• Uma técnica usada na previsão do tempo poderia ser adaptada por especialistas em saúde pública para antever e rastrear, em tempo real, o momento exato e a gravidade de surtos de gripe, aponta um novo estudo feito pela Universidade Columbia e pelo Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas dos EUA.

    O trabalho, coordenado pelos cientistas Jeffrey Shaman e Alicia Karspeck, foi publicado na edição desta segunda-feira (26) da revista “Proceedings of the National Academy of Sciences” (PNAS). Segundo os autores, esse é o primeiro passo para desenvolver um sistema de estatísticas rigoroso para prever a gripe, principalmente nas regiões temperadas do globo.

    Nesse estudo, os cientistas criaram uma ferramenta capaz de transformar dados da internet sobre estimativas de infecções pelo vírus influenza em previsões locais de gripes sazonais – ou seja, ligadas a épocas específicas do ano.

    Para fazer essa simulação, a equipe usou dados de temporadas de gripe em Nova York entre 2003 e 2008 para gerar previsões semanais. Os pesquisadores descobriram que a técnica também pode prever o momento de pico de uma epidemia mais de sete semanas antes de isso ocorrer.

    Apesar de epidemias históricas revelarem detalhes importantes sobre a propagação de doenças infecto-contagiosas, os atuais modelos matemáticos ainda não conseguem prever como os surtos regionais de gripe podem evoluir.

    Os modelos modernos sobre transmissão de doenças infecciosas têm sido usados há mais de um século, e foram desenvolvidos para estudar as propriedades dinâmicas de contágio, determinar as características biológicas dos patógenos e analisar o comportamento de transmissão durante os surtos.

    Por ano, o vírus influenza provoca de 3 milhões a 5 milhões de doenças graves e mata entre 250 mil e 500 mil pessoas em todo o mundo, sobretudo grupos mais vulneráveis, como crianças, idosos e portadores de problemas crônicos, como o HIV.

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  • Uma pesquisa canadense indica que subiu o número de medicamentos que podem fazer mal à saúde quando consumidos misturados com a toranja — também conhecida como “grapefruit“, seu nome em inglês.

    Em artigo publicado na revista da Associação Médica Canadense, David Bailey, um cientista do Instituto de Pesquisa em Saúde Lawson, de London, na província de Ontário, disse que mais de 85 medicamentos, muitos deles muito prescritos para transtornos médicos comuns, interagem com essa fruta.

    A fruta bloqueia uma enzima natural do corpo que quebra as substâncias ingeridas nos medicamentos. Consequentemente, quando os remédios entram na corrente sanguínea, eles estão mais potentes, e isso pode levar à overdose.

    Entre os fármacos que interagem com a toranja há anticancerígenos, remédios para o coração, analgésicos e remédios para o tratamento da esquizofrenia. Todos são administrados por via oral.

    Não é preciso comer grandes quantidades da fruta para que esta associação faça efeito. Beber um copo de suco de grapefruit com a medicação pode causar efeitos colaterais graves, como hemorragia gastrointestinal, insuficiência renal, problemas respiratórios e até morte súbita.

    Bailey detectou o vínculo tóxico pela primeira vez há 20 anos. Mas o número de medicamentos que potencialmente podem interagir com a toranja e causar graves efeitos para a saúde saltou de 17 a 43 nos últimos quatro anos, disse Bailey.

    Quão problemáticas são estas interações? A menos que os profissionais de saúde estejam conscientes de que o evento adverso que observam pode se dever à recente incorporação da toranja na dieta do paciente, é muito pouco provável que este assunto seja investigado”, disse Bailey.

    Segundo o autor, é possível que outras frutas cítricas, como a laranja, produzam efeitos similares, mas há menos estudos a respeito.

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  • Um estudo conduzido nos Estados Unidos revelou que pessoas entre 50 e 60 anos, quando demitidas, correm o risco de sofrer um ataque cardíaco da mesma magnitude que fumantes inveterados.

    A pesquisa, feita com mais de 13 mil pessoas no país, indica que o risco de infarto cresce 25% durante o ano seguinte à perda do emprego e aumenta proporcionalmente caso o indivíduo seja demitido novamente após conseguir um novo trabalho.

    O levantamento foi publicado na revista científica Archives of Internal Medicine.

    Especialistas acreditam que o estresse possa ser uma peça fundamental para entender o aumento do risco de parada cardíaca na meia idade.

    Eles acrescentam, entretanto, que são necessárias mais pesquisas para identificar o principal elo entre as demissões na meia idade e o aumento das chances de infarto.

    Estudos realizados anteriormente já revelaram que um trabalho estressante pode elevar o risco de parada cardíaca.

    Por outro lado, a British Heart Foundation defende que o estresse em si não é uma causa direta de doença cardíaca, embora possa contribuir para aumentar as chances da fatalidade.

    Tabagismo

    No último estudo do gênero, que foi conduzido durante quase 20 anos, especialistas registraram mais de 1 mil enfartos entre os 13.451 participantes.

    Quando os pesquisadores analisaram especificamente quais indivíduos foram mais suscetíveis a sofrer a enfermidade, encontraram várias tendências distintas.

    Homens e mulheres que fumavam, estavam com sobrepeso ou faziam pouca ou nenhuma atividade física eram mais propensos a sofrer um infarto.

    Os mais velhos ou aqueles com hipertensão ou diabetes também corriam maior risco de ter uma parada cardíaca.

    Depois de analisar os fatores de risco, os pesquisadores descobriram que a perda de emprego também estava associada à doença.

    Infartos foram significativamente mais comuns (27%) entre os que tinham sido demitidos havia pouco tempo, independentemente do tipo de ocupação que realizavam.

    O efeito também foi cumulativo: as chances de sofrer um infarto aumentou 63% entre aqueles que tinham perdido quatro ou mais empregos.

    Entre os que fumavam, as chances de ataque cardíaco cresceram quase pela metade (44%).

    Linda George, da Universidade de Duke, na Carolina do Norte, responsável pelo estudo, disse: “Este é um impacto significativo e semelhante a outros fatores de risco de infarto bem conhecidos e estabelecidos, incluindo o tabagismo e a obesidade.”

    “Achamos que o estresse de enfrentar o desemprego poderia explicar esta associação”., acrescentou
    “E, provavelmente, a perda de um emprego tem um efeito mais forte do que um trabalho estressante”, lembrou.

    Já a Donna Arnett, da Associação Americana do Coração, disse: “Isto confirma outros estudos que mostram que as pressões da vida podem aumentar o risco de um ataque cardíaco.”

    “Estar fora do trabalho pode ser muito estressante.”, acrescentou.

    “Mas não sabemos como o estresse afeta o risco cardiovascular. Esta é uma área que necessita de mais pesquisas.”, lembrou.

    A especialista afirmou, ainda, que existem formas de gerir o estresse de maneira a minimizar seus efeitos.

    “Exercitar-se é uma ótima maneira de reduzir os níveis de estresse”, disse Arnett.

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  • Apenas 150 gramas muito bem distribuídos em 12 centímetros de altura — parece pouco, principalmente quando comparados a pulmões e fígado. Porém, os rins são responsáveis por funções vitais no organismo. E, quando esses pequenos notáveis convalescem, é encrenca na certa: a doença renal crônica (DRC), mal que não costuma avisar sobre sua existência, destrói as estruturas renais até chegar ao ponto em que o órgão para de funcionar.

    “DRC é o termo que se refere a todas as doenças que afetam os rins por três meses ou mais, o que diminui a filtração e afeta algumas de suas atribuições”, explica a nefrologista Gianna Mastroianni, diretora do Departamento de Epidemiologia e Prevenção da Sociedade Brasileira de Nefrologia. O problema é tão sério que renomadas instituições brasileiras criaram a campanha Previna-se, vencedora do Prêmio SAÚDE 2011 na categoria Saúde e Prevenção. “Nem sempre as doenças renais têm sintomas. Em muitos casos, o indivíduo não percebe e o diagnóstico é feito com atraso”, completa Gianna.

    Apesar de ser caracterizada como uma doença silenciosa, a DRC pode dar alguns sinais. No entanto, quando eles aparecem, costuma ser tarde demais. “O rim é um órgão muito resistente, e esses sintomas só vão se manifestar nos estágios 4 e 5 do problema, quando ele está muito avançado”, conta o nefrologista Leonardo Kroth, da Sociedade Gaúcha de Nefrologia. Além de só surgirem em situações extremas, muitas dessas manifestações tendem a ser confundidas com outras enfermidades. Daí a importância de sempre visitar o médico e pedir os exames que detectam as alterações indesejadas nos filtros do corpo humano.

    Quando a DRC bate à porta

    E se a pessoa descobrir que seus rins não estão trabalhando como deveriam? “Ela precisa se consultar periodicamente com um nefrologista, fazer exames com regularidade, cuidar muito bem da pressão arterial e da glicemia, além de outras modificações que ocorrem na doença renal, como mudanças nos níveis de cálcio e fósforo”, atesta Marcos Vieira, diretor clínico da Fundação Pró-Rim, em Santa Catarina.

    Nos casos em que a DRC progrediu além da conta e os rins perderam grande parte de sua capacidade de eliminar a sujeira do organismo, o indivíduo pode optar por dois caminhos: receber o rim de algum doador compatível ou seguir para a diálise. “Ok, alguns pacientes não têm condições clínicas de realizar um transplante. Mas, nos demais, esse é o tratamento de preferência”, esclarece Vieira.

    No entanto, a ausência de alguém que esteja apto a doar um de seus rins faz com que a maioria dos convalescentes siga para a hemodiálise, quando uma máquina substitui as principais funções que eram realizadas pelo aparelho excretor. Algumas atitudes simples podem eliminar muitos desses transtornos. Confira a seguir como manter essa dupla a todo vapor.

    Diabete e pressão na rédea curta

    Quando esses marcadores estão em níveis exagerados, a probabilidade de desenvolver a DRC é ainda maior. Além da aterosclerose, a formação de placas de gordura, sobretudo na artéria renal, há uma sobrecarga do trabalho de filtração dos rins. “E a incidência dessas duas doenças vem aumentando nos últimos anos, algo agravado pelo envelhecimento da população, além de sedentarismo e obesidade”, diz Gianna Mastroianni. Nos casos em que o estrago já foi feito, a primeira medida é ficar de olho na pressão e no diabete.

    De bem com a balança

    Manter-se no peso ideal também é uma regra de ouro para seguir com os rins a mil. Indivíduos com o índice de massa corporal (IMC) nos parâmetros saudáveis ficam protegidos dos pés à cabeça e, nesse pacote de benesses, os filtros naturais saem ganhando. “Hoje em dia, existe uma epidemia mundial de obesidade. O excesso de peso leva à hipertensão e ao diabete. Quando hábitos saudáveis são adquiridos, o risco de sofrer com um problema no rim é bem menor”, destaca o nefrologista Nestor Schor, da Universidade Federal de São Paulo.

    Alimentação equilibrada, rins a salvo

    Tomar cuidado com o excesso de gordura e ingerir alimentos ricos em vitaminas e fibras vai colaborar bastante para a manutenção das funções renais. Quando o indivíduo já sofre com a DRC, é provável que seja obrigado a fazer algumas mudanças em seu cardápio. “Aí é importante adotar uma dieta com menor quantidade de proteína para evitar a sobrecarga renal”, afirma Marcos Vieira. Esse menu deve ser avaliado pelo médico e por um nutricionista.

    Analgésicos só com orientação

    Remédios só deveriam entrar em cena com a indicação de um especialista. Até mesmo quando aparece aquela simples dor de cabeça, fuja da automedicação. Na hora, ela pode até ser solucionada, mas, a longo prazo, quem pode sofrer são seus rins. “Tanto os analgésicos quanto os anti-inflamatórios são capazes de prejudicá-los, se tomados em excesso, porque favorecem a ocorrência de doenças renais”, alerta Nestor Schor. Procure sempre orientação médica para identificar o causador do incômodo e debelá-lo da melhor maneira possível.

    Devagar com a bebida

    Quando ingerido com parcimônia, o álcool pode até beneficiar o trabalho dos rins. Os experts chegam a recomendar uma ou duas doses bem pequenas. Porém, enfiar o pé na jaca não vai agradar aos pequenos filtros, que sofrem indiretamente. “Em excesso, o álcool pode causar hipertensão, que vai evoluir até gerar problemas renais”, adverte o nefrologista André Luis Baracat. A bebida também causa prejuízos ao fígado, o que, em última instância, vai desembocar em um estrago nos rins.

    Apagar o cigarro em definitivo

    No personagem principal desta reportagem, a atuação do fumo é tão nefasta quanto em outras partes do corpo. E a explicação está no surgimento de pequenos bloqueios, as placas de gordura, que diminuem o calibre dos tubos por onde circula o sangue. Isso causa problemas de pressão que, por sua vez, levam à DRC. “Os rins são cheios de vasos sanguíneos. O cigarro desencadeia inflamações que prejudicam o órgão”, destaca o nefrologista André Luis Baracat, do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo.

    Dueto eficiente

    Dois exames muito comuns checam o funcionamento renal. E melhor: médicos de qualquer especialidade podem requisitá-los.

    Exame de sangue

    Ao medir o nível de creatinina, um resíduo originado da atividade muscular corriqueira, é possível calcular a quantas anda o trabalho de filtração dos rins. Quando os níveis da substância estão elevados, é sinal de que algo não vai bem.

    Exame de urina

    Esse teste vai mostrar a presença de uma proteína, a albumina, no líquido amarelo. O composto orgânico não costuma aparecer no xixi, já que ele é retido quando chega aos rins. Porém, se existirem problemas, a albumina será liberada sem empecilhos.

    Doenças preliminares

    Alguns problemas de saúde podem levar ao desenvolvimento da DRC:

    – Diabete;
    – Hipertensão;
    – Glomerulonefrite (infecção no glomérulo);
    – Má-formação nos rins;
    – Lúpus;
    – Cálculo renal;
    – Tumores;
    – Infecções urinárias recorrentes.

    Fique atento para estes sintomas

    – Cansaço;
    – Insônia;
    – Inchaço nos pés e tornozelos;
    – Inchaço nos olhos;
    – Nictúria (vontade de ir ao banheiro durante a noite);
    – Mau hálito;
    – Mal-estar;
    – Urina espumosa ou com sangue.

    Olha a chuva!

    No verão, o Brasil sofre com as enchentes. Junto com esse problema, doenças como a leptospirose podem surgir e atrapalhar o funcionamento dos rins, causando até a insuficiência renal aguda. É de extrema importância ficar o menor tempo possível em contato com a água da inundação, usando botas e luvas de borracha.

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  • Uma das principais autoridades médicas britânicas fez nesta semana um alerta sobre o aumento da resistência de diversas bactérias aos antibióticos modernos.

    A professora Dame Sally Davies, principal consultora para assuntos médicos do governo britânico, qualificou o problema como uma das maiores ameaças atuais para a saúde humana.

    “Os antibióticos estão perdendo a sua eficácia em um ritmo alarmante e irreversível – semelhante ao do aquecimento global”, disse Davies.

    Segundo a médica, o uso desnecessário de antibióticos em casos de infecções leves é o que estaria ajudando a ampliar a resistência de algumas variedade de bactérias, como a E. coli e a causadora da gonorreia.

    “As bactérias estão se adaptando e encontrando formas de sobreviver aos efeitos dos antibióticos. Elas estão se tornando resistentes e os tratamentos não fazem mais efeito”, explicou.

    Novos antibióticos

    O problema seria agravado pelo fato de que, hoje, haveria relativamente poucas novas variedades de antibiótico sendo desenvolvidas.

    Apoiada pela Agência de Proteção à Saúde britânica (HPA, na sigla em inglês), Davies fez uma apelo para que pacientes e médicos pensem duas vezes antes de fazer uso desse tratamento.

    “Todos parecemos esquecer quanto uma gripe ou resfriado podem fazer com que uma pessoa se sinta mal”, disse a médica Cliodna McNulty, da HPA.

    “Isso talvez faça que, ao menor sinal dessas doenças, acreditemos que precisamos de antibióticos para melhorar. Mas esse não é o caso e outros medicamentos podem ajudar a aliviar as dores de cabeça, dores musculares e coriza”, disse.

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  • Uma exposição frequente à luz durante a noite pode favorecer a depressão e causar problemas de aprendizagem e memória, conclui um estudo feito pela Universidade Johns Hopkins, nos EUA. A pesquisa foi publicada na edição da revista “Nature” desta semana.

    Essa interferência da luminosidade, segundo os autores, pode ser desencadeada tanto por uma lâmpada acesa quanto por um computador ligado. Com o atual ritmo de vida de muitas pessoas, que tendem a ficar até de madrugada na internet ou trabalham por turnos, cresce a carga de cortisol – o hormônio do estresse – liberada no corpo.

    O trabalho com roedores, coordenado pelo biólogo Samer Hattar, demonstrou que células sensíveis à luz localizadas na retina – região no fundo do olho onde as imagens são projetadas e traduzidas – se ativam pela luz brilhante e prejudicam o centro do cérebro responsável pelo humor, pelo aprendizado e pela memória, chamado sistema límbico.

    Os animais foram submetidos a ciclos de 3,5 horas de luz e, em seguida, 3,5 horas de escuridão.

    “É claro que você não pode pedir que os ratos digam como se sentem, mas vimos um aumento no comportamento depressivo deles, incluindo a falta de interesse por açúcar ou pela busca de prazer”, diz.

    As cobaias deprimidas também se movimentavam menos, não aprendiam mais tão rapidamente nem se lembravam das tarefas. Além disso, esses ratos não demonstravam interesse por novos objetos, em comparação com os bichos que ficaram no escuro.

    Segundo Hattar, os seres humanos têm esses mesmos receptores nos olhos, o que faria com que os efeitos fossem muito semelhantes.

    Até então, os cientistas já sabiam que dias mais curtos no inverno podem desencadear nas pessoas uma forma de depressão conhecida como “transtorno afetivo sazonal“, que pode ser tratada com uma simples e regular exposição à luz.

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  • SÃO PAULO – Um estudo australiano demonstrou que impressoras a laser podem ser mais perigosas à saúde que os cigarros.

    O estudo foi coordenado pela professora Lidia Morawska, pesquisadora da Queensland University of Technology´s Air Quality and Health Program, na Austrália.

    Segundo a análise, as impressoras laser emitem partículas de toner no ar, elementos com potencial cancerígeno quando inalados por seres humanos. O estudo avaliou 62 equipamentos relativamente novos e mediu sua emissão de partículas no ar.

    A análise apontou que 17 impressoras emitiram partículas em excesso. Segundo o estudo, trabalhadores que ficam o dia todo expostos à emissão destas partículas apresentarão mais chances de desenvolver câncer e sofrer de problemas cardíacos.

    O mesmo estudo avaliou que máquinas de fóto cópia, embora usem tecnologia similar, não são perigosas à saúde, pois emitem partículas em volume muito baixo.

    Para Lidia Morawska, trabalhar ao lado de impressoras laser em constante operação pode ser tão perigoso quanto passar os dias ao lado de um fumante.

    O estudo propõe que, da mesma forma que fumantes não podem acender cigarros no escritório, as impressoras fiquem em locais próprios, com ventilação e sem contato muito próximo com trabalhadores.

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  • O médico escocês Alexander Fleming (1881-1955) revolucionou a medicina quando encontrou, em 1928, uma maneira de combater as infecções bacterianas, verdadeiras epidemias que, até então, não tinham adversários à altura. Seu grande achado foi a penicilina, o primeiro antibiótico do mundo, que culminou no desenvolvimento de vários outros ao longo dos anos. Passadas mais de oito décadas, os frutos de sua descoberta inicial foram associados, agora de maneira negativa, a mais um surto: o da obesidade infantil.

    O alerta vem da Universidade de Nova York, nos Estados Unidos, onde um trabalho avaliou mais de 11 mil meninas e meninos nascidos entre 1991 e 1992. Segundo os especialistas, a prescrição de antibióticos antes dos 6 meses de idade patrocinou o surgimento de gordurinhas poucos anos depois. “As crianças que tomaram esses medicamentos apresentaram um risco 22% maior de ficar acima do peso”, revela o pediatra Leonardo Trasande, autor da investigação.

    Outro experimento da mesma instituição reforça a tese. Nele, ratos jovens receberam doses de antibiótico junto com a refeição. Após algumas semanas, as cobaias tiveram um aumento de 15% na gordura corporal. “Ao que tudo indica, os remédios alteraram a flora intestinal, elevando o aproveitamento das calorias dos alimentos”, explica o gastroenterologista Ilseung Cho, líder do estudo. Os antimicrobianos também favoreceram a reprodução de bactérias que incentivam o organismo a diminuir o gasto energético. “Esse processo é mais intenso nos primeiros anos de vida, fase em que o sistema digestivo engatinha”, acrescenta a endocrinologista Maria Edna de Melo, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica.

    Esses artigos ganharam destaque dentro da comunidade científica por serem os primeiros a relacionar antibióticos com sobrepeso, principalmente em uma etapa da vida em que o corpo está em plena formação. Alguns levantamentos já tinham até comprovado que as mudanças na flora intestinal levam à obesidade. “Mas as pesquisas americanas foram pioneiras por advertirem que esses medicamentos são desencadeadores do processo”, acrescenta o endocrinologista Walmir Coutinho, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

    Os estudos da Universidade de Nova York engrossam um coro cada vez mais forte de entidades que lutam por uma prescrição consciente. “Existem vários fatores que levam ao exagero na indicação dos remédios que matam as bactérias”, atesta o pediatra Fábio de Araujo Motta, do Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba. O principal deles é a pressão dos pais. “As pessoas pensam que, se o médico não lançar mão de um fármaco, ele não está fazendo seu trabalho direito”, lamenta.

    É fundamental ressaltar também que o modelo de atendimento rápido, por meio de prontos-socorros, impossibilita o tratamento adequado. “O médico que faz as consultas nesses locais dificilmente conhece o histórico do paciente. Portanto, ele prefere não arriscar, recomendando de cara o uso de uma substância antibactérias”, critica Fabio Ancona Lopez, pediatra do Departamento de Nutrição da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

    É claro que os pais precisam obedecer às recomendações do especialista. “Os antibióticos são indispensáveis na presença de uma doença bacteriana confirmada por exame e avaliação clínica detalhada”, salienta a neonatologista Betania Bohrer, do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre. “Nenhuma mãe deve deixar de dar antibiótico ao filho que está com uma infecção dessas com medo de engordá-lo”, reforça a endocrinologista Maria Edna de Melo. Daí a importância de consultar um pediatra de confiança, que acompanhe a criança desde a mais tenra idade.

    Além do ganho de peso, o excesso de antimicrobianos acarreta um perrengue grave. Quando o indivíduo usa essas drogas de forma errada, contribui para que as bactérias fiquem poderosas e resistam bravamente ao ataque dos seus oponentes. Ora, para combater essas versões mutantes, são necessárias doses cada vez mais fortes e variadas. Nesse processo, certos micro-organismos acabam ficando extremamente vigorosos – hoje, as chamadas superbactérias são uma realidade e começam a preocupar autoridades mundo afora (veja abaixo).

    Para reduzir o consumo equivocado, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão que regula a comercialização de remédios no Brasil, tornou mais rigorosa a compra de antibióticos. Desde 2010, ela só é autorizada com receita. Na farmácia, uma via fica retida, junto com diversos dados do médico e do paciente. O pedido, diga-se, é válido apenas por dez dias. Nada mais do que isso.

    Em qualquer fase da vida, o uso dos antibióticos depende do aval de um profissional de saúde. Quem utiliza esse tipo de remédio por conta própria assume riscos tanto para si como para o resto do globo. E, de quebra, ajuda a inserir uma nota de rodapé nada positiva na história de Alexander Fleming e na de sua invenção.

    Fonte: Mariana Gonzalez Oliveira, pediatra do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre

    Alerta global

    Em março, a Organização Mundial da Saúde divulgou um aviso sobre o uso de substâncias que combatem as bactérias – o mundo enfrenta uma crise de resistência aos antibióticos. Até certas doenças já relativamente controladas, como a tuberculose, podem se transformar em pandemias se nada for feito. Por isso que, para desenvolver suas defesas e, assim, não necessitar de antibióticos a toda hora, os pequenos precisam entrar em contato com a vitamina “S” , de sujeira. “As crianças devem viver em um ambiente em que criem um sistema imune forte”, arremata o pediatra Fabio Ancona Lopez.

    Nos Estados Unidos, os pediatras prescrevem mais de 10 milhões de frascos de antibióticos desnecessários todos os anos

    Doping animal

    As pesquisas americanas partiram da observação de uma prática bem comum em fazendas: os antibióticos fazem parte do cardápio de diversos animais de abate, como vacas, ovelhas, porcos e galinhas, porque fazem esses bichos ganharem peso mais rápido, alavancando a produção de carne. A fórmula empregada para deixá-los rechonchudos é praticamente a mesma dos remédios disponibilizados para os seres humanos.

    O tamanho do problema

    Um artigo recente escancarou que o uso desse tipo de remédio ainda é exagerado no Brasil, principalmente na infância

    39,7% das crianças com um problema de saúde qualquer saem da consulta com a receita de um antibiótico.

    89,1% dos casos de prescrição de antibiótico foram feitos por análise clínica, sem nenhum exame complementar.

    62,7% das doses receitadas dessa modalidade de remédio estavam acima ou abaixo do que é recomendado atualmente.

    Dados retirados do estudo “Prescrições Pediátricas em uma Unidade Básica de Saúde do Sul de Santa Catarina: Avaliação de Uso de Bacterianos”, da Universidade do Sul de Santa Catarina

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  • Diagnosticado com câncer, o garoto David Sabach, de 12 anos, está sendo tratado com um tipo especial de maconha medicinal desenvolvida por cientistas israelenses que ficou conhecida como “maconha sem barato”.

    Em sua casa, em Israel, David guarda fotografias que são um registro dramático de seu estado há dois anos. Na época, por causa da quimioterapia, ele perdeu todo o cabelo e seu peso chegou a metade do que é hoje.

    “Eu costumava tomar morfina para a dor, mas o efeito não durava mais que alguns minutos”, conta o menino.

    Hoje, David recebe doses da maconha especial, adicionada a chocolates, biscoitos e bolos. “O efeito da cannabis dura todo o dia. Sinto-me muito melhor. Finalmente, posso andar sem chorar por causa da dor nas pernas”, diz.

    A maconha medicinal tem sido usada em Israel desde os anos 90 para o tratamento de uma série de doenças, entre elas câncer, Mal de Parkinson, esclerose múltipla e síndrome de Tourette.

    Recentemente, porém, cientistas ligados a empresa Tikkun Olam desenvolveram um tipo especial dessa maconha neutralizando a substância THC (tetrahidrocanabinol), que gera os efeitos cognitivos e psicológicos da droga.

    Além disso, a nova variedade da planta tem uma concentração mais elevada da substância canabidiol (CBD), um poderoso anti-inflamatório.

    Nova imagem

    O resultado é uma maconha com as mesmas propriedades medicinais da cannabis tradicional, mas sem o “barato” que faz com que muitos se oponham ao uso medicinal da planta.

    “O canabidiol não se fixa às células do cérebro, então, após ingerir essa substância, o paciente não tem nenhum efeito colateral indesejado”, diz Ruth Gallily, professora de imunologia na Universidade Hebraica de Jerusalém, que estuda os efeitos medicinais da cannabis há 15 anos
    “Os pacientes não têm ‘barato’ e não ficam confusos. Podem dirigir, trabalhar e fazer suas tarefas do dia a dia.”

    A cannabis é considerada uma droga ilegal em Israel, mas a Tikkun Olam obteve uma licença especial do Ministério da Saúde para desenvolver a maconha medicinal e cultiva diversas variedades da planta em estufas na Galileia, no norte de Israel.

    De acordo com Zachi Klein, diretor de pesquisa da empresa, mais de 8.000 doentes em Israel já são tratados com cannabis, recebendo a substância após mostrarem receitas médicas autorizadas pelo Ministério da Saúde.

    Klein explica que pelo menos três categorias de pacientes devem se beneficiar da nova variedade de maconha medicinal.

    Primeiro, as pessoas que precisam continuar a trabalhar durante o tratamento. Segundo, os idosos, porque eles seriam muito sensíveis ao THC. Por fim, crianças como David.

    Críticas

    Para alguns críticos da nova “maconha sem barato”, porém, é a combinação do THC com o CBD que trás mais benefícios para os pacientes.

    Um paciente de câncer de 52 anos que pediu para não ser identificado, por exemplo, explicou à BBC por que acredita que a maconha tradicional é a ideal para o seu tratamento.

    “(A cannabis tradicional) não só ajuda a aplacar a dor mas também contribui para que tenhamos mais vontade de comer”, disse o paciente, que teve um tumor no estômago removido há cinco meses e combina o uso de maconha com quimioterapia.

    “O corpo não pode lutar sem combustível e um dos efeitos maravilhosos da maconha é que ela causa o que é conhecido como “larica” (fome), que para quem faz quimioterapia é uma benção.”

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  • Relação se manteve mesmo quando outros fatores foram considerados.

    Para autora, não é possível afirmar que a proximidade provoque o abuso.

    Cientistas finlandeses apontaram um novo fator que pode levar ao abuso no consumo de álcool – morar perto de um bar. A relação foi apresentada em um estudo publicado pela revista científica “Addiction”.

    Os resultados mostraram que, quando uma pessoa se muda para 1 km mais perto do bar, o risco de que ela se torne uma “bebedora pesada” aumenta em 17%. A equipe de Jaana Halonen, do Instituto Finlandês de Saúde Ocupacional, considerou “bebedores pesados” os homens que consomem mais 300 ml de destilados por semana – para as mulheres, esse volume é de 200 ml.

    O estudo levou em conta a possibilidade de que esses bebedores se mudassem para perto de um bar de propósito. No entanto, essa hipótese perdeu força, pois o aumento no consumo do álcool também ocorreu quando a pessoa continuou morando no mesmo lugar, e um bar foi aberto mais perto de sua casa.

    Outros fatores também foram considerados, como a renda média de cada um – na Finlândia, os mais pobres tendem a beber mais. Ainda assim, os pesquisadores encontraram a mesma relação entre a proximidade do bar e o abuso do álcool.

    Em média, 9% dos participantes que moram a menos de 120 metros de algum bar são bebedores pesados. Quando a distância sobe para mais de 2 km, o número de bebedores pesados cai para 7,5%.

    Apesar da relação “notável”, a autora não acredita que um bar perto de casa provoque, de fato, o alto consumo da bebida. “Fatores além da proximidade também podem explicar, provavelmente, a associação observada”, ponderou Halonen.

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