• Algumas pistas podem ajudar os pais a antecipar a descoberta do problema em bebês e aumentar o progresso do tratamento

    foto-imagem-autismoReceber o diagnóstico de autismo de um filho é como embarcar rumo a um universo desconhecido. É preciso encontrar a maneira de aterrissar nesse pequeno mundo em que a criança parece estar isolada. A doença, uma espécie de pane do desenvolvimento neurológico, costuma ser identificada pelos médicos entre 1 ano e meio e 3 anos, mas especialistas apostam que os próprios pais são capazes de detectar os primeiros sinais a partir dos 8 meses e, assim, buscar ajuda especializada quanto antes.

    Pesquisadores da Universidade de Miami, nos Estados Unidos, descobriram que a chave para esse flagra precoce está na comunicação não verbal. A equipe do professor de psicologia Daniel Messinger comparou crianças sem histórico familiar do problema com irmãos caçulas de autistas, que teriam um risco maior de herdá-lo. Foi observado o modo como o bebê olha para objetos, o jeito como ele pede o que deseja e como reage quando lhe apontam para alguma direção. Pequenos com falhas gestuais nos primeiros meses de vida apresentaram sinais mais evidentes de autismo após os 2 anos e meio de idade.

    É possível observar outros indícios nos bebês, como explica o médico Estevão Vadasz, coordenador do Programa de Transtornos do Espectro Autista do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. “O olhar é extremamente importante para demonstrar o vínculo materno”, exemplifica. “Mas, enquanto é amamentado, o autista pode não fitar a figura da mãe e ter um olhar perdido.”

    Outro comportamento que pode acender a luz amarela é ele aceitar o colo de qualquer pessoa. “Com 8 meses, a criança costuma estranhar quem não é do seu convívio e até chorar, mostrando que está insatisfeita. Já um autista sente-se igualmente confortável com qualquer um”, lembra o psiquiatra.

    O choro quase ininterrupto, uma inquietação constante ou, ao contrário, uma apatia exacerbada também merecem atenção. “Muitas vezes os médicos não observam a relação entre o bebê e as pessoas, porque focam o aspecto orgânico”, aponta Cristina Keiko Inafuku de Merletti, psicóloga da ONG Lugar de Vida, especializada no acompanhamento de autistas. Ela alerta que, quando o autismo é leve, exames eletroencefalográficos, genéticos e de neuroimagem às vezes não acusam alterações significativas. Daí, mais do que nunca, conta a percepção dos pais no dia a dia.

    Vale notar até mesmo se o pequeno se incomoda com o toque, com alguns sons e com certas texturas de alimentos, o que chega a dificultar demais a transição do leite para as comidas sólidas. Como o autista tem os sentidos afetados, isso também costuma ocorrer.

    Em casa, nota-se a ausência de fala, uma aparente surdez e os movimentos pendulares estereotipados de tronco, mãos e cabeça. Já os especialistas analisam transtornos de linguagem, de socialização, comportamentos restritos e repetitivos. O espectro autista é diferenciado pelos graus de comprometimento dessas características (saiba detalhes abaixo). A doença atinge mais meninos – quatro para cada menina -, e metade dessas crianças tem ainda algum retardo mental.

    Muitas vezes são diagnosticadas enfermidades associadas, como convulsões, e até epilepsia. Encrencas gastrointestinais são igualmente comuns. Como não mostram o que sentem, principalmente a dor, os pais devem ficar de olhos abertos. Crises de ansiedade e até a agressividade também afetam o tratamento. Nesses casos, a medicação para tranquilizar é uma grande aliada. Especialistas brasileiros e americanos já iniciaram os testes com o hormônio oxitocina, ligado à afetividade, como alternativa.

    As avaliações são individuais, mas as terapias costumam ser feitas em grupos para estimular a socialização. Englobam o acompanhamento comportamental, o pedagógico e o aprimoramento da comunicação. “E, quanto mais cedo as intervenções forem iniciadas, maiores são os progressos, principalmente nas relações afetivas, nas atividades diárias e motoras”, ressalta Daniel Messinger, líder do estudo americano.

    Carolina Ramos Ferreira, coordenadora pedagógica da Associação de Amigos do Autista (AMA), reforça que é importante dar continuidade em casa ao trabalho realizado pelos especialistas. “É preciso incentivar, ensinar a se vestir, a escovar os dentes e a comer sozinho. O excesso de proteção pode fazer com que os pais bloqueiem ainda mais a autonomia dessas crianças e jovens”, alerta.

    Família preparada
    Portanto, o grande desafio é orientar a família. Cristina Keiko, da ONG Lugar de Vida, acha que a mãe e o pai costumam receber a notícia de forma inadequada, quase técnica, e transformam-se em pesquisadores, deixando de perceber as nuances do desenvolvimento infantil. Aliás, muitas entidades oferecem cursos para o aprimoramento dos pais, mas esses espaços especializados são escassos para dar conta da demanda.

    Com um bom acompanhamento, o autista pode ficar com menos limitações e até frequentar a escola regular com alguém servindo de apoio. Tudo vai depender do grau da deficiência. Por isso, a observação é fundamental para captar detalhes valiosos que ajudam a entrar nesse mundo tão especial.

    Fugir de casa é mais um sintoma
    Quase metade dos autistas americanos com menos de 4 anos já deu algumas escapadas. É o que revela um estudo do Instituto Kennedy Krieger com 1,2 mil famílias. Na maioria das vezes, o que motiva essas crianças é chegar a algum lugar específico. Os números são alarmantes, já que elevam o risco de acidentes. Pelo menos 65% dos fujões foram atropelados ou quase atropelados. Outros 24% sobreviveram a afogamentos.

    Diagnóstico unificado em 2013
    O manual americano psiquiátrico, usado como uma das principais referências para doenças mentais, ganhará uma quinta e polêmica revisão no ano que vem. Ele eliminará as diferenças das síndromes do espectro autista – o nome Asperger deixaria de existir, por exemplo. Especialistas temem que isso prejudique a investigação dos casos. “O risco é que os pacientes sejam classificados com uma rotulação patológica muitas vezes equivocada”, alerta a psicóloga Cristina Keiko. Entenda a diferença:

    Autismo clássico É uma pane neurofisiológica, que cria obstáculos para o processamento cerebral. A sociabilidade é sempre comprometida. Nos casos mais graves, a fala chega a ser afetada. Nos moderados, há uma interação com o mundo, porém mais passiva.

    Asperger Menos grave, tem características semelhantes às do autismo, como o interesse restrito por objetos e problemas de socialização. Atinge sete meninos para cada menina. Mas, no caso, inteligência e memória fora do comum roubam a cena.

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  • foto-imagem-manteiga
    A dica ganhou credibilidade depois que o diretor geral de saúde pública da Prússia Friedrich Von Esmarch a recomendou no seu influente manual de medicina de guerra do século 19.

    A ideia era selar a queimadura para que não entrasse em contato com ar ou sujeiras e, assim, previnir infecções e acelerar a cura.

    É preciso reconhecer a importancia de Von Esmarch, que ficou reconhecido por introduzir o conceito de primeiros socorros, mas será que ele tinha razão sobre sua teoria de curar queimaduras com manteiga?

    Rãs e mel
    Há muitos mitos em torno dos remédios caseiros usados para tratar queimaduras.

    Um papiro egípcio que data de 1.500 a.C. descreve o uso de barro, excrementos de animais e até de rãs banhadas com azeite. No século 4 a.C., os gregos preferiam gordura de porco, enquanto os romanos usavam uma mistura de mel e farelos, seguida de pedaços de cortiça e cinzas.

    Mais recentemente, cirugiões de um hospital na Grã-Bretanha notaram que várias de crianças com queimaduras chegavam com roupas ainda no corpo, apesar de a primeira recomendação ser de tirá-las imediamente para não grudarem na pele.

    Isso levou os médicos a investigarem as crenças de um grupo de pais a respeito de queimaduras. Em um estudo, eles pediram que respondessem o que fariam para socorrer um menino de dois anos que acabara de derramar uma panela de água quente sobre o corpo.

    Apenas 10% dos entrevistados deram uma resposta considerada ideal e alguns sugeriram remédios que não funcionam, como manteiga, leite, azeite de cozinha e pasta de dente.

    Uma pesquisa realizada na Turquia concluiu que apenas 25% das pessoas colocariam água fria sobre queimaduras, que é recomendação correta, enquanto a metade sugeriu soluções erradas, como iogurte, pasta de dente, extrato de tomate, gelo, clara de ovo crua, entre outras.

    Especialistas esclarecem que o aparente alívio proporcionado por essas substâncias frias não dura e pode, inclusive, selar a queimadura, impedido a saída do calor. Assim, a pele continua queimando por dentro.

    Como as queimaduras superficiais acabam curando sozinhas, assumimos erroneamente que essas receitas funcionaram, quando, na verdade, a queimadura teria melhorado de qualquer jeito.

    Procedimento correto
    As orientações de primeiros socorros para queimaduras variam de país para país, mas no geral, o conselho é: após remover roupas e todos os acessórios, como colares, relógios e anéis, abra a torneira e deixe água fria cair sobre a queimadura por pelo menos 20 minutos.

    A água fria ajuda a adormecer a área afetada ao esfriá-la e, além disso, evita que a pele continue queimando. Também parece ajudar na cura da queimadura, apesar de alguns especialistas ainda debatarem como isso é possível.

    Há quem acredite que gelo é um santo remédio, mas o frio extremo pode prejudicar ainda mais o tecido.

    Finalmente, a queimadura deve ser coberta com uma gaze limpa para evitar infecção.

    Quanto à manteiga, o melhor é usá-la no pão, a não ser que seja uma situação muito específica: se uma pessoa for azarada o bastante para ter um acidente com alcatrão quente cainso na pele, uma substância gordurosa como a manteiga pode ajudar na remoção do alcatrão, reduzindo a dor e facilitando o trabalho dos médicos na hora de avaliar a gravidade da queimadura.

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  • foto-imagem-clareamento-dentalVocê se lembra de quando os antibióticos eram vendidos de maneira mais fácil e indiscriminada? Em que se comprava na farmácia aquele medicamento da pesada para resolver uma dor de garganta? Pois é, então você deve se lembrar, também, de que, não faz muito tempo, a venda desses remédios sem prescrição médica foi proibida — agora, para adquiri-los é necessário ter em mãos uma receita datada e assinada e, dentro da farmácia, os funcionários têm de fazer um controle rígido, contando a dedo o número de caixas vendidas.

    Mas por que falar de antibióticos se o assunto envolve clareadores dentais? Porque algo parecido pode acontecer com essa classe de produtos. O acesso fácil a eles, inclusive por meio da internet, e o uso indiscriminado têm preocupado a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa. O órgão do governo já começou a se mexer para criar uma legislação a fim de controlar melhor o que pode ser comercializado nessa área — a ideia é que os clareadores em formato de adesivo tenham de ser prescritos por um dentista. Os cremes dentais com propriedades branqueadoras não entram nessa história. Eles continuam à venda sem restrições no mercado.

    O motivo da proposta
    Segundo o Conselho Federal de Odontologia, o mais preocupante é o acesso, sem fiscalização alguma, aos agentes clareadores dentais em sites de compra coletiva. Para que haja um maior controle, a entidade, junto a outras instituições, pede uma regulamentação específica, já que o uso incorreto desses produtos pode provocar danos aos dentes e ao resto do organismo.

    “Os clareadores caseiros possuem as mesmas substâncias químicas presentes na fórmula daqueles que são usados dentro dos consultórios”, explica o dentista Milton Raposo Júnior, especialista em estética e reabilitação oral da MR Estética Dental, em São Paulo. “Não é que o produto vendido na farmácia não seja bom. O problema está na maneira que as pessoas costumam usá-lo. Sem que haja um acompanhamento há o risco de diversos problemas de saúde”, justifica. A dose das substâncias usadas e o tempo de tratamento — algo que só pode ser bem controlado por um profissional — fazem toda a diferença.

    O risco do uso indiscriminado pega desde os dentes até o estômago. Tais produtos podem gerar hipersensibilidade dentária, tanto pelo contato com alimentos quentes ou frios como pela aspiração do ar, retração da gengiva e até mesmo problemas de canal. Outras partes do corpo são potencialmente afetadas, sobretudo o estômago, já que os adesivos podem liberar compostos que, uma vez engolidos, são capazes de irritar a mucosa gástrica.

    A Anvisa já realizou encontros com instituições e especialistas para delinear uma legislação a respeito. Isso deve ocorrer nos próximos meses.

    Por dentro do mundo dos clareadores
    As três formas de clarear os dentes mais utilizadas hoje são o tratamento a laser, o uso de placas dentárias e os já citados adesivos vendidos em farmácia. Só o laser, porém, é totalmente aplicado dentro dos consultórios — portanto, é o único em que há total controle pelo dentista. Já a placa é um molde em que o paciente leva para casa o produto e o aplica por tempo determinado pelo especialista, voltando após alguns dias ao consultório com o intuito de verificar a resposta. Os adesivos dispensam o profissional, mas podem cobrar um preço à saúde, mesmo que sejam mais baratos em comparação com os outros. O dentista Milton Raposo lembra, porém, que todos os tratamentos são capazes de provocar danos quando mal empregados.

    Portanto, se você quer clarear os dentes, vale a pena pesar com o especialista o que atenderia a sua demanda, sem partir para uma obsessão pela brancura total. “As pessoas hoje querem dentes cada vez mais claros e quase impossíveis de se conseguir”, comenta o dentista José Luis Bretos, diretor científico do Núcleo de Estudos Odontológicos (NEO) e doutor de ciência e saúde pela Universidade Federal de São Paulo. Lembre-se: aparência não é tudo em matéria de sorriso. De que adiantam dentes branquinhos por fora e totalmente corrompidos por dentro?

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  • foto-imagem-energeticosComo o desejo de que o dia tenha bem mais de 24 horas não passará disso, ou seja, de um desejo, as pessoas vivem procurando maneiras de fazer o tempo disponível render. Uma delas é mandar energéticos goela abaixo para ficar a mil. O indício de que se trata de um comportamento cada vez mais corriqueiro vem do Serviço de Administração em Abuso de Substâncias e Saúde Mental, nos Estados Unidos. Em um documento recente, o órgão revela que, entre 2007 e 2011, aumentou em 279% o número de indivíduos acima de 40 anos visitando o pronto-socorro após a ingestão da bebida. Prova de que não são apenas os jovens baladeiros que se entopem de latinhas.

    Outro dado intrigante: em 2011, quase 60% desses atendimentos emergenciais estavam associados somente ao uso dos energéticos — isto é, não havia álcool ou drogas na jogada. A situação americana está longe de surpreender especialistas brasileiros. Afinal, essa parece ser uma realidade também por aqui. “Devido à rotina atribulada, muita gente já acorda cansada”, nota o cardiologista Daniel Pellegrino dos Santos, do Hospital do Coração, na capital paulista.

    Daí, às vezes só com a ajuda da bendita cafeína, principal composto das bebidas estimulantes, para aguentar o tranco. Só que existe um limite para seu consumo. “Adultos, por exemplo, podem ingerir no máximo 2,5 miligramas de cafeína por quilo de peso”, informa Santos. Isso significa que uma mulher de 60 quilos precisaria parar nos 150 miligramas. “Acontece que, nos energéticos, a quantidade de cafeína varia de 80 até 500 miligramas”, avisa a cardiologista Luciana Janot Matos, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

    E o excesso cobra seu preço. Quem paga mais caro, geralmente, é o coração. “A cafeína instiga o sistema nervoso simpático a liberar hormônios estimulantes, como adrenalina e noradrenalina”, explica a médica. Algo preocupante, pois essa dupla propicia o aumento da frequência cardíaca e o estreitamento dos vasos sanguíneos, fazendo a pressão decolar. Em sujeitos com problemas prévios nas artérias — muitas vezes silenciosos —, o efeito eventualmente serve como estopim para um infarto ou derrame.

    Esses hormônios excitantes ainda são capazes de fazer o coração bater em ritmo pra lá de apressado, quadro conhecido como arritmia. “Quando há um histórico de doença cardíaca, a aceleração pode ser fatal”, avisa Daniel Daher, presidente do Grupo de Estudos em Cardiologia do Esporte da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

    O fato de seu coração estar aparentemente livre de enroscos não serve de argumento para abusar das latinhas. Especialmente para quem já atingiu os 40 anos de idade. “Com o passar do tempo, sobe a probabilidade de a pessoa ter sido exposta a fatores de risco como pressão alta, obesidade, tabagismo, dieta inadequada, entre outros”, lembra Daher. Os energéticos seriam, então, um ingrediente extra na equação bombástica. Fora que uma parcela daqueles que à primeira vista esbanjam saúde — são magros, comem direito e fazem exercícios — possuem um risco aumentado de males cardíacos por causa da herença genética. Mais um motivo para espiar o rótulo e evitar se entupir de cafeína.

    A recomendação vale por outras razões, como barrar a gastrite. Isso porque tanto a cafeína como os hormônios excitantes despejados na corrente sanguínea contribuem para a maior produção de ácidos que irritam a mucosa do estômago, o que explica a sensação de queimação. O estado de agitação ainda favorece a ocorrência de tremores involuntários pelo corpo todo, inclusive nas pálpebras. Para piorar, no dia seguinte a tendência é sentir uma espécie de ressaca, com sonolência e tudo mais. “Aí, crescem as chances de lançar mão da bebida novamente”, raciocina o cardiologista Rui Póvoa, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

    Se as consequências da falta de comedimento já são temerosas nos adultos, imagine em crianças e adolescentes. “Eles são mais suscetíveis aos efeitos da cafeína. Sem contar que seu sistema cardiovascular está em formação”, enfatiza a cardiologista Grace Bichara, do Hospital Infantil Sabará, em São Paulo. As preocupações vão além: é comum que os energéticos sejam misturados a bebidas alcoólicas. Segundo levantamento do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas da Unifesp, dos mais de 50 mil jovens entrevistados em 2010, pelo menos 60,5% relataram já ter consumido alguma bebida alcoólica, sendo que 15,4% adicionaram o energético ao copo. “O perigo é que a mistura potencializa o efeito estimulante do álcool, motivando sua procura em outras ocasiões”, alerta Sionaldo Ferreira, professor de educação física da instituição. Levantamentos também apontam que a coordenação motora e o tempo de reação são afetados, abrindo brecha para acidentes.

    A cafeína não está sozinha
    Embora a maioria das chateações decorrentes dos energéticos esteja relacionada à presença dessa substância, há prejuízos que se manifestam graças a outras características do líquido. Sua acidez é um exemplo, como registra um estudo da Universidade do Vale do Itajaí, em Santa Catarina. Nele, dentes bovinos, cuja composição é semelhante à dos nossos, foram imersos no líquido durante 15 minutos, quatro vezes ao dia, por cinco dias.

    O resultado não foi nada positivo. “A bebida removeu o cálcio dos dentes e tornou a superfície do esmalte porosa”, atesta Lídia Morales Justino, professora de odontologia e orientadora da pesquisa. “Isso cria condições para a deposição de corantes ali, culminando em mudança de cor”, completa. Colocando tudo na balança — do coração ameaçado aos dentes manchados —, você há de convir que uma boa noite de sono ainda é a melhor pedida para repor as energias. Energético? Só de vez em quando e com moderação.

    Sempre alerta: consumir a dose adequada de cafeína é um desafio, visto que ela está em vários itens

    Energético – 1 lata – 80 mg a 500 mg
    Café espresso – 1 xícara de 60 ml – 60 mg
    Guaraná em pó – 1 grama – 44 mg
    Chá-preto – 1 xícara de 150 ml – 35 mg
    Refrigerante de cola – 1 lata – 31 mg
    Chocolate amargo – 1 barra de 170 g – 31 mg
    Chocolate ao leite – 1 barra de 170 g – 10 mg

    Gás natural
    Falta disposição para trabalhar ou assistir às aulas da faculdade? Antes de recorrer aos energéticos para encontrar o vigor perdido, que tal se questionar a quantas andam seu sono, sua dieta e a frequência na academia? É que os três fatores, quando levados a sério, fornecem a energia necessária para você aguentar o corre-corre. “Parece simples, mas a maioria das pessoas não dorme pelo menos oito horas diárias, tem uma alimentação desequilibrada ou não faz exercícios pelo menos quatro vezes por semana”, lamenta o cardiologista Daniel Daher, da SBC.

    Os efeitos do excesso de energéticos pelo corpo
    A mistura de cafeína, taurina, guaraná e ginseng — ingredientes encontrados nessas bebidas — é capaz de causar uma série de desajustes. Conheça os principais:

    Erosão dentária
    O pH baixo dos energéticos fomenta um desequilíbrio bucal. Assim, o cálcio sai dos dentes, alterando a superfície do esmalte.

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    Contrações musculares
    A descarga de adrenalina e noradrenalina no organismo pode desencadear contrações involuntárias nos músculos.
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    Fasciculação
    Os níveis elevados de hormônios estimulantes correndo pela circulação fazem as pálpebras tremerem.
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    Infarto e AVC
    As substâncias que conferem excitação também geram endurecimento das artérias. No cérebro, o aperto pode levar a um derrame. No coração, a um ataque cardíaco.
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    Gastrite
    Os hormônios liberados por causa da cafeína da bebida favorecem a produção de ácidos no estômago. Isso explica a possibilidade de queimação.
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  • foto-imagem-abeca-instavel-prejudica-vacinaQuando perguntado sobre qual deveria ser o principal objetivo de vida das pessoas, o poeta romano Juvenal (55-127 d.C.) não pensava duas vezes antes de responder: mens sana incorpore sano. Ou, do latim para o português, uma mente sã num corpo são. A frase, repetida à exaustão durante os séculos que viriam, integrou Sátiras, obra mais famosa do literato. De algum modo, a antiga citação antecipa um tema que a ciência moderna esmiúça com afinco: a relação entre o estado de ânimo e a saúde.

    Um dos exemplos mais recentes desse interesse acadêmico vem da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. Os especialistas da instituição pesquisaram, em idosos com depressão, a eficiência da vacina contra herpes-zóster, uma infecção que provoca dores e feridas na pele. Aqueles que sofriam com os quadros depressivos e não passaram por tratamento medicamentoso tinham, após a injeção, uma produção menor de anticorpos quando comparados aos velhinhos com a cabeça em paz. “Nesses casos, a liberação excessiva de hormônios estressantes, como o cortisol, prejudica a resposta do sistema imunológico à vacina”, explica o endocrinologista Walmir Coutinho, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

    Meses depois, os cientistas foram além. Eles testaram o imunizante nos mesmos indivíduos deprimidos, mas que, após aquele primeiro teste, começaram a usar remédios para combater a tristeza sem fim. Resultado: a resposta imunológica foi muito mais consistente, comprovando o benefício do tratamento psiquiátrico e o papel deletério da doença nas nossas defesas naturais. “A depressão inicia um processo inflamatório que aumenta o risco de outras enfermidades darem as caras”, resume o clínico geral Paulo Olzon, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

    Mas é possível relacionar o achado sobre o herpes-zóster a outros tipos de vacinas e drogas? Os especialistas entendem que sim. “Distúrbios emocionais podem restringir a ação de diferentes fármacos por causa do desequilíbrio de hormônios e neurotransmissores, que fazem a comunicação entre diversas regiões do organismo”, conta o psicólogo Esdras Vasconcellos, da Universidade de São Paulo (USP).

    O estudo californiano figura como um bom exemplo de uma área que vem ganhando destaque na medicina, a psiconeuroimunoendocrinologia. Seu objetivo é compreender como os sistemas nervoso, endócrino e imune se relacionam entre si e reagem aos estímulos psicológicos, vindos dos pensamentos e da interação com o ambiente. “Os quatro complexos conversam por meio de receptores, hormônios, neurotransmissores e outras moléculas. O equilíbrio entre eles é fundamental para que o corpo funcione direito”, diz o imunologista Momtchilo Russo, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP.

    Essa discussão pode ser ampliada para outros problemas típicos da vida moderna, como o estresse. Uma investigação da Universidade Carnegie Mellon, nos Estados Unidos, expôs 276 voluntários tensos a um resfriado comum. Testes de sangue comprovaram que o contra-ataque imunológico ao agente invasor era mais fraco em relação a indivíduos que se diziam relaxados. A pesquisa concluiu que o nervosismo é capaz de interferir diretamente nas linhas de defesa do organismo.

    Vamos tomar como exemplo um sujeito que acaba de receber a notícia da morte de um familiar de quem gostava muito. Num primeiro momento, a informação é encaminhada para a cabeça a fim de dar uma interpretação ao fato, o que acontece em frações de segundo. Algumas das áreas acionadas são as que processam nossas memórias — é uma tentativa de estabelecer um paralelo entre a nova informação e situações similares vividas no passado. “O fato também atinge a amígdala, estrutura cerebral que vai julgar a sua importância emocional. Se for considerado grave, é disparada uma série de reações, que passam pelo hipotálamo e pela hipófise”, relata o psicobiólogo Ricardo Monezi, da Unifesp.

    Depois de todo esse processo, a massa cinzenta lança na circulação o adrenocorticotrófico, molécula que viaja até as glândulas suprarrenais, localizadas acima dos rins, e estimula a produção de hormônios do estresse, como o cortisol. As substâncias enervantes, então, caem no sangue, onde incidem sobre os linfócitos, as principais células de defesa do corpo. O mecanismo pode se repetir diversas vezes, com prejuízos incontáveis para a saúde.

    Assim como a diferença entre o veneno e o antídoto é a dose, a quantidade de cortisol perambulando nos vasos determina se sua ação será boa ou ruim. “O aumento prolongado dos seus níveis implica uma redução da competência do sistema imunológico no combate a agentes agressores”, descreve o psiquiatra William Dunningham, da Universidade Federal da Bahia. “Isso faz com que indivíduos persistentemente estressados fiquem vulneráveis às infecções virais e bacterianas e inclusive ao surgimento de tumores”, completa. Na contramão, quando esse hormônio é secretado em pequenas porções durante eventos isolados, contribui para a manutenção dos anticorpos e até mesmo da memória e do cérebro como um todo.

    Nem tudo são lágrimas
    Para tratar quadros leves de estresse, ansiedade e depressão, os médicos apostam em terapias alternativas como meditação, ioga e acupuntura. “Também procure investir numa alimentação adequada, priorizando fontes ricas em selênio e zinco, dois protetores do sistema de defesa”, recomenda a alergologista Ana Paula Moschioni, diretora da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia. Castanhas e frutos do mar, respectivamente, são opções ricas nesses minerais.

    Para prevenir chateações, vale manter o bom humor sempre que possível. As gargalhadas atenuam a ação dos hormônios estressantes, ao mesmo tempo que fazem liberar substâncias para ajudar a manter a alegria em alta, como a dopamina e a endorfina. “Pessoas otimistas desenvolvem anticorpos a vacinas duas a três vezes mais rápido do que pessimistas”, ressalta Monezi. De acordo com o pesquisador, amar (e ser amado) e realizar um trabalho voluntário também estão na lista de atitudes que garantem uma mente sã num corpo são.

    Tensão à flor da pele
    Quando o nervosismo ou a tristeza passam dos limites, a pele é um dos órgãos que mais sofrem. “É comum que pessoas com distúrbios emocionais se cocem, arranquem cabelos e tentem, compulsivamente, espremer espinhas e cravos”, exemplifica o dermatologista Roberto Azambuja, coordenador do Departamento de Psicodermatologia da Sociedade Brasileira de Dermatologia. A bagunça nos hormônios ainda faz a acne ficar frequente.

    Leva e traz – As substâncias abaixo estão por trás do forte elo entre mente e corpo
    Cortisol – Reconhecido como um dos hormônios do estresse, é produzido nas glândulas suprarrenais, que ficam logo acima dos rins. Em situações normais, o cortisol prepara o corpo para casos de perigo e emergência, elevando a pressão arterial e a oferta de açúcar no sangue.

    Adrenalina – Também secretada pelas suprarrenais, compõe o time dos hormônios estressantes. Convocada em momentos de emoções fortes, deixa o organismo pronto para tomar uma atitude. Para isso, acelera as batidas do coração, estreita os vasos sanguíneos e prepara os músculos para a ação.

    Noradrenalina – Fabricada nas glândulas que moram sobre os rins, tem influência direta no sono, no aproveitamento de nutrientes e no humor. Quando seus níveis estão equilibrados, contribui para que a pressão fique dentro dos conformes. Em períodos de tensão, o excesso da partícula está por trás da ansiedade.

    Dopamina – Ela é recrutada pelo cérebro em situações prazerosas, que merecem ser repetidas. Na quantidade correta, a dopamina tem a função de regular o aprendizado, o desenvolvimento cognitivo, a memória e a qualidade do
    sono. A falta do neurotransmissor está relacionada à depressão e à doença de Parkinson.

    Endorfina – Assim como a dopamina, traz a sensação de bem-estar. Sintetizado pela hipófise, na cabeça, o neurotransmissor é responsável por gerar sensações eufóricas, o que, por sua vez, atenua a tensão e até as dores físicas. Em taxas normais, fortalece o sistema imunológico e proporciona disposição para o corpo e a mente.

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  • foto-imagem-células O sistema imunológico é delicadamente equilibrado para atacar invasores e não combater os próprios tecidos do corpo.

    Assim, existem muitas doenças autoimunes, tais como a diabetes do tipo 1 e a esclerose múltipla, que ocorrem quando o sistema imunológico ataca e destrói tecidos saudáveis do corpo por engano.

    Imunoterapia
    Pesquisas feitas com células T, que ajudam na produção de anticorpos no organismo, têm sido bastante populares na área de estudos do câncer e de doenças autoimunes.

    As células T fazem parte do sistema imunológico, e ajudam a equilibrá-lo impedindo que ataque o próprio corpo.

    Os pesquisadores procuraram interromper a função da célula T, com a intenção de deixar o sistema imunológico atacar células cancerígenas.

    Wayne Hancock, um dos pesquisadores envolvidos no estudo, disse: “Nós precisamos encontrar uma maneira de reduzir a função da célula T de forma que ela permita uma atividade antitumoral, mas sem reações autoimunes.”

    Pesquisa promissora
    Os pesquisadores criaram camundongos que não tinham a química necessária para fazer as células T trabalharem de forma eficaz – e por isso elas não impediam um ataque do sistema imunológico a tecidos do corpo.

    Para confirmar o experimento, os cientistas usaram uma droga que produziu o mesmo efeito em ratos normais.

    Em ambos os testes, a mudança no sistema imunológico restringiu o crescimento de um tipo de câncer de pulmão.

    “O estudo abre as portas para uma nova forma de imunoterapia para o combate ao câncer”, disse Hancock.

    No entanto, ainda há um longo caminho a ser percorrido para o tratamento de pacientes com câncer. Outros testes serão necessários para ver se os mesmos procedimentos podem ser usados no sistema imunológico humano, antes de testes clínicos.

    Emma Smith, do Cancer Research UK, disse: “Colocar o poder do nosso sistema imunológico contra o câncer é um campo promissor de pesquisa, e algo que cientistas do mundo todos estão estudando.”

    “Estes resultados são mais um passo para o desenvolvimento de novos tratamentos que agem dessa forma, mas a pesquisa ainda está em fase inicial, e ainda não sabemos se essa abordagem será segura ou eficaz em humanos,” concluiu Smith.

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  • Um pesquisador da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres (London School of Hygiene and Tropical Medicine) está testando um novo aplicativo que transforma celulares em uma espécie de consultório de oftalmologia de bolso.

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    Andrew Bastawrous está testando o aplicativo Peek (Portable Eye Examination Kit, ou kit portátil de exame de olhos, em tradução livre) em 5 mil pessoas no Quênia.

    O aplicativo usa a câmera do celular para examinar os olhos e detectar a catarata. Além disso, uma letra que aparece na tela e vai diminuindo de tamanho é usada no exame básico de visão – que detecta, por exemplo, a necessidade de óculos.

    E, com o aplicativo, a luz do flash da câmera do celular é usada para iluminar o fundo do olho, a retina, para tentar detectar mais doenças.

    As informações do paciente ficam no celular, o lugar exato onde ele está é também gravado usando o GPS do aparelho e os resultados podem ser enviados por e-mail a médicos.

    Bastawrous criou esta solução pois, até mesmo nos países mais pobres, é possível encontrar oftalmologistas nas cidades maiores. Mas, encontrar os pacientes em locais mais afastados é um problema.

    “Os pacientes que mais precisam (do atendimento oftalmológico) nunca vão conseguir chegar a um hospital, pois eles estão além do fim da estrada, eles não têm renda para o transporte, então precisávamos de um jeito para encontrá-los”, afirmou.

    Segundo a Organização Mundial de Saúde 285 milhões de pessoas são cegas ou portadoras de deficiência visual.

    Mas, de acordo com a organização, o tratamento destes problemas frequentemente é simples: óculos ou cirurgia podem transformar a visão de uma pessoa.

    Acredita-se que quatro a cada cinco casos podem ser evitados ou curados.

    Custos e curas
    O telefone é relativamente barato, custando cerca de 300 libras (mais de R$ 1.070) em comparação com o grande equipamento de exame oftalmológico que pode custar até 100 mil libras (quase R$ 358 mil).

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    As imagens que o aplicativo capturou durante os testes em Nakuru, no Quênia, estão sendo enviadas para o Hospital Oftalmológico de Moorfield, em Londres.

    Estas imagens estão sendo comparadas com as feitas em um aparelho tradicional de exames, que foi transportado pela região em uma camionete.

    O estudo ainda não está completo, mas a equipe de pesquisadores afirma que os primeiros resultados são animadores e mil pessoas já receberam algum tipo de tratamento até agora.

    Entre os pacientes beneficiados está Mirriam Waithara, que vive em uma área pobre e remota do Quênia onde não há médicos para diagnosticar a catarata que quase a cegou.

    Mas, depois de passar pelos exames com o Peek, Mirriam fez a operação para remover a catarata e agora pode enxergar novamente.

    “O que esperamos é que (o aplicativo) forneça cuidados para os olhos para aqueles que são os mais pobres entre os pobres”, disse Bastawrous.

    “Muitos hospitais fazem a cirurgia de catarata, que é a causa mais comum de cegueira, mas a verdade é que levar o paciente para os hospitais é um problema.”

    “O que podemos fazer usando isto é permitir que técnicos cheguem aos pacientes, às suas casas, os examinem lá e os diagnostiquem”, afirmou o pesquisador.

    Sem treinamento
    Mesmo sem ter sido concluída, a pesquisa já está gerando elogios.

    Peter Ackland, da Agência Internacional para Prevenção da Cegueira, afirmou que o aplicativo tem potencial para ser “decisivo” na luta contra doenças que afetam a visão.

    “Se você é alguém que sustenta uma família e você não consegue enxergar, então você não consegue trabalhar e a família entra em crise”, afirmou.

    “No momento, nós simplesmente não temos funcionários treinados em saúde dos olhos para levar estes serviços para as comunidades mais pobres. Esta ferramenta vai permitir fazer isto com pessoas relativamente sem treinamento”, acrescentou.

    Ackland acredita que a África e o norte da Índia serão as regiões que devem se beneficiar mais com o novo aplicativo, pois os oftalmologistas e técnicos destas regiões estão operando com cerca de 30% a 40% de sua capacidade.

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  • foto-imagem-falta-de-ar-mOxigênio é uma daquelas coisas às quais a gente só dá valor quando sente falta. E, embora isso possa ocorrer ao subirmos alguns lances de escada ou praticarmos esporte, convém ter em mente, sobretudo com a chegada do inverno, que uma porção de doenças atinge direta ou indiretamente a capacidade de respirar. É propício fazer esse aviso quando a temperatura cai por diversas razões, que afetam tanto pessoas saudáveis como quem já tem um distúrbio no sistema respiratório, caso de asma, rinite ou bronquite. “No frio, costumamos ficar mais em ambientes fechados, que favorecem a contaminação por micróbios, e o ar gelado e seco agride as vias aéreas, facilitando a ação de bactérias e vírus”, explica o médico Jairo Araújo, presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT).

    Não é à toa que, antes de a estação dos termômetros baixos começar, são realizadas campanhas de vacinação contra gripe e pneumonia, bem como alertas para o controle da asma. No Brasil, a infecção pelo vírus influenza H1N1, por exemplo, esteve por trás de 2 614 internações no ano passado, sendo que 351 casos terminaram em morte. O cenário para os asmáticos, então, é de perder o fôlego. Com base em levantamentos dos últimos anos, a SBPT estima que a asma mate seis pessoas por dia no país. “Isso reflete o fato de que mais de 90% dos indivíduos com o problema não seguem rigorosamente as orientações do médico”, justifica Araújo. Como as crises são mais frequentes em período de frio e ar seco, esse é o momento para não hesitar em adotar o tratamento a fim de prevenir falta de ar e outras complicações.

    Apesar de entrarmos na temporada mais perigosa para o aparelho respiratório, é nosso dever informar que o sufoco para obter oxigênio pode estar relacionado a falhas em outros cantos. “Diagnosticar a origem da falta de ar deve ser uma preocupação constante nos hospitais, até porque alguns casos refletem doenças graves. Embora as causas mais comuns sejam problemas pulmonares, ela pode ser sintoma de males cardíacos e refluxo”, diz o cardiologista João Fernando Ferreira, da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, a Socesp. É claro que, se você é sedentário e quer apostar uma corrida, vai sofrer as consequências ao peito. Mas, se o fôlego for desaparecendo sem motivo, é preciso correr, só que para o médico. Rastreamos, a seguir, 12 problemas que, em comum, acarretam boicotes ao entra e sai de ar.

    Infecções respiratórias
    Quando a gripe nos pega, a falta de ar pode aparecer junto a outros sintomas nada agradáveis: febre, tosse, secreção nasal, cansaço, dor de cabeça… O vírus influenza invade o corpo e se instala nas vias aéreas, provocando uma reação inflamatória. O aumento de muco na região e a diminuição do calibre de brônquios e bronquíolos — tubos que levam o ar para as profundezas dos pulmões — respondem pela baixa no fôlego. “Por isso, ao primeiro sinal da gripe, procure atendimento médico”, aconselha o pneumologista André Albuquerque, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Para preveni-la, recomenda-se tomar a vacina e lavar as mãos constantemente. Se a gripe é mal tratada, assim como outras infecções respiratórias, podem se abrir as portas à pneumonia, geralmente deflagrada por bactérias que chegam aos pulmões. Ela é uma das principais causas de internação no país e, muitas vezes, difícil de ser controlada. Diante de falta de ar e incômodos no peito, o pronto-socorro é bem-vindo.

    Bronquite crônica
    A inflamação dos brônquios costuma ser causada por reações alérgicas a poeira, ácaros ou fungos. Ao entrarem em contato com eles, as estruturas pulmonares ficam mais contraídas e emperram o trânsito de oxigênio. Além disso, há um aumento na secreção de muco, que pode entupir a passagem de ar pelos brônquios. Bronquites tendem a acompanhar o indivíduo ao longo da vida e as crises são mais frequentes na infância e na adolescência. Além da falta de ar, geram tosse, expectoração, dor e chiado no peito. “Em tempos de frio e baixa umidade, é importante hidratar as vias respiratórias com inalação e soro fisiológico”, sugere Albuquerque. Para os períodos críticos, os especialistas receitam anti-inflamatórios, broncodilatadores e, caso bactérias se aproveitem da confusão nos pulmões, antibióticos.

    Asma
    Segundo cálculos da SBPT, cerca de 20 milhões de brasileiros teriam o problema, também marcado por inflamação nos brônquios e presença de muco ali. O chiado no peito, um de seus sinais, significa que o ar está percorrendo um tubo estreito demais. Se esse caminho se fecha, vem a falta de ar. “Temperaturas baixas, clima seco, infecções e contato com ácaro e pelos de animais são os gatilhos das crises”, alerta a pneumologista Marcia Pizzichini, coordenadora da Comissão de Asma da SBPT. O segredo para o fôlego não deixar o asmático na mão nem impor hospitalizações — foram 174 500 no Brasil em 2011 — é seguir à risca o tratamento, que prevê anti-inflamatórios inaláveis diariamente. “São remédios seguros e que permitem ao indivíduo ter uma vida normal”, garante Marcia.

    DPOC
    A doença pulmonar obstrutiva crônica reúne duas encrencas derivadas da inalação de fumaça: a já citada bronquite e o enfisema pulmonar, que é a morte dos alvéolos, encarregados das trocas gasosas. “Noventa por cento dos casos estão associados ao tabagismo, sendo que, em média, demoram 20 anos para o problema aparecer”, diz o pneumologista Oliver Nascimento, vice-presidente da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia. A grande questão que cerca a DPOC é o fato de o fumante pensar que tosse, pigarro e falta de ar são aspectos inerentes ao vício. Quanto mais tarde é feito o diagnóstico, menor a chance de minimizar a situação — já que não dá para reverter totalmente os estragos. “O principal tratamento é parar de fumar, seguido de condutas como vacinação e atividades físicas. Também entramos com medicamentos que dilatam os brônquios”, explica Nascimento. Prevenir a DPOC não tem mistério: fuja do cigarro, inclusive se for só nos finais de semana, e dos fumantes.

    Câncer de pulmão
    Eis outro mal estreitamente ligado ao tabaco — oito em cada dez pessoas com a doença fumaram ou tinham contato assíduo com a fumaceira. “Ele é o terceiro tipo mais comum de câncer e um dos mais agressivos, daí sua alta mortalidade”, diz o oncologista Jefferson Luiz Gross, diretor do Núcleo de Pulmão e Tórax do A.C. Camargo Cancer Center, em São Paulo. Ainda se suspeita que outros agentes, como poluentes, elevem seu risco. Não é fácil diagnosticá-lo precocemente porque seus indícios, caso da tosse e da falta de ar, são encarados como manifestações comuns ao ato de fumar. Assim, o indivíduo só procura ajuda quando vive sem fôlego ou expele sangue nas tossidas. “De uns anos pra cá, estudos sugerem a realização anual de tomografias do tórax a toda pessoa acima de 50 anos que fuma ou já fumou”, conta Gross. É um jeito de identificar cedo o tumor para derrotá-lo.

    Hipertensão pulmonar
    Essa é uma doença rara, que compromete muito a qualidade e a expectativa de vida. Ela nada tem a ver com a pressão alta sistêmica. Aqui, o aperto acontece só nos vasos pulmonares. Problemas cardíacos, respiratórios e infecções podem estar por trás dele, e uma de suas principais versões, a hipertensão arterial pulmonar (HAP), não costuma ter causa definida. “O aumento da pressão nas artérias dos pulmões sobrecarrega o coração. Com o tempo, o órgão se cansa e o paciente pode desenvolver insuficiência cardíaca”, explica o pneumologista Daniel Waetge, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Por isso que o ecocardiograma é uma das formas de rastrear a doença. A HAP rende falta de ar, cansaço, palpitações, inchaços nos pés ou na barriga e até lábios roxos. Bem limitante, se o tratamento demora, pode cobrar uma vida curta ligada a um aparelho de oxigênio. “A terapia dispõe de algumas classes de remédios, mas ainda não temos todas elas no Brasil”, diz Waetge.

    Rinite
    Se você nunca passou por isso, acredite: uma das piores sensações do mundo é não conseguir respirar e dormir por causa de um nariz entupido. A famigerada rinite é bem mais popular entre indivíduos alérgicos, mas pode pintar também em função de gripes e resfriados. Além de tampar as narinas, costuma desatar coriza e coceira na região — daí a imagem do nariz todo vermelho. “Ocorre uma inflamação no tecido que reveste lá dentro, acompanhada de um aumento no volume de sangue, o que dificulta ou corta a passagem do ar”, explica o otorrinolaringologista Reginaldo Fujita, da Universidade Federal de São Paulo. Para escapar dela, lave o nariz com soro fisiológico diariamente e tome cuidado com mudanças bruscas de temperatura. “E nunca use sem orientação médica soluções nasais com vasoconstritores, porque elas podem provocar aumento da pressão e arritmia”, avisa Fujita.

    Transtornos psiquiátricos
    Desordens como síndrome do pânico, ansiedade e claustrofobia costumam travar a entrada e a saída de ar do organismo. “Isso está relacionado a uma reação de defesa natural. Uma descarga de neurotransmissores faz o coração bombear mais sangue, preparando o corpo para as duas decisões cabíveis num momento de perigo: fugir ou lutar”, diz o psiquiatra Sérgio Tamai, da Associação Brasileira de Psiquiatria. A consciência de uma situação ameaçadora estimula algumas regiões do cérebro, como a amígdala, que faz as escolhas, e o sistema nervoso autônomo, responsável por ações automáticas, como a respiração. Por isso, além de propiciar falta de ar, é comum que haja o aumento da pressão arterial, taquicardia e excesso de transpiração, assim como vontade de urinar ou evacuar. “Em alguns quadros psiquiátricos, a amígdala está descalibrada e pequenos estímulos já são capazes de gerar reações mais intensas”, conta Tamai. Para controlar tais distúrbios, que costumam impactar no comportamento, os médicos prescrevem antidepressivos e ansiolíticos, além de sugerir psicoterapia e até mesmo meditação.

    Panes no coração
    A insuficiência cardíaca é a segunda causa mais comum de falta de ar — só fica atrás dos problemas respiratórios em si. Ela se caracteriza pela incapacidade de o órgão bombear sangue para o resto do corpo. Com o tempo, o músculo cardíaco fica flácido e uma parte do líquido vermelho acaba represada lá nos pulmões. “Os brônquios e bronquíolos ficam úmidos e isso dificulta a troca de gases, o que leva a uma dificuldade de difundir oxigênio no sangue e retirar gás carbônico”, explica o cardiologista João Fernando Ferreira, da Socesp. Como os problemas no coração são os maiores causadores de mortes no mundo todo, o conselho é fazer o checkup anual e ficar atento a manifestações que podem aparecer junto com a falta de ar, como pressão alta, palpitação e dor no peito. “A primeira coisa a fazer é detectar e tratar a disfunção que está causando os sintomas. O problema pode estar nas válvulas, nos vasos ou no próprio músculo cardíaco”, orienta Ferreira.

    Excesso de peso
    Para quem ainda resiste em tachar a obesidade de doença, leia esta: pesquisas mostram que ela acaba com o fôlego por motivos bem fisiológicos. “A barriga espreme os pulmões, limitando sua capacidade de trabalho”, diz Marcia Pizzichini, professora da Universidade Federal de Santa Catarina. Pior: há indícios de que o tecido gorduroso que fica no ventre fabrica substâncias inflamatórias capazes de agravar problemas respiratórios, como a asma. Sem falar que quilos a mais baixam a imunidade, colaborando, sem querer, para infecções. A mensagem é curta: busque emagrecer ou se manter no peso ideal.

    Refluxo gastroesofágico
    Ele é motivado pela volta constante de comida do estômago para o esôfago e seus
    principais sintomas são regurgitação, queimação e uma forte dor no peito — muitas vezes, esse incômodo é confundido até com infarto, dada a sua intensidade. A falta de ar, bem como pigarro, rouquidão e tosse, são algumas das manifestações mais atípicas do refluxo. “O retorno da massa alimentar irrita as paredes do esôfago. Um dos reflexos disso são espasmos involuntários nos pulmões, capazes de tirar o fôlego”, conta o gastroenterologista Ary Nasi, do Fleury Medicina e Saúde. Em crianças e idosos, o conteúdo regurgitado pode até vazar para a dupla de órgãos que capitaneiam o sistema respiratório. “E isso, por sua vez, atrapalha o trabalho dos brônquios”, complementa Nasi, que também é membro da Federação Brasileira de Gastroenterologia. O tratamento do refluxo atua em três frentes: diagnóstico adequado, por meio de endoscopias, mudanças alimentares, como o menor consumo de comidas gordurosas, e medicamentos. Se todas as etapas forem cumpridas, é bem provável que o refluxo — e a falta de ar — desapareça.

    Problemas no diafragma
    Um dos principais responsáveis pela respiração, o músculo que faz a divisão do peito e do abdômen também pode ficar com defeitos, embora isso seja bem raro. Na chamada eventração, o diafragma invade o tórax e deixa de realizar sua função, cortando o fôlego. Tumores, hérnias, lesões nos nervos e rupturas do tecido muscular também repercutem no diafragma, pressionando os pulmões. Por serem situações não tão frequentes, quando alguém chega ao hospital com falta de ar, os médicos investigam primeiro as causas mais habituais, como doenças respiratórias e cardíacas. “Descartados os principais
    suspeitos, começamos a investigar esses outros motivos”, esclarece Nasi.

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  • foto-imagem-lactanciaA pesquisa também indicou a possibilidade de haver uma ligação mais ampla entre os dois fatores, já que amamentar pode pode atrasar o declínio da condição cognitiva da mulher.

    Estudos anteriores já mostravam que a amamentação reduzia o risco de a mãe desenvolver outras doenças, mas esse é o mais indicativo no que diz respeito a transtornos cognitivos.

    O estudo mostra que alguns efeitos biológicos da amamentação podem ser os responsáveis pela redução do risco de se desenvolver a doença.

    Os pesquisadores estabeleceram três comparações hipotéticas, entre mulheres que amamentaram e outras que não amamentaram ou amamentaram menos, e verificaram reduções potenciais de até 64% no risco de as primeiras desenvolverem Alzheimer em relação às segundas.

    Eles advertem, porém, que não é possível quantificar com exatidão a redução potencial do risco de Alzheimer, por conta do grande número de variáveis envolvidas – como tempo de amamentação, histórico de saúde da mulher, número de gravidezes e casos de Alzheimer na família, entre outras.

    Progesterona e insulina
    Segundo uma das teorias levantadas pelos pesquisadores de Cambridge, amamentar priva o corpo do hormônio progesterona, para compensar os altos níveis de protesgerona produzido durante a gravidez.

    A progesterona é conhecida por dessensibilizar os receptores de estrogênios no cérebro – e o estrogênio tem um papel importante na proteção do cérebro contra o Alzheimer.

    Outra teoria se baseia no fato de que amamentar amplia a tolerância da mulher à glicose, restaurando sua tolerância à insulina após a gravidez, um período em que há uma redução natural da resistência à insulina.

    E o Mal de Alzheimer é caracterizado justamente pela resistência à insulina no cerébro (e consequentemente à intolerância à glicose), tanto que o mal de Alzheimer algumas vezes é chamado de diabetes tipo 3.

    Histórico de demência
    Publicada no Journal of Alzheimer’s Disease, a pesquisa analisou 81 mulheres britânicas entre 70 e 100 anos, incluindo mulheres que sofriam ou não desse tipo de demência.

    Apesar de os cientistas terem estudado o caso de um grupo pequeno de mulheres, eles garantiram que isso não interfere no resultado da pesquisa, dados os fortes indícios da correlação entre amamentar e os riscos de se desenvolver Alzheimer.

    Eles disseram, no entanto, que a conexão entre os dois fatores foi bem menos presente em mulheres que já tinham um histórico de demência na família.

    Com base nos dados coletados com as mulheres estudadas, os pesquisadores formularam três casos hipotéticos para indicar o potencial de redução do risco de Alzheimer pela amamentação:

    No primeiro caso, na comparação de duas mulheres idênticas, uma que tivesse amamentado por 12 meses teria um risco 22% menor da doença em relação à outra que amamentou por 4,4 meses.

    No segundo, uma mulher que tenha amamentado por oito meses após uma gravidez teria um risco 23% menor do que uma mulher em condições idênticas, mas que tenha amamentado por seis meses após três gestações.

    No terceiro caso, a redução verificada foi de 64% para uma mulher que tenha amamentado em relação a outra idêntica que não tenha amamentado.

    ‘Doença devastadora’
    A pesquisadora Molly Fox, que conduziu o estudo juntamente com os os professores Carlo Berzuini e Leslie Knapp, disse esperar que a pesquisa sirva para estimular outras sobre a relação entre o risco de doenças e o histórico reprodutivo de mulheres.

    Fox espera ainda que as conclusões da pesquisa indiquem novos caminhos para lutar contra epidemia global de Alzheimer, especialmente em países em desenvolvimento.

    “Alzheimer é o transtorno cognitivo mais comum do mundo e já afeta 35,6 milhões de pessoas. No futuro, a doença deve atingir ainda mais países onde a renda é mais baixa”, disse. “Então é vital que sejam criadas estratégais de baixo custo e em grande escala para proteger as pessoas contra essa doença tão devastadora.”

    Além disso, o estudo abre novos possibilidades de se entender o que faz alguém suscetível a esse tipo de demência. Também pode servir como incentivo para mais mulheres amamentarem – algo que muitas pesquisas já comprovam que traz benefícios tanto para mãe quando para o bebê.

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