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    Submeter-se ao estresse conjugal crônico pode tornar as pessoas mais vulneráveis à depressão. Essa é a conclusão de um estudo desenvolvido na Universidade de Wisconsin-Madison, publicado na revista científica “Journal of Psychophysiology”.

    A descoberta, segundo os autores, pode ajudar a descobrir o que faz com que algumas pessoas se tornem mais vulneráveis à depressão do que outras. Segundo os pesquisadores, o estresse conjugal crônico pode servir como modelo para entender como outros fatores estressantes cotidianos podem levar à depressão.

    Para chegar ao resultado, foram recrutados voluntários casados que responderam a questionários sobre seu próprio estresse. Eles também responderam a perguntas sobre a qualidade de seu casamento e sobre a frequência com que se chateavam com o parceiro. Nove anos depois, eles responderam a novos questionários e, posteriormente, foram submetidos a testes laboratoriais para medir como reagiam a experiências negativas e positivas.

    Neste último teste, os participantes eram convidados a olhar para algumas imagens: algumas representando experiências positivas e outras representando experiências negativas. Os pesquisadores mediram, então, quanto tempo durou a reação ao contato com cada tipo de experiência.

    A conclusão foi que aqueles que relatavam maiores níveis de estresse conjugal tinham respostas mais curtas às experiências positivas, o que indica que eles tiveram mais dificuldade em desfrutar o bom momento. Não houve diferença significativa nas respostas às experiências negativas.

    A dificuldade em desfrutar das experiências positivas é uma das características da depressão e coloca a pessoa em risco para outros sintomas depressivos, segundo os autores.

    “Essa não é uma consequência óbvia do estresse conjugal, mas é uma consequência extraordinariamente importante por causa da cadeia de mudanças com as quais ela pode estar associada”, disse o pesquisador Richard Davidson, um dos autores do estudo.

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    A famosa desculpa da “dor de cabeça” tem uma razão válida, segundo estudo que analisou o impacto da dor sobre o desejo sexual das fêmeas e dos machos, publicado nesta quarta-feira (23) pela revista “Journal of Neuroscience”.

    Os pesquisadores da Universidade McGill e da Universidade Concordia, do Canadá, descobriram em testes com camundongos que a dor causada pela inflamação reduziu a motivação sexual das fêmeas, mas não teve o mesmo efeito nos machos.

    “Sabemos por outros estudos que o desejo sexual das mulheres é muito mais dependente do contexto que o dos homens, mas se isto se deve a fatores biológicos ou socioculturais, como a criação e a influência dos meios de comunicação, ainda não se sabe”, explicou Jeffrey Mogil, professor de psicologia na McGill.

    A conclusão que também nas fêmeas de camundongo a dor inibe o desejo sexual “indica que pode haver uma explicação evolutiva para estes efeitos nos humanos e que não se trata somente de um aspecto sociocultural”, acrescentou.

    Para o estudo, os cientistas colocaram os camundongos numa câmara de acasalamento dividida por uma barreira com orifícios pequenos o suficiente para impedir que os machos pudessem passar de um lado ao outro.

    Isso permitiu que as fêmeas, menores, decidissem se queriam estar acompanhadas, e por quanto tempo, ao passarem para a ala masculina da câmara.

    As fêmeas que sentiam dor passaram menos tempo em companhia dos machos e, como resultado, houve menos comportamento sexual. Os pesquisadores determinaram que era possível reavivar o desejo sexual delas administrando um analgésico ou com um de dois compostos que reforçam a libido.

    Os machos foram testados colocando em uma câmara sem divisão na qual tinham acesso livre a uma fêmea no cio. O comportamento sexual dos ratos não foi afetado em grau algum pelo mesmo nível de dor inflamatória.

    Em um comentário do artigo, o professor de psicologia Yitzchack Binik, que dirige o Serviço de Tratamento Sexual e de Casais no Centro de Saúde da Universidade McGill, disse que “frequentemente a dor crônica está acompanhada de problemas sexuais nos humanos”.

    “Esta pesquisa permite inferir um modelo animal do desejo sexual inibido pela dor que ajuda os cientistas a estudarem este sintoma importante da dor crônica”, acrescentou.

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  • Cientistas americanos conseguiram pela primeira vez clonar células adultas humanas para criar células-tronco embrionárias, cujo DNA corresponde ao do doador. Tal fato é considerado um grande avanço para a medicina regenerativa e o tratamento de doenças incuráveis.

    Como parte do estudo, os pesquisadores usaram a técnica desenvolvida pelo Dr. Shoukhrat Mitalipov, o primeiro a criar em 2013 células-tronco embrionárias humanas a partir de células da pele. Mas para estes testes de clonagem foram utilizadas amostras de DNA de um bebê de oito meses.

    A nova técnica, publicada na revista americana “Cell Stem Celle”, foi conduzida pelo Advanced Cell Technology e financiada em parte pelo governo sul-coreano. A equipe liderada pelo Dr. Robert Lanza utilizou o núcleo das células da pele de dois homens de 35 e 75 anos, que foram transferidas para oócitos humanos de doadores, cujo núcleo havia sido retirado previamente.

    Recuperação de órgãos danificados
    Os oócitos geraram então embriões primitivos. Foi a partir destas células estaminais embrionárias que o DNA semelhante ao dos doadores foi produzido.

    “Até agora não havíamos sido capazes de clonar células adultas para criar células-tronco embrionárias”, afirmaram os autores, cujo sistema tem a vantagem de não usar embriões fertilizados, uma técnica que gera dilemas éticos ou forte oposição da Igreja.

    A comunidade científica tem depositado as suas esperanças na clonagem terapêutica, que poderia eventualmente substituir os órgãos danificados pelo câncer, cegueira ou Alzheimer.

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  • fptp-imagem-bebe

    Cientistas de 25 países resolveram estudar o impacto da realização de cesarianas em grávidas de gêmeos. O esforço internacional foi motivado pelo aumento do número de cirurgias agendadas nestes casos em todo o mundo devido à crença de que há um risco maior para a mãe e os bebês quando o nascimento ocorre por parto normal. Só nos Estados Unidos, o índice saltou 50% entre 1995 e 2008, para 75% dos partos de gêmeos.

    O estudo analisou 2,8 mil partos ao longo de oito anos e seu resultado – publicado no fim do ano passado – vai contra o imaginário coletivo. ‘A cesárea planejada não reduz o risco de morte em gravidez de gêmeos’, diz o obstetra Renato Sá, vice-presidente da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Estado do Rio de Janeiro (Segorj), que participou da pesquisa. ‘Provou-se que era mito.’

    Não se trata do único falso motivo apontado como indicação de cesárea em consultórios Brasil afora. Obstetras ouvidos pela BBC Brasil relatam casos em que mulheres fizeram cesáreas desnecessárias porque ‘o bebê é grande ou pequeno demais’, ‘a mãe tem bacia estreita’ ou ‘o bebê virou de posição durante o parto’.

    Uma dos mitos mais frequentes na indicação de cesariana é o bebê estar com o cordão umbilical enrolado no pescoço. ‘O cordão é como um fio de telefone: para enforcar a criança, seria necessário muito esforço’, diz Sá. ‘De qualquer forma, quando ela desce pelo canal vaginal, o cordão vai se desenrolando.’

    Na verdade, são poucas as situações que podem ser solucionadas apenas pela cesariana, segundo os médicos consultados para esta reportagem. Uma delas é quando a placenta se desloca e bloqueia a saída do bebê, fenômeno conhecido como placenta prévia total. A força feita pela criança ao tentar nascer pode causar uma hemorragia grave e o óbito da mãe e do filho.

    Outro caso é a hipertensão desenvolvida pela mulher durante gestação, a eclampsia. ‘Se a mãe é diabética grave, também é preciso fazer cesárea’, afirma Etevino Trindade, presidente da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Quando a gestante tem um problema de coração grave, a cirurgia deve ser feita.

    Ainda estão nessa categoria grávidas portadoras do vírus HIV que tenham uma carga viral alta e imunidade baixa ou com uma lesão de herpes genital ativa no fim da gestação (a cesárea evita o contágio do bebê) e o descolamento prematuro da placenta, que gera risco de sangramento excessivo.

    Na maioria dos casos, a situação específica deve ser avaliada. ‘Uma cesárea também traz riscos, apesar de serem menores do que no passado’, diz o obstetra Pedro Octávio Britto Pereira, professor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio). ‘É preciso saber qual é a forma de parto mais segura e optar por ela.’

    Riscos

    Não se pode negar que a cesariana é um recurso valioso para salvar vidas e deve ser usada num quadro crítico. Pode ser o caso, por exemplo, de quando o cordão umbilical sai antes do bebê, durante o parto, fenômeno conhecido como prolapso. Isso corta o fluxo de sangue para a criança. A situação deve ser resolvida em minutos, caso contrário o bebê morre.

    No entanto, a cesárea é em geral mais arriscada e pode trazer prejuízos para a mãe e o bebê. O estudo ‘Morte materna no século 21’, publicado em 2008 no periódico American Journal of Obstetrics and Ginecology, analisou 1,46 milhão de partos e encontrou um risco de óbito dez vezes maior para a gestante em cesarianas. Enquanto a taxa de morte em partos normais foi de 0,2 para 100 mil, no caso das cesáreas chegou a 2,2 por 100 mil.

    Deve-se levar em conta que, em parte dessas cesáreas, a situação já era emergencial e mais arriscada. Mas o aumento do agendamento deste tipo de parto torna o índice preocupante. A cesárea é uma cirurgia e pode gerar hemorragia, infecções e danos a órgãos internos da gestante, sem que fosse necessário assumir o risco de ter estas complicações.

    O maior número de cesáreas agendadas também coincide com o aumento de bebês prematuros, já que a idade gestacional não pode ser calculada com exatidão. Isso faz com que nascimentos ocorram muito antes do recomendado, algo associado a problemas respiratórios no bebê.

    O parto normal traz benefícios para o bebê e a mãe. Durante o parto, a mãe produz os hormônios oxitocina, que estudos indicam ser capaz de proteger o recém-nascido de danos no cérebro e ajudar no amadurecimento cerebral, e prolactina, que favorece a amamentação. ‘O parto normal é um processo fisiológico normal. Não há por que transformar isso num procedimento cirúrgico sem necessidade’, afirma Sá, do Segorj.

    Uma situação em que a cesárea costuma ser pré-agendada no Brasil é quando o bebê está ‘sentado’ na barriga da mãe. Isso gera o risco da sua cabeça ficar presa na pélvis da mãe. Mas a cesárea não é a única saída. O médico pode tentar, durante a gestação, colocar manualmente o bebê de ponta cabeça, posição mais indicada para o nascimento, por meio de uma manobra conhecida como versão externa.

    Ter feito duas cesáreas anteriormente também não é indicação absoluta de necessidade de nova cesárea. Como o útero tem cicatrizes de operações anteriores, elas podem se romper durante o parto normal. ‘Mas a literatura médica indica que a mulher tem o direito de tentar porque o risco absoluto é baixo, de menos de 1%’, afirma o obstetra Jorge Kuhn. ‘Se os pais acharem que ainda assim é um risco alto, é melhor nem tentar.’

    Informação

    Os obstetras ouvidos pela BBC Brasil são unânimes numa questão: a melhor forma da mãe tomar uma decisão é informar-se. É possível consultar os sites da Febrasgo e da Associação Médica Brasileira, órgãos que publicam diretrizes sobre partos normais e cesarianas. Os colégios de ginecologia e obstetrícia dos Estados Unidos, da Austrália, do Canadá e do Reino Unido servem de referência para profissionais de todo o mundo.

    ‘Se a mulher não vai atrás de informação, ela dá ouvidos aos relatos de amigas e parentes. Muitas dessas mulheres fizeram cesáreas por razões que consideram justificáveis, mas que não são’, afirma Kuhn. ‘A mãe também pensa que o médico estudou muito para se formar e que não tem autoridade para questioná-lo. Mas é importante que ela saiba as indicações reais e seus direitos para ser a protagonista de seu parto, em vez de delegar isso ao obstetra.’

    Caso a mulher opte pelo parto normal, é indicado que ela descreva num documento o plano de parto, como gostaria de ser tratada antes, durante e depois, deixando suas preferências claras para a equipe médica. São importantes dados como quem será o acompanhante, as intervenções médicas bem-vindas ou não e se quer dar de mamar logo depois do bebê nascer.

    Assim, a mulher pode debater com o médico para que tudo fique esclarecido. O plano de parto não tem validade legal, como um contrato, mas aumenta as chances da mãe ter seu filho da forma como deseja. ‘Não quer dizer que isso será obedecido, mas garante um questionamento jurídico se houver necessidade’, explica a obstetriz Ana Cristina Duarte, uma das principais vozes do movimento de humanização do parto no país.

    Se a mãe não tiver sua vontade respeitada ou sofrer algum tipo de violência no parto, ela deve exigir uma cópia de seu prontuário no hospital e denunciar o caso. É aconselhado escrever uma carta com os detalhes do ocorrido. ‘Envie para a ouvidoria do hospital com cópia para a diretoria clínica, para a Secretaria Municipal de Saúde e para a Secretaria Estadual de Saúde’, diz Duarte.

    A obstetriz acrescenta que, se o parto ocorreu em uma maternidade particular, a diretoria do plano de saúde e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) também devem ser comunicadas. ‘Se for um caso grave, procure a ajuda de um advogado’, afirma Duarte.

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  • foto-imagem-celulas-câncerígenas

    Um novo par de óculos, desenvolvido nos Estados Unidos, permite que cirurgiões identifiquem células cancerígenas e consigam distingui-las de um tecido saudável – o que ajuda a garantir a remoção de todas as células cancerígenas em cirurgias de retirada de tumores.

    A tecnologia foi desenvolvida pelo doutor Samuel Achilefu, que trabalha em criar novos métodos para visualizar e detectar doenças.

    Vistas através dos óculos especiais, as células cancerígenas, projetadas no campo de visão do cirurgião criando uma realidade aumentada, brilham em cor azulada.

    Até o momento, essa tecnologia foi usada em cirurgias de câncer de pele e câncer de mama.

    Na luta contra o câncer, costureira diz: “não me importa estar careca”

    Os cirurgiões dizem que os óculos poderão ser usados para detectar outros tipos de câncer com maior precisão.

    Testes clínicos ainda estão em estágio inicial, mas cirurgiões acreditam que a tecnologia possa vir a ser uma nova arma importante na luta contra o câncer.

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  • foto-imagem-musculo
    Os pesquisadores esperam que esse músculo possa ser usado para reparar danos em humanos.

    Até então, a técnica só havia sido testada em ratos.

    Os resultados desse trabalho estão descritos na publicação científica Proceedings of the National Academy of Sciences.

    Ambiente perfeito

    Os cientistas da Universidade de Duke, na Carolina do Norte, nos Estados Unidos, dizem que seu sucesso se deve à criação do ambiente perfeito para o crescimento de um músculo – fibras musculares contráteis bem desenvolvidas e um conjunto de células-tronco imaturas, conhecidas como células satélites, que podem evoluir para um tecido muscular.

    Durante os testes, o músculo cultivado em laboratório contraía bem e se mostrou forte, capaz de reparar-se usando as células satélites depois que os pesquisadores usaram uma toxina para danificá-lo.

    Quando foi enxertado em ratos, o músculo pareceu se integrar bem ao resto do tecido circundante e começou a fazer o trabalho que lhe é exigido.

    Os pesquisadores dizem que mais testes são necessários antes que eles possam transferir a pesquisa para seres humanos.

    “O músculo que fizemos representa um importante avanço para o campo de pesquisa”, disse o chefe da pesquisa, Nenad Bursac.

    “É a primeira vez que um músculo desenvolvido em laboratório contrai tão fortemente quanto um músculo esquelético neonatal (recém-nascido) nativo.”

    Medicina regenerativa

    “Vários pesquisadores que têm ‘cultivado’ músculos em laboratório mostraram que estes podem se comportar de maneiras similares às observadas no corpo humano”, opina o especialista britânico em engenharia de tecidos musculares esqueléticos, Mark Lewis, da Universidade de Loughborough (Grã-Bretanha).

    “No entanto, o transplante destes músculos para uma criatura viva, continuando a funcionar como se fossem músculos nativos, subiu de nível com o trabalho atual.”

    Há uma grande esperança na comunidade científica de que as células-tronco, que podem se transformar em qualquer tipo de tecido, transformarão a medicina regenerativa.

    Os cientistas já fizeram minifígados e rins no laboratório usando células-tronco. Outros têm pesquisado a possibilidade de remendar o músculo cardíaco com células-tronco.

    Mas tratamentos ainda devem demorar alguns anos até que cheguem a clínicas e hospitais.

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