• Uma nova doença respiratória semelhante à SARS – epidemia global que matou centenas de pessoas em 2003 – foi diagnosticada em um homem que está sendo tratado na Grã-Bretanha. Outro caso, na Arábia Saudita, resultou na morte de um paciente.

    Confira abaixo perguntas e respostas sobre esse novo vírus.

    O que é o novo vírus?

    A nova doença é consequência de um tipo de coronavírus – uma família ampla de vírus que inclui desde um resfriado comum à SARS (sigla em inglês para síndrome respiratória grave e aguda).

    Até agora, apenas dois casos foram diagnosticados deste novo vírus, e ambas as infecções foram originadas no Oriente Médio.

    Um dos casos foi confirmado por um exame de laboratório feito pela Agência de Proteção à Saúde da Grã-Bretanha, em Londres. O paciente está sendo tratado pelas autoridades britânicas de saúde.

    O outro foi detectado por um exame de laboratório na Arábia Saudita. Os dados foram enviados a outro laboratório na Holanda, que confirmou se tratar do novo tipo de vírus.

    Ainda há poucas informações sobre o novo vírus e o quão letal ele pode ser entre seres humanos.

    O que o vírus faz?

    Os coronavírus provocam infecções respiratórias em humanos e animais. Os dois contaminados tiveram febre, tosse e dificuldades de respiração. O paciente na Arábia Saudita acabou falecendo, e o britânico está na UTI.

    Por ora, ainda não está claro se esse forte efeito é típico deste novo vírus, ou se há muitas pessoas contaminadas e apenas poucas estão tendo uma reação tão drástica.

    Como ele se espalha?

    Acredita-se que ele se espalhe por fluidos expelidos na tosse ou pelo espirro. Os especialistas acreditam não se tratar de uma doença altamente contagiosa, já que, nos dois casos diagnosticados até agora, as pessoas que trataram os pacientes não adoeceram.

    Os coronavírus são bastante frágeis. Fora do corpo humano, eles só sobrevivem por um dia e são facilmente mortos por detergentes e por outros produtos de limpeza.

    Como é o tratamento?

    Os médicos ainda não sabem qual é o melhor tipo de tratamento, mas as pessoas com sintomas graves precisam de cuidados intensivos que ajudem sobretudo na respiração. Não existe nenhuma vacina.

    Em Londres, o paciente está isolado, e todos que o estão atendendo usam máscaras e equipamentos de proteção.

    Como se originou o vírus?

    Os especialistas ainda não sabem a sua origem. Eles especulam que possa se tratar de uma nova mutação de um vírus já existente. Ou talvez seja uma infecção que já circula entre animais e que agora passou para os seres humanos.

    Existe algum tipo de recomendação às pessoas que viajam?

    Por enquanto, a Organização Mundial da Saúde descartou qualquer tipo de restrição a viagens ao Oriente Médio, onde ambos os casos surgiram. Mas esta decisão está sendo constantemente reavaliada.

    Tags: , , , , ,

  • Cientistas americanos apresentaram nesta quinta-feira(28) placas eletrônicas ultrafinas que se dissolvem naturalmente e que podem ter importantes implicações tecnológicas e médicas – justamente porque se dissolvem na água ou mesmo dentro do corpo humano.

    Segundo seus criadores, em pesquisa publicada no periódico Science, o aparelho – chamado de “eletrônico transitório” – se autoextingue assim que perde sua utilidade.

    Ele é feito com uma mistura microscópica de seda, magnésio e silício, que se dissolve sem causar danos ao entrar em contato com a água.

    A novidade já foi usada para proteger uma ferida e mantê-la livre de infecções. Os pesquisadores dizem que a tecnologia pode servir para implantes médicos, monitoramento de órgãos vitais e para a aplicação de medicamentos.

    No campo dos aparelhos eletrônicos, pode servir, futuramente, para criar, por exemplo, celulares que se dissolvam após o uso, de forma a evitar que esses aparelhos passem anos contaminando aterros sanitários e lixões.

    ‘Transitórios’

    O segmento de “eletrônicos transitórios” se baseia na ideia de dissolução controlada e já desenvolveu o que é chamado de “tatuagens eletrônicas”: sensores que dobram e se esticam com a pele. A ideia por trás desse segmento é exatamente oposta à do setor eletrônico tradicional, focado em criar produtos duráveis.

    O silício, tão usado nesses produtos, é solúvel. A dificuldade é que o tamanho dos componentes eletrônicos tradicionais faz com que a dissolução demore muito. Assim, as novas tecnologias usam uma finíssima placa de silício, chamada nanomembrana, que se desintegra em questão de dias ou semanas.

    A velocidade da dissolução é controlada pela seda: o material é coletado de bichos-da-seda, dissolvido e depois reconstituído. Ao alterar a forma como a seda dissolvida se cristaliza, mudam-se suas propriedades finais, bem como sua durabilidade.

    “Eletrônicos transitórios oferecem um bom desempenho e são totalmente reabsorvidos pelo meio ambiente em um determinado período de tempo, que varia de minutos a semanas”, explica Fiorenzo Omenetto, professor da Escola de Engenharia da Universidade Tufts (EUA).
    Uso médico

    Diversos aparelhos já foram testados em laboratórios, incluindo uma câmera digital de 64 pixels, sensores de temperatura e células solares.

    “É um novo conceito, que abre várias oportunidades”, diz à BBC John Rogers, cientista mecânico e professor da Universidade de Illinois, responsável pelo estudo na Science. “Provavelmente sequer identificamos muitas delas.”

    Um campo promissor, diz ele, é o de curativos pós-cirurgias: um aparelho cujo objetivo é evitar infecções pode ser colocado no corpo ainda no centro cirúrgico. Esse aparelho só seria útil durante o período mais crítico – por exemplo, duas semanas após a cirurgia – e depois disso poderia ser dissolvido.

    Além disso, pesquisadores já testaram em ratos um aparelho que “esquenta” uma ferida, para impedir a proliferação de germes.

    Também planeja-se o uso dessa tecnologia para injetar doses de medicamentos no corpo ou para construir sensores cerebrais e cardíacos.

    Tags: , , , , ,

  • Nosso corpo possui tanto as células adiposas brancas como as marrons. As primeiras estocam combustível, ou melhor, gordura e, quando comemos demais, ficam infladas, deixando a barriga saliente. Já o segundo time usa a gasolina armazenada no organismo só para gerar calor, fato importante em seres vivos como nós, que precisamos nos manter em uma mesma temperatura o tempo todo. A questão é que os adultos apresentam muito mais unidades da versão guardadora de excessos gordurosos do que da responsável por incendiá-las.

    Contudo, dá para mudar ao menos em parte esse cenário. Recentemente, cientistas da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, descobriram um hormônio fabricado durante a atividade física com potencial para transformar aqueles depósitos esbranquiçados em indústrias consumidoras de energia. “A substância, batizada de irisina, viaja do músculo até o tecido adiposo e, lá, impulsiona essa maior queima calórica”, explica Jun Wu, bióloga e uma das autoras do trabalho (entenda os detalhes no infográfico abaixo).

    Para chegar à conclusão, ela e outros companheiros submeteram ratos a treinos regulares. Então, verificaram que os animais bem condicionados fisicamente tinham altos níveis de irisina e, acima disso, uma mudança no funcionamento interno de boa parcela das células de gordura. “Embora ainda faltem estudos na área, é impressionante que uma molécula secretada por causa do exercício transforme unidades que antes armazenavam triglicérides em outras que o utilizam apenas para produzir calor. É uma contradição surpreendente”, raciocina o fisiologista William Festuccia, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo.

    Atenção: ao que tudo indica, o tal hormônio não forma adipócitos escuros idênticos aos que temos naturalmente. “Na verdade, surge um tecido bege, com metabolismo menos acelerado do que o do marrom, porém muito mais ativo do que o do branco”, esclarece o endocrinologista Walmir Coutinho, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Aliás, a título de curiosidade, a cor menos clara vem da elevada concentração de ferro.

    O potencial benéfico da irisina vai além da perda de peso. Por dar um gás no surgimento de adipócitos com atuação similar à dos marrons, o hormônio inclusive jogaria um balde de água fria em inimigos do sistema cardiovascular. Em uma revisão conduzida ao lado de pesquisadores canadenses, William Festuccia destaca a importância dessas células específicas no controle dos triglicérides, por exemplo. “Elas diminuem a concentração dessa gordura no sangue por consumirem-na de forma a produzir calor”, arremata o fisiologista. Aí, o risco de uma artéria entupir, estopim para infartos e derrames, cai.

    Outro adversário do peito, o diabete também é combatido pelas fábricas gordurosas de energia. Segundo o levantamento de Festuccia, essas estruturas, quando ativadas, usam glicose à beça para deixar sua maquinaria a todo vapor. Assim, recrutam o açúcar que circula pelos vasos, regulando a glicemia. “Sem contar que, por atacar a obesidade, a irisina afasta a resistência à insulina, um fator fundamental para o aparecimento da doença”, complementa Páblius Braga, médico do esporte do Hospital Nove de Julho, na capital paulista.

    Uma substância com tantas possíveis benesses sempre causa furor na indústria farmacêutica. O otimismo é tanto que já há até quem especule que uma droga criada à base de irisina será, no futuro, como um exercício físico completo em cápsulas. “Isso é bastante improvável. Não se sabe, só para citar dois casos, se o hormônio tem alguma influência direta em quadros de hipertensão ou demências, males que a prática esportiva comprovadamente previne”, deixa claro a fisiologista Angelina Zanesco, da Unesp.

    Existe uma dose ideal?

    O artigo de Harvard não se limitou a observar ratos. Após suarem a camisa cinco vezes na semana por quase três meses, oito voluntários também passaram a apresentar taxas extras de irisina – embora, nesse caso, os cientistas não tenham averiguado se os efeitos da molécula eram similares aos encontrados nos animais. “Infelizmente, hoje em dia não é todo mundo que alcança esses índices de atividade física”, lamenta Angelina. Em outras palavras, não vale dar somente uma volta no parque por mês. É necessário planejar uma rotina de treinamentos regulares e contar com um pouco de paciência para as vantagens começarem a dar as caras.

    Os experts ainda desconhecem qual a intensidade perfeita ou mesmo se as sessões de musculação promoveriam a propagação do hormônio. “A falta de resposta para questões básicas é normal quando se abre uma nova linha de pesquisa. Entretanto, essas perguntas devem ser elucidadas nos próximos anos”, enfatiza Jun Wu. Enquanto os esclarecimentos não vêm, vale a máxima de ficar longe do sedentarismo, mas respeitar seus limites a qualquer custo. Desse modo, você consegue transformar diversas chateações em cinzas.

    Uma promessa contra a obesidade

    A versão sintética da irisina deve começar a ser testada em voluntários a partir de 2013. Em teoria, sua principal virtude é, diferentemente dos medicamentos hoje disponíveis para contornar o excesso de peso, não mexer com quaisquer mecanismos do cérebro. “Ainda é cedo demais para falar qualquer coisa. Vários fármacos, e em especial os que aumentavam a queima energética do corpo, trouxeram benefícios a animais, mas não surtiram efeito em seres humanos”, contrapõe Walmir Coutinho. Fora isso, pouco se sabe sobre possíveis reações adversas. “Por estimular a geração de calor, será que em doses elevadas a irisina provocaria uma febre contínua?”, questiona William Festuccia. Trata-se de uma grande promessa para os próximos anos.

    Tags: , , , , ,

  • Uma “cobra” de 30cm se move pelo corpo de um homem deitado em uma maca, avançando pelo seu fígado. Ela para, “fareja” um ponto à sua esquerda e vira à direita.
    Trata-se de um robô médico, guiado por um cirurgião experiente e criado para alcançar pontos do corpo que os médicos só conseguiriam ver durante um procedimento cirúrgico invasivo.

    Por enquanto, o equipamento é apenas um protótipo e não foi usado em pacientes reais – apenas em laboratório. Mas seus criadores britânicos dizem que, quando o aparelho estiver pronto e aprovado, será uma arma da medicina para encontrar e remover tumores.

    A “cobra mecânica” é uma entre várias tecnologias de combate ao câncer que estão sendo apresentadas nesta semana na Conferência de Engenharia Oncológica da Universidade de Leeds, na Grã-Bretanha.

    A maioria dos equipamentos exibidos ainda está em fase inicial de desenvolvimento, mas Safia Danovi, representante da organização Cancer Research UK, lembra que pesquisas em inovações são extremamente importantes no combate ao câncer.

    “Novas tecnologias que façam as cirurgias mais precisas e eficientes são fundamentais”, diz ela. “Graças a pesquisas, inovações como cirurgias por pequenas incisões e a robótica estão mudando as perspectivas para os pacientes de câncer, e essa tendência precisa continuar.”
    Orifícios ou incisões

    O câncer causa 13% das mortes anuais registradas no mundo, aponta a Organização Mundial da Saúde. Ainda que alguns tratamentos usem técnicas não invasivas, os médicos muitas vezes necessitam adotar procedimentos cirúrgicos de risco.

    Os “robôs-cobra”, por sua vez, são tão minimamente invasivos quanto possível dentro da tecnologia atual. Eles usam orifícios do corpo ou incisões locais como pontos de entrada, explica Rob Buckingham, diretor-gerente da OC Robotics, empresa de Bristol (Inglaterra) responsável pelos equipamentos.
    O aparelho permite que o cirurgião observe e “sinta” o corpo do paciente, usando câmeras e dispositivos ultrassensíveis. Com isso, pode complementar um sistema de cirurgia robótica em uso há uma década: o sistema Da Vinci, desenvolvido nos EUA, que é um robô com quatro braços equipados com pinças.

    Ainda que o equipamento não realize a cirurgia de forma autônoma, ele permite que os médicos realizem cirurgias complexas de forma menos invasiva e mais precisa.

    O Da Vinci é controlado por um cirurgião, através de pedais e alavancas.

    Apesar do alto custo (US$ 2,2 milhões, ou R$ 4,4 milhões) do sistema Da Vinci, ele já é adotado por diversos hospitais no mundo.

    Outra opção é um longo e fino braço mecânico chamado Mirosurge, desenvolvido pelo centro espacial alemão DLR. Também é um protótipo, mas engenheiros da DLR defendem que ele é mais versátil que o sistema Da Vinci.

    “Ele tem sensores que impedem que diferentes braços mecânicos se choquem (durante um procedimento)”, diz Sophie Lantermann, da DLR, agregando que os custos do Mirosurge também são menores.
    Remoção do tumor

    Um dos desafios no combate ao câncer é garantir que, na cirurgia, todo o tumor seja removido. Para tal, os cirurgiões precisam saber exatamente onde o tumor acaba, tarefa nem sempre fácil.

    Na Universidade de Berna, na Suíça, cientistas têm injetado um medicamento no corpo do paciente que, uma vez que alcança o tumor, torna-se incandescente perante a luz.

    Essa tecnologia de imagem também é aplicada a instrumentos usados para “navegar” pelo corpo, da mesma forma que um GPS ajuda a encontrar um caminho.

    “A ideia é controlar os instrumentos cirúrgicos para que um cirurgião possa ver, pela tela do computador, como esses instrumentos se movem pelo corpo”, explica Stefan Weber, do centro ARTORG de Pesquisas de Engenharia Biomédica na Universidade de Berna.

    “Se você observa o fígado, por exemplo, verá que é um órgão homogêneo de cor vermelha e marrom. Mas para ver onde estão os tumores, fazemos uma tomografia do paciente, um modelo 3D do órgão e dos vasos sanguíneos e nesse modelo conseguimos enxergar o tumor, para dizer ao cirurgião onde ele deve operar.”

    Weber conta que essa detecção dos vasos sanguíneos, que alinha o modelo com a anatomia do paciente, e a precisão do procedimento “é algo que os computadores não eram capazes de fazer há cinco anos”.

    Uma técnica semelhante está sendo desenvolvida na Holanda. Mas Rob Buckingham, da OC Robotics, explica que um dos principais objetivos da conferência oncológica de Leeds é fazer com que todas essas tecnologias trabalhem em conjunto.

    “Se começamos a combinar, por exemplo, nosso ‘robô-cobra’ – para alcançar partes traseiras dos órgãos do corpo – com sensores que podem identificar um alvo, pode haver benefícios clínicos”, diz ele.

    Tags: , , , , , , ,

  • Quase 1 milhão de pessoas na Grã-Bretanha sofrem intensas dores de cabeça “completamente evitáveis”, causadas pela ingestão de analgésicos em excesso, informam médicos do Instituto Nacional de Excelência Clínica e de Saúde (Nice, na sigla em inglês).

    De acordo com as orientações da organização, muitas pessoas encontram-se em estado de dependência, após cederem a um “ciclo vicioso” de alívio da dor, o que acaba causando ainda mais dores de cabeça.

    “Pessoas que ingerem medicamentos regularmente, como aspirina, paracetamol e triptan, podem estar causando mais dor do que alívio a si mesmos”, diz documento elaborado pelo painel. “Enquanto tratamentos de farmácia são eficientes para aliviar dores de cabeça ocasionais, acredita-se que 1 em cada 50 pessoas sofra dores causadas pelo excesso de medicação, e a incidência é cinco vezes maior entre as mulheres”.

    Não há dados específicos na Grã-Bretanha sobre a incidência do problema, mas estudos em outros países sugerem que entre 1% e 2% da população é afetada por dores de cabeça. A Organização Mundial da Saúde (OMS) cita estatísticas que apontam que, em alguns grupos pesquisados, a incidência chega a 5% da população.

    Para Martin Underwood, da Escola de Medicina de Warwick, que liderou a pesquisa do Nice, “(a ingestão de analgésicos) pode acabar em um ciclo vicioso no qual a dor de cabeça fica cada vez pior, então você toma mais analgésicos, sua dor de cabeça fica pior, e pior e pior. E é uma coisa tão fácil de prevenir”.

    As novas orientações para os médicos na Inglaterra e no País de Gales são alertar os pacientes para que suspendam imediatamente o uso dos analgésicos. Entretanto, isso pode levar a aproximadamente um mês de agonia, até que os sintomas eventualmente melhorem.

    Os especialistas disseram ainda que devem ser considerados outras opções de tratamentos profiláticos e preventivos — em alguns casos, por exemplo, recomenda-se a acupuntura.

    Efeito

    A forma como os analgésicos atuam no cérebro não é totalmente compreendida pelos médicos.

    Acredita-se que a maior parte das pessoas afetadas tenha começado a ter dores de cabeça comuns diárias ou enxaquecas; o problema foi se agravando à medida que essas pessoas passaram a recorrer à automedicação frequente.

    Manjit Matharu, neurologista consultor do Hospital Nacional de Neurologia e Neurocirurgia, disse que, em geral, a automedicação se torna um problema sério quando os pacientes começam a ingerir analgésicos por dez a 15 dias todo mês.

    “Isso é um grande problema para a população. O número de pessoas com excesso de uso de remédios para dor de cabeça já é de um a cada 50. Isso representa aproximadamente 1 milhão de pessoas que têm dor de cabeça diariamente ou quase diariamente devido ao uso de analgésicos”, diz Matharu.

    As pessoas com um histórico familiar de dores de cabeça tensionais ou enxaqueca também podem ter uma vulnerabilidade genética ao excesso de medicação para dor de cabeça. Elas podem ser mais suscetíveis aos anlagésicos, mesmo que estes não sejam específicos para dor de cabeça.

    ‘Diagnóstico mais preciso’

    O Nice sugere que os médicos recomendem acupuntura para pacientes suscetíveis a enxaquecas e dores de cabeça tensionais.

    “Podemos esperar que isso leve mais pessoas a procurarem acupuntura. Levando em conta que há evidências de que a prática é eficaz para a prevenção de enxaquecas e dores de cabeça tensionais, isso é algo positivo”, diz Martin Underwood.

    A chefe da Fundação Enxaqueca da Grã-Bretanha, Wendy Thomas, disse que as orientações deverão ajudar o trabalho dos médicos.

    “As medidas vão colaborar para um diagnóstico mais preciso, recomendações apropriadas e informações baseadas em evidências para aqueles com dores de cabeça perturbadoras. Também vão conscientizar sobre os excessos de automedicação, que podem ser um problema sério para aqueles com dores de cabeça graves”.

    Fayyaz Ahmed, director da Associação Britânica para o Estudo de Enxaqueca, também vê as orientações com bons olhos.

    “A dor de cabeça é a doença mais frequente, e uma em cada sete pessoas na Grã-Bretanha sofre de enxaqueca. O problema coloca um peso enorme sobre os recursos do sistema de saúde e a economia de forma geral”, avalia.

    No Brasil, estudos de 2009 apontam a incidência de enxaqueca em cerca de 15% da população.

    Tags: , , , , , , , ,


  • Casos da doença relacionados ao HPV aumentaram nos últimos dez anos

    O cigarro e o consumo frequente de bebidas alcoólicas sempre foram apresentados como vilões dos cânceres de orofaringe, especialmente na região da garganta. Embora ambos continuem sendo importantes fatores de risco, na última década observou-se um aumento significativo de casos da doença relacionados ao vírus HPV (papilomavírus humano).

    O oncologista Dr. Luiz Paulo Kowalski, diretor do Núcleo de Cabeça e Pescoço do Hospital A.C. Camargo, em São Paulo (SP), explica que houve uma mudança no perfil da doença, ou seja, “o que antes era frequente em homens acima dos 50 anos que fumavam e bebiam, agora é mais comum em jovens (30 a 40 anos) que fazem sexo oral desprotegido e têm vários parceiros”.

    NBlogs discute vacinação contra o HPV

    É uma epidemia que está começando e acredito que por volta de 2020 o número de casos de câncer na garganta por HPV vai superar o provocado por álcool e tabaco. Atualmente, em São Paulo, cerca de 50% das pessoas com câncer de orofaringe foram infectadas pelo papilomavírus humano.

    Para o médico, apesar de a conscientização da sociedade sobre os perigos do tabaco e o consequente abandono do vício, hoje o desenvolvimento do câncer na região da boca é decorrente da mudança de comportamento dos jovens que negligenciam o uso da camisinha.

    A principal forma de contágio é o sexo oral, sendo que ainda existe a possibilidade de transmissão do vírus pelo beijo. Por isso, é importante fazer sexo seguro e procurar restringir o número de parceiros.

    Além disso, o especialista reforça que a vacina contra o HPV é a forma mais eficaz de prevenção e deve ser administrada, de preferência, antes do primeiro contato sexual. No entanto, a ginecologista Dra. Neila Maria de Gois Speck, professora afiliada do departamento de Ginecologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e membro da diretoria da Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior, avisa que ela também pode ser usada por pessoas mais velhas.

    A indicação de bula é para mulheres entre 9 a 26 anos, mas trabalhos científicos mostram que ela é eficaz até os 50 anos. Além disso, a vacina é aprovada para o uso em homens.

    Diagnóstico

    Entre os sintomas do câncer de garganta, o médico do Hospital A.C. Camargo destaca dor persistente e progressiva na região, geralmente de um único lado, e dificuldade de engolir. Segundo ele, como o assunto está mais conhecido pela classe médica e população em geral, o diagnóstico se torna precoce e a chance de cura é maior.

    A cura depende da extensão da doença, mas em estágios iniciais a chance é de 90%; em casos mais avançados a porcentagem cai para 70%. Mesmo assim, é importante o paciente redobrar as medidas preventivas porque a doença pode voltar.

    Assim como para o câncer de mama, o autoexame na boca e garganta é importante. Dr. Kolwaski orienta olhar na frente do espelho e procurar manchas vermelhas, brancas, feridas e bolinhas na região. Se detectado alguma alteração, vale procurar um especialista que pode, inclusive, ser o dentista ou otorrinolaringologista.

    Tags: , , , ,

  • Quando se afirma que o café é a bebida mais popular em território verde-amarelo, acredite, não é mera força de expressão. Na última Pesquisa de Orçamentos Familiares divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi constatado que o brasileiro toma de 4 a 5 xícaras todos os dias, o que leva o líquido à base do fruto do cafeeiro a liderar a lista que avalia a média de consumo per capita de vários alimentos. Só para ter uma ideia, o feijão e o arroz, outros itens comuns à nossa mesa, ficaram em segundo e terceiro lugar, respectivamente. No resto do mundo, o consumo também surpreende. Enquanto aqui cada pessoa ingere cerca de 6 quilos do grão por ano, em países nórdicos, como Finlândia, Noruega e Dinamarca, esse número chega aos 13 quilos anuais.

    Aqueles que cultivam esse hábito mandam para dentro do organismo uma série de substâncias. Entre elas sobressai a cafeína, célebre por sua ação estimulante. Mas o que aparece em maior quantidade no pequeno grão são os ácidos clorogênicos, compostos antioxidantes. A xícara ainda concentra vitamina B3 e minerais como potássio, manganês e ferro. Tal combinação vem à tona constantemente nos laboratórios de cientistas planeta afora. No universo das pipetas e buretas, ela não é uma unanimidade. “Porém, a maioria dos estudos confirma seus benefícios”, diz Adriana Farah, cientista do Núcleo de Pesquisa em Café Professor Luiz Carlos Trugo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Fato é que o pretinho básico de todas as manhãs segue gerando contradições — as mais curiosas você conhece abaixo.

    Na mira da ciência

    Veja outros estudos recentes que avaliaram o impacto da bebida na saúde

    Fertilidade

    Segundo cientistas do Hospital Universitário Aarhus, na Dinamarca, mais de cinco doses diárias de café reduzem em 50% a chance de sucesso no tratamento de fertilização. “Ainda não há estudos clínicos comprovando o efeito”, avalia Adriana Farah. “Mas alguns trabalhos relacionam um alto consumo de cafeína, como acontece nos países nórdicos, à malformação fetal”, completa.

    Câncer de pele

    Depois de acompanhar mais de 110 mil pessoas por 20 anos, pesquisadores da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, descobriram que o café está inversamente associado ao tipo mais comum de tumor de pele. “Qualquer alimento antioxidante, caso do café, pode auxiliar na prevenção. Mas é cedo para indicá-lo com essa finalidade”, analisa a dermatologista Flávia Addor, da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

    Expectativa de vida

    Uma investigação do Instituto Nacional do Câncer, nos Estados Unidos, mostra que beber de 3 a 4 xícaras faz você viver mais — o ganho na expectativa de vida é de 10% para homens e 13% para mulheres. “O resultado não surpreende. Afinal, o café é uma das maiores fontes de antioxidantes na dieta”, ressalta Adriana Farah.

    O café proporciona benefícios ao bebermos de 3 a 4 xícaras diárias

    Problemas no coração

    As pesquisas que se dedicaram a analisar a relação entre o café e a incidência de insuficiência cardíaca — condição em que o coração não consegue bombear quantidade suficiente de sangue para o corpo — sempre geraram dados discrepantes. Intrigada, a pesquisadora Elizabeth Mostofsky, da Escola de Saúde Pública da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, decidiu conduzir uma revisão sobre o tema. Nela, foram avaliados mais de 140 mil indivíduos, dos quais 6 522 mil tiveram o mal. “Percebemos que quatro doses diárias de café diminuíram em até 11% o risco de ter o problema”, conta a cientista. Os compostos bioativos da bebida — o destaque vai para os antioxidantes — provavelmente estão por trás da benesse. “Ao afastar o diabete tipo 2, eles também protegeriam contra essa doença cardíaca”, raciocina. Já o consumo além da conta deixou o coração na corda bamba. E não é só o excesso que abala o peito. Está comprovado que duas substâncias presentes no grão, o cafestol e o kahweol, são capazes de elevar os níveis de colesterol no sangue, quadro que pode ser o pontapé inicial para várias complicações cardiovasculares. “Mas, quando se usa o filtro de papel ou o coador de pano para preparar o café, consegue-se reter boa parte dessas substâncias”, ensina Rosana Perim, gerente de nutrição do Hospital do Coração, na capital paulista. Dilema resolvido.

    Tremores do parkinson

    Quantas vezes você já ouviu alguém alegar que está mais acelerado porque bebeu café? Isso acontece por causa da cafeína. “A exposição à substância gera estímulos cerebrais, especialmente nas áreas que controlam as atividades motoras e o sono”, explica a nutricionista Camila Leonel, da Universidade Federal de São Paulo. Para um paciente com Parkinson, doença caracterizada por tremores no corpo, é de supor que a cafeína piore o quadro, certo? Errado. Em estudo realizado no Instituto de Pesquisa da Universidade McGill, no Canadá, observou-se que ela ameniza o sintoma. Para chegar ao achado, os cientistas acompanharam 61 pacientes. Enquanto uma parte recebeu placebo, uma pílula inócua, a outra ganhou uma cápsula com 100 miligramas de cafeína duas vezes ao dia, por três semanas. Nos 21 dias seguintes, o valor passou para 200 miligramas — dose encontrada em cerca de 2 xícaras de café. “A melhora motora entre aqueles que ingeriram a substância foi semelhante à de remédios indicados na fase inicial da doença”, comenta o neurologista Renato Puppi, coordenador da Associação Paranaense dos Portadores de Parkinsonismo, em Curitiba, e um dos autores do trabalho. “O efeito parece contraditório, mas a bebida só causa agitação em pessoas que não estão acostumadas a consumi-la ou que exageram”, pondera. Na dose adequada, a cafeína contribuiria para o funcionamento da dopamina — e é a falta desse neurotransmissor que abre as portas para o Parkinson.

    Alucinações

    Conhecido por incitar a atenção, deixando-nos mais preparados para cumprir as tarefas do dia a dia, o café ganhou a inusitada fama de alucinógeno na Universidade La Trobe, na Austrália. Isso aconteceu depois que os estudiosos recrutaram 92 voluntários e os submeteram a altos ou baixos níveis de estresse e consumo de cafeína. Depois, eles foram orientados a escutar uma mistura de sons e avisar cada vez que ouvissem determinada música. Detalhe: a canção nunca foi tocada. Só que as pessoas mais apreensivas ou com bastante cafeína na circulação — o correspondente a mais de cinco doses de café — se mostraram bem propensas a cair na pegadinha. “Alguns estudos relatam que o estresse contribui para a liberação de cortisol, hormônio que favorece experiências alucinatórias. E isso parece ser potencializado ao ingerir alimentos estimulantes, como o café”, informa a nutricionista Mônica Pinto, da Associação Brasileira das Indústrias de Café, a Abic. “Mas esse efeito só acontece quando se exagera na cafeína”, declara. Para a especialista, é importante evitar o uso desenfreado de qualquer item. “A noz-moscada usada como tempero, por exemplo, não é prejudicial. Mas, se você comer uma inteira, alucinará por dias.” Consumido com moderação, o café só tende a auxiliar na concentração e na capacidade de aprendizagem.

    Dor de cabeça

    Está aí um tópico que rende pano para mangas. Geralmente, a confusão começa com a dificuldade de estabelecer se a bebida é realmente o estopim da dor de cabeça ou se as pessoas que sentem o incômodo a veem como válvula de escape. “Para esclarecer a dúvida, diminua aos poucos a ingestão de cafeína, até tirá-la da dieta”, recomenda a pesquisadora Adriana Farah, da UFrj. Lembre-se de que alguns chás e refrigerantes também carregam a substância. Daí, se a dor não sumir, procure um médico. Em muitos casos, a cafeína é a salvação. Prova disso é que está na fórmula de analgésicos. “Algumas cefaleias são caracterizadas pela vasodilatação cerebral. Por deixar os vasos mais estreitos, a cafeína pode atuar como coadjuvante no tratamento”, justifica a especialista.

    Tags: , , , , ,

  • A prática também pode fazer com que o metabolismo não acumule a gordura ingerida e, sim, utilize-a para produzir energia.

    O estudo foi conduzido pelo Instituto de Bioquímica, Ciência da Alimentação e Nutrição da universidade e divulgado na publicação científica da Federação de Sociedades Americanas de Biologia Experimental (Faseb, na sigla em inglês)

    “Aperfeiçoar o metabolismo pelo agendamento cuidadoso das refeições, sem limitar o conteúdo do cardápio diário, pode ser usado como ferramenta terapêutica para prevenir a obesidade nos humanos”, afirmou professor Oren Froy, que conduziu o estudo.

    Pesquisas anteriores afirmavam que alimentar mamíferos com uma dieta rica em gordura prejudica o metabolismo e leva à obesidade.

    No entanto, os cientistas israelenses queriam determinar o efeito de combinar os alimentos gordurosos com um controle rígido do horário e da duração das refeições.

    A hipótese estudada era a de que comer sempre na mesma hora regularia o relógio biológico e reduziria os efeitos da gordura que, em circunstâncias normais, causaria obesidade.

     
    Aproveitamento da gordura

    Para comprovar a teoria, os pesquisadores alimentaram quatro grupos de ratos com dietas muito ou pouco gordurosas durante 18 semanas.

    No grupo de controle, os animais comiam alimentos ricos em gordura na mesma hora e durante o mesmo período de tempo todos os dias.

    Os outros ratos foram divididos em grupos que comiam pouca gordura em horários fixos, pouca gordura sem horários fixos (na quantidade e frequência que escolhessem) e muita gordura sem horários fixos.

    Ao concluir o experimento, a equipe do professor Froy percebeu que todos os quatro grupos de ratos haviam engordado, principalmente os que comiam gordura sem horários fixos.

    No entanto, os ratos que comiam gordura em horários controlados ganharam menos peso até do que aqueles que tinham ingerido pouca gordura, apesar de ambos terem consumido a mesma quantidade de calorias totais.

    Os ratos com horários controlados também desenvolveram um estado metabólico especial, em que as gorduras ingeridas não eram acumuladas, e, sim, utilizadas pelo organismo para produzir energia os períodos entre as refeições.

    Tags: , , , ,

  • Infecções durante o início da vida do bebê podem provocar asma já aos 18 anos

    Infecções virais em recém-nascidos danificam parte do sistema imunológico e aumentam os riscos de asma no futuro, indicam estudos feitos com ratos.

    Experimentos feitos por especialistas americanos revelaram que infecções provocadas pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR) retiraram de células imunológicas a capacidade de aliviar inflamações nas vias respiratórias.

    Em artigo publicado na revista científica Nature Medicine, a equipe da Pittsburgh School of Medicine, na Pensilvânia, Estados Unidos, afirma que a descoberta vai auxiliar a busca por formas de prevenir a asma.

    A ONG britânica Asthma UK, que oferece apoio a pessoas afetadas, disse que o estudo tem grande potencial para o combate à doença.

    Quando algo irrita as vias respiratórias de um paciente com asma, elas se contraem, ficam inflamadas e produzem muito muco, dificultando a respiração.

    Causa e efeito

    Estudos anteriores já haviam demonstrado a existência de um vínculo entre repetidas infecções pulmonares com o vírus VSR no bebê e o desenvolvimento da asma mais tarde.

    Uma pesquisa sueca mostrou que 39% de bebês levados ao hospital por causa de infecções pelo VSR já sofriam de asma aos 18 anos de idade. Entretanto, apenas 9% de bebês que não sofreram essas infecções desenvolveram a doença.

    Não se sabia explicar, no entanto, o mecanismo pelo qual a infecção pelo vírus resultava no desenvolvimento da asma. Agora, a equipe americana acredita ter encontrado a explicação.

    Seus experimentos com ratos mostraram que o vírus danifica células do sistema imunológico conhecidas como células T reguladoras, impedindo-as de agir sobre inflamações.

    Inflamações são respostas naturais do organismo a infecções ou lesões de tecidos. Em pacientes com asma, no entanto, substâncias químicas presentes no ar, trazidas pela poeira, animais ou fungos, podem desencadear respostas inflamatórias inapropriadas.

    Infecções com o VSR provocaram uma “perda completa da função supressora (de inflamações) pelas células T reguladoras, após a qual os ratos passaram a apresentar sintomas semelhantes aos da asma”, disseram à BBC Anuradha Ray e o professor Prabir Ray, envolvidos no experimento.

    A equipe suspeita ainda que haja uma fase específica, no início da vida do bebê, em que suas células estão mais vulneráveis a ser danificadas.

    “Achamos que nossa descoberta pode ajudar cientistas a criar tratamentos que evitem que algumas pessoas desenvolvam asma”, dizem os cientistas.

    “Sentimos que tanto abordagens profiláticas quanto terapêuticas podem ser desenvolvidas e isso é especialmente desejável em crianças com um histórico familiar da doença.”

    Tags: , , , , , , , , ,

  • Os autores de um estudo publicado na revista Nature dizem que conseguiram recuperar parcialmente a audição de roedores, ao reconstruir os nervos do ouvido que transmitem os sons para o cérebro.

    Os cientistas avaliam que o mesmo resultado em humanos permitiria que alguém incapaz de ouvir o barulho de um congestionamento consiga escutar uma conversa normal.

    No entanto, os pesquisadores admitem que aplicar o tratamento em seres humanos ainda é um projeto distante.

    Para ouvir rádio ou conversar com um amigo, as pessoas precisam que seus ouvidos convertam as ondas sonoras no ar em sinais elétricos que podem ser compreendidos pelo cérebro.

    Esse processo ocorre dentro do ouvido interno, onde as vibrações movem cílios minúsculos – e esse movimento cria um sinal elétrico.

    No entanto, em cerca de uma em cada dez pessoas com surdez profunda, as células nervosas que deveriam captar o sinal não funcionam corretamente. É como derrubar o bastão na primeira passagem de uma prova de revezamento.

    Células com defeito

    O objetivo dos pesquisadores da Universidade de Sheffield era substituir as células nervosas com defeito, chamadas neurônios do gânglio espiral.
    O grupo de cientistas utilizou células-tronco de um embrião humano, que são capazes de se desenvolver em outros tipos de células do corpo humano – de nervos à pele, passando por músculos e rins, entre outros.

    Uma mistura química foi acrescentada às células-tronco para convertê-las em células parecidas com os neurônios do gânglio espiral. Em seguida, elas foram cuidadosamente injetadas no ouvido interno de 18 roedores surdos.

    Após dez semanas, a audição dos roedores melhorou. Em cerca de 45% dos animais testados, a capacidade de audição foi restaurada ao final do estudo.

    “Isso significaria passar de tão surdo que você não pode ouvir um caminhão na rua a um nível em que você pode ouvir uma conversa”, diz o cientista Marcelo Rivolta.

    “Não é uma cura completa”, acrescenta. “Você não conseguirá ouvir um sussurro, mas certamente será capaz de manter um diálogo em uma sala.”
    Cerca de um terço dos roedores respondeu muito bem ao tratamento e alguns recuperaram 90% da audição – apenas menos de um terço não apresentou reação.

    Esperança

    Os roedores usados na pesquisa foram gerbilos, animais capazes de ouvir uma variedade de sons semelhante à ouvida pelos humanos e diferente da dos camundongos – que escutam sons mais agudos.

    Os cientistas detectaram a melhora na audição ao medir as ondas cerebrais dos animais. Os roedores foram testados por apenas dez semanas – se o tratamento for aplicado em humanos, o efeito precisará ser observado durante um período muito maior.

    O estudo também deve reacender a polêmica sobre a segurança e a ética de tratamentos com células-tronco.

    “É um grande momento, realmente um importante avanço”, avalia o cientista Dave Moore, diretor do Conselho de Pesquisa Médica do Instituto de Pesquisa sobre Audição, em Nottingham.

    O especialista alerta, no entanto, para os desafios de aplicar o tratamento em humanos.

    “O maior problema é realmente chegar à parte do ouvido interno em que isso pode funcionar”, afirmou Moore à BBC. “É extremamente pequeno e muito difícil de alcançar. Esse seria um feito realmente formidável.”

    “A pesquisa é incrivelmente encorajadora e nos dá uma esperança real de que será possível corrigir a verdadeira causa de alguns tipos de perda da audição no futuro”, diz o pesquisador Ralph Holme, chefe de pesquisas biomédicas da organização beneficente Action on Hearing Loss.

    “Para milhões de pessoas que têm a qualidade de suas vidas prejudicada pela perda de audição, já não era sem tempo”, acrescenta Holme.

    Tags: , , , , ,