das bactérias.

    No relatório, o órgão diz que a resistência a antibióticos como o usado para combater a bactéria E.coli em infecções urinárias aumentou de “praticamente zero” nos anos 1980 para mais da metade dos casos atuais.

    Em alguns países, o antibiótico usado para tratar essa infecção não funcionaria em “mais da metade das pessoas tratadas com o medicamento”.

    “Sem uma ação urgente e coordenada entre as diferentes partes envolvidas nessa questão, o mundo caminha rumo a uma era pós-antibiótico, em que infecções comuns e ferimentos simples que são tratáveis há décadas podem matar novamente”, afirma Keiji Fukuda, diretor-geral assistente da OMS.

    Fukuda diz que os antibióticos têm sido um dos “pilares” que levaram as pessoas a viver por mais tempo e de forma mais saudável.

    “A não ser que medidas sejam tomadas para melhorar os esforços de prevenir infecções e mudar a forma como produzimos, prescrevemos e usamos antibióticos, o mundo perderá uma das armas da saúde pública”, afirma Fukuda. “As implicações disso serão devastadoras.”

    Falha

    O relatório também identificou que um tratamento usado como último recurso para combater a gonorréia, infecção transmitida sexualmente e que pode levar à infertilidade, “havia falhado” no Reino Unido, na Áustria, na Austrália, no Canadá, na França, no Japão, na Noruega, na África do Sul, na Eslovênia e na Suécia.

    Mais de um milhão de pessoas no mundo contraem gonorréia diariamente, segundo a OMS.

    O relatório lista medidas como melhores práticas de higiene, acesso a água limpa, controle de infecções em centros de saúde e vacinação como formas de reduzir a necessidade de antibióticos.

    “Nós encontramos taxas altíssimas de resistência a antibióticos em nossas operações de campo”, diz a Jennifer Cohn, diretora médica da organização Médicos Sem Fronteiras, para quem o relatório da OMS deve servir como um alerta.

    “Governos devem incentivar o desenvolvimento de novos antibióticos de baixo custo que não dependam de patentes e que sejam adaptados às necessidades de países em desenvolvimento.”

    Plano global

    Cohn acrescenta que um plano de ação global deve ser criado para o “uso racional de antibióticos” e para que “medicamentos de qualidade cheguem a quem precisa deles, mas sem serem usados em demasia ou vendidos a um preço que os tornem inviáveis”.

    Nigel Brown, presidente da Sociedade de Microbiologia Geral do Reino Unido, diz ser vital que microbiológos e outros pesquisadores trabalhem juntos para desenvolver novas abordagens para lidar com essa resistência de bactérias.

    “Isso inclui novos antibióticos, mas também estudos que levem à criação de formas mais ágeis de diagnóstico, que ajudem a entendem como os micróbios se tornam resistentes a medicamentos e sobre como o comportamento humano influencia essa resistência.”

    No Brasil

    Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), medidas vêm sendo tomadas desde 2011 no Brasil para reverter esse quadro.

    “Havia no Brasil uma venda indiscriminada de antibióticos, assim como em outros países”, diz Maria Eugênia Carvalhaes Cury, do Núcleode Gestão do Sistema Nacional de Notificação e Investigação em Vigilância Sanitária.

    “Por ter sido uma grande inovação tecnológica nos anos 1940, responsável por salvar muitas vidas e ampliar a expectativa de vida, esse tipo de medicamento não era visto como um vilão, mas como um herói. Mas, por muitos anos, sabia-se pouco sobre a possibilidade de haver resistência. Isso levou ao uso indiscriminado e suas consequências, o que fez a OMS indicar a restrição do seu uso.”

    Há três anos, a agência estabeleceu por meio de uma resolução a obrigatoriedade de apresentação de receita médica na venda deste tipo de medicamento e a retenção do documento, que passou a ter de apresentar uma data de validade para impedir a venda do antibiótico após esse prazo.

    A Anvisa também estabeleceu que, em casos de uso prolongado do medicamento, o paciente não poderia levar para casa toda a quantidade necessária de uma só vez. Deveria voltar à farmácia mensalmente para obter o medicamento e, ao fim do prazo de validade, passar por uma nova consulta.

    “Assim, o paciente avalia com o médico a necessidade de continuar o tratamento. Não queremos coibir o acesso, mas promover o uso racional”, afirma Cury.

    A partir de janeiro deste ano, as farmácias também passaram a ser obrigadas a alimentar uma base de dados única com detalhes da receita e do tratamento, além do nome do médico e do paciente.

    “Em alguns anos, teremos uma série histórica que nos permitirá avaliar o uso de antibióticos no país e avaliar se a prescrição vem sendo feita de forma adequada e atacar outras causas do aumento da resistência de bactérias, como o uso inadequado do medicamento”, diz Cury.

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