Arquivo mensais:setembro 2010

Acesso a informações na internet cria o cybercondríaco: distúrbios de ansiedade por excesso de informação equivocada na rede.

Alba Prizão, 27, desenvolveu distúrbios de ansiedade por causa do excesso de informação equivocada na rede.

Dor de cabeça ou tumor? Um sintoma cabe em muitas doenças e a confusão é comum, em tempos de doutor Google. Muita gente prefere “ele” à consulta médica, na busca da causa do mal-estar.

A hipocondria digital é um mal contemporâneo batizado de cybercondria. O fenômeno preocupa os médicos, porque além de causar autodiagnóstico e automedicação, pode evoluir para ansiedade e síndrome do pânico.

De acordo com pesquisas internas do Google, 61% dos americanos adultos buscam informações de saúde. A grande oferta de sites especializados colabora para a autossugestão.

Um exemplo é o site americano de informações de saúde WebMD, que disponibiliza uma animação do corpo humano para o autodiagnóstico. O usuário clica na região onde tem dor e ele abre uma tabela com sintomas que corresponderiam à determinada área e à doença relacionada.

A cybercondria, em diferentes graus, já aparece no cotidiano dos profissionais.”Os pacientes já chegam ao consultório com informações da internet e ainda fazem buscas após a consulta”, afirma Paulo Olzon, clínico-geral da Unifesp.

O médico alerta os desavisados que determinado sintoma pode ser comum a dezenas de doenças e destaca a importância da relação de confiança entre médicos e pacientes. “Na hora que a pessoa fica sem referência, vai buscar por conta própria e acaba se atrapalhando.”

FALSOS SINTOMAS

Aconteceu com a administradora de empresas Alba Prizão, 27. Ela desenvolveu distúrbios de ansiedade por causa, em grande parte, do excesso de informação equivocada na rede.

Alba começou as loucas buscas por sintomas e doenças depois que teve uma reação alérgica provocada por uma taça de vinho tinto. Ela conta: “Fui à farmácia, o farmacêutico disse para eu ir ao hospital tratar a reação. Falou que alergia pode evoluir para choque anafilático, mas que não era meu caso”.

No pronto-socorro, a administradora foi diagnosticada com alergia e medicada, mas não chegou a ir a um médico. Começou a pesquisar sobre choque anafilático no computador e descobriu que era um problema sério.

Depois disso, foi parar no hospital diversas vezes com sintomas da reação alérgica. “Tinha sempre os mesmos: taquicardia, garganta fechando e tremedeira.”

O psicoterapeuta e professor da PUC-SP Antonio Carlos Pereira explica que o corpo reage a situações criadas pelo cérebro: toda a fisiologia pode ser afetada por ideias, daí o risco de conclusões sobre doenças baseadas no dr. Google. Isso posto, ele defende o direito do paciente buscar na rede o significado do jargão usado pelo médico.

Alba deixou de usar xampu, desodorante e sabonete na época, por medo. “Tirei todas as conclusões pela internet, fuçava tudo.”

Na última ida da moça ao pronto-socorro, uma médica disse que ele deveria consultar um psiquiatra, pois seu problema era psicológico. Alba foi diagnosticada com ataques de ansiedade.

O supervisor do programa de ansiedade do Instituto de Psiquiatria da USP Luiz Vicente de Mello explica que o medo desencadeia as histaminas, substâncias que nos defendem dos corpos estranhos que nos atacam. “Há relação entre o sistema de alergia e o de emoção. Quem é muito tenso desenvolve sintomas físicos, somáticos.”

Hoje, os ataques de Alba cessaram e ela frequenta o especialista uma vez por semana. As buscas na rede diminuíram, mas o fácil acesso ainda lhe parece tentador. “Meus pais e meu médico me proibiram de entrar na internet para procurar doença. Tento não fuçar muito, mas ainda olho”, entrega.

Mello afirma que as pesquisas on-line devem ser criteriosas. “Sites confiáveis, ligados a faculdades, ajudam a esclarecer. Já os alternativos podem fornecer informações errôneas e quem não conhece os termos técnicos pode confundir uma doença com outra e transformá-la em preocupação excessiva.”

No Brasil, 10% a 15% da população sofre de ansiedade, segundo dados do Instituto de Psiquiatria da USP, enquanto apenas 2% a 4% são hipocondríacos.

Mas o interesse dos pacientes que sofrem desses dois distúrbios é o mesmo: descobrir se têm determinada doença. A ansiedade é tratada com antidepressivos e psicoterapia, enquanto a hipocondria, com terapia cognitiva comportamental.

A consulta médica deve ser soberana, de acordo com o supervisor do instituto. “O paciente não pode procurar nada sem avaliação clínica médica, senão é induzido a comprar remédios que podem fazer mal e ocultar uma doença mais grave.”

Fonte Folha

Saúde à distância – Médico usa videoconferência para aplicar anestesia em paciente

Experiência é inédita no mundo e foi feita entre o Canadá e a Itália

Um grupo de médicos canadenses aplicou pela primeira vez no mundo uma anestesia por videoconferência em um paciente que foi submetido a uma cirurgia na glândula tireoide.
O médico Thomas Hemmerling e seus colegas de trabalho no Departamento de Anestesia da Universidade de McGill, no Canadá, conseguiram a façanha no dia 30 de agosto, quando aconteceu a cirurgia na Itália.

O procedimento feito da cidade canadense de Montreal é conhecido como teleanestesia, estudado por médicos, engenheiros, pesquisadores e anestesistas responsáveis por visualizar remotamente por meio de um sistema automatizado de áudio e vídeo as condições do paciente e receitar a quantidade necessária da substância anestésica intravenosa.

Hemmerling explicou o quanto a técnica pode ser útil.

– A prática tem aplicações em países com número significativo de pessoas que vivem em áreas remotas, como o Canadá, onde o especialista pode não estar no local da cirurgia. Isso pode também ser usado para fins de ensino, permitindo que o médico residente faça tarefas sem a presença física do professor, aumentando a sua sensação de confiança.

Assim como foi feito entre a Itália e o Canadá, quatro câmeras de vídeo monitoram o paciente em tempo real. Por meio do monitor é possível ver a taxa de respiração da pessoa que vai ser operada, a frequência cardíaca e o nível de oxigênio.

O anestesista recebe todas as informações na tela computador por áudio e vídeo. Ele libera a quantidade necessária para anestesiar o paciente, mas quem está ao lado da pessoa pode substituir o processo pelo método tradicional a qualquer momento.

Os pesquisadores analisam a possibilidade de realizar em breve também por videoconferência a avaliação pré-operatória conectando o médico à casa do paciente.

A ideia é evitar estresse pré-operatório, já que muitas pessoas que estão prestes a passar por uma operação, são submetidas a longos e cansativos exames. Como atualmente muitas cirurgias não dependem de uma analise prévia feita com base em exames invasivos, por exemplo o de sangue, essa técnica deve ter um futuro bastante promissor.

Novos estudos serão feitos para confirmar a eficácia dessa experiência inicial.

Fonte R7

Saúde com frutas e legumes – Apenas 6% dos adolescentes de São Paulo consomem a quantidade certa

A cada dez adolescentes, sete comem apenas 17% do que deveriam

As mães sempre reclamam quando seus filhos adolescentes não comem frutas, legumes ou verduras. Um estudo da USP (Universidade de São Paulo) mostrou que essa rejeição aos vegetais é mais grave do que se imaginava.

Após avaliar 812 adolescentes com idades entre 12 e 19 anos e residentes na capital paulista, pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública da USP descobriram que somente 6,4% consomem pelo menos 400 g por dia de frutas, legumes e verduras. Essa é a quantidade mínima diária recomendada pela OMS (Organização Mundial de Saúde).

Além disso, 22% dos entrevistados não comeram um vegetal sequer no dia da avaliação. A pesquisa se baseou em dados levantados em 2003 pela Secretaria Municipal de Saúde.

Em entrevista à Agência USP, a nutricionista Roberta Bigio, responsável pela pesquisa, disse que os resultados mostram um cenário preocupante.

– Há sempre a ideia de que o adolescente come muito mal, porém, não tínhamos dados para confirmar este fato, pensávamos que havia um exagero nas afirmações. Mas os dados levantados são piores do que o esperado.

A pesquisa revela que a maioria dos adolescentes, 71,6%, consomem em média 70 g de vegetais por dia. Essa quantidade é 17,5% do mínimo necessário.

De acordo com Roberta, quando se fala em consumir 400 g por dia, isso quer dizer que o adolescente deveria, no mínimo, comer um prato raso de salada de folha, uma porção de cerca de 80 g de hortaliça cozida, como uma cenoura, e três frutas de porte médio durante o dia, como uma banana ou uma maça.

O baixo consumo desses alimentos, segundo a pesquisadora, afeta o valor nutricional da dieta dos jovens, o que pode resultar em complicações a curto e longo prazo. Ela explica que algumas vitaminas encontradas nesses alimentos são antioxidantes, como a C, a A e a E, e que a falta delas pode levar a inúmeros problemas, como os de doenças cardiovasculares e câncer.

– Além disso, frutas, legumes e verduras são produtos de baixa caloria e os adolescentes os substituem por produtos altamente calóricos, podendo levar ao excesso de peso e outras doenças decorrentes.

Fonte R7

Mudança de sexo – Cirurgia para mulheres será permitida no Brasil

A cirurgia para mudança de sexo em mulheres, antes permitida somente como experiência, será autorizada no Brasil a partir de decisão do Conselho Federal de Medicina (CFM), a ser publicada no Diário Oficial da União (DOU).

A técnica retira mamas, ovários e útero do corpo da mulher. A construção de um pênis no transexual feminino ainda será mantida com caráter experimental, não sendo liberada.

A decisão do CFM, assinada pelo conselheiro relator Edevard José de Araújo, vale para qualquer estabelecimento, público ou privado, capaz de realizar o procedimento.

Para isso, é preciso que a transexual ou interessada em mudar de sexo atenda a critérios como grande desconforto com o corpo original.

Para ter direito à cirurgia, a pretendente precisa ter mais de 21 anos, diagnóstico médico de transgenitalismo e condições físicas de passar pela operação. Os critérios são definidos por um conselho médico com psiquiatra, cirurgião, endocrinologista, psicólogo e assistente social.

Segundo o texto da decisão, o transexual tem um desvio psicológico que o faz não se conformar com o seu corpo. Essa rejeição pode levar a mutilações e suicídios por parte dos transexuais. Para o CFM, a candidata à cirurgia deve ter o desejo de mudar de sexo a pelo menos dois anos, provado com acompanhamento médico.

A resolução faz com que a cirurgia não seja mais considerada crime de mutilação, como previsto pelo artigo 129 da Constituição, já que seria apenas uma correção para atender ao conforto do transexual.

Fonte G1