• Uso da toxina é prático, com poucos efeitos colaterais, apesar de ser caro.

    Estudos brasileiros e internacionais comprovaram que a toxina botulínica, mais conhecida como Botox, consegue acabar com as dores de pacientes que sofrem com um dos piores tipos de dor de cabeça que existe: a enxaqueca crônica. O uso excessivo de remédios para conter a dor faz com que seu efeito vá se perdendo ao longo do tempo, tornado-se ineficaz para combatê-las.

    Já as injeções de toxina botulínica do tipo A aplicadas a cada quatro meses nas regiões da testa (frontal), têmporas (temporal), atrás da cabeça (parietal) e no pescoço (occipital) conseguiram diminuir as dores até extinguí-las em poucos dias.

    A enxaqueca tem como sintomas principais dores pulsantes de um lado da cabeça, moderadas ou fortes, associadas à náusea, vômito, intolerância à luz e ao barulho, com duração média de quatro a 72 horas. Isso porque o Botox contém a toxina do botulismo que, ao ser injetada em pequenas doses, paralisa o músculo e evita sua contração, eliminando os focos de dor. Seu uso para fins médicos e estéticos foi aprovada há 20 anos nos Estados Unidos.

    Mesmo oferecendo efeito temporário, de quatro a seis meses, como ocorre nos tratamentos estéticos, as injeções se mostram vantajosas no tratamento da enxaqueca ao oferecerem bem menos efeitos colaterais do que os remédios, segundo o neurologista Ailton Melo, da Universidade Federal da Bahia, autor de três estudos sobre o uso da toxina em tratamentos neurológicos, reconhecidos internacionalmente.

    Em dois deles, realizados entre 2007 e 2009, o médico e sua equipe aplicaram a toxina botulínica do tipo B – a única reconhecida para uso em humanos – em pacientes com enxaqueca crônica, no Hospital das Clínicas da Universidade. Segundo Melo, a toxina se mostrou ligeiramente superior no ponto de vista de eficácia e bem superior diante dos efeitos colaterais.

    – A toxina botulínica atua nos receptores neuromusculares, inibindo a saída de acetilcolina, [neurotransmissor liberado por células nervosas, que chega às células musculares, causando a contração do músculo]. Ao impedir a liberação de acetilcolina, inibe a contração muscular, relaxando o músculo.

    Os pacientes que receberam as injeções no hospital baiano apresentaram apenas problemas relacionados às picadas da agulha, enquanto os que continuavam a tomar remédios ganharam peso e apresentaram sonolência, taquicardia, boca seca, constipação, manchas avermelhadas na pele e edema.

    O tratamento padrão da enxaqueca pode envolver o uso de antidepressivos, anticonvulsivantes, remédios para labirintite, pressão e coração, de acordo com a necessidade do paciente. Ao longo do tempo o “coquetel” pode não surtir mais efeito, por isso o Botox aparece como um grande trunfo, afirma a neurologista Célia Roesler, membro titular da Academia Brasileira de Neurologia.

    – A toxina age exatamente onde o paciente sente dor, paralisando a musculaturas destes locais.

    De acordo com a neurologista, o Botox tem boa tolerância neste tipo de tratamento e causa apenas pequenas dores e hematomas no local das aplicações. Mas em alguns casos, pode haver paralisias musculares temporárias e uma leve queda da pálpebra.

    Remédios dão conta dos casos mais leves

    Segundo o neurologista Marcelo Ciciarelli, presidente da Sociedade Brasileira de Cefaleia, o tratamento deve ser realizado somente em casos crônicos, ou seja, em pessoas que sofrem de dores frequentes na cabeça ao menos em 14 dias, durante três meses. Já que casos isolados e espaçados não demandam muitos medicamentos.

    Ciciarelli ressalta que não se deve fazer aplicações em um período menor do que os quatro meses, pois há perigo de o corpo criar anticorpos que “ataquem” a toxina e desativem o tratamento. A grande desvantagem no uso do Botox é o preço. Cada aplicação pode custar de R$ 800 a R$ 1.200.

    O uso do Botox para essa finalidade não é novo no Brasil, mas o tratamento não segue um padrão, explica o presidente da Sociedade Brasileira de Cefaleia. Com a recente aprovação da toxina para este fim, feita pelo FDA (Food and Drug Administration), órgão americano que controla os produtos alimentícios e medicamentos que chegam ao mercado, o padrão tende a ser seguido mundialmente. No último dia 15, o órgão aprovou a aplicação das injeções a cada 12 semanas, na cabeça e no pescoço de adultos com enxaqueca crônica.

    Fonte R7

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  • Causa fadiga N º 1: não dormir o suficiente

    Pode parecer óbvio, mas você poderia ter dormido muito pouco.

    Isso pode afetar negativamente a sua concentração e da saúde. Os adultos devem ficar de sete a oito horas por noite.

    Correção: Faça o sono uma prioridade e manter uma programação regular.

    Nada de laptops, telefones celulares e PDAs do seu quarto. Ainda tem problemas? Procure ajuda de um médico. Você pode ter um distúrbio do sono.

    Fadiga Causa n º 2: a apnéia do sono

    Algumas pessoas pensam que eles estão dormindo o suficiente, mas a apnéia do sono fica no caminho. Ele brevemente pára a sua respiração durante a noite. Cada interrupção acorda-lo para um momento, mas você pode não estar ciente disso. O resultado: você está privado de sono, apesar de passar oito horas na cama.

    Correção: Perca peso se estiver acima do peso, parar de fumar, e dormir com um dispositivo de CPAP para ajudar a manter as passagens das vias aéreas abertas durante a noite.

    Fadiga Causa n º 3: Não combustível suficiente

    Comer muito pouco causas da fadiga, mas comem os alimentos errados também pode ser um problema. Comer uma dieta equilibrada ajuda a manter o açúcar no sangue em uma escala normal e impede que o sentimento lento quando o açúcar no sangue cai.

    Correção: Coma sempre o pequeno almoço e tente incluir proteínas e carboidratos complexos em cada refeição. Por exemplo, comer ovos com torradas de grãos integrais. Também as refeições e lanches ao longo do dia para sustentada a energia .

    Fadiga Causa n º 4: Anemia

    A anemia é uma das principais causas da fadiga em mulheres. Perda de sangue menstrual podem causar deficiência de ferro, colocando as mulheres em risco. Os glóbulos vermelhos são necessários porque eles transportam oxigênio para os tecidos e órgãos.

    Correção: Para a anemia causada por deficiência de ferro, tomar suplementos de ferro e comer alimentos ricos em ferro, como carnes magras, fígado, marisco, feijão e cereais enriquecidos, pode ajudar.

    Causa fadiga No. 5: Depressão

    Você pode pensar que a depressão como um transtorno emocional, mas que contribui para muitos sintomas físicos também. Fadiga, dores de cabeça e perda de apetite são alguns dos sintomas mais comuns. Se você se sentir cansado e “para baixo” por mais de duas semanas, consulte o seu médico.
    Correção: A depressão responde bem à psicoterapia e / ou medicação.

    Fadiga Causa n º 6: O hipotireoidismo

    A tireóide é uma pequena glândula na base do pescoço. Ele controla o seu metabolismo, a velocidade com que o corpo converte o combustível em energia. Quando a glândula está hipoativa e as funções do metabolismo muito lento, você pode se sentir lento e pesado.

    Fadiga Causa n º 7: Sobrecarga de cafeína

    A cafeína pode melhorar a atenção e concentração em doses moderadas. Mas em excesso pode aumentar a freqüência cardíaca, pressão arterial e tremores. E a pesquisa indica muito realmente provoca cansaço em algumas pessoas.

    Correção: Aos poucos, cortar no café, chá, chocolate, refrigerantes e outros medicamentos que contenham cafeína. Parando de repente a retirada da cafeína pode causar mais cansaço.

    Causa fadiga No. 8: ITU Hidden

    Se você já teve uma infecção do trato urinário (ITU), você provavelmente está familiarizado com a dor em queimação e sensação de urgência. Mas a infecção, nem sempre se anunciar com tais sintomas óbvios. Em alguns casos, a fadiga pode ser o único sinal. Um teste de urina pode confirmar rapidamente uma UTI.

    Correção: Os antibióticos são a cura para a UTIs, e à fadiga geralmente desaparecem em uma semana.

    Causa fadiga No. 9: Diabetes

    Em pessoas com diabetes, níveis anormalmente elevados de açúcar no sangue permanecem em vez de digitar as células do corpo, onde seria convertida em energia. O resultado é um corpo que funciona fora do vapor, apesar de ter o suficiente para comer. Se você tiver inexplicável, fadiga persistente, pergunte ao seu médico que está sendo testado para o diabetes.

    Correção: Os tratamentos para a diabetes podem incluir mudanças de estilo de vida como dieta e exercício, terapia com insulina e medicamentos para ajudar o corpo a processar o açúcar.

    Fadiga Causa n º 10: Desidratação

    Seu cansaço pode ser um sinal de desidratação. Se você está trabalhando fora ou trabalhando em um trabalho de escrivaninha, seu corpo precisa de água para funcionar bem e manter a calma. Se você está com sede, você já está desidratado.

    Correção: Beba água durante todo o dia assim que sua urina ficará na cor clara. Beba pelo menos dois copos de água uma hora ou mais antes da atividade física. Beba, também durante o treino e depois beber mais dois copos.

    Causa fadiga N º 11: Doenças do Coração

    Quando ocorre a fadiga durante atividades diárias, como limpar a casa ou capinar o quintal, pode ser um sinal de que seu coração não está mais à altura da tarefa. Se você perceber que está se tornando cada vez mais difícil para terminar as tarefas que antes eram fáceis, converse com seu médico sobre a doença cardíaca.

    Correção: Estilo de vida muda, os medicamentos e procedimentos terapêuticos podem ter doença de coração sob o controle e restaurar sua energia.

    Fadiga Causa n º 12: Transtorno do Sono

    Trabalhar à noite ou turnos rotativos pode perturbar o seu relógio interno. Você pode se sentir cansada, quando você precisa ser acordado. E você pode ter problemas para dormir durante o dia.

    Correção: Limite a sua exposição à luz do dia quando você precisa descansar. Faça o seu quarto escuro, silencioso e fresco. Ainda com problemas de sono? Converse com seu médico. Suplementos e medicamentos podem ajudar.

    Causa fadiga No. 13: Alergias Alimentares

    Alguns médicos acreditam que as alergias alimentares escondidas podem fazer você sonolento. Se sua fadiga intensifica após as refeições, você poderia ter uma intolerância leve a algo que você está comendo – não o suficiente para causar prurido ou urticária, apenas o suficiente para torná-lo cansado.

    Correção: Tente eliminar os alimentos um de cada vez para ver se melhora o seu cansaço. Você também pode perguntar ao seu médico sobre um teste de alergia alimentar.

    Causa fadiga N º 14: CFS e fibromialgia

    Se sua fadiga dura mais de seis meses e é tão grave que você não pode controlar suas atividades diárias, síndrome da fadiga crônica ou fibromialgia é uma possibilidade. Ambos podem ter vários sintomas, mas sem explicação, cansaço persistente é um principal.

    Correção: Enquanto não há solução rápida para o CFS ou fibromialgia, os pacientes geralmente se beneficiam de mudar sua programação diária, aprendendo hábitos de sono melhor, e iniciar um programa de exercícios leves.

    Reparo rápido para fadiga leve

    Se você tem cansaço leve, que não está ligada a nenhuma condição médica, a solução pode ser o exercício. A pesquisa sugere, mas cansado adultos saudáveis podem receber um impulso de energia significativa a partir de um programa de exercícios modestos. Em um estudo, os participantes montaram uma bicicleta estacionária por 20 minutos em ritmo leve. Fazer isso apenas três vezes por semana é suficiente para combater a fadiga.

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  • Disfunção erétil, obesidade, diabetes, estresse e maior suscetibilidade para contrair doenças são alguns dos problemas que podem ser causados por distúrbios de sono.

    Estima-se que um terço da população da cidade de São Paulo tenha algum problema para dormir adequadamente.

    Estudar os efeitos da privação de sono tem sido, desde 1995, o foco da pesquisa de Monica Andersen, professora do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

    Ela coordena um trabalho de investigação dos efeitos da privação e da restrição de sono na função reprodutiva de ratos machos, que conta com o apoio FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular.

    Integrante do Centro de Estudos do Sono/Instituto do Sono, um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) apoiados pela FAPESP, Monica apresentou resultados de seu trabalho com animais durante a 25ª Reunião da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE).

    Na ocasião, ela concedeu à Agência FAPESP a entrevista a seguir, na qual resume resultados do laboratório que coordena e de outras pesquisas voltadas aos problemas do sono.

    Agência FAPESP – De quantas horas de sono precisamos?

    Monica Andersen – Não há uma resposta única. A média são oito horas diárias, mas uma pessoa pode ficar bem com quatro horas, enquanto outra precisará de dez. Chamamos os extremos de “pequenos dormidores” e “grandes dormidores”. Agora, se me perguntar de quantas horas você precisa, temos que ver primeiro como você acorda.

    Agência FAPESP – Pela manhã, quais são os sinais de uma noite bem dormida?

    Monica Andersen – Quem acorda abrindo a janela, de bom humor, dormiu a quantidade de que precisava. Quem acorda já cansado, com a sensação de que um caminhão passou por cima, ainda que tenha ficado na cama mais de nove horas, não teve um sono suficiente ou reparador.

    Agência FAPESP – A quantidade de sono por noite pode ser modificada ao longo do tempo?

    Monica Andersen – Sim, essa mudança ocorre ao longo da vida. Ao nascer, costumamos dormir 16 horas por dia. No fim da vida, precisamos de poucas horas. O problema é que a sociedade está forçando essa redução, tentando se adaptar à falta de sono.

    Agência FAPESP – Estamos dormindo menos do que as gerações anteriores?

    Monica Andersen – Nossa sociedade é cronicamente privada de sono. Há uma denominação nos Estados Unidos que é sintomática, da “sociedade 24 por 7”, isto é, que funciona 24 horas por dia, sete dias por semana. Que não para jamais.

    E isso traduz muito bem o que vivemos atualmente. Nós queremos a sociedade 24 por 7, principalmente nas grandes cidades. Nós participamos dessa autoprivação de sono. Queremos fazer mais um curso, terminar mais um trabalho e tudo o mais que conseguirmos encaixar em nosso dia e quem paga por tudo isso é o sono. Por que simplesmente não vamos dormir e deixamos as tarefas para o dia seguinte? Isso é cada vez mais impensável.

    Agência FAPESP – Que problemas essa privação pode causar?

    Monica Andersen – Um deles é o acúmulo de gordura em nosso corpo. A privação de sono aumenta o apetite por comidas calóricas, estimula o hormônio da fome (grelina) e reduz o hormônio da saciedade (leptina). Pouco sono também afeta o desempenho no trabalho ou estudo e provoca pequenos deslizes que afetam nosso rendimento. Há algumas profissões em que deslizes são particularmente perigosos, como aquelas ligadas à segurança ou à saúde pública.

    Agência FAPESP – Não é paradoxal que justamente as profissões que envolvem grande responsabilidade e não podem ter tais deslizes sejam justamente aquelas que têm jornadas extenuantes, como médicos, policiais, pilotos de avião ou caminhoneiros?

    Monica Andersen – De fato. Uma das consequências mais sérias da falta de sono atualmente é o aumento no número de acidentes. Em fevereiro de 2009, por exemplo, na cidade de Buffalo, nos Estados Unidos, a queda de um avião em uma área residencial matou 50 pessoas. A investigação concluiu que a causa mais provável do acidente foi a fadiga dos pilotos e os registros da jornada de trabalho realmente mostraram que eles haviam trabalhado horas excessivas. Também nos Estados Unidos, houve outro caso em que um avião simplesmente passou do aeroporto de destino e isso só foi notado uma hora depois. A causa do erro foi que os dois pilotos haviam dormido. Na medicina é a mesma coisa, há estudos mostrando que, no fim de um plantão, o número de erros médicos é bem maior.

    Agência FAPESP – Essa situação tem piorado?

    Monica Andersen – Isso está piorando porque a nossa sociedade está piorando. Muitos jovens, por exemplo, costumam inverter o ciclo circadiano [período sobre o qual se baseia o ciclo biológico do corpo, influenciado pela luz solar]. Eles vão para uma balada da 1 às 6 horas da manhã de sexta para sábado. Na noite seguinte, há uma balada ainda maior, até às 7 ou 8 horas do domingo. Ao voltar para casa, tomam café e vão dormir, para acordar no meio da tarde. De noite, eles não conseguem dormir e, na segunda-feira, começam uma nova semana às seis da manhã, para ir à escola ou ao trabalho. Eles iniciam a semana já privados de sono.

    Agência FAPESP – Que consequências essa rotina pode trazer?

    Monica Andersen – Tenho muita preocupação com os jovens de hoje. É uma faixa etária que terá dificuldade de aprendizagem, porque o sono é fundamental ao aprendizado e à memória. Muitos acabam dormindo na escola ou nas universidades, em plena sala de aula. Esse é um problema muito importante.

    Agência FAPESP – É um problema que atinge outras faixas etárias?

    Monica Andersen – Infelizmente, sim. Acima dos 30 anos está a faixa que chega em casa pensando em relaxar mas que resolve ligar o computador “só para checar os e-mails”. Só que acaba se envolvendo em outras atividades on-line e ficando bastante tempo conectado. Muitos trabalham o dia inteiro em frente a um computador e passam as madrugadas em frente a outro, em casa, jogando ou batendo papo. Tem também a televisão, que antigamente tinha poucos canais e uma programação que terminava na madrugada. Hoje, são dezenas de canais, que funcionam sem parar.

    Agência FAPESP – Quais são os principais distúrbios de sono que essas rotinas causam?

    Monica Andersen – Temos visto muita insônia em mulheres. Em São Paulo, cerca de um terço delas tem problemas para dormir adequadamente. Mas os homens também sofrem de insônia. E 32,9% da cidade de São Paulo tem a síndrome da apneia do sono, que pode levar à sonolência excessiva diurna.

    Agência FAPESP – O que caracteriza a apneia do sono?

    Monica Andersen – São paradas respiratórias durante o sono. Essas paradas podem ocorrer até 80 vezes por hora, ou mais de uma vez por minuto. Com isso, o coração tem que bater muito mais forte para levar o oxigênio para o cérebro. Imagine a pressão arterial dessa pessoa, uma vez que isso ocorre todas as noites. A apneia do sono é mais prevalente em homens e, entre seus principais fatores de risco, está a obesidade.

    Agência FAPESP – A quantidade de sono também afeta a reprodução e o desempenho sexual?

    Monica Andersen – Essa é a minha principal linha de pesquisa. O que observamos até agora em ratos é que uma privação de sono pontual provoca uma excitação sexual nos machos. Isso ocorre na privação de sono REM [sigla em inglês para “movimentos oculares rápidos”], quando ocorrem os sonhos. No entanto, apesar de apresentarem desejo, pois os ratos chegam a montar a fêmea, eles não conseguem fazer a penetração. Em outras palavras, eles têm desejo, mas não têm a função erétil adequada.

    Agência FAPESP – Isso pode ser extrapolado para seres humanos?

    Monica Andersen – Em 2007, fizemos o Episono, um grande levantamento epidemiológico no qual foram analisados 1.042 voluntários refletindo uma amostra representativa da população da cidade de São Paulo. Foi nesse estudo que levantamos que cerca de um terço dos moradores da capital paulista sofre de apneia do sono. Não estamos falando de gente que acha que tem a doença, são pessoas que foram diagnosticadas em laboratório de sono por médicos especialistas em sono com a síndrome. É um número enorme. Isso explica por que existem mais de 400 laboratórios de sono espalhados pelo Brasil e por que todos ficam lotados.

    Agência FAPESP – O estudo encontrou problemas sexuais nas pessoas com a síndrome da apneia do sono?

    Monica Andersen – O questionário respondido durante o Episono revelou que 17% dos homens da cidade de São Paulo se queixaram de disfunção erétil. Na faixa etária entre 20 e 29 anos, 7% dos homens disseram ter o problema. Acima de 60 anos, a reclamação de disfunção erétil subiu para 60%. O levantamento mostrou que quem tinha menos sono REM tinha maior probabilidade de ter queixas de disfunção erétil. E os homens que acordavam muito durante a noite eram os que mais reclamavam do problema.

    Agência FAPESP – E quanto aos que dormiam bem?

    Monica Andersen – Normalmente, os homens com bom padrão de sono não apresentaram queixa. Uma das conclusões é que quem dorme mal tem risco três vezes maior de apresentar disfunção erétil. Uma das causas é que a privação de sono reduz a testosterona, o hormônio sexual masculino. Praticar atividades físicas regularmente também se mostrou um fator protetor contra a disfunção erétil. Ou seja, para ter uma vida sexual normal é fundamental ter boas noites de sono e praticar atividade física.

    Agência FAPESP – Em mulheres essa relação também é encontrada?

    Monica Andersen – Fizemos testes de privação de sono com ratas e observamos que, quando elas são privadas de sono REM em fases nas quais estão receptivas para o sexo, o desejo sexual aumenta muito. Por outro lado, quando a privação de sono REM foi imposta em fases nas quais a fêmea não estava disposta ao acasalamento, equivalentes à tensão pré-menstrual da mulher, a rejeição ao macho aumentou bastante. Registramos ratas agredindo os machos para evitar a relação. Mas não dá para extrapolar para as mulheres comportamentos como esse, porque, além do ciclo menstrual, a mulher também recebe influências de uma série de alterações psicológicas. Nessa linha, estou fazendo uma pesquisa com a ginecologista Helena Hachul, também da Unifesp, para averiguar se a privação de sono pode afetar a reprodução nas mulheres. Para isso, estamos investigando a relação entre qualidade de sono e gestação.

    Agência FAPESP – A falta de sono pode acelerar o envelhecimento?

    Monica Andersen – Esse foi o resultado de uma pesquisa feita por Eve Van Cauter, da Universidade de Chicago, uma das maiores especialistas em sono no mundo.

    Ela mostrou que a privação de sono em uma idade jovem simula um quadro de envelhecimento precoce. Seria como se essas pessoas de repente tivessem 60 anos. Há indícios de que a falta de sono pode provocar estresse oxidativo, alterações cardiovasculares, maior risco ao diabetes e outros problemas que veríamos em uma pessoa mais velha.

    Conheço uma mulher jovem, de 23 anos, que dorme muito pouco e tem um colesterol altíssimo, por volta de 300. Essa foi inclusive parte de um trabalho meu, de 2004, que mostrou, em ratos, que a privação de sono provoca o aumento do colesterol ruim, o LDL.

    Agência FAPESP – Qual é o papel do sono no sistema imunológico?

    Monica Andersen – Há exemplos muito interessantes em relação a isso. Muitos idosos que tomam a vacina contra a gripe voltam ao médico doentes dizendo que a vacina “não pegou”. Isso pode estar relacionado ao fato de o sono deles não estar bem consolidado.

    Um trabalho de 2003 na Alemanha acompanhou jovens que tomaram a vacina contra a hepatite e não dormiram na noite seguinte. Eles simplesmente não apresentaram anticorpos para a doença. Em uma segunda fase do mesmo estudo, outros jovens foram privados de sono antes de receber a vacina e eles também não formaram anticorpos.

    Fonte INFO